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Artigos

Marcos Pires
SAFs e tributação: segurança jurídica para o futuro do futebol brasileiro

SAFs e tributação: segurança jurídica para o futuro do futebol brasileiro

A criação das Sociedades Anônimas do Futebol inaugurou uma nova etapa na organização do futebol brasileiro. A Lei nº 14.193/2021 estabeleceu um tipo societário próprio para a atividade futebolística, abriu novos caminhos para a entrada de investidores e estimulou a profissionalização da gestão e a busca de soluções para crises financeiras acumuladas ao longo de décadas.

Multimídia

João Roma diz que todos, exceto Lula, devem apoiar ACM Neto no governo da Bahia

João Roma diz que todos, exceto Lula, devem apoiar ACM Neto no governo da Bahia
O ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro e pré-candidato ao Senado João Roma (PL) afirmou que, à exceção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todos os pré-candidatos ao Planalto em 2026 devem apoiar o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato da oposição ao Governo da Bahia, ACM Neto (União).

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

misoginia

Aliado de Flávio Bolsonaro chama jornalistas de "prostitutas" e diz que Miriam Leitão "não merece ser estuprada"
Foto: Reprodução Rede X

Associações que representam jornalistas e veículos de imprensa divulgaram notas nesta quinta-feira (29) em repúdio às declarações dadas pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, em especial ataques misóginos dirigidos a Miriam Leitão. Durante uma live no Youtube na noite da última terça (28), Figueiredo, que é conselheiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que jornalistas seriam “putas pagas” com recursos públicos de publicidade estatal e “prostitutas de alma”.

 

Ao longo da transmissão, o influenciador, que atua nos Estados Unidos junto a Eduardo Bolsonaro para que Donald Trump aplique sanções a autoridades brasileiras, sugeriu que veículos e jornalistas dependeriam de verbas de publicidade estatal para existir. Ele citou nominalmente empresas de comunicação como Globo, Folha de S.Paulo e Poder360, e afirmou que, sem esse financiamento, profissionais estariam fora do mercado.

 

Em uma outra fala, Paulo Figueiredo elogiou declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando disse que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada por ser feia. O influenciador bolsonarista adaptou a declaração à jornalista Míriam Leitão, ao chamá-la de “Míriam Leitoa”.

 

“Não fossem esse dinheiro do governo Lula, elas estariam desempregadas, elas estariam catando lixo na rua, ou se prostituindo, algumas talvez tenham até aparência para se prostituir, outras não, não vou citar aqui nomes, mas tenho dificuldade de imaginar se, por exemplo, a Miriam Leitoa, caso não tivesse uma teta pra mamar na Globo, tenho dúvidas se haveria demanda caso se prostituísse. É mais uma que não merece ser estuprada, como todas as outras não merecem, mas essas talvez um pouco mais. Eu tenho desprezo por essas pessoas”, disse. 

 

Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) disse repudiar os ataques proferidos por Paulo Figueiredo contra jornalistas e veículos de comunicação. A associação destaca que as ofensas ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram grave incitação ao ódio e à intimidade de jornalistas.

 

“As ofensas, que incluem insultos e a banalização da violência sexual contra uma profissional da imprensa, ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram grave incitação ao ódio e à intimidação de jornalistas. É inadmissível que profissionais da comunicação sejam alvo de discursos que buscam constrangê-los, desqualificá-los e estimular a violência em razão do exercício de sua atividade. Ataques dessa natureza representam uma afronta à liberdade de imprensa, à dignidade da pessoa humana e ao direito da sociedade de receber informação livre, plural e independente”, diz a nota.

 

A entidade também manifestou solidariedade à jornalista Miriam Leitão e aos demais profissionais atingidos e disse esperar que as autoridades competentes adotem medidas cabíveis para a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos. A Abert reafirmou ainda seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão, do livre exercício do jornalismo e da integridade de todos os profissionais da comunicação.

 

Outra entidade que se manifestou foi a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que igualmente repudiou as declarações de Paulo Figueiredo. Em nota, a Abraji destacou que há frases do influenciar que guardam alta similaridade com ofensas pelas quais Jair Bolsonaro foi condenado a pagar indenização por danos morais. 

 

“A escolha das falas indica que o objetivo da mensagem, além do ataque gratuito a jornalistas, é produzir engajamento e atenção”, afirma a entidade.

 

A Abraji também manifestou sua solidariedade com a jornalista Miriam Leitão e a todas as profissionais atingidas pelas declarações, e exigiu a responsabilização de Paulo Figueiredo nas instâncias cabíveis, considerando o uso de discurso de ódio e incitação à violência. 

 

“Aproveitamos o episódio para cobrar também o compromisso de toda a sociedade, e em especial daqueles que disputam mandatos públicos, com a proteção de jornalistas — sobretudo mulheres — contra ataques que buscam silenciar a cobertura crítica por meio da violência simbólica e da ameaça. Este não é um episódio isolado. Há anos, jornalistas mulheres são alvo de violência por seu trabalho na imprensa brasileira. Em junho, Figueiredo já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República contra ele por declarações misóginas anteriores”, coloca a entidade em sua nota. 

 

“Repudiamos veementemente qualquer tentativa de normalizar a violência de gênero como instrumento de intimidação contra a imprensa, e, em especial, nossas colegas jornalistas. Ataques digitais como esses contribuem para a estigmatização e descredibilização do trabalho jornalístico e servem de impulso para formas de violência ainda mais graves que têm se multiplicado no último período”, concluiu a Abraji no texto divulgado na noite desta quarta.

 

Além das entidades, deputadas federais também reagiram em suas redes sociais às declarações. Para as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o conteúdo divulgado por Figueiredo incentiva o ódio contra as mulheres e reforça a necessidade de aprovação do PL da Misoginia.
 

Bahia registra 4° maior número de feminicídios do Brasil; veja os números
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Bahia registrou o quarto maior número de feminicídios do país no último ano. Ao todo, 102 mulheres foram assassinadas por motivos ligados à condição de gênero. O número foi incluído nos registros de homicídios de mulheres do Anuário de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23).

 

Ao todo, 352 mulheres foram vítimas de homicídio feminino em 2025, incluindo os casos de feminicídio. O homicídio feminino configura qualquer assassinato de uma mulher, independentemente da motivação. Já o feminicídio é uma qualificadora do homicídio doloso no Brasil, mediante lei.

 

No Brasil, foram registrados 3.539 homicídios de mulheres em 2025, sendo que 1.571 foram tipificados como feminicídio. Neste cenário, quase metade dos homicídios de mulheres no Brasil, cerca de 44,4%, foram feminicídios, ou seja, motivados em razão do gênero.

 

Em ambas as tipificações de crime, o estado apresentou variações de queda em comparação ao ano de 2024. Há cerca de dois anos, a Bahia registrou 388 homicídios femininos. Naquele ano, 5,1 a cada 100 mil mulheres foram assassinadas no estado.

 

Já em 2025, o número total teve uma redução de 36 vítimas, o equivalente a 9,4%, e a taxa de homicídios foi de 4,6 mulheres mortas a cada 100 mil. Já os feminicídios tiveram uma queda menos perceptível: foram 110 em 2024 e 102 no último ano.

 

No cenário nacional, foram 3.728 homicídios femininos em 2024, frente aos 3.539 deste ano, registrando uma queda de 5,5% em um ano. Na tipificação de feminicídios, o resultado foi oposto e o país registrou um aumento de 4%. Foram 1.504 casos há dois anos e 1.571 casos no ano passado.

 


Foto: Gráfico elaborado com uso de Inteligência Artificial (Notebook LM)

Machismo na trilha: Guias mulheres da Chapada Diamantina relatam assédio e enfrentam boicote profissional
Foto: Acervo pessoal/ Joana Vilarinhos

A Chapada Diamantina, referência em turismo de aventura, revela um cenário complexo para as mulheres que atuam na linha de frente do ecoturismo. Longe da narrativa da aventura perfeita, a realidade das guias é marcada pelo silenciamento sistêmico, onde o assédio, o boicote profissional e a descredibilização técnica formam uma barreira que muitas vezes torna invisível o trabalho daquelas que conduzem visitantes por trilhas, travessias e até mesmo em situações de combate a incêndios.  

 

A guia de ecoturismo Patrícia Ferreira relata que existem regras informais, impostas pela sociedade, que tentam limitar a presença feminina no setor. "Quando conseguimos superar barreiras e ocupar espaços, ainda nos é exigida uma feminilidade performática. Existe uma preferência nítida das agências por guias homens, especialmente em travessias longas, sob a justificativa de que exigem maior esforço físico. Quando adoto uma postura firme e direta, sou rotulada como agressiva ou problemática; o interesse é que eu mantenha o silêncio e não apresente senso crítico". A profissional acrescenta que a desigualdade reflete na remuneração: "Frequentemente, temos que provar o dobro da competência para receber a metade da remuneração".  

 


Patrícia Ferreira relata desigualdade no tratamento entre homens e mulheres | Foto: Acervo pessoal

 

O peso dessa descredibilização também é sentido pela guia de ecoturismo Joana Vilarinhos. "Existe uma preferência das agências por guias homens para liderar grandes grupos e travessias longas, baseada em uma visão de força braçal. Essa percepção associa a capacidade de liderança a um visual imponente, com homens altos e fortes. Já presenciei turistas ficarem desorientados ao descobrirem que uma mulher lideraria a expedição, como se a capacidade técnica fosse relativa à aparência física ou à massa muscular". Além das dificuldades técnicas, Joana descreve um ambiente onde o silêncio é uma moeda de troca: "Há um esforço visível por parte de alguns setores para camuflar denúncias de assédio. Já fui abordada com o argumento de que falar sobre feminismo ou assédio no ecoturismo 'assusta o turista' e prejudica o setor. Minha posição é a de que o que afasta o turismo não é a denúncia, mas a falta de controle de profissionais que desrespeitam as normas de conduta".  

