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rafaela fleur
Entre a Baía de Todos-os-Santos e a história que atravessa quase um século, o Fera Palace Hotel voltou a chamar a atenção dos holofotes nacionais. O espaço, um dos prédios mais emblemáticos de Salvador, foi destaque em reportagem escrita por Rafaela Fleur para a Marie Claire, do grupo Globo, que revisita a trajetória do hotel e o posiciona como um espaço onde arquitetura, memória, arte e gastronomia se encontram em equilíbrio.
Localizado na esquina da Rua Chile com a Baía, o edifício art déco, construído em 1934, atravessou diferentes ciclos da cidade até ser reinaugurado em 2017, após um cuidadoso processo de restauração conduzido pela Fera Investimentos. Na reportagem, a Marie Claire define o hotel como um lugar onde “o tempo parece se comportar de outro jeito”, um espaço que “desacelera o passo, afina o olhar e convida à escuta”.
Para o fundador e CEO da Fera Investimentos, Antonio Mazzafera, o desafio sempre foi preservar a identidade do prédio sem congelá-lo no passado. “Quando adquiri o prédio, essa história era quase palpável. Havia uma responsabilidade clara de preservar essa memória e garantir que ela continuasse viva”, afirmou à publicação. Segundo ele, o projeto buscou fazer com que “o que pulsa no presente seja essa permanência da memória, agora reinterpretada de maneira contemporânea”.
Inspirado no Flatiron Building, de Nova York, o antigo Hotel Palace rompeu com a arquitetura colonial predominante e se tornou, ainda nos anos 1930, ponto de encontro da vida cultural da cidade. Artistas e intelectuais circularam por seus corredores, e o cassino do hotel entrou para a literatura brasileira pelas páginas de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Jorge Amado. Carmen Miranda, Orson Welles e Pablo Neruda estão entre os nomes associados à história do prédio.
Assinado pelo arquiteto dinamarquês Adam Kurdahl, o retrofit respeitou o tombamento pelo Iphan e recuperou elementos originais, como pisos de taco e mármore, além de luminárias, louças e metais que preservam o espírito art déco. A curadoria artística reforça o diálogo com Salvador, com fotografias de Akira Cravo e esculturas de Nádia Taquary ocupando áreas comuns e quartos.
Nove anos após a reabertura, o Fera Palace também se firmou como um polo gastronômico. O destaque mais recente é o restaurante Arento, comandado pelo chef executivo Peu Mesquita, que assume a cozinha com uma proposta conectada ao litoral baiano. “É um prédio que representa muito para a cidade. Existe uma Salvador antes do Fera e outra depois. Receber esse convite foi uma honra enorme”, destacou o chef à Marie Claire.

Com foco em frutos do mar e ingredientes locais, o menu aposta em uma leitura contemporânea da cozinha baiana, sem recorrer a estereótipos. “A ideia é fazer uma cozinha elegante, moderna, mas ancorada nos ingredientes brasileiros”, explicou Peu. A moqueca aparece no cardápio, mas divide espaço com crudos, grelhados e preparações que exploram pimentas, ervas e frutas de forma sutil. “O desafio é usar elementos baianos sem cair no clichê”, completou.
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A jornalista baiana Rafaela Fleur, que nos últimos dias foi acusada de ser uma mulher branca tentando se passar por negra, se pronunciou pela primeira vez na noite desta segunda-feira (1). No final da última semana, os questionamentos sobre a raça da jornalista vieram à tona após alguns internautas compararem fotos antigas e novas que ela publicou no Instagram.
No vídeo, de 12 minutos, publicado no Instagram, Rafaela rebate as críticas e fala sobre sua infância, adolescência e o processo para se reconhecer como uma mulher negra.
“Eu vim aqui para falar das denúncias que aconteceram nos últimos dias de que eu era uma mulher branca tentando me passar por uma mulher negra, que eu era afroconveniente, que eu tava fazendo blackfacing, blackfishing”, começou ela.
