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Apenas em janeiro de 2026, nos primeiros trinta e um dias do ano, o Brasil registrou 131 casos de feminicídio, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Crimes com alto grau de violência empenhada e o aumento no número de denúncias de agressão a mulheres não são, porém, fruto de uma mobilização completamente orgânica. A violência contra a mulher sempre esteve presente na sociedade brasileira. No entanto, os crimes produzidos na “realidade material” atualmente recebem influencia direta de discurso cada vez mais “viral” online: o red pill.
Nesta reportagem, o Bahia Notícias reflete sobre as origens conhecidas sobre esta “filosofia” e como ela se reflete em conteúdos virais nas redes sociais, incentivando a misoginia e fazendo apologias a violências físicas, psicológicas e patrimoniais contra mulheres.
O termo “red pill” é uma referência ao filme norte-americano Matrix (1999), das irmãs Wachowski, em que o protagonista Thomas Anderson é convidado a “despertar para a realidade” ao escolher entre as pílulas azul, que o manteria inerte em uma éspecie de sonho, e a vermelha, que lhe concederia a consciência da realidade.
É com base em uma “revisão” da temática do filme ciberpunk distópico que algumas comunidades predominantemente masculinas dos anos 2000, hospedadas em plataformas online como Reddit, alegam promover um “despertar” de seus seguidores a questões relacionadas a gênero e masculinidade.
A “MACHOSFERA”
As pesquisadoras Ana Carolina Weselovski da Silva e Inês Hennigen, ambas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), detalham algumas características desse movimento no artigo “Misoginia Online: A Red Pill No Ambiente Virtual Brasileiro”, publicado em 2024 na Revista Feminismos da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
“Analogamente, para esses masculinistas, acreditar que as mulheres foram/são subjugadas é uma ilusão criada para esconder o fato de que, na verdade, os homens são os explorados e oprimidos por um sistema ginocêntrico”, diz um trecho da pesquisa da dupla, com base em estudos de Van Valkenburgh.
Essas comunidades de homens que promovem uma “revisão” das relações históricas de gênero formam a então chamada “manosfera” ou “machosfera”. Seriam ao menos quatro grupos de homens masculinistas nessa bolha: os MRAs (men’s right activists ou ativistas pelo direito dos homens), os PUAs (pick-up artists ou artistas da sedução), os Incels (involuntary celibates ou celibatários involuntários) e os MGTOWs (men going their own way ou homens seguindo seu próprio caminho).
O primeiro grupo, dos Ativistas Pelo Direito dos Homens, é definido como um dos mais antigos. Neste caso, os adeptos se baseiam nas ideias do livro “The Myth of the Male Power” (O mito do poder masculino) do autor Warren Farrell, de 1996, em que o autor nega a existência da dominação masculina e defende que os homens seriam o “sexo descartável” na sociedade por assumirem tarefas arriscadas e as mulheres, por sua vez, estariam numa posição mais protegida e privilegiada.
A seguir, os Artistas da Sedução, “propõem a ensinar os homens a como seduzir e se relacionar com as mulheres”, segundo a definição das autoras Ana e Inês. Elas explicam que o grupo também tem bases no final dos anos 90 e início dos anos 2000, sob influencia do estadunidense Daryush Valizadeh, que usa a alcunha de Roosh V. O autor defende a ideia da “neomasculinidade”, criada por ele, como a forma de ensinar homens a reagir em um mundo que, segundo ele, desprezaria características ‘tradicionais masculinas’, a partir de uma suposta natureza biológica que diferenciaria homens e mulheres e reforçando papéis de gênero.
Já os Incels, ou celibatários involuntários, seriam um grupo formado majoritariamente por jovens que não conseguem manter relacionamentos sexuais e amorosos da forma como gostariam, tornando-se celibatários involuntários. Desta forma, o grupo sente afinidade com discursos vinculados a misoginia “e, não raro, culpa as mulheres pelos problemas enfrentados pelos homens”, diz o artigo publicado pela Revista Feminismos, da UFBA, em 2024.
Por fim, os Homens Seguindo Seu Próprio Caminho, é um grupo composto por homens decididos a não se relacionar com mulheres seguindo a premissa rejeição ao “casamento, o amor romântico e o cavalheirismo pois, para eles, são 'costumes ginocêntricos' que acabam por levar à servidão masculina”, explicam as estudiosas.
Todos esses grupos, até então limitados a pequenas comunidades online, têm se tornado cada vez mais presentes nas redes sociais e seguem alcançando novos públicos por meio da impulsão dos algoritmos das plataformas digitais. Os conteúdos produzidos por eles são divulgados em diversos formatos, embalados como “conselhos amorosos”, “guia para o sucesso” ou outras propostas que fazem apologia a configuração binária de gêneros na sociedade, a submissão da mulher e até mesmo a violência física ou psicológica de gênero.