 


Patrícia Ferreira denuncia preferência de agências por guias homens | Foto: Acervo pessoal

 

Nas sombras desse cenário, o silêncio ecoa com a mesma intensidade das vozes que conseguimos registrar. A recusa de diversas profissionais em falar abertamente sobre o tema, revela que não estamos diante de uma lacuna de conteúdo, mas por uma barreira imposta pelo medo. Esse silêncio forçado ilustra um ambiente de censura e retaliação, onde a pressão exercida por operadoras e colegas de profissão atua como uma engrenagem de controle, punindo quem ousa questionar a estrutura vigente e tornando a denúncia um ato de rara coragem. 

 

A ausência de segurança em territórios remotos é outra faceta dessa jornada solitária das mulheres na Chapada. A guia de ecoturismo Izabelle Brandão aponta que, diante da falta de protocolos formais de proteção, a estratégia de defesa acaba sendo individual. "Até o momento, não conseguimos estruturar um protocolo de segurança coletivo para enfrentar situações de invasão ou assédio. Atualmente, a estratégia mais eficaz que adotamos é o registro em vídeo, que serve como uma garantia de direito em casos de desrespeito ou comportamento inadequado". Izabelle ainda pontua como o preconceito se infiltra até nos espaços que deveriam ser de apoio:

 

 "Já fui questionada em minha autoridade técnica, não apenas no trekking, mas também no combate a incêndios, partindo de outras mulheres. Infelizmente, faço parte de uma associação cujo estatuto inclui cláusulas de proteção que eu mesma solicitei, mas as mulheres preferem pedir ajuda aos homens e às brigadas masculinas do que dar ênfase ao conhecimento que possuo desde 2012 em combate a incêndios".  

 


Izabelle Brandão destaca jornada solitária das mulheres na Chapada | Foto: Acervo pessoal

 

Apesar dos obstáculos e do estigma de serem vistas como "problemáticas" por não se submeterem ao status quo, essas mulheres seguem ocupando os caminhos da Chapada Diamantina. O trabalho delas, que une a condução de grupos ao enfrentamento diário de um machismo estrutural, desenha um cenário onde a beleza das trilhas contrasta com a dura realidade de quem, para guiar o caminho dos outros, precisa primeiro abrir o seu próprio espaço no mercado.

Câmara aprova urgência para projeto de lei que equipara misoginia ao racismo
Foto: Lula Marques / Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (1º), o regime de urgência para o projeto de lei de combate à misoginia. Com a aprovação, que obteve 293 votos favoráveis e 158 contrários, a proposta poderá ser analisada diretamente pelo plenário da Casa, embora ainda não haja uma data definida para a votação.

 

O projeto de lei propõe alterar a Lei Antirracismo para incluir e tipificar os atos de misoginia, definidos no texto como “a prática, a indução ou a incitação de menosprezo ou discriminação contra a mulher, que promova violência, negue sua igualdade de direitos ou ofenda sua dignidade, em razão da condição de mulher”.

 

A proposta prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para injúria “por condição de mulher”, equiparando a punição à atualmente aplicada para o crime de injúria racial. A pena pode ser acrescida de metade caso o crime seja cometido por duas ou mais pessoas em associação.

 

DEBATE NA CASA
A relatora do projeto, Tabata Amaral (PSB), coordenou o grupo de trabalho (GT) sobre o tema e aprovou uma sugestão substitutiva ao texto que já havia sido aprovado pelo Senado em março. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), ressaltou que as sugestões do grupo de trabalho não são definitivas e que o relatório final.

 

Fotos: Bruno Spada / Câmara dos Deputados / José Cruz / Agência Brasil

 

Essa aprovação do regime de urgência enfrentou forte oposição de parlamentares da bancada evangélica. Durante a sessão, o deputado Otoni de Paula (PSD) leu passagens bíblicas sobre a submissão das mulheres aos maridos para questionar o alcance da lei.

 

"Trechos como esse, em que a Bíblia manda a mulher se sujeitar ao marido, podem ser interpretados como um texto misógino? O texto da Câmara não dá as garantias de que não haverá a quebra da liberdade religiosa", argumenta o parlamentar.

 

O coordenador da bancada evangélica, Gilberto Nascimento (Podemos), classificou o projeto como "complexo" e, embora tenha elogiado a postura da relatora em abrir diálogo com o segmento, afirmou ter dificuldades em votar favoravelmente à proposta neste momento.

Comissão aprova texto de Tabata Amaral ao projeto da misoginia e Motta garante votação no plenário no dia 29
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Foi aprovado em votação simbólica, na tarde desta terça-feira (16), o relatório da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que equipara a misoginia ao racismo, tornando esse crime inafiançável e imprescritível. Com a aprovação, o projeto, o PL 896/2023, seguirá diretamente para ser apreciado no plenário.

 

Na reunião de líderes realizada nesta terça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acertou a votação do projeto da misoginia no dia 29 de junho. Havia a expectativa de que o projeto fosse votado nesta semana, mas os líderes pediram um tempo maior para análise do texto aprovado no Grupo de Trabalho. 

 

Os membros do Grupo de Trabalho aprovaram o novo texto apresentado pela deputada Tabata Amaral na semana passada. O projeto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), foi aprovado no Senado no mês de março deste ano com 67 votos a favor e nenhum contra.

 

A relatora manteve em seu parecer o ponto central da proposta original, de tornar a misoginia crime inafiançável e imprescritível, nos moldes do racismo. A principal mudança feita pela deputada está na definição jurídica da conduta. 

 

Em vez de caracterizar a misoginia como “ódio” ou “aversão” às mulheres, o novo texto fala em “menosprezo ou discriminação” em razão da “condição de mulher”. Segundo Tabata Amaral, a mudança que ela introduziu no texto busca aproximar o projeto da linguagem já usada na legislação penal e processual penal. 

 

No seu relatório, Tabata Amaral destacou haver uma convergência central sobre “a íntima relação entre o discurso de ódio e inferiorização das mulheres e a prática de crimes graves”, evidenciando que o feminicídio é muitas vezes uma “morte anunciada” precedida por violência verbal e simbólica.

 

Entre os pontos levantados na proposta está proporcionar atendimento policial especializado às vítimas, considerando sua situação de vulnerabilidade e o risco de revitimização.

 

“As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) desempenham um papel fundamental na rede de proteção à mulher e, podem, portanto, oferecer um espaço de acolhimento qualificado e humanizado para aquelas que enfrentam a violência decorrente de misoginia”, afirmou a deputada.

 

A proposta também modifica o Artigo 8º da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) para acrescentar medidas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher com foco na identificação precoce de fatores de risco, na avaliação periódica de impacto das ações governamentais e não governamentais. 

 

Serão aimda acrescentadas ao texto da lei medidas como a promoção de programas de fortalecimento dos vínculos familiares e de suportes econômicos e sociais que mitiguem a dependência financeira que mantém vítimas mulheres presas ao ciclo de abusos.
 

Tabata Amaral muda texto do projeto que criminaliza a misoginia e inclui penalização aos grupos digitais "red pill"
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Com alterações no texto original aprovado pelo Senado, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou, nesta quarta-feira (10), uma nova versão do projeto que equipara a misoginia ao racismo, tornando esse crime inafiançável e imprescritível. A deputada alterou principalmente a definição de misoginia, e com a apresentação do relatório, o projeto de lei 896/2023 pode ser votado na próxima semana no grupo de trabalho da Câmara que analisa o tema. 

 

Tabata Amaral é a coordenadora do grupo de trabalho criado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir o projeto de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) que criminaliza a misoginia. O projeto, aprovado no Senado mês de março deste ano com 67 votos a favor e nenhum contra, impõe pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para esse tipo de crime.

 

O texto aprovado pelos senadores define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. O projeto também inclui a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989), ao lado de cor, etnia, religião e procedência.

 

A relatora do grupo de trabalho, Tabata Amaral, manteve em seu parecer o ponto central da proposta original, de tornar a misoginia crime inafiançável e imprescritível, nos moldes do racismo. A principal mudança feita pela deputada está na definição jurídica da conduta. 

 

Em vez de caracterizar a misoginia como “ódio” ou “aversão” às mulheres, o novo texto fala em “menosprezo ou discriminação” em razão da “condição de mulher”. Segundo Tabata Amaral, a mudança que ela introduziu no texto busca aproximar o projeto da linguagem já usada na legislação penal e processual penal. 

 

“A fim de preservar a uniformidade conceitual da legislação penal e processual penal sobre o tema, propomos a substituição dos termos 'ódio e 'aversão, previstos no projeto para a caracterização da misoginia, pelas expressões 'menosprezo ou discriminação em razão da 'condição de mulher”, afirmou a deputada.

 

A nova versão do projeto procura responder ao crescimento da violência contra mulheres no ambiente digital. O texto apresentado pela relatora prevê a possibilidade de suspensão temporária de contas ou perfis usados para divulgar conteúdo ilícito de caráter misógino.

 

A relatora também incluiu agravantes para crimes cometidos com o objetivo de gerar engajamento, monetização ou ampliar o alcance de publicações nas redes sociais. A preocupação é com a exploração da violência contra mulheres como forma de audiência, influência digital ou lucro.

