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Os gastos do Poder Judiciário bateram recorde em 2025 e totalizaram R$ 164,6 bilhões, atingindo o maior valor desde 2009, início da série histórica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A cifra foi puxada principalmente pela alta nas despesas com pessoal, que registraram um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Os dados constam no relatório Justiça em Números, divulgado pelo CNJ com estatísticas referentes ao ano de 2025.
No último ano, os supersalários figuraram como um dos principais fatores de desgaste da imagem do Judiciário, somados ao envolvimento de magistrados de cortes superiores no caso do Banco Master. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, 38% da população afirma não confiar no Poder Judiciário, enquanto 43% declaram confiar pouco e 17% dizem confiar muito.
Os dados de 2025 indicam que a arrecadação da Justiça no ano foi de R$ 68,2 bilhões, o equivalente a 41% do total gasto no período. O resultado representa uma queda de 8,9% na comparação com o ano anterior. A receita do órgão é composta por valores angariados com processos judiciais ou extrajudiciais, emolumentos cobrados por serviços cartorários e impostos de inventário (pagos no momento da transferência de bens de falecidos para herdeiros).
Em termos macroeconômicos, o custo total do Judiciário representou 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no ano passado, além de corresponder a 2,7% de todos os gastos somados da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios.
O estado da Bahia concentrou R$ 578 milhões em repasses públicos destinados à contratação de shows artísticos por prefeituras municipais e pelo governo estadual entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. É o que aponta o relatório "Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio", divulgado pelo observatório investigativo De Olho nos Ruralistas.
Com o maior investimento do país, a Bahia lidera o ranking. A maioria esmagadora dos casos é de competência municipal, apenas 113 ocorrem no eixo estadual e uma contratação do Federal. Segundo os dados, a Bahia teve, no total, R$ 578 milhões gastos no período, o maior valor absoluto em todo o país, sendo seguida por Pernambuco, com 573 milhões de reais.
Veja mapa nacional:
Confira a lista:
- Bahia — 578 milhões de reais;
- Pernambuco — 573 milhões de reais;
- Ceará — 316 milhões de reais;
- Minas Gerais — 192 milhões de reais;
- Sergipe — 161 milhões de reais;
- Paraíba — 147 milhões de reais;
- Alagoas — 143 milhões de reais;
- São Paulo — 138 milhões de reais;
- Goiás — 120 milhões de reais;
- Rio Grande do Norte — 112 milhões de reais;
- Maranhão — 108 milhões de reais;
- Paraná — 80 milhões de reais;
- Pará — 79,3 milhões de reais;
- Piauí — 78,4 milhões de reais;
- Mato Grosso — 51 milhões de reais;
- Tocantins — 44 milhões de reais;
- Espírito Santo — 34 milhões de reais;
- Rio de Janeiro — 31 milhões de reais;
- Mato Grosso do Sul — 24 milhões de reais;
- Amazonas — 19 milhões de reais;
- Roraima — 14 milhões de reais;
- Distrito Federal — 13 milhões de reais;
- Santa Catarina — 12 milhões de reais;
- Amapá — 8 milhões de reais;
- Rio Grande do Sul — 5 milhões de reais;
- Rondônia — 0,28 milhão ou R$ 280 mil.
Quando são analisadas as cidades, Salvador foi a segunda que mais contratou artistas, com R$ 34,16 milhões, sendo R$ 15,08 milhões em 2024 e R$ 15,22 milhões em 2025. De janeiro a março de 2026, o valor havia atingido R$ 3,86 milhões. Veja em ordem quem mais gastou desde 2024:
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1º Aracaju (SE): R$ 39,27 milhões;
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2º Salvador (BA): R$ 34,16 milhões;
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3º Maceió (AL): R$ 28,11 milhões;
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4º Goiana (PE): R$ 25,58 milhões;
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5º Petrolina (PE): R$ 25,09 milhões;
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6º São Luís (MA): R$ 24,79 milhões;
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7º Caruaru (PE): R$ 20,58 milhões;
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8º Mossoró (RN): R$ 19,70 milhões;
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9º Natal (RN): R$ 16,06 milhões;
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10º Itabaiana (SE): R$ 14,03 milhões.