REPERCUSSÕES VIRAIS
Com o alcance das redes sociais, parte destes conteúdos divulgados por estes grupos “masculinistas” - como são chamados, em oposição ao feminismo -, vem alcançando ainda mais seguidores e adeptos. Com conteúdos muitas vezes disfarçados de aconselhamentos ou “dicas de sucesso”, os coachs da masculinidade utilizam seu conteúdo para reforçar o “lugar da mulher” e o “lugar do homem” na sociedade.
Um exemplo é o vídeo de influenciador em que ele indica aos seguidores que “toda mulher deveria ter um trabalho pela internet”, mas não por conforto, comodidade ou qualidade de vida, mas para garantir que os tradicionais papeis de gênero sejam cumpridos.
“Porque eu tenho uma teoria. É o seguinte, se a mulher quer namorar, ela quer casar, ela precisa de tempo mais do que o homem. O homem precisa trabalhar mesmo, mas a mulher precisa de um tempo de qualidade para ela gerenciar a casa, para ela ter força e alegria, para ter ideias para fazer um bolo, para ela surpreender, para ela ter energia com ela mesma, se cuidar, porque mulher tem que cuidar, mulher tem que ficar no salão”, narra um influenciador, com mais de 1 milhão de seguidores, conhecido como Mentor e Terapeuta.
Esse modelo de conselhos de relacionamento é comum. Um conselheiro famoso por seus posicionamentos quanto ao papel feminino na sociedade é o “Café Com Teu Pai”, também com mais de 1 milhão de seguidores. Em suas “pílulas de incentivo”, o influenciador se predispõe a “ensinar” mulheres a como se comportar, lidar com seus corpos e se adequar ao ponto de vista masculino.
Em uma das ocasiões, ele faz uma correlação entre mulheres que tem relações sexuais fora dos relacionamentos e prostitutas. “A diferença entre a prostituta e a ficante é que a prostituta cobra em troca dos seus serviços sexuais”, afirma. E completa: “Você deveria se valorizar e não ficar se entregando pra qualquer um por aí. ‘Ai, mas ela não pode só querer transar também?’ É claro que você pode, você é livre pra fazer o que você quiser, só não adianta ficar chorando depois”, afirma.
Outros influenciadores se detém a explicar como e porquê mulheres seriam privilegiadas na sociedade, enquanto os homens, por sua vez, são “descartáveis” na concepção da sociedade. Um deles afirma que as mulheres deveriam “agradecer ao patriarcado”. “As mulheres deveriam agradecer o patriarcado porque as coisas que existiram ao longo do tempo foram, acima de tudo, para melhorar a vida das mulheres. As mulheres foram privilegiadas de diversas formas ao longo da história. Tiveram privilégios, por exemplo, de não ir para a guerra, de serem preservadas em desastres naturais”, destaca.
Em entrevista a um podcast, ele cita o Titanic como exemplo de privilégio feminino: “As mulheres eram socorridas muito antes dos homens. Os homens eram sempre os últimos a entrar. Uma das tragédias mais conhecidas da humanidade é o Titanic. O Titanic, 80% das mulheres sobreviveram e 5% dos homens sobreviveram. Mulheres foram sim privilegiadas”, completa.
Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores em uma conta privada destacou que as leis de proteção a mulher são, na verdade, um processo de demonização dos homens. “Você não tá entendendo que essas leis aí que tão passando, elas vão cada vez deixar o homem ser menos homem. E aí você vê essa onda de mulher reclamando que o homem não chega mais na balada, por que será? Porque os homens da nova geração estão vindo menos homens e tem a ver com as leis. O cara tem medo de chegar numa mulher e a mulher dizer assim ‘ele me assediou’”, narra o influenciador que se apresenta como escritor best seller e TED speaker.
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— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) March 12, 2026
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Estes são apenas alguns dos conteúdos que circulam nas redes sociais todos os dias e os efeitos disso nos crimes registrados contra mulheres já são nítidos. Na última semana, um dos jovens acusados de participar de um esturpro coletivo contra uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro exibiu uma camiseta com a frase "regret nothing" (não se arrependa de nada, em inglês), que também é uma síntese do pensamento do influenciador americano-britânico Andrew Tate, declaradamente misógino, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores.