 

Tabata citou a expansão de comunidades associadas à chamada “machosfera”, termo usado para descrever grupos e redes que difundem discursos de hostilidade ao feminino. Nesses ambientes, segundo a deputada, conteúdos misóginos são usados para estimular processos de radicalização, especialmente entre jovens.

 

Entre os grupos mencionados estão os chamados “red pill”, conhecidos por propagar narrativas de objetificação e desumanização das mulheres. Para a relatora, a legislação precisa alcançar essa dinâmica digital, que amplia discursos violentos e pode incentivar agressões fora das redes.

 

“Precisamos aprovar esse texto ainda neste mês. Enquanto a legislação não for atualizada, criminosos continuarão se sentindo à vontade para defender que mulheres sejam assassinadas, humilhadas e estupradas. É isso que queremos combater”, disse Tabata Amaral.
 

Ferroviária encerra vínculo com maqueiro acusado de ofender jogadora do São Paulo em semifinal do Brasileiro Sub-20
Foto: SporTV

A Ferroviária informou que encerrou o vínculo com o maqueiro acusado de ofender a zagueira Sarah Aysha, do São Paulo, durante a semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, disputada na última quarta-feira (20), na Fonte Luminosa, em Araraquara.

 

Segundo o clube, o homem não fazia parte do quadro fixo de funcionários e prestava serviço apenas em dias de jogos. A Ferroviária afirmou ainda que vai rever e intensificar os procedimentos de orientação e supervisão de profissionais que atuam pontualmente nas partidas realizadas no estádio. Leia abaixo a nota na íntegra:

 

"A Ferroviária SAF vem a público se pronunciar sobre o episódio ocorrido ao final da partida entre Ferroviária e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20.

 

O indivíduo envolvido prestava serviço pontual ao clube. Diante da gravidade da conduta, o vínculo foi encerrado de imediato.

 

O clube reconhece que o episódio ocorreu em seu evento e assume a responsabilidade de garantir que situações desta natureza não se repitam. Para isso, os procedimentos de orientação e supervisão aplicáveis às equipes que atuam em dias de jogo serão revistos e intensificados.

 

A Ferroviária lamenta o ocorrido e pede desculpas à atleta afetada e ao São Paulo Futebol Clube.”

 

ENTENDA O CASO
De acordo com a súmula da partida, Sarah Aysha informou à arbitragem, aos 48 minutos, que havia sido ofendida pelo maqueiro. A atleta relatou ter sido chamada de "biscate" e também xingada pelo homem.

 

Diante da denúncia, a árbitra Talita Ximenes de Freitas acionou o protocolo antirracismo e misoginia. A jogadora foi questionada se tinha condições de continuar na partida e confirmou que sim. Antes de voltar ao gramado, no entanto, Sarah chorou e chegou a passar mal no banco de reservas. O maqueiro foi retirado do estádio após o início da confusão.

 

"A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c....e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível", disse Sarah após o jogo. 

 

 

Logo após a partida, a Ferroviária já havia repudiado o episódio, pedido desculpas à atleta e ao São Paulo, e informado que iria apurar internamente a conduta.

 

O São Paulo também se manifestou em nota, lamentou o caso e afirmou que prestará suporte à jogadora. A Federação Paulista de Futebol (FPF) repudiou o episódio e declarou que está à disposição para colaborar com a apuração dos fatos.

 

Dentro de campo, o São Paulo venceu a Ferroviária por 4 a 2 e avançou à final do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 com placar agregado de 5 a 4. Os gols do Tricolor foram marcados por Julia Vaini, duas vezes, Tays e Vi Barreto. A Ferroviária descontou com Nogueira e Gabi Pusch.

 

Na decisão, o São Paulo enfrentará o Flamengo, que eliminou o Internacional na outra semifinal.

Motta cria grupo de trabalho para discutir projeto da misoginia e escolhe Tabata Amaral como coordenadora
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Atendendo a diversos apelos da bancada feminina, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a criação de um grupo de trabalho para debater o projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação. O anúncio foi feito por meio de um vídeo divulgado nesta sexta-feira (24) nas redes sociais do deputado.

 

No vídeo que fez o anúncio, Motta disse que proteger as mulheres é sua “prioridade absoluta”. Para coordenar o grupo de trabalho, foi escolhida a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). 

 

Segundo o presidente da Câmara, a criação do Grupo de Trabalho visa dar uma tramitação mais célere ao projeto, evitando que fique emperrado em meio a múltiplas comissões. 

 

“O Parlamento tem seus ritos. Temos um tempo para o debate, para o diálogo e para a construção dos consensos. (...) Com o projeto da misoginia, não será diferente. O GT assegura um debate técnico e profundo. Ao mesmo tempo, agiliza a pauta para que a tramitação seja muito mais rápida e chegue logo ao plenário”, explicou Hugo Motta.

 

O projeto que será analisado no GT, o PL 896/2023, é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). A proposta foi aprovada no plenário do Senado em 24 de março, com relatório da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). 

 

O texto aprovado no Senado define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. O projeto também inclui a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989), ao lado de cor, etnia, religião e procedência.

 

A legislação atual equipara a misoginia à injúria e à difamação – com pena que pode ir de dois meses a um ano de reclusão, de acordo com o Código Penal (arts. 139 a 141). Para evitar possíveis conflitos de interpretação, a relatora no Senado, Soraya Thronicke, apresentou uma emenda para que o Código Penal passe a reger tão somente a injúria no contexto de violência doméstica e familiar, e não a injúria misógina – “substancialmente mais grave que a primeira”. 

 

Desde que chegou à Câmara dos Deputados, o projeto dividiu opiniões. Parlamentares de partidos como PT, PSB, Psol e PCdoB defendem o texto como caminho efetivo para garantir uma maior proteção à mulher, enquanto, de outro lado, deputados e deputadas do PL e conservadores temem que, na forma como foi aprovada no Senado, a matéria possa resultar em censuras indevidas.

 

Com a criação do grupo de trabalho, deputados de todos os campos poderão debater a construção de um parecer que atenda diferentes grupos, facilitando a chegada a um consenso, como defendeu o presidente da Câmara. “Vamos seguir em frente com o equilíbrio e a urgência que o tema exige”, disse Motta. 
 

Janja diz que Nikolas dissemina "discurso red pill" e o deputado rebate: "Vem com cara de sonsa enganar as pessoas"
Foto: Reprodução Redes Sociais

Uma discussão sobre o projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo entre a primeira-dama Janja e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) agitou as redes sociais nesta segunda-feira (30). Inicialmente, Janja postou um vídeo criticando o deputado mineiro por “disseminar discurso de ódio”, e depois foi a vez de Nikolas rebater a primeira-dama ao citar os altos índices de violência contra a mulher durante os três primeiros anos do governo Lula. 

 

O projeto que causou a discussão é o PL 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), que foi aprovado no Senado na semana passada e seguiu para a Câmara. O texto, aprovado por unanimidade, define misoginia como “a conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”.

 

Com a definição, o projeto busca alterar a Lei do Racismo para tipificar a misoginia como crime de discriminação. As penas relativas ao crime variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

 

Pelo projeto, estarão sujeitas a essas regras, por exemplo, a injúria ou ofensa à dignidade ou ao decoro em razão de misoginia, e a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito por razões misóginas, com pena de um a três anos de reclusão, e multa.

 

No seu vídeo, postado no sábado (28), a primeira-dama coloca o deputado do PL de Minas Gerais entre aqueles que, segundo ele, estariam trabalhando para criar mentiras e desinformar a população a respeito da proposta. Janja afirma que Nikolas incentivaria o “discurso red pill”. 

 

“Enquanto uns perdem tempo me atacando e me difamando nas redes sociais, mulheres seguem sendo vítimas de homens que se acham no direito de interromper suas vidas. Esses são só alguns casos de mulheres que sofreram feminicídio no último fim de semana. Enquanto esse tipo de notícia ainda fizer parte da nossa realidade, não iremos nos calar”, afirmou Janja.

 

Em resposta, Nikolas Ferreira afirmou que a esposa do presidente Lula tem “cara de sonsa” e que, com a fala dela, teria comprovado que “ele está do lado certo”.  

 

“Não adianta você [Janja], com essa cara de sonsa, tentar enganar alguém”. Na visão dele, o projeto não tem “nada a ver” com violência contra a mulher, violência doméstica e morte de mulheres, mas, sim, “uma forma de controlar o que pode e o que não pode ser dito”.

 

Ao falar do crescimento da quantidade de casos de violência contra a mulher no governo Lula, o deputado mineiro usou como argumento um estudo da Flasco (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), divulgado pelo Uol em 2015, que afirma que, entre 2003 e 2013, a taxa de homicídios contra mulheres aumentou em 8,8%. 

 

“O governo do PT e o seu marido governou o Brasil e aumentou a morte de mulheres em 10%. Na janela de tempo de 2023, uma mulher era morta a cada seis horas no governo do Nikolas? Não, do Lula”, completou o deputado.

 

O vídeo gravado por Janja teve 841 mil visualizações no Instagram. Já o vídeo publicado por Nikolas na mesma rede, em 20 horas, teve 19,1 milhões de visualizações.
 

VÍDEO: Flávio Bolsonaro justifica voto a favor do PL da Misoginia: "Armadilha do PT
Foto: Reprodução

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro se pronunciou após repercussão negativa de seu voto favorável a um projeto apelidado por críticos de “PL da Misoginia”.

 

 

Segundo ele, a proposta foi distorcida para prejudicar sua imagem no cenário eleitoral. O parlamentar afirmou ainda que a situação teria sido uma “grande armadilha” articulada pelo Partido dos Trabalhadores.