O estado do Acre foi o único que não teve dados registrados. Por região, o Nordeste lidera com os maiores valores. Na Bahia, entre os gêneros com as maiores contratações (isso sem considerar o São João de 2026), “Brega”, “Arrocha” e “Piseiro” somam as maiores quantidades de contratações; os menores foram “Axé” e “Pagodão”.
Entre os 40 artistas contratados, Léo Santana, Wesley Safadão e Bell Marques lideram os maiores cachês baianos. Léo Santana teve o maior contrato, de R$ 1,6 milhão, seguido por Wesley Safadão, com até R$ 1,5 milhão, e Bell Marques, com R$ 1,2 milhão. Outros nomes famosos aparecem com contratos menores.
O longo dossiê aponta que, em âmbito nacional, o montante destinado aos 100 artistas mais contratados no período ultrapassa R$ 5 bilhões. Deste total, um grupo restrito de 40 artistas concentrou R$ 3,08 bilhões em recursos diretos dos cofres públicos municipais e estaduais.
Fotos: Redes Sociais via @prefeituraformosadoriopretoba / André Carvalho / Bahia Notícias
Na Bahia, as vaquejadas se destacam pelos altos valores pagos a artistas. O maior contrato identificado foi na vaquejada de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, alvo de uma ação do Ministério Público da Bahia. (MP-BA) e TCM (Tribunal de Contas dos Municípios).
Além dela, entre os eventos do top 40 de cachês, também aparece a vaquejada de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. Por falar em tipos de festejos, vaquejadas são o 2º lugar de maior gasto nacional, com um total de R$ 29 milhões.
De acordo com o levantamento, o valor destinado a este grupo equivale a quase a totalidade dos recursos captados por meio da Lei Rouanet em todo o ano de 2025, que somaram R$ 3,41 bilhões para diversas linguagens artísticas em âmbito nacional.
METODOLOGIA DOS DADOS
A elaboração do documento demandou seis meses de pesquisa ativa por parte da equipe do observatório De Olho nos Ruralistas. O grupo compilou e analisou mais de 20 mil contratos de 250 artistas que se apresentaram no território nacional. A investigação técnica revelou uma lacuna na transparência pública federal: cerca de 40% dos contratos analisados não constavam no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), a plataforma oficial que deveria centralizar os dados de compras e contratações da administração pública no Brasil.
Diante da ausência de padronização na divulgação desses atos administrativos pelos municípios, os pesquisadores precisaram extrair manualmente mais de 3 mil contratos diretamente de portais de transparência de prefeituras, diários oficiais municipais e bancos de dados dos Tribunais de Contas e Ministérios Públicos estaduais.
O NORDESTE LIDERA
O relatório detalha que o mercado de shows financiados por prefeituras e governos estaduais apresenta forte concentração empresarial. Cinco produtoras sediadas na Região Nordeste geriram, juntas, R$ 2,42 bilhões em contratos públicos no período analisado, o correspondente a quase metade de todo o valor movimentado pelo grupo dos 100 artistas mais contratados do país.
Foto: André Carvalho / Bahia Notícias
O cantor mais contratado individualmente por administrações públicas no período foi Natanzinho Lima. O artista de piseiro acumulou R$ 158 milhões em 336 apresentações custeadas por prefeituras e estados, registrando uma média de um show pago pelo erário a cada dois dias e meio. Ele já foi alvo de cancelamento de shows no interior do estado.
A publicação do relatório "Farras" marca a abertura de uma editoria de fiscalização de gastos públicos pelo observatório De Olho nos Ruralistas, denominada "De Olho no Dinheiro", voltada a acompanhar o fluxo de recursos públicos e as conexões financeiras entre entretenimento.
