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O estado da Bahia concentrou R$ 578 milhões em repasses públicos destinados à contratação de shows artísticos por prefeituras municipais e pelo governo estadual entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. É o que aponta o relatório "Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio", divulgado pelo observatório investigativo De Olho nos Ruralistas.
Com o maior investimento do país, a Bahia lidera o ranking. A maioria esmagadora dos casos é de competência municipal, apenas 113 ocorrem no eixo estadual e uma contratação do Federal. Segundo os dados, a Bahia teve, no total, R$ 578 milhões gastos no período, o maior valor absoluto em todo o país, sendo seguida por Pernambuco, com 573 milhões de reais.
Veja mapa nacional:
Confira a lista:
- Bahia — 578 milhões de reais;
- Pernambuco — 573 milhões de reais;
- Ceará — 316 milhões de reais;
- Minas Gerais — 192 milhões de reais;
- Sergipe — 161 milhões de reais;
- Paraíba — 147 milhões de reais;
- Alagoas — 143 milhões de reais;
- São Paulo — 138 milhões de reais;
- Goiás — 120 milhões de reais;
- Rio Grande do Norte — 112 milhões de reais;
- Maranhão — 108 milhões de reais;
- Paraná — 80 milhões de reais;
- Pará — 79,3 milhões de reais;
- Piauí — 78,4 milhões de reais;
- Mato Grosso — 51 milhões de reais;
- Tocantins — 44 milhões de reais;
- Espírito Santo — 34 milhões de reais;
- Rio de Janeiro — 31 milhões de reais;
- Mato Grosso do Sul — 24 milhões de reais;
- Amazonas — 19 milhões de reais;
- Roraima — 14 milhões de reais;
- Distrito Federal — 13 milhões de reais;
- Santa Catarina — 12 milhões de reais;
- Amapá — 8 milhões de reais;
- Rio Grande do Sul — 5 milhões de reais;
- Rondônia — 0,28 milhão ou R$ 280 mil.
Quando são analisadas as cidades, Salvador foi a segunda que mais contratou artistas, com R$ 34,16 milhões, sendo R$ 15,08 milhões em 2024 e R$ 15,22 milhões em 2025. De janeiro a março de 2026, o valor havia atingido R$ 3,86 milhões. Veja em ordem quem mais gastou desde 2024:
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1º Aracaju (SE): R$ 39,27 milhões;
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2º Salvador (BA): R$ 34,16 milhões;
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3º Maceió (AL): R$ 28,11 milhões;
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4º Goiana (PE): R$ 25,58 milhões;
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5º Petrolina (PE): R$ 25,09 milhões;
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6º São Luís (MA): R$ 24,79 milhões;
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7º Caruaru (PE): R$ 20,58 milhões;
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8º Mossoró (RN): R$ 19,70 milhões;
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9º Natal (RN): R$ 16,06 milhões;
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10º Itabaiana (SE): R$ 14,03 milhões.
O estado do Acre foi o único que não teve dados registrados. Por região, o Nordeste lidera com os maiores valores. Na Bahia, entre os gêneros com as maiores contratações (isso sem considerar o São João de 2026), “Brega”, “Arrocha” e “Piseiro” somam as maiores quantidades de contratações; os menores foram “Axé” e “Pagodão”.
Entre os 40 artistas contratados, Léo Santana, Wesley Safadão e Bell Marques lideram os maiores cachês baianos. Léo Santana teve o maior contrato, de R$ 1,6 milhão, seguido por Wesley Safadão, com até R$ 1,5 milhão, e Bell Marques, com R$ 1,2 milhão. Outros nomes famosos aparecem com contratos menores.
O longo dossiê aponta que, em âmbito nacional, o montante destinado aos 100 artistas mais contratados no período ultrapassa R$ 5 bilhões. Deste total, um grupo restrito de 40 artistas concentrou R$ 3,08 bilhões em recursos diretos dos cofres públicos municipais e estaduais.
Fotos: Redes Sociais via @prefeituraformosadoriopretoba / André Carvalho / Bahia Notícias
Na Bahia, as vaquejadas se destacam pelos altos valores pagos a artistas. O maior contrato identificado foi na vaquejada de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, alvo de uma ação do Ministério Público da Bahia. (MP-BA) e TCM (Tribunal de Contas dos Municípios).
Além dela, entre os eventos do top 40 de cachês, também aparece a vaquejada de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. Por falar em tipos de festejos, vaquejadas são o 2º lugar de maior gasto nacional, com um total de R$ 29 milhões.
De acordo com o levantamento, o valor destinado a este grupo equivale a quase a totalidade dos recursos captados por meio da Lei Rouanet em todo o ano de 2025, que somaram R$ 3,41 bilhões para diversas linguagens artísticas em âmbito nacional.