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Foto: Reprodução / G1
No artigo “Misoginia Online: A Red Pill No Ambiente Virtual Brasileiro”, as autoras, Ana Carolina Weselovski da Silva e Inês Hennigen, ambas pesquisadoras na área de psicologia destacam que “apesar de a princípio muitos desses sujeitos tentarem se mostrar como alguém que está apenas preocupado em discutir problemas que afligem homens na contemporaneidade, sempre acabam desembocando em ódio direcionado às mulheres.”
Elas completam dizendo que “assim, [os adeptos a estes grupos] criam um ambiente confortável para dar vazão a toda a misoginia que ainda precisa ser superada em nossa sociedade. Vemos a importância de combater a ascensão desses grupos, desvelando aquilo do que realmente se tratam e a lógica desumana e cruel que levam adiante”.
É neste sentido, que ativistas sociais destacam a necessidade de estabelecer regras para a circulação de conteúdos nas redes sociais. Um exemplo disso é a proposta do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que protocolou, nesta terça-feira (10), um Projeto de Lei (PL) que cria a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet. A lei propõe que as plataformas digitais sejam obrigadas a retirar conteúdos com discurso de ódio e incentivo à violência de gênero nas redes sociais, na tentativa de criar uma rede mais eficaz de proteção a mulher.
Uma declaração dada pelo apresentador Ratinho em seu programa de TV na noite desta quarta-feira (11), no SBT, sobre a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, gerou forte repercussão e debate nas redes sociais. A fala foi apontada por diversos internautas como transfóbica.
Durante o seu programa, Ratinho criticou a escolha de Erika Hilton para comandar o colegiado e fez declarações questionando sua presença no cargo.
“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disse.
O apresentador afirmou ainda que, em sua visão, mulher seria apenas quem possui determinadas características biológicas.
“Mulher é quem tem útero, quem menstrua, e a Erika é trans”, completou o apresentador.
O trecho do programa logo viralizou nas redes sociais e gerou uma onda de comentários. Enquanto muitos internautas criticaram a declaração do apresentador e classificaram o posicionamento como preconceituoso, outros defenderam Ratinho, alegando que ele apenas expressou sua opinião.
O apresentador Ratinho disse que não tinha nada contra a deputada Erika Hilton, mas questionou se ela seria “deputada ou deputado”.
“Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.
Em longo post em sua rede social, Erika Hilton falou sobre a sua eleição para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e evitou responder diretamente os comentários do apresentador Ratinho.
“A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação. Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social. E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar”, falou a deputada.
Uma professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) foi alvo de uma ofensa misógina durante uma reunião virtual da unidade.
Professora da Ufba é alvo de ato misógino durante reunião virtual da Faculdade de Direito pic.twitter.com/gqSvo7d1MB
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 15, 2025
O caso, que teria ocorrido no último dia 6 de outubro, passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira (15) e envolveu a vice-coordenadora da unidade e professora-doutora Juliana Damasceno.
Ainda conforme relato, o encontro discutia a consulta prévia para escolha do novo diretor e vice-diretor da faculdade quando supostamente um estudante, apontado como presidente do Centro Acadêmico da faculdade, teria ofendido verbalmente a docente em plena sessão.
Não há informações sobre pronunciamento oficial da Ufba sobre o ocorrido.
Em meio a discurso na tribuna, o vereador Jailson Oliveira (PP), liderança da bancada de oposição na Câmara Municipal de Paulo Afonso, durante a sessão da manhã desta segunda-feira (6), tornou-se o centro de uma controvérsia que se espalhou por redes sociais da política local.
"Tô dando um ‘prazinho’ viu, minha conterrânea? Se não fizer o que o município precisa é pau, é cacete e é chibata nesta tribuna. Não pense que porque você é minha conterrânea que eu vou passar a mão, não”, parla o vereador.
O representante do legislativo se dirigiu à atual secretária Municipal de Saúde, que ele identificou como ‘sua conterrânea’. A declaração gerou manifestações públicas de repúdio na política local. Confira em vídeo o momento da fala:
??Vereador causa polêmica ao dizer que secretária de Saúde merece "Pau, Cacete e Chibata" em Paulo Afonso
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 7, 2025
?? Confira: pic.twitter.com/Wk8XNCmuvf
Segundo o portal PA4, parceiro do Bahia Notícias, uma carta aberta do ex-servidor Itaibes Paiva chamou a atenção, onde expressa solidariedade à secretária e classifica o comportamento do parlamentar como "agressivo, ameaçador e profundamente desrespeitoso".
A carta aberta também acusa a postura do vereador de ser "misoginia travestida de autoridade" e cobra providências imediatas da presidência da Câmara Municipal. Após a repercussão, o vereador Jailson Oliveira se manifestou por meio de nota para esclarecer o episódio.
