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Na última quinta-feira (16 de julho de 2026), o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negou um recurso da defesa do ex-vereador Jairo Santos Souza Júnior, o Dr. Jairinho. O recurso buscava anular o julgamento que o condenou a mais de 43 anos de prisão pela tortura e morte de seu enteado, Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021.
Os advogados de Jairinho contestavam uma decisão anterior que impedia que o júri fosse realizado em outra cidade. O argumento era de que a grande repercussão do crime na imprensa poderia comprometer a parcialidade dos jurados no município do Rio. A desembargadora Maria Angélica Guerra Guedes, segunda vice-presidente do TJRJ, rejeitou o recurso, afirmando que a defesa não conseguiu demonstrar nenhuma ilegalidade na decisão que manteve o júri na capital. Caso o recurso fosse aceito, o julgamento poderia ter sido anulado e realizado novamente.
Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação, celebrou a decisão. Para ele, a ampla repercussão do caso é reflexo da gravidade do crime e não uma justificativa para mudar o local do julgamento. Ele declarou que continuará acompanhando os recursos para garantir que "nenhuma manobra processual apague a verdade".
Em junho de 2026, Dr. Jairinho foi sentenciado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão por homicídio e tortura. A mãe de Henry teve o crime de homicídio doloso desclassificado para culposo (sem intenção de matar) e recebeu perdão judicial. Ela foi condenada a um ano e quatro meses por omissão em relação à tortura, mas a pena foi considerada cumprida devido ao tempo em que esteve em prisão preventiva. O julgamento durou 11 dias, sendo registrado como o mais longo da história do Judiciário fluminense.
Monique Medeiros afirmou nesta terça-feira (2), pela primeira vez em juízo, acreditar que o ex-vereador Jairo de Souza, o Jairinho, foi o responsável pela morte do filho Henry Borel, morto aos 4 anos em 2021. "Creio que foi Jairo", declarou ao ser questionada pela juíza. Anteriormente, ela havia dito apenas que "somente Deus para saber".
Monique depõe no banco dos réus desde as 10h30 desta terça (2). Ao longo do depoimento, descreveu um relacionamento marcado por controle, drogas e violência.
Segundo ela, Jairinho a proibia de fazer aulas com homens e de malhar de shorts, além de monitorar sua localização em tempo real pelo celular e mandar uma pessoa à academia para fotografá-la. Ela também relatou que ele, por ser médico, a obrigava a ingerir remédios macerados no vinho para, segundo ele, "evitar que ela conversasse com outro homem enquanto ele dormia", e que chegou a flagrá-lo colocando o medicamento sem seu conhecimento.
Na madrugada da morte de Henry, Monique disse que adormeceu rapidamente após Jairinho lhe dar remédios. "Ele também dizia que tomava remédios para dormir, mas hoje sei que não tomava e passava a noite conversando com outras mulheres", afirmou.
Monique relatou ainda dois episódios de agressão ao filho. No primeiro, Henry lhe contou que havia levado uma "banda" e uma "moca" de Jairinho enquanto ela cozinhava, e que ele chamou a criança de "viadinho". No segundo, ocorrido em 12 de fevereiro, a babá avisou por mensagem que Jairinho havia chegado fora do horário e levado Henry para o quarto. Após cerca de cinco minutos, a criança saiu dizendo que havia apanhado novamente e que "o tio sempre fazia isso". Na saída do salão onde estava, Monique comprou uma câmera para monitorar o filho, mas não chegou a instalá-la.
Sobre a noite da morte, disse que foi acordada por Jairinho, que informou que o menino estava caído no chão com "os olhos abertos, olhando para nada". Ela afirmou que não desconfiou dele naquele momento, pois não havia marcas visíveis no corpo do filho, e entrou em luto profundo.
A mudança de versão, segundo Monique, veio após reportagens sobre o caso. Ela disse ter dado um tapa em Jairinho e o acusado diretamente. Em resposta, ele teria colocado a mão sobre uma Bíblia e jurado pelos filhos mortos que nunca tocou na criança, o que a fez permanecer ao lado dele. Disse ainda que foi Jairinho quem jogou os celulares pela janela no momento em que ambos foram presos.
A defesa de Jairinho tem sustentado a inocência do cliente e contestado os depoimentos ao longo do júri.
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