 

O projeto tem sido alvo de críticas de parlamentares da direita, que alegam risco à liberdade de expressão dos homens, já que a definição do que seria misoginia estaria mal definido. No texto da proposição, argumenta-se que a legislação atual não prevê punições específicas mais rigorosas para crimes de injúria motivados por misoginia e não trata da disseminação de discursos misóginos. Segundo a justificativa, essa lacuna contribui para o aumento da violência contra mulheres.


O PROJETO
O Senado aprovou a inclusão da misoginia como crime de preconceito ou discriminação, tipificando-a como a conduta de ódio ou aversão às mulheres. O PL 896/2023, enviado para apreciação da Câmara dos Deputados, equipara o crime ao racismo e prevê penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

VÍDEO: Nikolas Ferreira ironiza aprovação de lei que equipara misoginia ao crime de racismo: “Querem silenciar”
Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo nas redes sociais para criticar a aprovação da equiparação da misoginia ao crime de racismo no Senado. De acordo com o parlamentar, a proposta visa “silenciar” até mulheres e, segundo ele, não será mais possível questionar uma mulher se “ela está nervosa porque está de TPM”. A gravação foi publicada nesta quarta-feira (25), um dia após a aprovação, e já acumula quase cinco milhões de visualizações.

 

“Essa lei que foi aprovada no Senado nunca tratou a respeito de agressão, de homicídio contra as mulheres, até mesmo porque todos esses casos já têm punição. A misoginia que eles conceituaram aí é a misoginia que você não pode perguntar para uma mulher se ela está nervosa porque está de TPM. [...] Na prática, o que eles estão querendo não é uma ação concreta contra estupradores, criminosos, contra homens que batem em mulher, que cometem latrocínio, que cometem abuso. Não. É um instrumento de lei extremamente subjetivo para poder silenciar as outras pessoas, inclusive mulheres”, diz Nikolas.

 

Durante o vídeo, o deputado também citou matérias que traziam falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), as quais, segundo Nikolas, se enquadrariam na tipificação de misoginia. Dentre as reportagens, está uma discussão entre a parlamentar e Júlia Zanatta (PL-SC), que acabou em xingamentos, e declarações de tons machistas do presidente petista.

 

Confira:

 

 

A equiparação foi aprovada na sessão plenária desta terça-feira (24), por 67 votos. A proposta foi apresentada pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e altera a Lei do Racismo para incluir crimes motivados por misoginia entre aqueles punidos por discriminação ou preconceito, incluindo casos de injúria ou incitação a crimes contra mulheres

 

De acordo com o texto, serão punidas de forma incisiva manifestações de ódio contra mulheres. O projeto segue agora para ser apreciado pela Câmara dos Deputados.

Aprovado no Senado projeto que equipara misoginia ao racismo e que foi alvo de obstrução de Flávio Bolsonaro
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Na sessão plenária desta terça-feira (24), foi aprovado por 67 votos o PL 896/2023, que criminaliza a misoginia, que é a manifestação de ódio contra as mulheres. O projeto segue agora para ser apreciado pela Câmara dos Deputados.

 

A proposta foi apresentada pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), e altera a Lei do Racismo para incluir crimes motivados por misoginia entre aqueles punidos por discriminação ou preconceito, incluindo casos de injúria ou incitação a crimes contra mulheres. De acordo com o texto, serão punidas de forma incisiva manifestações de ódio contra mulheres.

 

O projeto já havia sido aprovado nas Comissões de Direitos Humanos (CDH) e de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em caráter terminativo, mas retornou aos colegiados para análise de recurso apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) em Plenário. 

 

Além de Girão, outros dez senadores de partidos de direita, entre eles o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), assinaram o recurso afirmando que o projeto poderia ferir a liberdade de expressão. Como destacou a senadora Ana Paula Lobato durante a discussão do projeto, somente senadores homens assinaram o recurso que levou a matéria a ter que tramitar novamente nas comissões.

 

Com a retomada da discussão do projeto na CDH, a senadora Augusta Brito (PT-CE) acolheu a sugestão para que misoginia seja definida como “a conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”. A relatora destacou que a caracterização penal combaterá condutas misóginas que, como o racismo, afetam toda uma coletividade e têm sido cada vez mais visíveis, sobretudo nas redes sociais.

 

Tanto nas comissões quanto no plenário, foram rejeitadas emendas apresentadas pelos senadores de direita. A relatora no plenário, Soraya Thronicke (Podemos-MS), manteve a rejeição da emendas que, segundo ela, poderiam restringir o conceito de misoginia, tais como:

 

  • excluir manifestações artísticas, científicas, jornalísticas, acadêmicas ou religiosas do alcance da lei;
  • exigir prova de que o autor agiu deliberadamente com ódio ou aversão às mulheres para que o crime ficasse configurado.

 

Para a relatora, as mudanças enfraqueceriam a norma e dificultariam a responsabilização do agressor. A relatora apresentou ainda emenda de redação para incluir a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da lei, ao lado de cor, etnia, religião e procedência, assegurando, segundo ela, coerência e precisão ao texto normativo.

 

Diversas senadoras protestaram contra a intenção de representantes de partidos de direita de adiar mais uma vez a votação (o projeto tinha entrado em pauta na semana passada e foi retirado). A crítica ao adiamento foi feita também nesta terça pela primeira dama Janja. 

 

A primeira dama, em postagem nas suas redes sociais, fez um apelo pela votação do projeto, e destacou a parte que mais causou polêmica no texto, que é a inserir a prática da misoginia entre os crimes contidos na Lei do Racismo, com pena mínima de dois anos de prisão para a injúria e de um ano para a discriminação ou incitação à misoginia. 

 

“Enquanto a votação é adiada, a misoginia segue sendo incentivada e propagada pela cultura red pill, principalmente nas redes sociais, com conteúdos que incentivam o ódio, o silenciamento, a violência e a morte de mulheres em nosso país. Cada dia de atraso na sua votação é mais um dia em que nós, mulheres, seguimos desprotegidas e expostas à violência”, disse Janja.

 

“Até quando a dignidade das mulheres será colocada em segundo plano? Não há mais espaço para adiamento ou omissão! Votar pela aprovação desse projeto é afirmar que o Brasil não aceita o ódio e a violência contra mulheres. Pela vida de todas nós, a misoginia precisa ser criminalizada!”, completou a primeira dama. 

 

Após a votação do texto-base do projeto, foi avaliada uma emenda do senador Carlos Portinho (PL-RJ) que buscava estabelecer no projeto o fortalecimento da garantia de direitos fundamentais e liberdades protegidas pela Constituição. O senador disse que era preciso dar proteção a direitos como a liberdade de expressão e liberdade religiosa, que, segundo ele, estariam sendo desrespeitadas pelo “ativismo judicial”.

 

Além dos homens, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também defendeu a aprovação da emenda. A senadora manifestou apreensão com o risco de a aprovação do projeto comprometer a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, direitos assegurados pela Constituição.

 

Damares Alves recordou um episódio ocorrido em 2019, quando era ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, ela declarou: "Na minha Bíblia, está escrito que a mulher tem que se submeter aos cuidados do marido, mas o marido tem que protegê-la com a sua vida." Essa fala, segundo ela, foi interpretada como misógina, resultando em uma ação contra a União, com perda em primeira instância e indenização de R$ 5 milhões.

 

"Aquilo que eu disse poderia me colocar na prisão hoje por causa daquela fala", afirmou a senadora, enfatizando a necessidade de análise cuidadosa do texto para preservar as liberdades constitucionais. 

 

A emenda do senador Carlos Portinho defendida também por Damares Alves e outros parlamentares foi rejeitada pela maioria no plenário. 
 

Red Pill: Entenda como comunidades online e vídeos virais promovem a violência contra a mulher nas redes sociais 
Foto: Reprodução / Redes sociais

Apenas em janeiro de 2026, nos primeiros trinta e um dias do ano, o Brasil registrou 131 casos de feminicídio, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Crimes com alto grau de violência empenhada e o aumento no número de denúncias de agressão a mulheres não são, porém, fruto de uma mobilização completamente orgânica. A violência contra a mulher sempre esteve presente na sociedade brasileira. No entanto, os crimes produzidos na “realidade material” atualmente recebem influencia direta de discurso cada vez mais “viral” online: o red pill.

 

Nesta reportagem, o Bahia Notícias reflete sobre as origens conhecidas sobre esta “filosofia” e como ela se reflete em conteúdos virais nas redes sociais, incentivando a misoginia e fazendo apologias a violências físicas, psicológicas e patrimoniais contra mulheres. 

 

O termo “red pill” é uma referência ao filme norte-americano Matrix (1999), das irmãs Wachowski, em que o protagonista Thomas Anderson é convidado a “despertar para a realidade” ao escolher entre as pílulas azul, que o manteria inerte em uma éspecie de sonho, e a vermelha, que lhe concederia a consciência da realidade.

 

É com base em uma “revisão” da temática do filme ciberpunk distópico que algumas comunidades predominantemente masculinas dos anos 2000, hospedadas em plataformas online como Reddit, alegam promover um “despertar” de seus seguidores a questões relacionadas a gênero e masculinidade. 

 

A “MACHOSFERA”
As pesquisadoras Ana Carolina Weselovski da Silva e Inês Hennigen, ambas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), detalham algumas características desse movimento no artigo “Misoginia Online: A Red Pill No Ambiente Virtual Brasileiro”, publicado em 2024 na Revista Feminismos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

 

“Analogamente, para esses masculinistas, acreditar que as mulheres foram/são subjugadas é uma ilusão criada para esconder o fato de que, na verdade, os homens são os explorados e oprimidos por um sistema ginocêntrico”, diz um trecho da pesquisa da dupla, com base em estudos de Van Valkenburgh. 