O vereador negou que suas palavras tivessem conotação machista ou ofensiva à secretária, garantindo que o teor da cobrança era dirigido à "atuação da gestão", e não à pessoa ou gênero da gestora. O Bahia Notícias procurou a secretaria em busca de uma manifestação, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Leia a nota na íntegra:
Durante minha fala na tribuna da Câmara Municipal, usei uma expressão popular ao afirmar que, caso a Secretaria de Saúde não apresente resultados, ‘o pau vai comer’, no sentido de que voltarei a cobrar com mais firmeza.
Alguns, no entanto, estão tentando distorcer o contexto, insinuando que minhas palavras teriam conotação machista ou ofensiva à secretária, o que não corresponde à verdade. Minha fala foi dirigida à atuação da gestão, e não à pessoa ou ao gênero de quem ocupa o cargo.
Tenho profundo respeito por todas as mulheres, inclusive por aquelas que dedicam sua vida ao serviço público. Sempre reconheci e defendi o papel essencial das mulheres na política, na administração e em todas as áreas da sociedade.
A expressão usada foi no sentido figurado, uma forma popular de enfatizar a cobrança e a insatisfação com a falta de resultados — jamais um ataque pessoal ou desrespeitoso.
Continuarei firme no meu dever de fiscalizar e cobrar o que é de direito da população de Paulo Afonso, sempre com respeito, responsabilidade e compromisso com o povo.
Justificando a necessidade de interromper o que chamou de onda de ataques de ódio e comentários misóginos e até criminosos, a primeira-dama Janja Lula da Silva “fechou” o seu perfil no Instagram e tornou a sua conta privada. Com isso, só poderá ter acesso às postagens quem já seguia a primeira-dama, ou se for aceito como seguidor nos próximos dias.
Em nota enviada à imprensa, a assessoria da primeira-dama afirma que os comentários no perfil de Janja no Instagram se configuram como um exemplo de como um grupo de pessoas atuaria nas redes sociais como uma terra sem lei, onde podem ofender livremente.
"Comentários que não são apenas machistas e misóginos o que, por si só, já seriam abomináveis. Mas comentários que muitas vezes possuem teor criminoso, que difamam, caluniam e ameaçam a segurança e integridade de Janja Lula da Silva. Apesar de ser uma pessoa pública por ser casada com o Presidente da República, Janja tem o domínio sobre seu perfil no Instagram e o direito de decidir restringir sua conta temporariamente para reforçar a moderação dos comentários em suas publicações, bem como de seus seguidores”, justifica a assessoria.
A nota da assessoria da primeira-dama também defende a regulamentação das plataformas digitais, para que pessoas que veiculem comentários “criminosos” sejam responsabilizados e punidos.
“As plataformas precisam se responsabilizar e punir os crimes que são cometidos dentro delas. Mas o que vimos nos últimos meses é um retrocesso. A própria Meta realizou mudanças nas Diretrizes da Comunidade, com medidas que mudam regras da empresa para combater a desinformação e o ódio, alterando especialmente diretrizes sobre gênero e deixando de punir criminosos”, diz a assessoria.
Alguns dos comentários ofensivos publicados em postagens da primeira-dama foram destacados pela assessoria para exemplificar os ataques sofridos por Janja em seu perfil, inclusive apresentando o endereço dos detratores. Em um deles, por exemplo, um internauta chamou Janja de “Putanja”. Vários outros qualificam Janja como “vagabunda”, “marmita de quinta”, “galinha de presídio” e até mesmo “deslumbrada escrota”.
A assessoria finaliza a nota afirmando que neste momento, não é o número de seguidores que importa para a primeira-dama, “e sim, um ambiente digital minimamente saudável e que respeite não só Janja, mas também aqueles que a seguem por terem interesse real em seus conteúdos publicados no Instagram”.
A primeira-dama Janja tem sido um constante alvo de parlamentares, influenciadores e internautas de direita. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma solenidade pública, disse que sua esposa é “a bola da vez”.
“Não sei se vocês perceberam, a Janja agora é a bola da vez. Para me atingir, eles começam a atacar a Janja. Eu digo sempre para a Janja: ´Você tem duas opções – ou você para de fazer o que gosta e eles vão parar de te incomodar; ou você continua falando até eles perceberem que não vão mudar sua ideologia e o seu pensamento´. É uma guerra”, disse o presidente.
O deputado estadual Jordávio Ramos (PSDB), filho da ex-prefeita Suzana Ramos, reagiu às recentes declarações do prefeito de Juazeiro, Andrei da Caixa (MDB), e criticou a administração municipal por falta de ações concretas e pelo que classificou como atitudes misóginas. Segundo o parlamentar, o prefeito prioriza uma postura voltada à “campanha eleitoral” em detrimento da gestão pública.