O ex-governador de Goiás e terceiro pré-candidato a falar, nesta segunda-feira (22), no evento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Ronaldo Caiado (PSD) criticou a condução macroeconômica do governo Lula da Silva (PT) e elogiou os investimentos e inovações do governo Geisel com o surgimento da Embrapa.
Ao analisar o atual cenário de endividamento e os riscos fiscais do país, o goiano disparou que "Lula fará um Dilma II em novo governo", afirma para a possibilidade de uma crise orçamentária profunda decorrente da falta de controle de gastos.
Confira o momento:
Caiado defendeu que o exercício da Presidência e a governabilidade de uma nação exigem, acima de tudo, "autoridade moral". Em discurso focado em desenvolvimento de longo prazo e responsabilidade fiscal, o governador relembra políticas econômicas do passado e compartilha sua própria experiência de ajuste nas contas goianas.
Foto: Mauricio Leiro / Bahia Notícias
O chefe do Executivo de Goiás iniciou sua fala exaltando os investimentos estratégicos na década de 1970, período da ditadura militar brasileira, apontando a falta de planejamentos estruturais duradouros nas últimas décadas no cenário nacional.
"A única política estruturante que o Brasil viu foi e 1975, ainda no governo [Ernesto] Geisel, quando se teve a criação da Embrapa e o desenvolvimento da cana-de-açúcar voltada para a geração de energia, com o Proálcool. A partir dali, você vê um país caminhar com tanta riqueza e tanto potencial", diz.
Para Caiado, o comando da nação requer uma postura de respeito e firmeza na articulação política, o que ele define como um dos principais desafios de um governante.
"É por isso que eu acho que, mais do que tudo, governar um país é algo de uma responsabilidade muito grande. Mas, para isso, tem que ter autoridade moral. Autoridade moral para poder chamar, convidar os presidentes dos Poderes e dialogar", argumenta.
Como exemplo prático de sua "filosofia de gestão", o governador resgatou o cenário de crise financeira que enfrentou ao assumir o governo de Goiás, detalhando como conduziu as negociações para contornar o endividamento do estado.
"Foi assim que eu fiz. Dessa maneira que pacificamos o Estado. Chamei todos os presidentes: do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da iniciativa privada, enfim... E disse: 'Olha, o Estado está quebrado, o Estado está bloqueado pelo Tesouro Nacional, e comuniquei a todos que vamos ter que cortar 25% do duodécimo', relata.
Caiado defendeu que a transparência na contabilidade pública e a definição clara das metas fiscais foram essenciais para garantir o apoio das demais instituições públicas, evitando assim disputas ideológicas prejudiciais à gestão. Apesar de não ter percebido, destacou um período de falta de clareza [ditadura militar] nos gastos públicos.
"Com isso, a discussão interna se acalma, sem levar o debate para a polarização. Fazendo um governo sério, enfrentando os problemas, sabendo resolvê-los e dando resultado, fazemos com que os benefícios cheguem de verdade à população", termina o governador.
A Prefeitura de Cruz das Almas apresentou um São João “milionário” e se autoproclamou o melhor da Bahia. Mas também, pouco antes dos festejos, solicitou autorização à Câmara de Vereadores para solicitar um empréstimo de R$ 60 milhões. O pedido foi assinado pelo prefeito Ednaldo José Ribeiro (Republicanos) no último dia 17 e já está em debate na Câmara, com previsão de votação nos próximos dias.
Vale lembrar que, conforme dados do Painel de Festejos Juninos do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Cruz das Almas foi o município campeão em gastos públicos, com um gastos estimados em R$ 9,5 milhões, configurando o maior do estado — cerca de 1/5 do valor total do empréstimo solicitado. A cidade também se destacou por contratar 29 atrações, ocupando a sétima posição no estado em número de shows.