 

Essas comunidades de homens que promovem uma “revisão” das relações históricas de gênero formam a então chamada “manosfera” ou “machosfera”. Seriam ao menos quatro grupos de homens masculinistas nessa bolha: os MRAs (men’s right activists ou ativistas pelo direito dos homens), os PUAs (pick-up artists ou artistas da sedução), os Incels (involuntary celibates ou celibatários involuntários) e os MGTOWs (men going their own way ou homens seguindo seu próprio caminho).

 

O primeiro grupo, dos Ativistas Pelo Direito dos Homens, é definido como um dos mais antigos. Neste caso, os adeptos se baseiam nas ideias do livro “The Myth of the Male Power” (O mito do poder masculino) do autor Warren Farrell, de 1996, em que o autor nega a existência da dominação masculina e defende que os homens seriam o “sexo descartável” na sociedade por assumirem tarefas arriscadas e as mulheres, por sua vez, estariam numa posição mais protegida e privilegiada.

 

A seguir, os Artistas da Sedução, “propõem a ensinar os homens a como seduzir e se relacionar com as mulheres”, segundo a definição das autoras Ana e Inês. Elas explicam que o grupo também tem bases no final dos anos 90 e início dos anos 2000, sob influencia do estadunidense Daryush Valizadeh, que usa a alcunha de Roosh V. O autor defende a ideia da “neomasculinidade”, criada por ele, como a forma de ensinar homens a reagir em um mundo que, segundo ele, desprezaria características ‘tradicionais masculinas’, a partir de uma suposta natureza biológica que diferenciaria homens e mulheres e reforçando papéis de gênero. 

 

Já os Incels, ou celibatários involuntários, seriam um grupo formado majoritariamente por jovens que não conseguem manter relacionamentos sexuais e amorosos da forma como gostariam, tornando-se celibatários involuntários. Desta forma, o grupo sente afinidade com discursos vinculados a misoginia “e, não raro, culpa as mulheres pelos problemas enfrentados pelos homens”, diz o artigo publicado pela Revista Feminismos, da UFBA, em 2024. 

 

Por fim, os Homens Seguindo Seu Próprio Caminho, é um grupo composto por homens decididos a não se relacionar com mulheres seguindo a premissa rejeição ao “casamento, o amor romântico e o cavalheirismo pois, para eles, são 'costumes ginocêntricos' que acabam por levar à servidão masculina”, explicam as estudiosas. 

 

Todos esses grupos, até então limitados a pequenas comunidades online, têm se tornado cada vez mais presentes nas redes sociais e seguem alcançando novos públicos por meio da impulsão dos algoritmos das plataformas digitais. Os conteúdos produzidos por eles são divulgados em diversos formatos, embalados como “conselhos amorosos”, “guia para o sucesso” ou outras propostas que fazem apologia a configuração binária de gêneros na sociedade, a submissão da mulher e até mesmo a violência física ou psicológica de gênero. 

 

REPERCUSSÕES VIRAIS
Com o alcance das redes sociais, parte destes conteúdos divulgados por estes grupos “masculinistas” - como são chamados, em oposição ao feminismo -, vem alcançando ainda mais seguidores e adeptos. Com conteúdos muitas vezes disfarçados de aconselhamentos ou “dicas de sucesso”, os coachs da masculinidade utilizam seu conteúdo para reforçar o “lugar da mulher” e o “lugar do homem” na sociedade.

 

Um exemplo é o vídeo de influenciador em que ele indica aos seguidores que “toda mulher deveria ter um trabalho pela internet”, mas não por conforto, comodidade ou qualidade de vida, mas para garantir que os tradicionais papeis de gênero sejam cumpridos. 

 

“Porque eu tenho uma teoria. É o seguinte, se a mulher quer namorar, ela quer casar, ela precisa de tempo mais do que o homem. O homem precisa trabalhar mesmo, mas a mulher precisa de um tempo de qualidade para ela gerenciar a casa, para ela ter força e alegria, para ter ideias para fazer um bolo, para ela surpreender, para ela ter energia com ela mesma, se cuidar, porque mulher tem que cuidar, mulher tem que ficar no salão”, narra um influenciador, com mais de 1 milhão de seguidores, conhecido como Mentor e Terapeuta. 

 

 

Esse modelo de conselhos de relacionamento é comum. Um conselheiro famoso por seus posicionamentos quanto ao papel feminino na sociedade é o “Café Com Teu Pai”, também com mais de 1 milhão de seguidores. Em suas “pílulas de incentivo”, o influenciador se predispõe a “ensinar” mulheres a como se comportar, lidar com seus corpos e se adequar ao ponto de vista masculino. 

 

Em uma das ocasiões, ele faz uma correlação entre mulheres que tem relações sexuais fora dos relacionamentos e prostitutas. “A diferença entre a prostituta e a ficante é que a prostituta cobra em troca dos seus serviços sexuais”, afirma. E completa: “Você deveria se valorizar e não ficar se entregando pra qualquer um por aí. ‘Ai, mas ela não pode só querer transar também?’ É claro que você pode, você é livre pra fazer o que você quiser, só não adianta ficar chorando depois”, afirma. 

 

 

Outros influenciadores se detém a explicar como e porquê mulheres seriam privilegiadas na sociedade, enquanto os homens, por sua vez, são “descartáveis” na concepção da sociedade. Um deles afirma que as mulheres deveriam “agradecer ao patriarcado”. “As mulheres deveriam agradecer o patriarcado porque as coisas que existiram ao longo do tempo foram, acima de tudo, para melhorar a vida das mulheres. As mulheres foram privilegiadas de diversas formas ao longo da história. Tiveram privilégios, por exemplo, de não ir para a guerra, de serem preservadas em desastres naturais”, destaca. 

 

Em entrevista a um podcast, ele cita o Titanic como exemplo de privilégio feminino: “As mulheres eram socorridas muito antes dos homens. Os homens eram sempre os últimos a entrar. Uma das tragédias mais conhecidas da humanidade é o Titanic. O Titanic, 80% das mulheres sobreviveram e 5% dos homens sobreviveram. Mulheres foram sim privilegiadas”, completa. 

 

 

Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores em uma conta privada destacou que as leis de proteção a mulher são, na verdade, um processo de demonização dos homens. “Você não tá entendendo que essas leis aí que tão passando, elas vão cada vez deixar o homem ser menos homem. E aí você vê essa onda de mulher reclamando que o homem não chega mais na balada, por que será? Porque os homens da nova geração estão vindo menos homens e tem a ver com as leis. O cara tem medo de chegar numa mulher e a mulher dizer assim ‘ele me assediou’”, narra o influenciador que se apresenta como escritor best seller e TED speaker. 

 

 

Estes são apenas alguns dos conteúdos que circulam nas redes sociais todos os dias e os efeitos disso nos crimes registrados contra mulheres já são nítidos. Na última semana, um dos jovens acusados de participar de um esturpro coletivo contra uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro exibiu uma camiseta com a frase "regret nothing" (não se arrependa de nada, em inglês), que também é uma síntese do pensamento do influenciador americano-britânico Andrew Tate, declaradamente misógino, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores.

 


Foto: Reprodução / G1

 

No artigo “Misoginia Online: A Red Pill No Ambiente Virtual Brasileiro”, as autoras, Ana Carolina Weselovski da Silva e Inês Hennigen, ambas pesquisadoras na área de psicologia destacam que “apesar de a princípio muitos desses sujeitos tentarem se mostrar como alguém que está apenas preocupado em discutir problemas que afligem homens na contemporaneidade, sempre acabam desembocando em ódio direcionado às mulheres.”

 

Elas completam dizendo que “assim, [os adeptos a estes grupos] criam um ambiente confortável para dar vazão a toda a misoginia que ainda precisa ser superada em nossa sociedade. Vemos a importância de combater a ascensão desses grupos, desvelando aquilo do que realmente se tratam e a lógica desumana e cruel que levam adiante”. 

 

É neste sentido, que ativistas sociais destacam a necessidade de estabelecer regras para a circulação de conteúdos nas redes sociais. Um exemplo disso é a proposta do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que protocolou, nesta terça-feira (10), um Projeto de Lei (PL) que cria a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet. A lei propõe que as plataformas digitais sejam obrigadas a retirar conteúdos com discurso de ódio e incentivo à violência de gênero nas redes sociais, na tentativa de criar uma rede mais eficaz de proteção a mulher.

Ratinho critica eleição de Erika Hilton e afirma "mulher é quem menstrua"; deputada diz que não vai responder "imbeCIS"
Foto: Montagem com foto de divulgação do SBT e Agência Câmara

Uma declaração dada pelo apresentador Ratinho em seu programa de TV na noite desta quarta-feira (11), no SBT, sobre a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, gerou forte repercussão e debate nas redes sociais. A fala foi apontada por diversos internautas como transfóbica.

 

Durante o seu programa, Ratinho criticou a escolha de Erika Hilton para comandar o colegiado e fez declarações questionando sua presença no cargo. 

 

“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disse.

 

O apresentador afirmou ainda que, em sua visão, mulher seria apenas quem possui determinadas características biológicas.

 

“Mulher é quem tem útero, quem menstrua, e a Erika é trans”, completou o apresentador.

 

O trecho do programa logo viralizou nas redes sociais e gerou uma onda de comentários. Enquanto muitos internautas criticaram a declaração do apresentador e classificaram o posicionamento como preconceituoso, outros defenderam Ratinho, alegando que ele apenas expressou sua opinião.