“O que a gente tem visto nos últimos 20 dias em Juazeiro é um prefeito com atitude de candidato em período eleitoral e não de gestor, sem ações concretas para melhorar a administração pública. E, pior do que isso, com uma ação bastante misógina, querendo culpar por todos os problemas da cidade a primeira mulher eleita prefeita de Juazeiro”, afirmou Jordávio.
Ramos também rebateu críticas de Andrei sobre a situação das ambulâncias no município. O deputado destacou que entregou duas ambulâncias e duas motolâncias ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), enquanto, segundo ele, o grupo político do atual prefeito não teria realizado contribuições semelhantes.
“Nos últimos quatro anos, o grupo do prefeito, que tinha governador do Estado, dois deputados estaduais e o presidente da República, não entregou nenhuma ambulância para a cidade. Foi a minha atuação que trouxe essas melhorias, mesmo sem apoio do governo do Estado”, disse.
O endividamento municipal também foi abordado pelo parlamentar, que rejeitou acusações de que a gestão de Suzana Ramos seria responsável pelas dívidas. Jordávio afirmou que os problemas financeiros vêm da administração do ex-prefeito Paulo Bonfim, aliado de Andrei da Caixa.
“Já pegamos o município endividado do antigo prefeito Paulo Bonfim, que, aliás, parece ser o principal mentor da gestão atual. Colocaram o filho dele como assessor especial e cerca de 80% do secretariado pertence à gestão dele. Mesmo assim, conseguimos diminuir de forma significativa a dívida do saneamento, que já vinha de muitos anos”, ressaltou.
O deputado ainda defendeu as realizações da gestão de Suzana Ramos, citando como destaque o Carnaval de Juazeiro, que ele classificou como o “mais popular da história”.
“Acabamos com o curral privatizado da gestão anterior e fizemos um carnaval acessível ao povo, com taxas mínimas para ambulantes, que puderam vender o que quisessem e gerar renda. O carnaval não é só alegria, mas também um motor para a economia local e para o sustento das famílias”, destacou.
Ao final, Jordávio alertou os juazeirenses sobre as “medidas populistas” de Andrei da Caixa e garantiu que continuará trabalhando por melhorias na cidade.
A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) reconheceu uma conduta discriminatória do Banco Bradesco em relação às mulheres de uma agência em Salvador, e condenou a empresa a indenizar em R$ 30 mil uma bancária. Ela foi apelidada de “Smurfette” e ouvia em reuniões comentários misóginos de seu gerente sobre o uso de anticoncepcionais.
A decisão do relator, desembargador Edilton Meireles, foi seguida à unanimidade pelos desembargadores Marcos Gurgel e Luíza Lomba e ainda cabe recurso.
A bancária, que atuava como gerente de relacionamentos em uma agência da capital baiana, foi demitida enquanto estava grávida. Ela também relatou que ouvia comentários sobre seu marido supostamente estar em um relacionamento extraconjugal. Por isso, entrou com um processo na Justiça do Trabalho, pedindo o reconhecimento do período onde teria estabilidade pela gravidez e uma indenização por dano moral pelas ofensas sofridas.
O caso foi julgado pela 20ª Vara do Trabalho de Salvador. A juíza Alice Pires garantiu o direito à estabilidade, afirmando que a bancária "já estava grávida antes do fim do contrato, considerando a integração do aviso prévio indenizado de 60 dias", gerando efeitos financeiros. Sobre o dano moral, a juíza destacou os relatos de cobranças excessivas, constrangimentos e humilhações.
Uma testemunha confirmou que o gerente-geral da agência deu o apelido de “Smurfette” à bancária e, em reuniões, fazia “brincadeiras” dizendo que aplicaria injeções de anticoncepcional nas mulheres da agência.
Ao analisar o recurso do Bradesco, o desembargador Edilton Meireles afirmou que a bancária comprovou, por exames, que estava grávida de seis semanas. O desembargador destacou também que os comentários do gerente-geral "demonstram uma conduta discriminatória ao dizer que gostaria de aplicar injeções de anticoncepcional nas mulheres da agência".
Quatro livros jurídicos com conteúdo discriminatório contra pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres deverão sair de circulação após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, nesta sexta-feira (1º). Os livros foram publicados entre 2008 e 2009 pela editora Conceito Editorial.
Uma das publicações classifica o “homossexualismo” como “anomalia sexual”, e relaciona a comunidade LGBTQIAPN+ ao vírus HIV – algo já descartado pela ciência. O livro também diz que a Aids existe apenas “pela prática doentia do homossexualismo e bissexualismo”. As informações são do g1.
