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festa de iemanja
A Polícia Civil não registrou crime grave no balanço parcial da Festa de Iemanjá, iniciada na madrugada deste domingo (2), no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Nenhum crime contra a vida (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte) foi computado pelas Forças Estaduais da Segurança.
Até às 19h, não houve também registro de lesão corporal leve, rixa, ameaça e vias de fato (brigas). Completando a lista, a Polícia contabilizou cinco casos de roubo e 103 de furtos.
Cerca de 1.000 policiais e bombeiros, além do Sistema de Reconhecimento Facial, são empregados pela Secretaria da Segurança Pública, na tradicional festa de Iemanjá. As ações ostensivas e de inteligência seguem reforçadas.
O prefeito Bruno Reis participou neste domingo (2) da festa em homenagem a Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Durante a celebração, o gestor municipal destacou a grandiosidade do festejo deste ano, que, segundo ele, já é o maior de toda a história.
"Todo mundo está vindo aqui deixar seus presentes, suas oferendas, pedir para que 2025 seja um ano de muitas vitórias e conquistas. Esse é um evento que representa a nossa história, a nossa cultura, a força da nossa fé, do povo soteropolitano", afirmou o prefeito.
O presente principal foi retirado do Terreiro Olufanjá – Ilê Axê Iyà Olufandê durante a madrugada e seguiu até a Colônia de Pesca Z1, onde foi recebido com uma alvorada de fogos. O presente permaneceu no caramanchão, local tradicional de entrega das oferendas. Diversos gestores e autoridades municipais estiveram presentes no evento, incluindo a vice-prefeita Ana Paula Matos.
Além da importância religiosa e cultural, o prefeito também ressaltou o impacto econômico da festa para Salvador. Segundo ele, a realização de grandes eventos como esse tem se tornado cada vez mais especializada, contribuindo não apenas para o calendário cultural e religioso da cidade, mas também para o fortalecimento da economia local.
“Cada ano a gente vem se especializando ainda mais na realização desses grandes eventos, que são importantes para o calendário da nossa cidade, não só para o calendário cultural, religioso, para preservar a nossa história, mas também para a nossa economia. Hoje a gente recebe um mar de gente, pessoas que estão vindo de diversos lugares do Brasil e da Bahia para participar deste grande evento, para renovar a sua fé, para pedir a proteção à Rainha do Mar e, sem sombra de dúvidas, projetar Salvador ainda mais no cenário nacional e internacional”, acrescentou.
No contexto do verão, o prefeito mencionou que os números de turistas, cruzeiros e ocupação hoteleira já superam os registrados antes da pandemia. Ele destacou que Salvador se apresenta como uma das cidades mais desejadas pelos brasileiros, impulsionada por uma oferta diversificada de turismo, incluindo religioso, esportivo, de negócios, e cultural.
“Nós já temos números superiores do período anterior à pandemia, e vejam o quanto a pandemia nos prejudicou, era para a gente estar numa proporção ainda muito maior. A cidade está bem cuidada, organizada, com turismo forte, seja religioso, esportivo, de negócios, de sol e praia, cultural, com os equipamentos que nós entregamos”, declarou.
“Salvador é a cidade mais desejada pelos brasileiros para ser visitada, para ser conhecida. Graças a Deus e graças a esse trabalho, quem vem a Salvador sai falando bem. A gente está vendo a cidade no mês de janeiro todo, diversos artistas aqui presentes, diversos eventos apostando na nossa cidade. Você não vê isso em nenhuma outra cidade do Brasil. Consequência do trabalho que nós realizamos até aqui, das conquistas que nós alcançamos, mas principalmente do que está por vir, vem muita coisa boa pela frente”, concluiu.
Festa de Iemanjá em Salvador pode ter maior público da história em 2025, aponta presidente da Saltur
O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, esteve presente na 103ª edição da Festa de Iemanjá, realizada neste domingo (2) no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Tradição na Bahia, o evento popular atraiu milhares de soteropolitanos e turistas desde as primeiras horas do dia.
Segundo Isaac, a edição de 2025 apresenta um público superior ao das festividades anteriores. “Uma data importantíssima para a cultura de nosso povo. Uma festa popular que se transformou em um momento único de simbolismo, religiosidade e também de festividade. Estamos vendo uma festa linda com o maior público de todos os tempos”, afirmou.
Com o tema “Renascer com as Águas de Yemanjá”, a celebração conta com apoio organizacional da Prefeitura de Salvador, por meio da Saltur, em parceria com a Colônia de Pesca Z1, responsável tradicionalmente pela realização do evento. A programação inclui a entrega de presentes à divindade, cortejos e manifestações culturais ao longo do dia.