METODOLOGIA DOS DADOS
A elaboração do documento demandou seis meses de pesquisa ativa por parte da equipe do observatório De Olho nos Ruralistas. O grupo compilou e analisou mais de 20 mil contratos de 250 artistas que se apresentaram no território nacional. A investigação técnica revelou uma lacuna na transparência pública federal: cerca de 40% dos contratos analisados não constavam no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), a plataforma oficial que deveria centralizar os dados de compras e contratações da administração pública no Brasil.
Diante da ausência de padronização na divulgação desses atos administrativos pelos municípios, os pesquisadores precisaram extrair manualmente mais de 3 mil contratos diretamente de portais de transparência de prefeituras, diários oficiais municipais e bancos de dados dos Tribunais de Contas e Ministérios Públicos estaduais.
O NORDESTE LIDERA
O relatório detalha que o mercado de shows financiados por prefeituras e governos estaduais apresenta forte concentração empresarial. Cinco produtoras sediadas na Região Nordeste geriram, juntas, R$ 2,42 bilhões em contratos públicos no período analisado, o correspondente a quase metade de todo o valor movimentado pelo grupo dos 100 artistas mais contratados do país.
Foto: André Carvalho / Bahia Notícias
O cantor mais contratado individualmente por administrações públicas no período foi Natanzinho Lima. O artista de piseiro acumulou R$ 158 milhões em 336 apresentações custeadas por prefeituras e estados, registrando uma média de um show pago pelo erário a cada dois dias e meio. Ele já foi alvo de cancelamento de shows no interior do estado.
A publicação do relatório "Farras" marca a abertura de uma editoria de fiscalização de gastos públicos pelo observatório De Olho nos Ruralistas, denominada "De Olho no Dinheiro", voltada a acompanhar o fluxo de recursos públicos e as conexões financeiras entre entretenimento.
O ex-governador de Goiás e terceiro pré-candidato a falar, nesta segunda-feira (22), no evento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Ronaldo Caiado (PSD) criticou a condução macroeconômica do governo Lula da Silva (PT) e elogiou os investimentos e inovações do governo Geisel com o surgimento da Embrapa.
Ao analisar o atual cenário de endividamento e os riscos fiscais do país, o goiano disparou que "Lula fará um Dilma II em novo governo", afirma para a possibilidade de uma crise orçamentária profunda decorrente da falta de controle de gastos.
Confira o momento:
Caiado defendeu que o exercício da Presidência e a governabilidade de uma nação exigem, acima de tudo, "autoridade moral". Em discurso focado em desenvolvimento de longo prazo e responsabilidade fiscal, o governador relembra políticas econômicas do passado e compartilha sua própria experiência de ajuste nas contas goianas.
Foto: Mauricio Leiro / Bahia Notícias
O chefe do Executivo de Goiás iniciou sua fala exaltando os investimentos estratégicos na década de 1970, período da ditadura militar brasileira, apontando a falta de planejamentos estruturais duradouros nas últimas décadas no cenário nacional.
"A única política estruturante que o Brasil viu foi e 1975, ainda no governo [Ernesto] Geisel, quando se teve a criação da Embrapa e o desenvolvimento da cana-de-açúcar voltada para a geração de energia, com o Proálcool. A partir dali, você vê um país caminhar com tanta riqueza e tanto potencial", diz.
Para Caiado, o comando da nação requer uma postura de respeito e firmeza na articulação política, o que ele define como um dos principais desafios de um governante.
"É por isso que eu acho que, mais do que tudo, governar um país é algo de uma responsabilidade muito grande. Mas, para isso, tem que ter autoridade moral. Autoridade moral para poder chamar, convidar os presidentes dos Poderes e dialogar", argumenta.
Como exemplo prático de sua "filosofia de gestão", o governador resgatou o cenário de crise financeira que enfrentou ao assumir o governo de Goiás, detalhando como conduziu as negociações para contornar o endividamento do estado.
"Foi assim que eu fiz. Dessa maneira que pacificamos o Estado. Chamei todos os presidentes: do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da iniciativa privada, enfim... E disse: 'Olha, o Estado está quebrado, o Estado está bloqueado pelo Tesouro Nacional, e comuniquei a todos que vamos ter que cortar 25% do duodécimo', relata.
Caiado defendeu que a transparência na contabilidade pública e a definição clara das metas fiscais foram essenciais para garantir o apoio das demais instituições públicas, evitando assim disputas ideológicas prejudiciais à gestão. Apesar de não ter percebido, destacou um período de falta de clareza [ditadura militar] nos gastos públicos.
"Com isso, a discussão interna se acalma, sem levar o debate para a polarização. Fazendo um governo sério, enfrentando os problemas, sabendo resolvê-los e dando resultado, fazemos com que os benefícios cheguem de verdade à população", termina o governador.