 

O apresentador Ratinho disse que não tinha nada contra a deputada Erika Hilton, mas questionou se ela seria “deputada ou deputado”.

 

“Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.

 

Em longo post em sua rede social, Erika Hilton falou sobre a sua eleição para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e evitou responder diretamente os comentários do apresentador Ratinho. 

 

“A opinião de transfóbicos e imbeCIS  é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação. Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social. E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar”, falou a deputada.
 

Professora da Ufba é alvo de ato misógino durante reunião virtual da Faculdade de Direito
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) foi alvo de uma ofensa misógina durante uma reunião virtual da unidade.

 

 

O caso, que teria ocorrido no último dia 6 de outubro, passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira (15) e envolveu a vice-coordenadora da unidade e professora-doutora Juliana Damasceno.

 

Ainda conforme relato, o encontro discutia a consulta prévia para escolha do novo diretor e vice-diretor da faculdade quando supostamente um estudante, apontado como presidente do Centro Acadêmico da faculdade, teria ofendido verbalmente a docente em plena sessão.

 

Não há informações sobre pronunciamento oficial da Ufba sobre o ocorrido.

VÍDEO: Vereador causa polêmica ao dizer que secretária de Saúde merece "pau, cacete e chibata" na Câmara de Paulo Afonso
Foto: Reprodução / Câmara de Vereadores de Paulo Afonso

Em meio a discurso na tribuna, o vereador Jailson Oliveira (PP), liderança da bancada de oposição na Câmara Municipal de Paulo Afonso, durante a sessão da manhã desta segunda-feira (6), tornou-se o centro de uma controvérsia que se espalhou por redes sociais da política local.

 

"Tô dando um ‘prazinho’ viu, minha conterrânea? Se não fizer o que o município precisa é pau, é cacete e é chibata nesta tribuna. Não pense que porque você é minha conterrânea que eu vou passar a mão, não”, parla o vereador.

 

O representante do legislativo se dirigiu à atual secretária Municipal de Saúde, que ele identificou como ‘sua conterrânea’. A declaração gerou manifestações públicas de repúdio na política local. Confira em vídeo o momento da fala:

 

Segundo o portal PA4, parceiro do Bahia Notícias, uma carta aberta do ex-servidor Itaibes Paiva chamou a atenção, onde expressa solidariedade à secretária e classifica o comportamento do parlamentar como "agressivo, ameaçador e profundamente desrespeitoso". 

 

A carta aberta também acusa a postura do vereador de ser "misoginia travestida de autoridade" e cobra providências imediatas da presidência da Câmara Municipal. Após a repercussão, o vereador Jailson Oliveira se manifestou por meio de nota para esclarecer o episódio. 

 

O vereador negou que suas palavras tivessem conotação machista ou ofensiva à secretária, garantindo que o teor da cobrança era dirigido à "atuação da gestão", e não à pessoa ou gênero da gestora. O Bahia Notícias procurou a secretaria em busca de uma manifestação, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto. 

 

Leia a nota na íntegra:

Durante minha fala na tribuna da Câmara Municipal, usei uma expressão popular ao afirmar que, caso a Secretaria de Saúde não apresente resultados, ‘o pau vai comer’, no sentido de que voltarei a cobrar com mais firmeza.

 

Alguns, no entanto, estão tentando distorcer o contexto, insinuando que minhas palavras teriam conotação machista ou ofensiva à secretária, o que não corresponde à verdade. Minha fala foi dirigida à atuação da gestão, e não à pessoa ou ao gênero de quem ocupa o cargo.

 

Tenho profundo respeito por todas as mulheres, inclusive por aquelas que dedicam sua vida ao serviço público. Sempre reconheci e defendi o papel essencial das mulheres na política, na administração e em todas as áreas da sociedade.

 

A expressão usada foi no sentido figurado, uma forma popular de enfatizar a cobrança e a insatisfação com a falta de resultados — jamais um ataque pessoal ou desrespeitoso.

 

Continuarei firme no meu dever de fiscalizar e cobrar o que é de direito da população de Paulo Afonso, sempre com respeito, responsabilidade e compromisso com o povo.

Janja torna privada sua conta no Instagram para frear comentários "misóginos e criminosos"
Foto: Reprodução Redes Sociais

Justificando a necessidade de interromper o que chamou de onda de ataques de ódio e comentários misóginos e até criminosos, a primeira-dama Janja Lula da Silva “fechou” o seu perfil no Instagram e tornou a sua conta privada. Com isso, só poderá ter acesso às postagens quem já seguia a primeira-dama, ou se for aceito como seguidor nos próximos dias. 

 

Em nota enviada à imprensa, a assessoria da primeira-dama afirma que os comentários no perfil de Janja no Instagram se configuram como um exemplo de como um grupo de pessoas atuaria nas redes sociais como uma terra sem lei, onde podem ofender livremente. 

 

"Comentários que não são apenas machistas e misóginos o que, por si só, já seriam abomináveis. Mas comentários que muitas vezes possuem teor criminoso, que difamam, caluniam e ameaçam a segurança e integridade de Janja Lula da Silva. Apesar de ser uma pessoa pública por ser casada com o Presidente da República, Janja tem o domínio sobre seu perfil no Instagram e o direito de decidir restringir sua conta temporariamente para reforçar a moderação dos comentários em suas publicações, bem como de seus seguidores”, justifica a assessoria.

 

A nota da assessoria da primeira-dama também defende a regulamentação das plataformas digitais, para que pessoas que veiculem comentários “criminosos” sejam responsabilizados e punidos. 

 

“As plataformas precisam se responsabilizar e punir os crimes que são cometidos dentro delas. Mas o que vimos nos últimos meses é um retrocesso. A própria Meta realizou mudanças nas Diretrizes da Comunidade, com medidas que mudam regras da empresa para combater a desinformação e o ódio, alterando especialmente diretrizes sobre gênero e deixando de punir criminosos”, diz a assessoria.

 

Alguns dos comentários ofensivos publicados em postagens da primeira-dama foram destacados pela assessoria para exemplificar os ataques sofridos por Janja em seu perfil, inclusive apresentando o endereço dos detratores. Em um deles, por exemplo, um internauta chamou Janja de “Putanja”. Vários outros qualificam Janja como “vagabunda”, “marmita de quinta”, “galinha de presídio” e até mesmo “deslumbrada escrota”. 

 

A assessoria finaliza a nota afirmando que neste momento, não é o número de seguidores que importa para a primeira-dama, “e sim, um ambiente digital minimamente saudável e que respeite não só Janja, mas também aqueles que a seguem por terem interesse real em seus conteúdos publicados no Instagram”.

 

A primeira-dama Janja tem sido um constante alvo de parlamentares, influenciadores e internautas de direita. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma solenidade pública, disse que sua esposa é “a bola da vez”.

 

“Não sei se vocês perceberam, a Janja agora é a bola da vez. Para me atingir, eles começam a atacar a Janja. Eu digo sempre para a Janja: ´Você tem duas opções – ou você para de fazer o que gosta e eles vão parar de te incomodar; ou você continua falando até eles perceberem que não vão mudar sua ideologia e o seu pensamento´. É uma guerra”, disse o presidente.
 

Jordávio Ramos acusa gestão de Andrei da Caixa de 'populismo' e 'misoginia' em Juazeiro
Foto: Divulgação

O deputado estadual Jordávio Ramos (PSDB), filho da ex-prefeita Suzana Ramos, reagiu às recentes declarações do prefeito de Juazeiro, Andrei da Caixa (MDB), e criticou a administração municipal por falta de ações concretas e pelo que classificou como atitudes misóginas. Segundo o parlamentar, o prefeito prioriza uma postura voltada à “campanha eleitoral” em detrimento da gestão pública.

 

“O que a gente tem visto nos últimos 20 dias em Juazeiro é um prefeito com atitude de candidato em período eleitoral e não de gestor, sem ações concretas para melhorar a administração pública. E, pior do que isso, com uma ação bastante misógina, querendo culpar por todos os problemas da cidade a primeira mulher eleita prefeita de Juazeiro”, afirmou Jordávio.

 

Ramos também rebateu críticas de Andrei sobre a situação das ambulâncias no município. O deputado destacou que entregou duas ambulâncias e duas motolâncias ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), enquanto, segundo ele, o grupo político do atual prefeito não teria realizado contribuições semelhantes.

 

“Nos últimos quatro anos, o grupo do prefeito, que tinha governador do Estado, dois deputados estaduais e o presidente da República, não entregou nenhuma ambulância para a cidade. Foi a minha atuação que trouxe essas melhorias, mesmo sem apoio do governo do Estado”, disse.

 

O endividamento municipal também foi abordado pelo parlamentar, que rejeitou acusações de que a gestão de Suzana Ramos seria responsável pelas dívidas. Jordávio afirmou que os problemas financeiros vêm da administração do ex-prefeito Paulo Bonfim, aliado de Andrei da Caixa.

 

“Já pegamos o município endividado do antigo prefeito Paulo Bonfim, que, aliás, parece ser o principal mentor da gestão atual. Colocaram o filho dele como assessor especial e cerca de 80% do secretariado pertence à gestão dele. Mesmo assim, conseguimos diminuir de forma significativa a dívida do saneamento, que já vinha de muitos anos”, ressaltou.

 

O deputado ainda defendeu as realizações da gestão de Suzana Ramos, citando como destaque o Carnaval de Juazeiro, que ele classificou como o “mais popular da história”.