Os Festejos de Iemanjá, uma das mais importantes celebrações culturais e religiosas da Bahia, completam 103 anos em 2025. A comemoração realizada neste domingo (2) atraiu milhares de pessoas ao bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Entre os presentes estavam a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o governador do Estado, Jerônimo Rodrigues, e a presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella.
Em seu discurso, a ministra Margareth Menezes enfatizou a importância da relação entre cultura e meio ambiente, pedindo que os participantes utilizassem presentes biodegradáveis nas oferendas. “Vamos cuidar bem e aproveitar essa festa que a gente faz para o mar. Não vamos sujar o mar”, afirmou.
A ministra também mencionou a possibilidade de reverter questões ambientais, destacando a responsabilidade coletiva de preservar o planeta. “O Brasil tem essa possibilidade. Eu acho que é uma grande força para todos nós, seres humanos, mover essa grande corrente para salvar, principalmente, a humanidade”, disse.
O governador Jerônimo Rodrigues, por sua vez, abordou o sincretismo e o respeito às diversas religiões presentes na celebração. “Aqui cada um tem a sua fé, o seu jeito de cultuar, suas crenças, mas é também um dia muito forte da cultura baiana”, declarou.
Desde a madrugada deste domingo (2), baianos e turistas lotam as ruas do Rio Vermelho para celebrar a festa em homenagem a Iemanjá, que em 2025 completará 103 anos de tradição. Com o tema "Renascer com as Águas de Yemanjá", o evento é organizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Empresa Salvador Turismo (Saltur), em parceria com a Colônia de Pesca Z1.
A programação começou à meia-noite de sábado, com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó. Na madrugada de domingo, a oferenda principal de Iemanjá foi retirada do Terreiro Olufanjá e levada até a Colônia de Pesca Z1, onde ocorreu a tradicional alvorada de fogos. Durante a tarde, pescadores conduzirão a oferenda principal até uma embarcação que a levará até o Buraco de Iaiá, a três milhas náuticas da costa.
A festa atrai participantes de diversas regiões, cada um com suas formas de homenagem. Eduardo Ferreira da Silva, de 65 anos, percorreu cerca de seis quilômetros do Jardim de Alah até o Rio Vermelho usando muletas devido a uma fratura nos joelhos. “A corrida é uma homenagem a Iemanjá. Vou completar seis anos em março correndo com muletas”, afirmou.
O Ogan Elias Conceição, responsável pela imagem de Iemanjá, destacou a importância de fazer o presente principal pela primeira vez no Terreiro Olufanjá. “A responsabilidade é muito grande, mas é gratificante. A ansiedade se mistura com a felicidade de participar desse evento”, comentou.
Durante a celebração, a Prefeitura de Salvador disponibiliza diversos serviços, incluindo atendimentos de saúde. O coordenador do Samu, Ivan Paiva, informou que a base avançada do serviço foi ampliada este ano, com três médicos e equipe de enfermagem. Ele recomendou o uso de protetor solar e hidratação constante devido ao forte sol.
A Prefeitura também atua na ordenação do trânsito, limpeza urbana e na presença de equipes da Defesa Civil, Guarda Municipal e fiscalização.
A Festa de Iemanjá reuniu milhares de devotos no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, neste domingo (2), para a tradicional entrega de presentes em homenagem à Rainha do Mar. Considerada a maior celebração religiosa da cultura afro-brasileira na capital baiana, o evento completou 103 anos de tradição em 2025.
Sob o tema “Renascer com as Águas de Yemanjá”, o momento de fé e alegria contou com a presença de personalidades como a atriz Cissa Guimarães, Gegê Magalhães, Cassio Barreto e a influenciadora digital Bia Tavares.
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Janaína, Mikaiá, Yemanjá são alguns dos nomes que revelam a irreverência da divindade cultuada nas diferentes nações de candomblé que levam centenas de pessoas à tradicional Festa de Yemanjá, neste domingo (2), em Salvador. O governador Jerônimo Rodrigues acompanhou o cortejo, junto às lideranças religiosas, no começo da manhã e realizou a entrega do seu presente à rainha das águas.