A Prefeitura de Cruz das Almas apresentou um São João “milionário” e se autoproclamou o melhor da Bahia. Mas também, pouco antes dos festejos, solicitou autorização à Câmara de Vereadores para solicitar um empréstimo de R$ 60 milhões. O pedido foi assinado pelo prefeito Ednaldo José Ribeiro (Republicanos) no último dia 17 e já está em debate na Câmara, com previsão de votação nos próximos dias.
Vale lembrar que, conforme dados do Painel de Festejos Juninos do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Cruz das Almas foi o município campeão em gastos públicos, com um gastos estimados em R$ 9,5 milhões, configurando o maior do estado — cerca de 1/5 do valor total do empréstimo solicitado. A cidade também se destacou por contratar 29 atrações, ocupando a sétima posição no estado em número de shows.
A sessão extraordinária está agendada para esta quinta-feira (26), às 9h da manhã, no plenário da Casa de Leis. A Câmara Municipal confirmou o recebimento do Projeto de Lei n.º 13, de 17 de junho de 2025. Veja trecho:
Registro do PL enviado, assinado pelas mãos do prefeito | Foto: Reprodução / Bahia Notícias
O projeto autoriza o Poder Executivo a contratar a operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal. O valor será destinado à execução de obras e serviços de infraestrutura e saneamento básico, além de outras despesas. Em ofício, o presidente da Câmara, Euricles Netos (Podemos), confirmou a sessão para votação.
Registro do Ofício da sessão na câmara de vereadores | Foto: Reprodução / Bahia Notícias
Conforme previsão legal, esses recursos devem ser aplicados obrigatoriamente nos empreendimentos previstos no pedido de autorização do empréstimo. A legislação atual, especialmente a Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000, proíbe o uso desse dinheiro em despesas correntes do município.
O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recomendou ao prefeito de Juazeiro que reconsidere a realização do Carnaval de 2025, diante da atual situação financeira do município. Em decreto, a prefeitura declarou estado de calamidade financeira, alegando “aprofundado endividamento” e dificuldade em manter os serviços públicos essenciais.
Segundo o MP-BA, a realização do Carnaval impõe um grande custo aos cofres públicos, com gastos em áreas como saúde, segurança, limpeza urbana e contratação de bandas e serviços. O momento é interessante, por vir logo após o governo do estado da Bahia lançar edital de incentivo ao carnaval em diferentes cidades da Bahia.
Caso o município decida realizar o Carnaval, o MP-BA exige a apresentação de um plano detalhado, incluindo cronograma, plano de segurança, custos e fontes de financiamento. Além disso, o órgão também indica um estudo prévio sobre o impacto financeiro do evento e seus possíveis benefícios para a cidade.
O Carnaval de Juazeiro deve ser organizado com base em critérios técnicos e visando garantir o bem-estar da população para o MPBA.
Um natal nada barato é a promessa registrada no Diário Oficial do Município de Guanambi desta segunda-feira (18), com o valor estimado para decorações de natal chega a bater R$ 393 mil. O valor significa um aumento de R$ 207 mil mais caro do que a contratação do ano de 2023, utilizando recursos públicos.
Com quase R$ 400 mil sendo gastos com a compra de produtos de seis empresas diferentes, conforme portaria assinada pelo prefeito Arnaldo Pereira de Azevedo (Avante). Os maiores valores mais chamativos são: R$ 277.774,00 para uma empresa de construção atacadista, R$ 46.499,95 para uma rede de lojas e R$ 40.485,00 para uma distribuidora.
Trecho do Diário Oficial em que detalha a compra com gastos públicos | Foto Reprodução / Bahia Notícias
A decisão administrativa foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM). Os números constam no processo administrativo n.º 181–24 e no Pregão Eletrônico n.º 029–24, com o valor exato de R$ 393.443,95 destinado à decoração natalina em diversos pontos da cidade, como entradas e praças.
Ao analisar na licitação da prefeitura de 2023, o pregão eletrônico n. º 076-23PE-PMG registra um valor total de R$ 186.249 para refletores e uma diversidade de itens utilizados nas decorações da cidade. Esse valor é pelo duas vezes menor do que a da contratação deste ano.
Trecho do Diário Oficial de 2023 com o valor total duas vezes menor | Foto Reprodução / Bahia Notícias
A equipe do Bahia Notícias entrou em contato com o gabinete do prefeito e até momento não obteve resposta clara da justificativa da contratação.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Hilton Coelho
"Jerônimo, você se comprometeu, no último debate de TV, a baixar, em uma semana, o decreto para proteger a Serra da Chapadinha. Queria perguntar: cadê o decreto, governador?"
Disse o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) ao cobrar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) a publicação do decreto estadual que prevê medidas de proteção à Serra da Chapadinha, unidade de conservação planejada para uma área localizada entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê, na Chapada Diamantina.