 

“Acabamos com o curral privatizado da gestão anterior e fizemos um carnaval acessível ao povo, com taxas mínimas para ambulantes, que puderam vender o que quisessem e gerar renda. O carnaval não é só alegria, mas também um motor para a economia local e para o sustento das famílias”, destacou.

 

Ao final, Jordávio alertou os juazeirenses sobre as “medidas populistas” de Andrei da Caixa e garantiu que continuará trabalhando por melhorias na cidade.

Bradesco é condenado por discriminação em “brincadeiras” sobre anticoncepcional para bancárias na Bahia
Foto: Reprodução

A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) reconheceu uma conduta discriminatória do Banco Bradesco em relação às mulheres de uma agência em Salvador, e condenou a empresa a indenizar em R$ 30 mil uma bancária. Ela foi apelidada de “Smurfette” e ouvia em reuniões comentários misóginos de seu gerente sobre o uso de anticoncepcionais. 

 

A decisão do relator, desembargador Edilton Meireles, foi seguida à unanimidade pelos desembargadores Marcos Gurgel e Luíza Lomba e ainda cabe recurso.

 

A bancária, que atuava como gerente de relacionamentos em uma agência da capital baiana, foi demitida enquanto estava grávida. Ela também relatou que ouvia comentários sobre seu marido supostamente estar em um relacionamento extraconjugal. Por isso, entrou com um processo na Justiça do Trabalho, pedindo o reconhecimento do período onde teria estabilidade pela gravidez e uma indenização por dano moral pelas ofensas sofridas.

 

O caso foi julgado pela 20ª Vara do Trabalho de Salvador. A juíza Alice Pires garantiu o direito à estabilidade, afirmando que a bancária "já estava grávida antes do fim do contrato, considerando a integração do aviso prévio indenizado de 60 dias", gerando efeitos financeiros. Sobre o dano moral, a juíza destacou os relatos de cobranças excessivas, constrangimentos e humilhações.

 

Uma testemunha confirmou que o gerente-geral da agência deu o apelido de “Smurfette” à bancária e, em reuniões, fazia “brincadeiras” dizendo que aplicaria injeções de anticoncepcional nas mulheres da agência.

 

Ao analisar o recurso do Bradesco, o desembargador Edilton Meireles afirmou que a bancária comprovou, por exames, que estava grávida de seis semanas. O desembargador destacou também que os comentários do gerente-geral "demonstram uma conduta discriminatória ao dizer que gostaria de aplicar injeções de anticoncepcional nas mulheres da agência". 

Dino ordena retirada de circulação de quatro livros jurídicos com conteúdo misógino e homofóbico
Foto: Rosinei Coutinho / SCO / STF

Quatro livros jurídicos com conteúdo discriminatório contra pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres deverão sair de circulação após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, nesta sexta-feira (1º). Os livros foram publicados entre 2008 e 2009 pela editora Conceito Editorial. 

 

Uma das publicações classifica o “homossexualismo” como “anomalia sexual”, e relaciona a comunidade LGBTQIAPN+ ao vírus HIV – algo já descartado pela ciência. O livro também diz que a Aids existe apenas “pela prática doentia do homossexualismo e bissexualismo”. As informações são do g1.

 

Outro livro afirma haver um “determinismo” na sociedade que faz com que “algumas mulheres mais lindas e gostosas […] do uso exclusivo dos jovens playboys, sendo que outras mulheres do mesmo estilo ficam ainda, com os playboys velhos de 40, 50 e 60 anos, que teimam em roubar as mulheres mais cobiçadas do mercado”. 

 

Nos livros ainda constam frases como: “Acredito que isso é uma manipulação da máfia gay que não aceitou que a mulher tem a vagina e que ele, obviamente, não a tem. Uma loucura psicológica tão devastadora como nos tempos de Hitler” e “Muitas mulheres que transaram demais optaram por favorecer o ânus para preservar a vagina de desgaste”.

 

Os trechos são dos autores Dalvi, L. e Dalvi, F., do livro “Curso Avançado de Direito do Consumidor: Doutrina, Prática e Jurisprudência”, além de “Manual de Prática Trabalhista”, “Teoria e Prática do Direito Penal” e “Curso Avançado de Biodireito”.

 

Na avaliação de Dino tais trechos violam a dignidade da pessoa humana. O ministro analisou um recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que havia negado a retirada das obras de circulação. 

 

A ação foi movida pelo MPF após alunos da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, identificarem conteúdo homofóbico nos livros da biblioteca da instituição. 

 

Flávio Dino afirma que a ordem de agora não representa censura prévia. O ministro estabeleceu que para voltarem a ser vendidos, os livros terão que retirar os trechos degradantes e incompatíveis com a Constituição. 

 

O ministro ressaltou que o STF tem entendimento consolidado de que o direito à liberdade de expressão e de livre manifestação do pensamento não são absolutos, cabendo intervenção da Justiça em situações de evidente abuso.

 

Ele segue dizendo que ao atribuírem às mulheres e à comunidade LGBTQIAPN+ características depreciativas, que fazem juízo de valor negativo e utilizam expressões misóginas e homotransfóbicas, as obras jurídicas “afrontam o direito à igualdade e violam o postulado da dignidade da pessoa humana, endossando o cenário de violência, ódio e preconceito contra esses grupos vulneráveis”. 

 

No seu entendimento, tal tratamento degradante é capaz de abalar a honra e a imagem de grupos minoritários e de mulheres na sociedade brasileira. Sendo assim, se faz necessária a devida responsabilização civil, penal, criminal e/ou administrativa dos envolvidos conforme previsto na Constituição. 

 

Para embasar o seu voto, Flávio Dino ainda trouxe levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o qual revela o registro de 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+ em 2023. Segundo a pesquisa, o Brasil segue como o país mais transfóbico do mundo. 

 

O ministro reforça que qualquer tipo de discriminação atenta contra o Estado Democrático de Direito, inclusive a motivada pela orientação sexual das pessoas ou em sua identidade de gênero, "revelando-se nefasta, porque retira das pessoas a justa expectativa de que tenham igual valor".

 

Também foi fixada indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 150.000,00.

VÍDEO: “Mulher não é sobra, mulher não é resto”, dispara Cármen Lúcia ao criticar postura de desembargador do TJ-PR
Foto: Camila São José / Bahia Notícias

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, teceu duras críticas aos casos de machismo e misoginia registrados no judiciário brasileiro nas últimas semanas, durante a sua palestra na 4ª Conferência Estadual da Mulher Advogada, em Salvador, nesta segunda-feira (22). 

 

 

Cármen Lúcia comentou o caso envolvendo o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Luis Cesar de Paula Espíndola, que no julgamento da manutenção de medida protetiva em favor de uma adolescente de 12 anos que denunciou assédio de um professor de educação física, disse que "as mulheres estão loucas atrás dos homens" e afirmou, ainda, serem os homens vítimas do assédio das mulheres. 

 

“Nós tivemos um dito julgador, porque togado, afirmando que as mulheres é que estão assediando os homens, porque as mulheres estão correndo loucamente atrás, porque está – aspas – “sobrando mulheres”. Mulher não é sobra, mulher não é resto. Mulher é humano como outro qualquer”, disse a ministra. 

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu reclamação disciplinar contra Espíndola “por manifestações de conteúdo potencialmente preconceituoso e misógino em relação à vítima menor de idade”. Em março do ano passado, Luis César de Paula Espíndola foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à pena de detenção de quatro meses e 20 dias, em regime aberto, por lesão corporal em contexto de violência doméstica contra a irmã e a mãe. Porém, a maioria da Corte substituiu a pena por prestação de serviços à comunidade e determinou o retorno ao cargo. 

 

A presidente do TSE falava sobre os desafios enfrentados por todas as mulheres, diante das reincidentes violências e destacou ainda os dados do Anuário da Violência. “Uma sociedade que permite que quase 1.500 mulheres sejam assassinadas e vai se perguntar desses assassinos [...], quantos já foram julgados?”, sinalizou. “Essa sociedade é justa e solidária? A República está construindo uma sociedade livre, justa e solidária quando alguns temas das mulheres são proibidos de serem discutidos, sobre o corpo da mulher, sobre a vida da mulher?”, questionou. 

 

“Uma sociedade que permite que seja o menor índice de participação política em cargos do legislativo, nós temos menos de 20% nas Câmaras Municipais com representantes mulheres e nós somos 52% do eleitorado brasileiro”, completou. 

 

As críticas da ministra também se estenderam à ausência de mulheres na presidência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A Ordem dos Advogados do Brasil tem mais de 50% de mulheres. Quantas mesmo presidentes nós tivemos nesses 92 anos? Esqueci”, ironizou. “O certo é que os discursos são levados segundo conveniências retóricas de cinismo político”, cravou. 

 

Cármen Lúcia fez a palestra magna de abertura da 4ª Conferência Estadual da Mulher Advogada, promovida pela seccional baiana da OAB. O evento vai até esta terça-feira (23) no Centro de Convenções de Salvador.

VÍDEO: Desembargador afirma que “mulheres estão loucas atrás de homem” e diz que “não tinha intenção de menosprezar”
Foto: Reprodução

O desembargador Luis César de Paula Espíndola, presidente da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), protagonizou uma fala polêmica durante sessão de julgamento. Na quarta-feira (3), o magistrado afirmou que "as mulheres estão loucas atrás dos homens".

 

 

O colegiado da Corte paranaense julgava a manutenção de medida protetiva em favor de uma adolescente de 12 anos que denunciou assédio de um professor de educação física, absolvido na esfera criminal e administrativa. O caso tramita em segredo de justiça.

 

"Se a vossa Excelência sair na rua, hoje em dia, quem está assediando, quem está correndo atrás de homens são as mulheres, porque não tem homem. Esse mercado está bem diferente. Hoje em dia, o que existe – essa é a realidade –, as mulheres estão loucas atrás dos homens, porque são muito poucos".


"É só sair à noite. Eu não saio muito à noite, mas eu sei, tenho funcionárias, tenho contato com o mundo. Nossa, a mulherada está louca atrás do homem. Muito louca para levar um elogio, uma piscada, uma cantada educada, porque elas é que estão cantando, elas que estão assediando, porque não tem homem. Essa é a nossa realidade hoje em dia, não só aqui no Brasil", seguiu o desembargador.
 

Durante a sua fala, Espíndola continuou dizendo que "só os cachorrinhos estão sendo os companheiros das mulheres" e que elas estão "loucas para encontrar um companheiro, para conversar, eventualmente para namorar".

 

O desembargador ainda disse que atualmente são os professores de faculdade que sofrem assédio. "A coisa chegou a um ponto, hoje em dia, que as mulheres é que estão assediando. Não sei se a vossa Excelência sabe, professores de faculdade são assediados. É ou não é, doutora? Quando saio da faculdade, deixo um monte de viúva", afirmou.
 

Após a fala, Luis César de Paula Espíndola votou contrário à manutenção de medidas protetivas no caso da adolescente. O desembargador argumentou que hoje em dia qualquer  coisa é considerada assédio e que prejudicaria a carreira do professor.

 

A desembargadora Ivanise Maria Tratz Martins questionou o posicionamento do colega de Corte e Espíndola rebateu classificando a declaração dela como um "discurso feminista desatualizado".

 

Segundo informações da Folha de S. Paulo, na mesma sessão, durante o julgamento de um caso de manutenção de pensão alimentícia para uma mulher após o divórcio, Espíndola votou contra, justificando não haver prova de que ela trabalhava em casa.

 

Em março do ano passado, Luis César de Paula Espíndola foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à pena de detenção de quatro meses e 20 dias, em regime aberto, por lesão corporal em contexto de violência doméstica contra a irmã e a mãe. Porém, a maioria da Corte substituiu a pena por prestação de serviços à comunidade e determinou o retorno ao cargo.

 

POSICIONAMENTOS

Após repercussão do caso, o desembargador, por meio de nota, afirmou que “nunca houve a intenção de menosprezar o comportamento feminino nas declarações proferidas”. Espíndola ainda disse “sempre” ter defendido “a igualdade entre homens e mulheres, tanto em minha vida pessoal quanto em minhas decisões”. 

 

“Lamento profundamente o ocorrido e me solidarizo com todas e todos que se sentiram ofendidos com a divulgação parcial do vídeo da sessão”, concluiu o magistrado. 

 

Também por meio de nota pública, o TJ-PR esclarecer não endossar os comentários feitos pelo desembargador. O tribunal afirmou já ter aberto investigação preliminar no âmbito da Corte, com base na Resolução 135 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e deu a Espíndola prazo de 5 dias para se manifestar. “O Tribunal reitera que não compartilha de qualquer opinião que possa ser discriminatória ou depreciativa, como, aliás, é próprio de sua tradição e história de mais de 132 anos”.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB-PR) publicou nota de repúdio contra o desembargador. "Além de discriminatórias, [as manifestações] expressam elevado grau de desconhecimento sobre o protocolo para julgamento com perspectiva de gênero, de cumprimento obrigatório pelos magistrados e tribunais. Revelam ainda profundo desrespeito para com as mais recorrentes vítimas de todo o tipo de assédio: as meninas e mulheres brasileiras", diz.

Vocalista da banda Franz Ferdinand, Alex Kapranos adere ao movimento #EleNão
Foto: Reprodução / Instagram

Alex Kapranos, vocalista da banda britânica Franz Ferdinand, é mais uma celebridade internacional a aderir ao movimento #EleNão, em oposição ao candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL). “Eu costumava acreditar que músicos deveriam ficar fora da política, mas isso foi antes dessa era da demagogia. Não é mais possível permanecer neutro. Amo o Brasil e não posso ignorar o que está acontecendo. Sim, eu posso irritar alguns fãs, mas tenho que dizer: #EleNão”, publicou o artista em suas redes sociais, nesta terça-feira (16). 


Kapranos se soma a uma lista de artistas estrangeiros que se posicionaram contra o candidato e as pautas defendidas por ele.  Dentre as adesões ao #EleNão estão Madonna (clique aqui) e Roger Waters (clique aqui); os atores da série Grey'a Anatomy, Stefania Spampinato, Giacomo Gianniotti e Jesse Williams (clique aqui); o ator de Rebelde e Sense8, Alfonso Herrera (clique aqui) e a atriz Ellen Page (clique aqui). Prestes a se apresentar no Brasil, a cantora colombiana Shakira foi orientada pela produção a não se manifestar politicamente durante os shows (clique aqui).

 

Ariana Grande rebate comentários machistas em entrevista de rádio
Foto: Divulgação
Durante uma entrevista para uma rádio, Ariana Grande rebateu perguntas machistas dos locutores dos programas. A cantora americana, que já se posicionou contra comentários semelhantes algumas vezes, se indignou com as perguntas e com os posicionamentos dos dois.
 
A primeira pergunta que irritou a cantora foi um questionamento sobre o que ela escolheria se tivesse que usar pela última vez: maquiagem ou celular. “É só nisso que você acha que as meninas pensam?", questionou Ariana.
 
As perguntas e comentários com teor machista e sexista continuaram. Quando questionada sobre quais emojis gostava de usar, ela citou o unicórnio. Os locutores afirmaram que era por ser uma garota e que eles nunca usariam ou sequer prestaram atenção nos lançamentos “para meninas”.  A cantora rebateu dizendo que meninos também podem usar.
 
Ao final da entrevista, Ariana relatou que racismo, misoginia e sexismo seriam coisas que ela gostaria de mudar no mundo. Ao falar isso, a cantora apontou para um dos apresentadores dizendo que começaria por ele.

Veja vídeo:

 

Vocês viram a Ariana Grande dando uma verdadeira aula de quebra de padrões em entrevista nesses últimos dias?Uma garota desconstruindo pensamentos machistas de héteros cis <3 <3

Posted by Portal Famosos Brasil on Segunda, 2 de novembro de 2015
Atriz de “Orange is The New Black” rechaça Rafael Cortez em entrevista ao CQC
Foto: Reprodução
No Brasil para promover a série da Netflix, as atrizes de "Orange is The New Black", Uzo Aduba, Natasha Lyonne e Samira Wiley, participaram de uma entrevista constrangedora, feita por Rafael Cortez, para o CQC. Durante a conversa ele fez perguntas de teor misógino, como "Você não acha que na série vocês precisam de um homem dentro da cadeia para fazer coisas que só um homem de verdade sabe fazer?", causando desconforto entre as entrevistadas. Enquanto Samira tentava colocar disfarçar o constrangimento, Natasha demonstrava nitidamente a irritação com o repórter, principalmente após ele perguntar se "Trabalhar só com mulheres bonitas como vocês, não é difícil atuar principalmente 'naqueles' dias?". Ela rebateu prontamente: "O que você quer dizer?", questionou a atriz, nitidamente irritada. "Eu estava pensando na pergunta porque foi meio estranho o modo como você perguntou. Tipo, como uma mulher tão bonita consegue atuar? Eu fiquei impressionada com essa pergunta, mas se foi isso mesmo é um pecado. Mas não, mesmo sendo bonita, todo mundo é profissional e capaz. Acho que ninguém está pensando na beleza quando estamos atuando".

Após o episódio, Cortez afirmou, em entrevista ao UOL, que já esperava a repercussão negativa. “Essas junkets [entrevistas com atores para divulgação de séries ou filmes] são muito sérias, nunca tinha feito antes, mas há um certo rigor. Fiz uma piada com elas, elas não entenderam, mas não é culpa delas, não é culpa do Netflix, nem as culpo por não terem achado graça. Nem todas as piadas são boas, nem todas funcionam e eu estou longe de ser o melhor cara do mundo", afirmou, acrescentando que no mesmo programa ele fez outras boas entrevistas. “Me abalo quando sou muito fã de uma pessoa. Nesse mesmo programa apareceu uma entrevista com a Maria Bethânia, de quem sou muito fã, e ficou boa, então estou tranquilo, faz parte do meu trabalho. No mesmo dia fiz várias outras entrevistas de outras séries e foi ótimo", minimizou.

Confira a entrevista:

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Essa semana foi difícil separar quem é fã de quem é hater. Mas pra quem estiver com ódio, pode fazer que nem a música e deitar na BR... Aliás, você sabe que a polêmica envolvendo Victor do Jornal foi boa quando ela vem com trilha sonora. O evento do Molusco deixou claro quem manda na Comunicação do grupo, e também quem dá as cartas com o próprio Molusco. Por isso, nem o Cacique se fez de rogado. Mas às vezes é preciso vestir o personagem - ou pelo menos a dentadura. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Ratinho

Ratinho
Foto: SBT

"Cara de viado". 

 

Disse o apresentador Ratinho, que foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por homofobia após o comentário feito sobre o visual do cantor sertanejo Tiago Piquilo.

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o pré-candidato ao Senado Federal João Roma (PL) nesta segunda

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o pré-candidato ao Senado Federal João Roma (PL) nesta segunda
Foto: Projeto Prisma
A entrevista integra a série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar os principais nomes na disputa pelo Senado e pelo governo do Estado nas eleições de 2026.

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