“Esse é um dia que a gente vê a fé das pessoas na entrega do seu presente. É um momento de fazer pedidos à rainha do mar, agradecer, e um governo com um estado com essa característica não pode fazer diferente. Assim como temos respeito às outras religiões, a gente veio entregar um balaio, ofertando presentes a Yemanjá, e pedir paz, emprego para o povo brasileiro, tranquilidade e saúde. O Estado continua fazendo a sua parte, sem dúvida, mas a gente também deposita nossa fé, nossa esperança, para que a gente tenha um ano de 2025 de muita tranquilidade”, compartilhou o chefe do executivo baiano sobre o seu pedido.
Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
A carioca Denise Seabra, de 53 anos, participou da festa pela primeira vez e se emocionou com cada detalhe. “A festa é linda, emocionante. É a primeira vez que venho, é muita emoção. Estou amando! E o meu pedido é de paz para todos nós, muita união, muita saúde, que é o mais importante”, dividiu.
Para incentivar a entrega de presentes que não gerem poluição no oceano, o governo estadual promoveu ações de conscientização, por meio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA) e da Coordenação Geral de Políticas de Juventudes do Governo da Bahia (Cojuve), distribuindo presentes ecológicos. Barquinhos biodegradáveis confeccionados a partir da fibra da espada de São Jorge, desenvolvidos pelo estudante da rede estadual Nicolas Moreira, também foram destaque da iniciativa do governo baiano.
A ministra da cultura Margareth Menezes marcou presença e lembrou que a pauta ambiental em festas populares, como a de Yemanjá, é fundamental, não só para consagração de uma memória cultural que respeita o meio ambiente, mas para a inclusão da cultura no debate global sobre sustentabilidade.
“É uma tradição que traz a força da cultura popular, da ligação com o sagrado, com os nossos ancestrais. Mas esse momento, também, é para ampliarmos a nossa consciência e cuidado com a natureza. Se vai colocar um presente [no mar], escolha o biodegradável. É importante esse cuidado, até para vislumbrarmos um Brasil que não alcance o fim do mundo. Esse é um esforço mundial para a gente salvar, principalmente, a própria raça humana”, avaliou a ministra.
Esse ano, o Estado destinou R$ 1,8 milhão para os festejos da rainha das águas. Pouco mais de meio milhão somente para ações de promoção de práticas sustentáveis.
SEGURANÇA
Todo o bairro do Rio Vermelho teve reforço da segurança desde o dia 1º. Cerca de 1.000 policiais civis e militares, peritos e bombeiros foram mobilizados para a celebração, que contou com mais de meio milhão de reais do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
As forças de segurança também contaram com o apoio do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e de 44 câmeras de reconhecimento facial, instaladas em pontos estratégicos de aglomeração da festa.
Uma das festas populares mais tradicionais do calendário baiano, o Dia de Iemanjá, neste domingo (2), reúne povos de santo, católicos, turistas e soteropolitanos no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, desde as primeiras horas da madrugada.
Em 2025, a festa completa 103 anos com o tema “Renascer com as Águas de Yemanjá”. A festa da Orixá conhecida como Rainha do Mar, e mãe de todos os Orixás, é marcada pela ancestralidade e tradição, além de contar com a reverência de seus devotos, que oferecem presentes e até obras de arte como forma de agradecimento.
O presente principal é um dos destaques da festa, onde devotos colaboram com os balaios, que são levados até o mar para que possam ser despachados.
Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias
Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias
A festa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, terá policiamento reforçado de sábado (1) até a manhã de segunda-feira (3). A Polícia Civil vai disponibilizar cerca de 300 agentes para garantir a segurança dos baianos e turistas durante o festejo, que acontece no próximo domingo (2).
A Polícia Civil empregará uma Delegacia Especial de Área (DEA), estrategicamente instalada próximo ao Barracão de Iemanjá, ao lado da Igreja. Equipes estarão presentes ao longo do cortejo e em pontos estratégicos, com apoio ostensivo, garantindo o cumprimento das ações de segurança.
A 7ª Delegacia Territorial (DT), localizada no Rio Vermelho, também estará disponível para atender o público e registrar ocorrências.
Milhares de soteropolitanos e turistas se reúnem nas imediações da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, em Salvador, nesta sexta-feira (2) para as celebrações da Festa de Iemanjá.
O festejo a Rainha do Mar é um dos mais tradicionais da Bahia. Assim como ocorre em outras festas populares na capital baiana, casas de eventos e bares que ficam nos arredores das comemorações promovem festas particulares que simbolizam o "sagrado e o profano".
Em 2024, a tradição que é um marco do Rio Vermelho completa 101 anos. Todos os anos, milhares de pessoas vão até o local para homenagear a Rainha das Águas com flores, perfumes e outros adereços.