A sessão extraordinária está agendada para esta quinta-feira (26), às 9h da manhã, no plenário da Casa de Leis. A Câmara Municipal confirmou o recebimento do Projeto de Lei n.º 13, de 17 de junho de 2025. Veja trecho:
Registro do PL enviado, assinado pelas mãos do prefeito | Foto: Reprodução / Bahia Notícias
O projeto autoriza o Poder Executivo a contratar a operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal. O valor será destinado à execução de obras e serviços de infraestrutura e saneamento básico, além de outras despesas. Em ofício, o presidente da Câmara, Euricles Netos (Podemos), confirmou a sessão para votação.
Registro do Ofício da sessão na câmara de vereadores | Foto: Reprodução / Bahia Notícias
Conforme previsão legal, esses recursos devem ser aplicados obrigatoriamente nos empreendimentos previstos no pedido de autorização do empréstimo. A legislação atual, especialmente a Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000, proíbe o uso desse dinheiro em despesas correntes do município.
O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recomendou ao prefeito de Juazeiro que reconsidere a realização do Carnaval de 2025, diante da atual situação financeira do município. Em decreto, a prefeitura declarou estado de calamidade financeira, alegando “aprofundado endividamento” e dificuldade em manter os serviços públicos essenciais.
Segundo o MP-BA, a realização do Carnaval impõe um grande custo aos cofres públicos, com gastos em áreas como saúde, segurança, limpeza urbana e contratação de bandas e serviços. O momento é interessante, por vir logo após o governo do estado da Bahia lançar edital de incentivo ao carnaval em diferentes cidades da Bahia.
Caso o município decida realizar o Carnaval, o MP-BA exige a apresentação de um plano detalhado, incluindo cronograma, plano de segurança, custos e fontes de financiamento. Além disso, o órgão também indica um estudo prévio sobre o impacto financeiro do evento e seus possíveis benefícios para a cidade.
O Carnaval de Juazeiro deve ser organizado com base em critérios técnicos e visando garantir o bem-estar da população para o MPBA.
Um natal nada barato é a promessa registrada no Diário Oficial do Município de Guanambi desta segunda-feira (18), com o valor estimado para decorações de natal chega a bater R$ 393 mil. O valor significa um aumento de R$ 207 mil mais caro do que a contratação do ano de 2023, utilizando recursos públicos.
Com quase R$ 400 mil sendo gastos com a compra de produtos de seis empresas diferentes, conforme portaria assinada pelo prefeito Arnaldo Pereira de Azevedo (Avante). Os maiores valores mais chamativos são: R$ 277.774,00 para uma empresa de construção atacadista, R$ 46.499,95 para uma rede de lojas e R$ 40.485,00 para uma distribuidora.
Trecho do Diário Oficial em que detalha a compra com gastos públicos | Foto Reprodução / Bahia Notícias
A decisão administrativa foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM). Os números constam no processo administrativo n.º 181–24 e no Pregão Eletrônico n.º 029–24, com o valor exato de R$ 393.443,95 destinado à decoração natalina em diversos pontos da cidade, como entradas e praças.
Ao analisar na licitação da prefeitura de 2023, o pregão eletrônico n. º 076-23PE-PMG registra um valor total de R$ 186.249 para refletores e uma diversidade de itens utilizados nas decorações da cidade. Esse valor é pelo duas vezes menor do que a da contratação deste ano.
Trecho do Diário Oficial de 2023 com o valor total duas vezes menor | Foto Reprodução / Bahia Notícias
A equipe do Bahia Notícias entrou em contato com o gabinete do prefeito e até momento não obteve resposta clara da justificativa da contratação.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Carlos Viana
"Agora, imagina se fosse alguém da direita. Uma cantora fazendo lá o 22 no palco. Seriam pelo menos 24 horas para se explicar, depois multa, prisão, condenação e Deus sabe o que mais de perseguição".
Disse o senador e candidato à reeleição por Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) ao afirmar que vai denunciar a cantora baiana Ivete Sangalo por suposta promoção de “showmício” ao declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de um gesto com as mãos. O parlamentar confirmou a denúncia em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (29).