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guia de turismo
A Chapada Diamantina, referência em turismo de aventura, revela um cenário complexo para as mulheres que atuam na linha de frente do ecoturismo. Longe da narrativa da aventura perfeita, a realidade das guias é marcada pelo silenciamento sistêmico, onde o assédio, o boicote profissional e a descredibilização técnica formam uma barreira que muitas vezes torna invisível o trabalho daquelas que conduzem visitantes por trilhas, travessias e até mesmo em situações de combate a incêndios.
A guia de ecoturismo Patrícia Ferreira relata que existem regras informais, impostas pela sociedade, que tentam limitar a presença feminina no setor. "Quando conseguimos superar barreiras e ocupar espaços, ainda nos é exigida uma feminilidade performática. Existe uma preferência nítida das agências por guias homens, especialmente em travessias longas, sob a justificativa de que exigem maior esforço físico. Quando adoto uma postura firme e direta, sou rotulada como agressiva ou problemática; o interesse é que eu mantenha o silêncio e não apresente senso crítico". A profissional acrescenta que a desigualdade reflete na remuneração: "Frequentemente, temos que provar o dobro da competência para receber a metade da remuneração".

Patrícia Ferreira relata desigualdade no tratamento entre homens e mulheres | Foto: Acervo pessoal
O peso dessa descredibilização também é sentido pela guia de ecoturismo Joana Vilarinhos. "Existe uma preferência das agências por guias homens para liderar grandes grupos e travessias longas, baseada em uma visão de força braçal. Essa percepção associa a capacidade de liderança a um visual imponente, com homens altos e fortes. Já presenciei turistas ficarem desorientados ao descobrirem que uma mulher lideraria a expedição, como se a capacidade técnica fosse relativa à aparência física ou à massa muscular". Além das dificuldades técnicas, Joana descreve um ambiente onde o silêncio é uma moeda de troca: "Há um esforço visível por parte de alguns setores para camuflar denúncias de assédio. Já fui abordada com o argumento de que falar sobre feminismo ou assédio no ecoturismo 'assusta o turista' e prejudica o setor. Minha posição é a de que o que afasta o turismo não é a denúncia, mas a falta de controle de profissionais que desrespeitam as normas de conduta".

Patrícia Ferreira denuncia preferência de agências por guias homens | Foto: Acervo pessoal
Nas sombras desse cenário, o silêncio ecoa com a mesma intensidade das vozes que conseguimos registrar. A recusa de diversas profissionais em falar abertamente sobre o tema, revela que não estamos diante de uma lacuna de conteúdo, mas por uma barreira imposta pelo medo. Esse silêncio forçado ilustra um ambiente de censura e retaliação, onde a pressão exercida por operadoras e colegas de profissão atua como uma engrenagem de controle, punindo quem ousa questionar a estrutura vigente e tornando a denúncia um ato de rara coragem.
A ausência de segurança em territórios remotos é outra faceta dessa jornada solitária das mulheres na Chapada. A guia de ecoturismo Izabelle Brandão aponta que, diante da falta de protocolos formais de proteção, a estratégia de defesa acaba sendo individual. "Até o momento, não conseguimos estruturar um protocolo de segurança coletivo para enfrentar situações de invasão ou assédio. Atualmente, a estratégia mais eficaz que adotamos é o registro em vídeo, que serve como uma garantia de direito em casos de desrespeito ou comportamento inadequado". Izabelle ainda pontua como o preconceito se infiltra até nos espaços que deveriam ser de apoio:
"Já fui questionada em minha autoridade técnica, não apenas no trekking, mas também no combate a incêndios, partindo de outras mulheres. Infelizmente, faço parte de uma associação cujo estatuto inclui cláusulas de proteção que eu mesma solicitei, mas as mulheres preferem pedir ajuda aos homens e às brigadas masculinas do que dar ênfase ao conhecimento que possuo desde 2012 em combate a incêndios".

Izabelle Brandão destaca jornada solitária das mulheres na Chapada | Foto: Acervo pessoal
Apesar dos obstáculos e do estigma de serem vistas como "problemáticas" por não se submeterem ao status quo, essas mulheres seguem ocupando os caminhos da Chapada Diamantina. O trabalho delas, que une a condução de grupos ao enfrentamento diário de um machismo estrutural, desenha um cenário onde a beleza das trilhas contrasta com a dura realidade de quem, para guiar o caminho dos outros, precisa primeiro abrir o seu próprio espaço no mercado.
Um guia turístico escapou de um sequestro após quebrar o vidro do carro onde era mantido por criminosos e fugir por uma área de mata na região da Reserva Sapiranga, em Mata de São João, no litoral norte da Bahia. Segundo relato da vítima, identificada pelo nome Érick, três homens armados o abordaram por volta do meio-dia, nas proximidades da ponte de Barra do Pojuca, enquanto seguia para o trabalho.
Ele afirmou que foi colocado à força no porta-malas de um carro preto e, posteriormente, transferido para o banco traseiro do veículo. Durante o trajeto em direção à BR-099, um dos suspeitos tentou imobilizá-lo com um pano no rosto. Pouco depois, o automóvel apresentou problemas mecânicos próximo à ponte de Barra do Pojuca.
Aproveitando o momento em que os criminosos desceram para verificar o veículo, o guia utilizou a própria bota para quebrar o vidro, saiu do carro e correu em direção a uma área de mata. Mesmo perseguido, conseguiu chegar à entrada da Reserva Sapiranga, onde recebeu ajuda de familiares e foi encaminhado para atendimento médico.
O guia sofreu escoriações, dores no joelho e relatou abalo emocional após o episódio. "Minha sorte foi que eles não conseguiram atirar em mim", afirmou. Até o momento, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso nem informou se haverá reforço no policiamento da região.
ASSISTA:
??Guia turístico escapa de sequestro após quebrar vidro de carro e fugir por mata em reserva na Bahia
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) June 20, 2026
Confira?? pic.twitter.com/6WA0qrYPlA
Familiares, amigos e moradores participaram desta segunda-feira (12) em Caraíva, Porto Seguro, de um protesto, cobrando justiça no caso da morte do guia de turismo Vitor Cerqueira, de 28 anos. Ele foi baleado e morto durante uma operação policial no último sábado (10).
A ação tinha como alvo Davisson Sampaio dos Santos, de 23 anos, conhecido como “Alongado”, apontado como chefe do grupo criminoso, também morto na operação.
Segundo o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, Vitinho foi sepultado nesta segunda em Itabela, município da mesma região. Testemunhas relataram que Vitinho esperava um grupo de turistas quando foi abordado pelos policiais. A comunidade afirma que ele não tinha envolvimento com tráfico de drogas.
O caso causou forte comoção nas redes sociais e motivou um abaixo-assinado com mais de quatro mil assinaturas, pedindo investigação sobre o caso. Depois da morte de “Alongado”, traficantes ligados à facção criminosa “Anjos da Morte”, que controla o tráfico na região, teriam imposto toque de recolher na vila.
O comércio local não abriu no domingo e turistas deixaram a região com medo de novos episódios de violência. A Polícia Militar reforçou o patrulhamento na localidade.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ratinho
"Cara de viado".
Disse o apresentador Ratinho, que foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por homofobia após o comentário feito sobre o visual do cantor sertanejo Tiago Piquilo.