O presente principal é um dos destaques da festa. Colocado na Casa do Peso para que devotos possam colaborar com os balaios, que são levados até o mar para que possam ser despachados.
Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias
Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias
Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias
Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias
O policiamento da Festa de Iemanjá 2024 será iniciado nesta quinta-feira (1º), no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A festa é uma das mais tradicionais do calendário cultural da Bahia e reúne milhares de devotos da orixá.
Durante o festejo, a PM contará com aproximadamente 400 policiais militares nas ações ostensivas que atuarão a pé (distribuídos em patrulhas), com o apoio de bases móveis, em postos elevados de observação, pontos de abordagens, além do acompanhamento aéreo com o suporte de drones e helicópteros. A tecnologia será um suporte ao policiamento com as câmeras de reconhecimento facial distribuídas pelos locais da festa.
O efetivo integra a 12ª CIPM, responsável pelo policiamento do Rio Vermelho, e de unidades de apoio e reforço dos comandos regionais da capital e dos comandos especializados, a exemplo do Grupamento Aéreo (Graer), Esquadrão de Motociclistas Águia, Esquadrão de polícia Montada, os Batalhões Gêmeos e Apolo (que coíbem roubos a veículos e coletivos), os cadetes da Academia de Polícia Militar e unidades administrativas.
As homenagens para a rainha do mar começam hoje com a colocação dos presentes no caramanchão, que fica localizado na Vila dos Pescadores, seguem com a entrega dos presentes em alto mar pelas embarcações e nas diversas festas que ocorrem no bairro do Rio Vermelho, encerrando as comemorações na madrugada de sábado (3).
A Secretaria de Manutenção da Cidade (Seman) já está com equipes no bairro do Rio Vermelho, promovendo ações de manutenção nas vias de acesso e trechos do bairro que se prepara para receber, no próximo dia 2 de fevereiro, a festa de Iemanjá. O evento é um dos mais importantes e populares festejos religiosos da cidade, realizado sempre no mesmo dia, desde a década de 1920, e reúne milhares de devotos e turistas nas imediações da Praia da Paciência.
De forma preventiva, as equipes realizam a limpeza dos coqueiros na orla, ruas, praças e largos da região. A Operação Tapa Buracos promove a manutenção da malha viária, proporcionando segurança no tráfego de pedestres. Há também revisão do sistema de drenagem, com limpeza manual das caixas de sarjeta (bocas de lobo), desobstrução da rede e recuperação de dispositivos, como reposição de tampas, grelhas, piquetes e balizas.
Os agentes fazem, ainda, o reparo pontual de calçadas públicas em concreto e em pedra portuguesa. “Os serviços de pintura na escultura e na Casa de Iemanjá, além da construção do barracão para entrega dos presentes na Colônia de Pescadores Z1, vêm sendo tradicionalmente realizados pela Seman nos últimos anos”, completou o titular da Seman, Lázaro Jezler.
Quatro homens suspeitos de estarem planejando um arrastão na região do Rio Vermelho, onde ocorre a Festa de Iemanjá nesta quinta-feira (2), foram mortos por por equipes das Rondesp Especiais (Rondesp) Atlântico na localidade de Cangira, nas proximidades da Av. Vasco da Gama, no Engenho Velho da Federação.
Entre os suspeitos encontrados, estava um homem que era suspeito de liderar o tráfico de drogas em Cangira. De acordo com a Polícia Militar, o homem possuía um mandado de prisão em aberto por homicídio.
O suspeito também é apontado como responsável por um homicídio ocorrido na localidade, na última semana, e por extorsão e golpes em sites e aplicativo de anúncios e vendas. De acordo com o major Valdino Sacramento, comandante da Rondesp Atlântico, eles atraiam as pessoas que anunciavam produtos na OLX para cometerem os roubos e agressões contra as vítimas.
Uma informação revelou que o grupo se preparava para roubos aos devotos de Iemanjá. Ao chegarem ao local da denúncia, os PMs teriam sido recebidos com disparos de arma de fogo e revidaram. Segundo os policiais, os quatro homens foram feridos, socorridos ao Hospital Geral do Estado (HGE) e não resistiram.
Com o grupo, teriam sido apreendidas uma submetralhadora, três revólveres calibres 38, munição e porções de drogas. O material apreendido foi apresentado na Corregedoria Geral da Polícia Militar.
Para garantir o atendimento de transporte durante a Festa de Iemanjá, que acontece nesta quinta-feira (2), a Secretaria de Mobilidade (Semob) preparou uma operação especial no entorno do Rio Vermelho. De acordo com o órgão, o horário de atendimento foi ampliado em oito linhas de ônibus que atendem bairros como Rio Sena, Ribeira e Cabula, entre outros.