Outro livro afirma haver um “determinismo” na sociedade que faz com que “algumas mulheres mais lindas e gostosas […] do uso exclusivo dos jovens playboys, sendo que outras mulheres do mesmo estilo ficam ainda, com os playboys velhos de 40, 50 e 60 anos, que teimam em roubar as mulheres mais cobiçadas do mercado”.
Nos livros ainda constam frases como: “Acredito que isso é uma manipulação da máfia gay que não aceitou que a mulher tem a vagina e que ele, obviamente, não a tem. Uma loucura psicológica tão devastadora como nos tempos de Hitler” e “Muitas mulheres que transaram demais optaram por favorecer o ânus para preservar a vagina de desgaste”.
Os trechos são dos autores Dalvi, L. e Dalvi, F., do livro “Curso Avançado de Direito do Consumidor: Doutrina, Prática e Jurisprudência”, além de “Manual de Prática Trabalhista”, “Teoria e Prática do Direito Penal” e “Curso Avançado de Biodireito”.
Na avaliação de Dino tais trechos violam a dignidade da pessoa humana. O ministro analisou um recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que havia negado a retirada das obras de circulação.
A ação foi movida pelo MPF após alunos da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, identificarem conteúdo homofóbico nos livros da biblioteca da instituição.
Flávio Dino afirma que a ordem de agora não representa censura prévia. O ministro estabeleceu que para voltarem a ser vendidos, os livros terão que retirar os trechos degradantes e incompatíveis com a Constituição.
O ministro ressaltou que o STF tem entendimento consolidado de que o direito à liberdade de expressão e de livre manifestação do pensamento não são absolutos, cabendo intervenção da Justiça em situações de evidente abuso.
Ele segue dizendo que ao atribuírem às mulheres e à comunidade LGBTQIAPN+ características depreciativas, que fazem juízo de valor negativo e utilizam expressões misóginas e homotransfóbicas, as obras jurídicas “afrontam o direito à igualdade e violam o postulado da dignidade da pessoa humana, endossando o cenário de violência, ódio e preconceito contra esses grupos vulneráveis”.
No seu entendimento, tal tratamento degradante é capaz de abalar a honra e a imagem de grupos minoritários e de mulheres na sociedade brasileira. Sendo assim, se faz necessária a devida responsabilização civil, penal, criminal e/ou administrativa dos envolvidos conforme previsto na Constituição.
Para embasar o seu voto, Flávio Dino ainda trouxe levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o qual revela o registro de 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+ em 2023. Segundo a pesquisa, o Brasil segue como o país mais transfóbico do mundo.
O ministro reforça que qualquer tipo de discriminação atenta contra o Estado Democrático de Direito, inclusive a motivada pela orientação sexual das pessoas ou em sua identidade de gênero, "revelando-se nefasta, porque retira das pessoas a justa expectativa de que tenham igual valor".
Também foi fixada indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 150.000,00.
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, teceu duras críticas aos casos de machismo e misoginia registrados no judiciário brasileiro nas últimas semanas, durante a sua palestra na 4ª Conferência Estadual da Mulher Advogada, em Salvador, nesta segunda-feira (22).
Cármen Lúcia comentou o caso envolvendo o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Luis Cesar de Paula Espíndola, que no julgamento da manutenção de medida protetiva em favor de uma adolescente de 12 anos que denunciou assédio de um professor de educação física, disse que "as mulheres estão loucas atrás dos homens" e afirmou, ainda, serem os homens vítimas do assédio das mulheres.
“Nós tivemos um dito julgador, porque togado, afirmando que as mulheres é que estão assediando os homens, porque as mulheres estão correndo loucamente atrás, porque está – aspas – “sobrando mulheres”. Mulher não é sobra, mulher não é resto. Mulher é humano como outro qualquer”, disse a ministra.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu reclamação disciplinar contra Espíndola “por manifestações de conteúdo potencialmente preconceituoso e misógino em relação à vítima menor de idade”. Em março do ano passado, Luis César de Paula Espíndola foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à pena de detenção de quatro meses e 20 dias, em regime aberto, por lesão corporal em contexto de violência doméstica contra a irmã e a mãe. Porém, a maioria da Corte substituiu a pena por prestação de serviços à comunidade e determinou o retorno ao cargo.
A presidente do TSE falava sobre os desafios enfrentados por todas as mulheres, diante das reincidentes violências e destacou ainda os dados do Anuário da Violência. “Uma sociedade que permite que quase 1.500 mulheres sejam assassinadas e vai se perguntar desses assassinos [...], quantos já foram julgados?”, sinalizou. “Essa sociedade é justa e solidária? A República está construindo uma sociedade livre, justa e solidária quando alguns temas das mulheres são proibidos de serem discutidos, sobre o corpo da mulher, sobre a vida da mulher?”, questionou.
“Uma sociedade que permite que seja o menor índice de participação política em cargos do legislativo, nós temos menos de 20% nas Câmaras Municipais com representantes mulheres e nós somos 52% do eleitorado brasileiro”, completou.
As críticas da ministra também se estenderam à ausência de mulheres na presidência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A Ordem dos Advogados do Brasil tem mais de 50% de mulheres. Quantas mesmo presidentes nós tivemos nesses 92 anos? Esqueci”, ironizou. “O certo é que os discursos são levados segundo conveniências retóricas de cinismo político”, cravou.
Cármen Lúcia fez a palestra magna de abertura da 4ª Conferência Estadual da Mulher Advogada, promovida pela seccional baiana da OAB. O evento vai até esta terça-feira (23) no Centro de Convenções de Salvador.
O desembargador Luis César de Paula Espíndola, presidente da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), protagonizou uma fala polêmica durante sessão de julgamento. Na quarta-feira (3), o magistrado afirmou que "as mulheres estão loucas atrás dos homens".
e diz que “não tinha intenção de menosprezar” pic.twitter.com/pCMC2dCPbp
— BN Justiça (@bnjustica) July 5, 2024
O colegiado da Corte paranaense julgava a manutenção de medida protetiva em favor de uma adolescente de 12 anos que denunciou assédio de um professor de educação física, absolvido na esfera criminal e administrativa. O caso tramita em segredo de justiça.
"Se a vossa Excelência sair na rua, hoje em dia, quem está assediando, quem está correndo atrás de homens são as mulheres, porque não tem homem. Esse mercado está bem diferente. Hoje em dia, o que existe – essa é a realidade –, as mulheres estão loucas atrás dos homens, porque são muito poucos".
"É só sair à noite. Eu não saio muito à noite, mas eu sei, tenho funcionárias, tenho contato com o mundo. Nossa, a mulherada está louca atrás do homem. Muito louca para levar um elogio, uma piscada, uma cantada educada, porque elas é que estão cantando, elas que estão assediando, porque não tem homem. Essa é a nossa realidade hoje em dia, não só aqui no Brasil", seguiu o desembargador.
Durante a sua fala, Espíndola continuou dizendo que "só os cachorrinhos estão sendo os companheiros das mulheres" e que elas estão "loucas para encontrar um companheiro, para conversar, eventualmente para namorar".
O desembargador ainda disse que atualmente são os professores de faculdade que sofrem assédio. "A coisa chegou a um ponto, hoje em dia, que as mulheres é que estão assediando. Não sei se a vossa Excelência sabe, professores de faculdade são assediados. É ou não é, doutora? Quando saio da faculdade, deixo um monte de viúva", afirmou.
Após a fala, Luis César de Paula Espíndola votou contrário à manutenção de medidas protetivas no caso da adolescente. O desembargador argumentou que hoje em dia qualquer coisa é considerada assédio e que prejudicaria a carreira do professor.
A desembargadora Ivanise Maria Tratz Martins questionou o posicionamento do colega de Corte e Espíndola rebateu classificando a declaração dela como um "discurso feminista desatualizado".
Segundo informações da Folha de S. Paulo, na mesma sessão, durante o julgamento de um caso de manutenção de pensão alimentícia para uma mulher após o divórcio, Espíndola votou contra, justificando não haver prova de que ela trabalhava em casa.
Em março do ano passado, Luis César de Paula Espíndola foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à pena de detenção de quatro meses e 20 dias, em regime aberto, por lesão corporal em contexto de violência doméstica contra a irmã e a mãe. Porém, a maioria da Corte substituiu a pena por prestação de serviços à comunidade e determinou o retorno ao cargo.
POSICIONAMENTOS
Após repercussão do caso, o desembargador, por meio de nota, afirmou que “nunca houve a intenção de menosprezar o comportamento feminino nas declarações proferidas”. Espíndola ainda disse “sempre” ter defendido “a igualdade entre homens e mulheres, tanto em minha vida pessoal quanto em minhas decisões”.
“Lamento profundamente o ocorrido e me solidarizo com todas e todos que se sentiram ofendidos com a divulgação parcial do vídeo da sessão”, concluiu o magistrado.