Em seguida, Fleur começou comentando que é a pessoa com a cor de pele mais clara da sua família e por muito tempo considerou isso sorte. “Com 16 eu comecei a me relacionar, comecei a sair, e nesta época eu conheci meu primeiro namorado, que era um homem negro, porém um homem negro que gostava de mulheres brancas e ruivas. Ele gostava muito de ruivas, falava que gostava da pele pálida e tal”, confidenciou.
Ela contou que foi neste momento que ela começou a criar estratégias para parecer mais branca. “Salvador é uma cidade muito quente, eu saia toda montada para não pegar sol e também porque eu me achava estilosa, gostava de me vestir daquele jeito. O que também virou motivo de chacota na faculdade, as pessoas tiravam foto minha compartilhavam entre si para falar que eu era ridícula e fazer chacota”, prosseguiu.
“Muita gente falou assim: ‘Nossa você editou todas as suas fotos então? Isso é impossível, gente não é impossível. É só você pegar a foto, aumentar o brilho bastante, diminuir a saturação. Á noite só tirar foto com o flash estourando na cara, aí para completar a edição, além dos filtros com o tom mais frio para ficar mais azulado, mais branco, eu pegava aquela função de branquear dente e passava no rosto, passava na pele para ficar bem branca”, prosseguiu.
Depois de falar sobre seu processo de embranquecimento, Rafaela explicou quando foi o momento que ela passou a se reconhecer como uma mulher negra. “Eu sempre estava sendo lembrada aqui e ali que eu não era branca. Mais nova eu sofri racismo sim no colégio. Já ouvi de um professor na frente da sala toda que a minha pele era encardida, que eu não era nem branca nem negra, eu era encardida”, apontou.
Segundo ela, sua situação começou a melhorar quando ela se mudou para São Paulo, a partir do momento que ela começou a acessar alguns espaços de luxo e fazer amizades com pessoas negras que estava o tempo todo incluindo ela em conversas sobre questões raciais.
“Até que chegou o momento que eu realmente comecei a me questionar certas coisas, comecei a me questionar do meu cabelo, da minha lente, a situação da lente estava ficando insustentável, eu não aguentava mais perder tanto tempo para editar uma foto. Aí eu comecei meu processo identitário, comecei a me questionar várias coisas, e falava assim: ‘Ue, meu pai é negro, minha mãe é negra, meus irmãos são negros, mas eu não né?’”, alegou.
“E aí pensando que esta situação estava estranha fui entrando em um processo que ele está acontecendo até hoje, ainda não terminou, e por ser um processo tão íntimo e já tão doloroso para mim, porque eu precisei revisitar muita coisa, revisitar muitas violências”.
No fim, ela revelou que não imaginou que teria que compartilhar seu relato, e que esperava poder viver isso de forma particular.
Nos comentários da publicação, vários famosos se sensibilizam e prestam apoio a jornalista. “São tantas dores, tantas violências! Que seja possível realinhar todas as questões! Muita gente adoecida, adoecendo outras pessoas!”, escreveu Tia Má. “Todo meu afeto e carinho por vc Rafa. Fique bem”, apoiou Rafael Zulu.
“Sinto muito por você ter passado por isso. Quando atravessei meu processo de letramento racial também tive muita gente questionando até onde eu era negro. E nisso, somos violentados por quem a princípio deveria entender toda essa desnaturalização. Mas acredite: estamos falando de movimentos adolescentes se comparados a uma estrutura que está aí nos predando a 500 anos. Que você consiga fazer do limão uma limonada e que essa história gere um debate mais sadio daqui pra frente. Fica bem!”, declarou Thiago Dude.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jojo Todynho
"Eu não tenho pretensão política nenhuma".
Disse a cantora Jojo Todynho ao comentar o cenário político atual e opinar sobre o desfecho eleitoral do país.