As linhas 1643 – Fazenda Coutos – Pituba, 1645 - Alto de Santa Terezinha / Rio Sena – Pituba, 0728 - Nordeste – Ribeira, 1320 - Pau da Lima – Nordeste, 1386 - Nova Brasília/Jardim Nova Esperança/7 de Abril – Barra, 1231 - Sussuarana – Barra R2, 1129 - Cabula VI – Pituba e 1220 - Mata Escura – Pituba irão circular até 1h da sexta-feira (3), para atender o público da festa.
Devido dos bloqueios, as linhas que trafegam pelo trecho interditado terão o itinerário modificado das 22h do dia 1°/2 (quarta-feira) às 6h do dia 3/2 (sexta-feira). As linhas sentido Ondina que passam pela Rua da Paciência deverão acessar a Rua Visconde de Itaboraí, em Amaralina, retornando na Praça dos Ex-Combatentes, e seguindo pela Avenida Amaralina, Avenida Octávio Mangabeira, Rua Pernambuco, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Viaduto João Gilberto, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Rua Lucaia, Viaduto Rei Pelé, Avenida Anita Garibaldi, retorno no Monumento Cleriston Andrade, e Avenida Milton Santos.
Já as linhas que fazem o trajeto oposto, sentido Rio Vermelho pela Avenida Oceânica, irão acessar a Avenida Milton Santos e seguir pela Avenida Anita Garibaldi (ao lado do Viaduto Rei Pelé), Rua Lucaia, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Rua Rio Grande do Sul, Avenida Manoel Dias da Silva, Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retorno na Praça dos Ex-Combatentes e Avenida Amaralina.
As linhas que passam pela Rua Conselheiro Pedro Luiz sentido Rio Vermelho deverão utilizar a Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retorno na Praça dos Ex-Combatentes, Avenida Amaralina, Avenida Octávio Mangabeira, Rua Pernambuco, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Viaduto João Gilberto, Avenida Juracy Magalhães Júnior e Rua Lucaia.
Já as linhas que passam pela mesma via no sentido oposto, em direção à Lapa, nesta quinta-feira, vão acessar a Avenida Anita Garibaldi, utilizar o primeiro retorno, passando ao lado do Viaduto Rei Pelé, seguindo pela Rua Lucaia, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Rua Rio Grande do Sul, Avenida Manoel Dias da Silva, Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retornando na Praça dos Ex-Combatentes e chegando à Avenida Amaralina.
As linhas que passam pelo Rio Vermelho com destino ao Campo Grande, via Cardeal da Silva, deverão retornar na Praça dos Ex-Combatentes, e acessar a Avenida Amaralina, Avenida Octávio Mangabeira, Rua Pernambuco, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Viaduto João Gilberto, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Rua Lucaia, Viaduto Rei Pelé, Avenida Anita Garibaldi, via marginal da Avenida Anita Garibaldi, Avenida Cardeal da Silva, retorno na Drogasil, Avenida Cardeal da Silva.
As linhas que fazem o trajeto oposto, sentido Rio Vermelho, deverão utilizar a Rua Caetano Moura, Avenida Cardeal da Silva, retornando na Drogasil, Avenida Cardeal da Silva, Avenida Anita Garibaldi (Ladeira da TV Itapuã), Praça Lord Cochrane, Avenida Anita Garibaldi (ao lado do Viaduto Rei Pelé), Rua Lucaia, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Rua Rio Grande do Sul, Avenida Manoel Dias da Silva, Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retorna na Praça dos Ex-Combatentes, Avenida Amaralina, Avenida Octávio Mangabeira, Rua Pernambuco, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Viaduto João Gilberto, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Rua Lucaia, Viaduto Rei Pelé, Avenida Anita Garibaldi, via marginal da Avenida Anita Garibaldi, Avenida Cardeal da Silva, com retorno na Drogasil e chegando na Avenida Cardeal da Silva.
Já as linhas provenientes do Campo Grande com destino a Itapuã e que passam pelo Rio Vermelho devem seguir pela Rua Caetano Moura, Avenida Cardeal da Silva, retorno na Drogasil, Avenida Cardeal da Silva, Avenida Anita Garibaldi (Ladeira da TV Itapoan), Praça Lord Cochrane, Avenida Anita Garibaldi (ao lado do Viaduto Rei Pelé), Rua Lucaia, Avenida Juracy Magalhães Júnior, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Rua Rio Grande do Sul, Avenida Manoel Dias da Silva, Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retorno na Praça dos Ex-Combatentes e Avenida Amaralina.
As linhas 1230 – Sussuarana x Barra R1 e a 1340 – Estação Pirajá x Barra 1 deverão seguir pela Avenida Oceânica, Avenida Milton Santos, retornando no Zoológico, Avenida Milton Santos e Avenida Oceânica. Ambas as linhas devem retornar pelo itinerário de Barra R2 e Barra 2. Além disso, deverá constar na bandeira Estação Pirajá – Comércio/Ondina. Já as linhas 1231 – Sussuarana – Barra R 2 e a 1341 – Estação Pirajá x Barra 2 deverão acessar a Avenida Manoel Dias da Silva, Rua Visconde de Itaboraí, Rua Oswaldo Cruz, retorno na Praça dos Ex-Combatentes, e Avenida Amaralina. As linhas retornam no itinerário de Barra R 1 e Barra 1 e na bandeira deverá constar Estação Pirajá – Rio Vermelho.
Com formação em jornalismo, o carioca Rafael Cosme diz nunca ter exercido o ofício, mas há cerca de três anos conta histórias através de retratos de tempos remotos, no projeto “O Passado é Um Ponto de Luz”. “Eu fico o dia inteiro, basicamente, caçando histórias do passado, pautas de outros tempos”, reflete. O músico e pesquisador revela que a iniciativa surgiu a partir de um trabalho de pesquisa e do garimpo de fotografias em brechós, feiras de antiguidades e depósitos, para o livro “Sonho Rio”, obra sobre o Rio de Janeiro antigo, classificado como uma espécie de “guia de uma cidade que não existe mais”, que ele terminou de escrever recentemente.
“Fui reunindo as fotos e em algum momento eu vi que tinha um acervo muito rico de fotografia amadora. E aí a minha motivação, na verdade, é que comecei a entender que muitos fotógrafos não profissionais deixaram obras muito bonitas também, eles simplesmente não tiveram projeção e oportunidade de divulgar seus trabalhos. Então comecei a entender que existe muita beleza na fotografia amadora”, lembra o carioca, que já reuniu mais de 3 mil fotos. “Elas ficam acumulando poeira por décadas e o meu trabalho é justamente buscar esses acervos com obras legais de pessoas que não tinham exatamente uma pretensão artística e dar luz a elas, revelar essas obras”, explica.
Parte desse vasto material pode ser conferido no Instagram de Rafael Cosme, que conta com registros do Rio entre as décadas de 1950 e 1990, a exemplo de fotos inéditas de Milton Nascimento, datadas de 1968. “Apesar de muito sério, o projeto começou a ser apresentado de maneira muito despretensiosa, para os meus amigos mais próximos, pelo Instagram. De repente, ele tomou uma proporção muito grande, porque muita gente começou a me seguir”, explica o carioca, que diz ter planos de “levar o projeto pra outros lugares”.
Foi dentro de “O Passado é Um Ponto de Luz” que chegaram a público, nesta semana, fotografias raras da Festa de Iemanjá datadas da década de 1970. Uma das imagens, inclusive, mostra um homem que, segundo Rafael, “muito possivelmente” é Pierre Verger, fotógrafo francês radicado na Bahia.
A descoberta deste material se deu porque, já habituado ao garimpo em sua terra natal, Rafael teve o interesse de investigar fotografias antigas em Salvador, considerada por ele sua cidade favorita no Brasil. “Esse acervo especificamente eu encontrei faz dois anos, numa loja no Santo Antônio Além do Carmo, que é o Brechó do Cabral”, conta o pesquisador, lembrando que o os negativos e slides sequer estavam expostos, mas sim guardados no sótão, porque acreditava-se que ninguém se interessaria por eles.
“Eu saí daquela loja com uma bolsa enorme de negativos de um fotógrafo que eles também não sabiam de quem se tratava. Voltei pra casa com essa bolsa sem saber exatamente a origem e o material. Estava tudo muito bem organizado, com datas e descrições dos eventos. E quando eu digitalizo isso me deparo com um acervo enorme de festas, cultos e terreiros de Salvador”, relembra.
Imagem da Festa de Iemanjá com a possível presença de Pierre Verger, em destaque | Foto: Acervo
Do que foi encontrado na capital baiana, Rafael considera que catalogou cerca de 300 registros, tanto em preto e branco, como coloridos, datados dos anos 1960 e 1970, com imagens da Bahia e também de uma viagem à África. “Essa série do Dois de Fevereiro é a primeira de muitas que eu vou publicar, porque tem muita coisa nesse acervo”, prevê o pesquisador, que tem em mãos registros antigos da Lavagem do Bonfim e também fotografias de terreiros.
