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Jovens negros de até 29 anos, moradores de periferias e favelas, representaram 64,8% das vítimas de operações policiais no Brasil em 2025, segundo estudo da Rede de Observatórios da Segurança lançado nesta quarta-feira (1). Do total de 4.330 pessoas mortas pela polícia no ano, 2.804 eram jovens negros nessa faixa etária, entre elas 312 crianças e adolescentes. O número representa um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.
Os dados foram fornecidos pelas secretarias de segurança de nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo os pesquisadores, pessoas negras sofrem, na média dos estados monitorados, quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas, com base nas taxas de mortes por 100 mil habitantes calculadas separadamente para cada grupo.
O estudo faz parte da sétima edição do relatório anual "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", produzido pela Rede de Observatórios, iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança e fenômenos de violência em nove estados brasileiros.
A Bahia, estado com maior população negra do país, cerca de 11 milhões de pessoas ou 79,9% dos habitantes, registrou 1.570 mortes causadas pela polícia em 2025, segundo o estudo "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", lançado nesta quarta-feira (1) pela Rede de Observatórios da Segurança. Do total, 93,9% das vítimas eram negras, o equivalente a 1.243 mortes. Desde o início da série histórica, as operações policiais no estado acumulam quase 9 mil mortos.
Os homens representaram 99,6% das vítimas. Jovens de 18 a 29 anos responderam por 66,4% dos casos, com 1.043 mortes registradas. Adolescentes de 12 a 17 anos somaram 9,7% das vítimas, aproximadamente uma em cada dez mortes. No total, pessoas com até 29 anos responderam por mais de 76% das mortes no estado.
O levantamento aponta ainda que apenas 12 municípios concentraram metade de todas as mortes registradas na Bahia. Dos 365 dias do ano, 346 tiveram pelo menos uma morte por intervenção policial.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) usou as redes sociais para se posicionar sobre a movimentação do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, que acionou a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos para acompanhar as apurações das mortes cometidas por policiais na Bahia.
O chefe do Executivo estadual disse que conversou com Almeida e que tem dialogado com o governo federal e órgãos do sistema de Justiça sobre segurança pública e redução da letalidade policial.
“O nosso compromisso é na apuração de casos de eventual excesso por parte de qualquer servidor, qualificação permanente da atuação policial para garantir mais eficiência na ação, respeito à legislação e preservação da vida”, escreveu o governador em sua conta no Twitter, na noite de domingo (6).
Na última semana, ao menos 30 pessoas foram mortas em operações policiais no estado. No dia 28 de julho, sete homens morreram em confronto com a Polícia Militar em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
No dia 30, duas mulheres e seis homens morreram após confronto com a polícia, na localidade do Morro do Tigre, zona rural de Itatim, no interior da Bahia. No dia seguinte, mais quatro pessoas morreram em confronto com a PM no bairro de Cosme de Farias, em Salvador.
O Ministério Público estadual (MP-BA) abriu investigações para apurar as circunstâncias das mortes registradas durante ações policiais ocorridas nos municípios de Salvador, Camaçari e Itatim.
As investigações serão conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), em conjunto com os promotores de Justiça criminais das respectivas comarcas. O MP também acompanhará o andamento dos inquéritos policiais instaurados na Polícia Civil para apuração dos fatos.

Imagem: Reprodução Twitter
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Manno Góes
"A festa baiana enfrenta hoje a forte concorrência de capitais como São Paulo. Consequentemente, os turistas de fora deixaram de vir com a mesma frequência, e o público atual tem sido sustentado pelo turismo interno, com moradores do interior da Bahia se deslocando para a capital".
Disse o músico e compositor Manno Góes analisou o atual cenário cultural da Bahia e fez reflexões sobre os desafios e a estagnação do Carnaval de Salvador, durante entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador.