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A Bahia aparece entre os estados que mais gastam com a população carcerária no Brasil. Em 2026, o custo mensal médio por preso no estado chegou a R$ 3.449,56, valor que supera dois salários mínimos mensais e coloca o estado entre os mais caros do país nesse tipo de despesa.
Os dados constam no painel Custo do Preso, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo federal. Os números ganham ainda mais destaque quando se observa o recorte mais recente. Apenas no mês de fevereiro de 2026, a Bahia registrou um custo de R$ 4.403,35 por preso, ultrapassando inclusive estados como Santa Catarina, que possui um dos maiores custos médios do ano, com R$ 3.549,53.
O cenário reforça o peso das despesas com o sistema prisional baiano, que fica acima de estados como São Paulo, onde o custo médio é de R$ 1.959,55, e do Distrito Federal, com R$ 2.476,39. Em nível nacional, apenas alguns estados, como Amapá e Maranhão, apresentam médias próximas ou superiores em determinados períodos.
CRISE NO SETOR
O Bahia Notícias detalhou na última semana a delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. A fuga de 16 detentos no Conjunto Penitenciário de Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia, foi organizada em 40 dias, por meio de visitas privilegiadas, escavação em celas e operação institucional e armada. As informações foram apuradas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O conteúdo foi, inclusive, matéria do Jornal Nacional divulgou as imagens da delação premiada da ex-diretora.
Em trecho da delação, uma troca de mensagens entre a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, e o ex-deputado federal Uldurico Júnior revela que, após a fuga dos 16 detentos da unidade, ambos passaram a adotar um discurso convergente de críticas à atuação da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), ao mesmo tempo em que tentavam reagir ao avanço das investigações.
Uma das principais lideranças do MDB na Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima também foi citado no depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, como um possível beneficiário da propina de R$ 2 milhões pela facilitação na fuga de 16 detentos da unidade prisional, ocorrida em dezembro de 2024. Conforme delação premiada, Geddel teria acordado com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época filiado ao MDB, o recebimento de metade da quantia, ou seja, R$ 1 milhão.
Em um diálogo registrado no dia 18 de dezembro de 2024, um dia após ser afastada do cargo por decisão judicial, Joneuma afirmou de forma direta: “Sim, mas quando a Seap quer ela abafa”. A mensagem foi enviada após Uldurico comentar que o caso já havia chegado ao conhecimento de lideranças políticas, mas ganhava repercussão. Nas mensagens consultadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), a resposta da ex-diretora sugere a percepção de que a secretaria teria, quando conveniente, minimizado ou contido a repercussão de episódios semelhantes.
Na Bahia, 18 dos 27 presídios estão com mais presos do que a capacidade comporta, o que aponta o problema em quase 70% das unidades prisionais. Entre os locais com excesso de presos está o Conjunto Penal de Eunápolis, no Extremo Sul.
Na próxima quinta-feira (19) completa uma semana da invasão da carceragem que resultou na fuga de 16 presos, que seguem foragidos até esta quarta (18). Conforme o G1, informações da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) relatam que há quase 11 mil vagas previstas, mas a população carcerária do estado é de 13,6 mil detentos, um excesso de 2,6 mil presos. Antes da fuga em Eunápolis, o presídio abrigava 554 internos, excedendo a capacidade de 457 vagas.
No maior presídio do estado, o Conjunto Penal de Feira de Santana, há 666 presos em excesso. O local tem capacidade para quase 1,3 mil presos, mas abriga quase 2 mil. Na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, a superlotação é de 509 presos, já que o presídio tem capacidade para 900, mas atualmente abriga 1,4 mil presos.
Já em Teixeira de Freitas, no Extremo Sul, o presídio está com quase o dobro da capacidade máxima. São 608 detentos para o local que comporta 316. Ao site, o presidente do Sindicato dos Policiais Penais, Reivon Pimentel, declarou que a quantidade de agentes contratados no estado não é suficiente para fazer a segurança das unidades, devido à superlotação.
Em nota, a Seap declarou que a superlotação prisional é uma realidade nacional, e que a Bahia ocupa a 17ª posição entre os 23 estados com maior superlotação. A pasta disse ainda que tem feito obras, como na Colônia Penal Lafayette Coutinho, em Salvador; e a conclusão da reforma da unidade especial disciplinar no Complexo da Mata Escura, com 432 vagas.
Em Feira de Santana, a pasta reforma o pavilhão 11 do Conjunto Penal, que deve ser entregue no primeiro trimestre de 2025.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Tânia Scofield
"Na verdade, o que a gente encontra hoje na rua de Salvador é uma faixa de veículo assim, bem acima do necessário. Esse acima do necessário permite inclusive que um carro ultrapasse, porque às vezes tem 3 metros e meio, 3 metros, às vezes 4 metros".
Disse a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, durante entrevista nesta terça-feira (8) ao programa Bahia Notícias no Ar, ao comentar a preocupação de parte dos motoristas com a redução do espaço para os carros nas obras de requalificação da Avenida Lafayette Coutinho, popularmente como Avenida Contorno é uma "percepção um pouco equivocada".