Também por meio de nota pública, o TJ-PR esclarecer não endossar os comentários feitos pelo desembargador. O tribunal afirmou já ter aberto investigação preliminar no âmbito da Corte, com base na Resolução 135 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e deu a Espíndola prazo de 5 dias para se manifestar. “O Tribunal reitera que não compartilha de qualquer opinião que possa ser discriminatória ou depreciativa, como, aliás, é próprio de sua tradição e história de mais de 132 anos”.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB-PR) publicou nota de repúdio contra o desembargador. "Além de discriminatórias, [as manifestações] expressam elevado grau de desconhecimento sobre o protocolo para julgamento com perspectiva de gênero, de cumprimento obrigatório pelos magistrados e tribunais. Revelam ainda profundo desrespeito para com as mais recorrentes vítimas de todo o tipo de assédio: as meninas e mulheres brasileiras", diz.
Alex Kapranos, vocalista da banda britânica Franz Ferdinand, é mais uma celebridade internacional a aderir ao movimento #EleNão, em oposição ao candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL). “Eu costumava acreditar que músicos deveriam ficar fora da política, mas isso foi antes dessa era da demagogia. Não é mais possível permanecer neutro. Amo o Brasil e não posso ignorar o que está acontecendo. Sim, eu posso irritar alguns fãs, mas tenho que dizer: #EleNão”, publicou o artista em suas redes sociais, nesta terça-feira (16).
Kapranos se soma a uma lista de artistas estrangeiros que se posicionaram contra o candidato e as pautas defendidas por ele. Dentre as adesões ao #EleNão estão Madonna (clique aqui) e Roger Waters (clique aqui); os atores da série Grey'a Anatomy, Stefania Spampinato, Giacomo Gianniotti e Jesse Williams (clique aqui); o ator de Rebelde e Sense8, Alfonso Herrera (clique aqui) e a atriz Ellen Page (clique aqui). Prestes a se apresentar no Brasil, a cantora colombiana Shakira foi orientada pela produção a não se manifestar politicamente durante os shows (clique aqui).
Eu costumava acreditar que músicos deveriam ficar fora da política, mas isso foi antes dessa era da demagogia.
— alex kapranos (@alkapranos) 16 de outubro de 2018
Não é mais possível permanecer neutro.
Amo o Brasil e não posso ignorar o que está acontecendo. Sim, eu posso irritar alguns fãs, mas tenho que dizer:#EleNão https://t.co/TOHs6rCRfr
A primeira pergunta que irritou a cantora foi um questionamento sobre o que ela escolheria se tivesse que usar pela última vez: maquiagem ou celular. “É só nisso que você acha que as meninas pensam?", questionou Ariana.
As perguntas e comentários com teor machista e sexista continuaram. Quando questionada sobre quais emojis gostava de usar, ela citou o unicórnio. Os locutores afirmaram que era por ser uma garota e que eles nunca usariam ou sequer prestaram atenção nos lançamentos “para meninas”. A cantora rebateu dizendo que meninos também podem usar.
Ao final da entrevista, Ariana relatou que racismo, misoginia e sexismo seriam coisas que ela gostaria de mudar no mundo. Ao falar isso, a cantora apontou para um dos apresentadores dizendo que começaria por ele.
Veja vídeo:
Vocês viram a Ariana Grande dando uma verdadeira aula de quebra de padrões em entrevista nesses últimos dias?Uma garota desconstruindo pensamentos machistas de héteros cis <3 <3
Posted by Portal Famosos Brasil on Segunda, 2 de novembro de 2015
Após o episódio, Cortez afirmou, em entrevista ao UOL, que já esperava a repercussão negativa. “Essas junkets [entrevistas com atores para divulgação de séries ou filmes] são muito sérias, nunca tinha feito antes, mas há um certo rigor. Fiz uma piada com elas, elas não entenderam, mas não é culpa delas, não é culpa do Netflix, nem as culpo por não terem achado graça. Nem todas as piadas são boas, nem todas funcionam e eu estou longe de ser o melhor cara do mundo", afirmou, acrescentando que no mesmo programa ele fez outras boas entrevistas. “Me abalo quando sou muito fã de uma pessoa. Nesse mesmo programa apareceu uma entrevista com a Maria Bethânia, de quem sou muito fã, e ficou boa, então estou tranquilo, faz parte do meu trabalho. No mesmo dia fiz várias outras entrevistas de outras séries e foi ótimo", minimizou.
Confira a entrevista:
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flávio Bolsonaro
"Lula vai ficar do lado de criminosos?"
Disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao fazer duras críticas à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área da segurança pública. Flávio, pré-candidato do PL a presidente nas eleições de outubro, citou o projeto de lei antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional em fevereiro e que ainda não foi sancionado por Lula.