Ainda no início do trabalho de reconhecimento do acervo, a autoria das fotos encontradas na capital baiana segue sendo um mistério. “Não havia nenhum registro ou identificação do autor nos envelopes”, conta Rafael Cosme, que atualmente pretende contactar profissionais locais para ajudá-lo a identificar e mapear os registros, com o objetivo de entender o contexto das fotografias.
RIQUEZA DO PASSADO, MIRANDO O FUTURO
Além de se debruçar neste material que já tem em mãos, Rafael Cosme pretende dar continuidade aos planos “interrompidos pela pandemia” e divulgar mais todo o acervo. “Ano passado eu ia fazer uma exposição em julho aqui no Rio, mas obviamente foi cancelada. Mas eu tenho planos de fazer exposições com essas fotos, de levar esse material para galerias, dar um tratamento de arte mais sério a ele e tirar ele da rede, apesar de ser um bom lugar”, planeja.
O pesquisador conta ainda que tem o desejo de replicar a experiência do garimpo feito na capital baiana em outras cidades. “Um projeto que eu tenho para esse ano é viajar pelo Brasil, como fiz em Salvador, em busca desses acervos fotográficos, rodar pelas cidades pequenas do Nordeste”, revela. “Toda cidade pequena tinha algum fotógrafo na praça que registrava uma geração inteira, e eu vou atrás disso”, pontua.
Dentro dessas andanças, ele diz que planeja também realizar na Bahia o que fez em sua terra natal. “O meu plano é, assim que as coisas se acalmarem, ir pra Salvador e transportar esse projeto do Rio para aí também. Quero criar raízes e buscar mais acervos pelo Recôncavo, por exemplo. Quero passar um tempo em Cachoeira e buscar acervos de lá, e, com certeza, está no meu radar expor essas fotos aí”, garante. “Porque, na verdade, elas pertecem aos brasileiros, mas, acima de tudo, pertencem aos baianos”, destaca.
Outra ambição de Rafael é conseguir, ainda em 2021, publicar um novo livro, com as fotos do projeto “O Passado é Um Ponto de Luz”.
Com a participação de baianos e turistas, gente de todas a cores e credos, além dos contrastes da liturgia e devoção das oferendas em contraponto ao descompromisso do profano expresso por como shows musicais e latinhas de cerveja, hoje a Festa de Iemanjá é um dos mais importantes eventos calendarizados realizados em Salvador. Ela, no entanto, remonta a uma tradição ancestral africana que cruzou o Atlântico e chegou ao Brasil através da diáspora e que, ao longo do tempo, foi reformulada.
“Se você vai para a África, Iemanjá é cultuada no período de colheita do inhame e tem uma ligação direta com a alimentação que envolve a cidade toda. Então, é muito próximo ao que a gente vê no 2 de Fevereiro. Não é o inhame, mas é o mar. Ela é o mar. Para além de qualquer coisa, vão estar relacionados os marisqueiros, pescadores, vendedoras. Existe um circuito de pessoas que está preservado”, explica Luciana de Castro N. Novaes, ialorixá, professora, historiadora, mestre em Estudos Étnicos e Africanos pela Ufba e em Arqueologia pela UFS, além mergulhadora científica de águas profundas, doutora em Ambientes Aquáticos e doutoranda em Antropologia.
Luciana lembra que, na capital baiana, o evento oficial está registrado na década de 1920, a partir da colônia de pescadores do Rio Vermelho, por intermédio da ialorixá Julia Bugan, com o objetivo de pedir por fartura nas redes. “Havia uma queixa de que não havia peixes, que reduziu essa quantidade, e aí uma mulher misteriosa aparece dentro desse contexto para indicar essa criação para a Mãe D’Água. O termo Iemanjá neste momento ainda não existe, mesmo que exista a nível pessoal. A forma que essas pessoas vão entender isso ainda é como Mãe Iara, Mãe D’Água, esses são os dois principais nomes”, lembra a pesquisadora, destacando que a festa soteropolitana nasceu e ganhou contornos específicos, frutos das tradições africanas. “O princípio de culto às águas é universal, é global, está em todas as culturas, mas a nossa relação com o culto às águas está genuinamente ligada ao panteão africano”, afirma Luciana. “Dentro dos meus estudos, Iara nunca existiu entre as sociedades indígenas. Iara é uma corruptela nominal que desdobra do termo Ipupiara, que é um monstro marinho. Os Tupinambás aqui do litoral da Bahia não tinham uma relação positiva com o mar. O mar, a praia, era um espaço, vamos dizer assim, selvagem, um espaço que não era domesticado. Eles moravam após os cordões de areia das nossas dunas. Então, essa relação com o mar em específico está diretamente ligada à diáspora africana e a um culto já milenar às águas, tanto na África Ocidental, quando na África Central, de onde vieram os maiores fluxos linguísticos para produzir civilização nesse território americano”, detalha.
