Artigos
Violência política segue como barreira persistente para mulheres que ousam liderar no Brasil
Multimídia
"Nosso grupo tem 14 anos que não faz política em Salvador", diz Bacelar
Entrevistas
Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
kalaf epalanga
Dois dos autores mais aguardados da 12ª edição da Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica), o baiano Itamar Vieira Júnior, vencedor do prêmio Jabuti em 2020, e o angolano radicado em Berlim, Kalaf Epalanga, falaram sobre como a interação e a interpretação do leitor influenciam em suas escritas. Os dois escritores participaram da roda de conversas “Linguagens, corpos, mistérios e chão”, na tarde deste sábado (19), e lotaram a Tenda Paraguaçu, onde foi realizado o encontro.
Itamar explicou que o que ocorre na estrutura narrativa de “Salvar o Fogo”, seu mais novo livro, é algo que ele já tinha experimentado no seu processo criativo. “Acho que nenhum narrador é completamente confiável nem quem escreve. É tão interessante isso porque muito dessa história, ela vai ganhar uma leitura e uma integração dos leitores E muitas vezes o que os leitores descobrem sobre essa história passa a figurar também como mutável. E aí eu aprendi que nós que escrevemos nem sempre temos um domínio absoluto da história. E se eu não tenho o domínio, de alguma maneira, eu vou traçar essa voz para que as personagens respondam”.
Para Itamar, a narrativa em terceira pessoa tem uma outra perspectiva, que considera mais distanciada e, assim, possibilita uma maior diversidade de interpretações e uma visão mais ampla do enredo. “Eu acho que essa abordagem, essa estrutura permite ao leitor ter muitos pontos de vista, acho que a mesma coisa que o Kalaf disse, ter alguns pontos de vista e ter uma visão mais abrangente de toda a história. Tem muitas pessoas que me perguntam no que eu inspirei para escrever “Torto Arado” e “Salvar o Fogo” e eu respondo: li muita literatura ao longo dos anos e continuo sendo leitor de literatura, então aprendi um pouco sobre estrutura narrativa, sobre projeto narrativo”.
Para escrever Torto Arado, por exemplo, Itamar encontrou a maneira de contar a história do livro quando entendeu na oralidade um projeto estético, já que foi por meio da sua interação com agricultores e agricultoras que encontrou inspiração para escrever seu premiado livro. “Então, como descobri isso? Eu escutava, fazia entrevista, e pensava como era bonita a maneira como eles contam e como a história é brilhante. Então, precisava reproduzir a maneira de contar a história. E eu, como escritor, preciso fazer essa mediação para um público mais amplo. Ali eu vi a musicalidade, oralidade, algo esteticamente potente, poderoso para contar essa história em particular”.
Durante a sua participação na Flica, o escritor angolano Kalaf Epalanga agradeceu à coordenação do evento pelo convite para estar na festa literária e falou sobre sua identificação com a música brasileira e do quanto a literatura produzida no Brasil, usando como exemplos escritores como Jorge Amado e Guimarães Rosa, está presente na literatura angolana, inspirando os seus escritores e suas formas de ver o mundo.
“A minha admiração pela música brasileira quase não consigo identificar um antes e um depois. Acho que ela está na minha formação, na minha gênese. Cresci ouvindo a música que toca no rádio de toda a gente. Então, a música do Gilberto Gil, do Dorival Caymmi era a música que estava na casa. Ou seja, o Brasil tem uma relevância e uma amplitude dentro do espaço da língua portuguesa, que é quase impossível a gente não ficar seduzido por ela, não ficar seduzido pelo Brasil”.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Raimundinho da Jr
"Mulher negra de coração branco".
Disse o deputado Raimundinho da JR (PL) ao parabenizar Olívia Santana (PCdoB) durante a sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desta quarta-feira (25), que a parlamentar era uma mulher “de coração branco”.