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O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), principais organizações criminosas do Brasil, estão atualmente consolidados e em estágio de relativa estabilidade após diversificarem suas formas de atuação. A avaliação é de uma reportagem publicada pela revista britânica The Economist.
Segundo a revista, embora os índices de crimes violentos tenham registrado queda no país nos últimos anos, a criminalidade segue sendo apontada pelos eleitores como o maior problema nacional. A análise indica que a migração do foco principal faz com que uma fatia maior da população seja impactada pelas atividades das facções.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública citados pela reportagem mostram que, em 2022, o faturamento estimado das facções com cocaína foi de US$ 3 bi (aproximadamente R$ 15 bi). Em contrapartida, as receitas com combustível roubado, ouro ilegal e contrabando de cigarros e bebidas alcoólicas alcançaram US$ 26 bi (cerca de R$ 133 bi).
Adicionalmente, esquemas de golpes e venda de celulares roubados movimentaram outros US$ 36 bi (cerca de R$ 185 bi).
A Bahia registrou uma queda de 9,8% no número de homicídios estimados entre 2014 e 2024. Isso é o que apontam os dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Atlas da Violência 2026, estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2014, foram registrados 7.006 homicídios no estado, frente a 6.316 casos notificados em 2024.
O estado registrava, em 2024, uma taxa de homicídios estimada de 42,6 a cada 100 mil habitantes, a terceira maior do país, ficando atrás apenas do Amapá (47,1) e do Ceará (43,7). Essa taxa é formada pelos dados oficialmente registrados pelos órgãos, com a correção dos pesquisadores, incluindo dados sobre os chamados homicídios ocultos. Ainda assim, a Bahia já apresentava redução em todas as faixas de análise. Entre 2023 e 2024, a queda foi de 6,5%, enquanto em cinco anos (de 2019 a 2024) chegou a 8,8% e, por fim, a 9,8% no confronto da década.
O estudo, elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS), analisa uma década de monitoramento da letalidade no país.
Na taxa de homicídios, a redução comparativa da década aponta que o estado registrou uma queda de 12,5% nas mortes a cada 100 mil habitantes entre 2014 e 2024. A maior redução ocorreu, no entanto, entre os homicídios ocultos e as mortes violentas de causa indeterminada (MVCI).
Por definição, as MVCIs são uma categoria de registro oficial do SIM, do Ministério da Saúde, que configura os casos em que não é possível determinar a causa básica da morte — ou seja, se foi homicídio, suicídio ou acidente. Já os homicídios ocultos são uma estimativa estatística e metodológica que aponta o percentual de MVCIs que foram assassinatos não determinados devido à má qualidade de preenchimento dos dados.
Entre as MVCIs, a Bahia registrou uma queda de 46% entre 2014 e 2024. No início da década, foram registrados 1.662 homicídios sem identificação classificatória e, dez anos depois, o número foi de 898 casos do tipo. Por outro lado, os homicídios ocultos tiveram uma redução ainda maior: o número passou de 954 em 2014 para 255 em 2024, registrando uma queda de 73,3%. (A reportagem foi atualizada às 14h05)
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta quarta-feira (4), indicou que 62,6% das vítimas de feminicídio em todo o país eram mulheres negras. A pesquisa analisou 5.729 registros oficiais desse tipo de crime, ocorridos de 2021 a 2024. O resultado ainda apontou que 36,8% das vítimas eram brancas, enquanto mulheres indígenas e amarelas somam, cada grupo, 0,3% dos registros.
A entidade avalia que, diante desses resultados, o feminicídio não pode ser compreendido como uma violência de gênero isolada de outras questões estruturais da sociedade, como a desigualdade racial. As informações são da Agência Brasil.
O perfil das vítimas e as circunstâncias dos crimes identificados no levantamento revelam ainda que a violência letal contra mulheres no país é, majoritariamente, uma violência de proximidade física, emocional e relacional. “Trata-se de uma violência que se desenvolve no espaço privado, muitas vezes ao longo do tempo, e que poderia ser interrompida antes de alcançar seu desfecho fatal, desde que haja condições institucionais para isso”, concluiu o relatório do FBSP.
O feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas: metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos, o que corresponde a mulheres em idade produtiva e reprodutiva, e muitas vezes responsáveis pelo sustento da família e pelo cuidado de filhos e outros dependentes.
VÍNCULO DO AGRESSOR
Os dados demonstram que de cada dez feminicídios oito foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos íntimos com a vítima. Em números, 59,4% dos agressores eram companheiros, 21,3% eram ex-companheiros e 10,2% outros familiares. Apenas 4,9% foram mortas por desconhecidos e 4,2% por outras pessoas conhecidas.
Segundo o Fórum, o feminicídio expressa uma assimetria de gênero sistemática: homens matando mulheres com quem mantêm ou mantiveram vínculos íntimos, em contextos nos quais a autonomia feminina é percebida como ameaça à autoridade masculina.
Ainda no período de 2021 a 2024, constatou-se que 97,3% dos casos de feminicídio foram cometidos exclusivamente por homens.
Em relação ao local do crime, 66,3% dos casos aconteceram na residência da vítima. A via pública aparece em segundo lugar, com 19,2% dos registros desse tipo de crime, enquanto estabelecimentos comerciais ou financeiros (3,4%), áreas ruais (2,2%), sítios e fazendas (2,%), bem como hospitais (1,4%), representam percentuais significativamente menores.
Além disso, 48,7% das vítimas foram mortas por arma branca e 25,2% por arma de fogo. O predomínio da arma branca sugere situações de confronto direto, em ambiente doméstico, com instrumentos disponíveis naquele espaço. A presença significativa de armas de fogo indica que sua disponibilidade potencializa a letalidade de conflitos íntimos.
PEQUENOS MUNICÍPIOS
O levantamento, que analisou ainda a distribuição dos feminicídios ocorridos no ano de 2024, identificou que as cidades pequenas, de até 100 mil habitantes, concentram 50% desses crimes no país. Esses mesmos municípios abrigam 41% da população feminina.
Entre as cidades pequenas, apenas 5% têm delegacia da mulher e 3% têm casa abrigo, que é o equipamento para a mulher que está numa situação de risco muito elevado. As cidades médias que têm entre 100 mil e 500 mil habitantes concentram 25% das vítimas de feminicídios. Em 81% dessas cidades, há delegacia da mulher e, em 40%, casa abrigo.
Em relação às cidades grandes, com mais de 500 mil habitantes, 98% tem delegacia da mulher, 73% tem casa abrigo e concentram 25% dos feminicídios.
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Pérolas do Dia
Gilberto Gil
"É preciso batalhar".
Disse o cantor e compositor Gilberto Gil ao compartilhar registro nas redes sociais onde faz uma reflexão sobre a liberdade de expressão e a democracia às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.