Artigos
Entre a Águia e a Geni: quem sustenta a pedra?
Multimídia
Deputado Leur Lomanto Jr. defende reformulação do processo eleitoral e critica “fragilidade” no vínculo partidário
Entrevistas
Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
passaros azuis
Com uma proposta sensível, o documentário “Pássaros Azuis: O Universo Masculino é uma Gaiola” surge como um convite à reflexão sobre o que significa ser um homem negro na Bahia. A produção reúne relatos de cinco personagens que, a partir de suas vivências, expõem como o racismo e o machismo atravessam suas trajetórias pessoais e sociais.
Idealizado a partir de uma pesquisa acadêmica iniciada ainda na graduação, o projeto nasceu em sala de aula e foi amadurecendo até ganhar forma como obra audiovisual. À frente do documentário, o diretor Ítalo Araújo e o roteirista Vinicius Cerqueira conduzem a narrativa e a construção do projeto. “A gente começou a ter a ideia desse documentário, na verdade, numa disciplina chamada documentário na faculdade, em que a gente falava sobre masculinidades de uma forma geral”, conta Ítalo. “Mas, depois que a gente fez esse projeto, elaborou tudo direitinho, surgiu a oportunidade de inscrevê-lo na Lei Paulo Gustavo”, completa.

Dividido em três atos, o filme aposta em uma narrativa intimista, combinando depoimentos com dados de instituições como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Atlas da Violência. A proposta constrói um mosaico sobre a vivência urbana em Salvador, conectando histórias individuais a uma realidade coletiva.
Ao longo do processo, a escuta dos entrevistados foi essencial para aprofundar o debate. “Ser homem negro ainda é um grande problema, é um estigma. São tantas coisas que envolvem ser, simplesmente ser uma pessoa negra, que fica até um pouco complicado definir isso”, reflete o roteirista Vinicius Cerqueira.
A construção simbólica também é um dos pilares do documentário. Elementos como gaiolas e a cor azul ajudam a traduzir, de forma visual, as camadas que envolvem a identidade masculina. “Eu pensei: ‘poxa, vai ser isso, esse vai ser o símbolo’, vai ser o significado do conceito do documentário, do quanto os homens são presos em gaiolas, em estruturas que aprisionam esse comportamento”, explica Ítalo.
Já o título da obra carrega referências diretas do processo criativo dos realizadores. “O nome, ele vem de um poema de Bukowski, em que ele fala sobre a temática masculina”, detalha Vinicius. “Então juntou essas duas coisas […] nasceu isso, o Pássaros Azuis, de fato como ele é hoje”, acrescenta.
Entre os entrevistados estão o delegado Ricardo Amorim, o ator e afrochefe Jorge Washington, o gestor cultural Vagner Rocha, o criador do projeto Positivar Masculinidades, Tiago Azeviche, e o professor Bruno Santana, vozes que contribuem para ampliar o debate a partir de diferentes perspectivas.
As locações também desempenham papel fundamental na narrativa. Da Lagoa do Abaeté ao Centro Histórico, Salvador não é apenas cenário, mas parte ativa da construção do documentário, reforçando o vínculo entre território, identidade e experiência.
Mais do que um produto audiovisual, o projeto também impactou diretamente seus criadores. “É impossível passar ileso por esse processo, porque Pássaros Azuis me atravessou de diversas formas”, afirma Ítalo. “Ele me ensinou que é preciso desacelerar, entender que, por trás de cada dado […] existe uma história de silenciamento que precisa de tempo para ser contada”, conclui.
Existe o desejo de levar o documentário para grandes festivais do país, ampliando o alcance da obra e conectando a narrativa a diferentes públicos. “A gente tem sempre os nossos desejos, né? Eu acho que nos principais festivais do país, com certeza, a gente está começando a trabalhar, a gente que já finalizou o documentário no sentido de edição mesmo, já está pronto, vamos ter uma reunião em breve. Mas, a gente já trabalha com isso nessa parte de distribuição, para poder entender em quais festivais a gente consegue inscrever o documentário, para poder levar a mensagem para mais pessoas”, afirma Vinicius Cerqueira.
Ainda sem uma data oficial de estreia, os realizadores garantem que o projeto está em fase final e cada vez mais próximo de ser lançado ao público.
Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado. Eu nunca teria imaginado que um metalúrgico, que já foi líder sindical como eu, fosse eleito três vezes para a presidência. Mas aqui estou eu!".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala sobre seus planos para a eleição deste ano, das pesquisas atuais e do principal adversário, Flávio Bolsonaro, e a respeito das suas estratégias para lidar com Donald Trump.