A historiadora conta ainda que o Rio Vermelho não foi o único local da cidade no qual existia o culto à Mãe D’Água, e que isso ocorria em diversos pontos da Baia de Todos-os-Santos. “Você vai ver pequenas grutas ainda em Ondina; eu vi uma notícia tenho que confirmar se é isso mesmo, sobre uma perto do MAM; tem uma perto da Ribeira, ou seja, havia uma construção específica, que era a gruta de pedras na beira do mar, em que havia esse culto”, revela Luciana. “Isso é inédito. É um objeto de pesquisa que eu venho namorando há alguns anos. O que eu consegui até agora concluir é que essas casinhas de pedra marcam uma transformação, que é, de fato, o controle dessa manifestação religiosa na esfera pública como um marcador de tradição africana. Então, oficialmente, o presente a Iemanjá surge na década de 1920, entretanto, minhas pesquisas dentro desse mundo aquático estão mostrando, desde o final do século XIX, principalmente nas primeiras décadas do século XX, pela figura de Artur Ramos, que havia já uma devoção às águas na praia da Boa Viagem. O que ele comenta é que no posterior à festa, meninos iam para os arrecifes, os corais, para coletar de tudo um pouco. Pentes, espelhos, bordados, tecidos e cartas. Essas cartas é que me fazem compreender que existe mais que uma correlação do que uma ruptura entre esses momentos que vão ser ao longo do século XX”, acrescenta.
Historiadora e arqueóloga, Luciana de Castro recua no tempo para explicar a origem do evento | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
RIO VERMELHO E O 2 DE FEVEREIRO
A consolidação do 2 de fevereiro como data e do Rio Vermelho como palco do que conhecemos como Festa de Iemanjá se deram por uma confluência de fatores, um deles o fato de neste período ocorrerem no bairro as festividades para Nossa Senhora de Santana. “No Rio Vermelho ganhou essa proporção, essa popularização, primeiro porque a gente está na parte litorânea fora da Baía de Todos-os-Santos, ou seja, já faz parte de um processo de extensão da cidade. A gente também tem que pensar que a festa surge através de pessoas, e a colônia de pescadores naquela região era algo forte, algo potente. A gente tinha ali a Casa de Peso, que hoje não existe mais e ficava perto da igreja de Nossa Senhora de Santana, havia um circuito complexo de trabalho, compra, venda. Fora que Nossa Senhora de Santana sempre foi muito popular, e foi uma freguesia também poderosa dentro desse contexto do final do século XIX”, explica a pesquisadora, destacando a conjuntura que favoreceu os contornos da festa. “Nesse sentido, o que acontece é que você transforma algo que é um princípio da vida humana, que é essa oferta, essa gratidão, conversação, em uma tradição. O que é uma tradição? Hora, dia, lugar, signos, é um conjunto. Então, a tendência é, de fato, difundir quando você tem algo organizado, seja uma festa ou uma ideia, um pensamento. Qualquer coisa, quando está muito redondo, acontece”, pontua.
Apesar da coincidência da data da festa com o momento em que se celebrava uma santa do cristianismo – hoje a festa de Nossa Senhora de Santana acontece em 26 de julho -, Luciana de Castro destaca que, entre 1920 e 1930, a Festa de Iemanjá adquiriu uma autonomia direta ao culto à orixá. “Você vê que o nome Festa de Iemanjá carrega uma nomenclatura iorubá que está dentro de um nome. É a única festa que não é sincrética. Não é a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que você cultua Iemanjá, Oxum, Nanã. Não é o dia das mães ou o réveillon, que tem uma nomenclatura francesa. É a única festa que carrega na sua identificação pra quem é. Você vai lá não porque vai cultuar Nossa Senhora da Conceição, você vai para cultuar Iemanjá”, conclui.
EMBRANQUECIMENTO E APAGAMENTO DA HISTÓRIA
No ano passado a cidade vivenciou um momento controverso, após a prefeitura utilizar peças publicitárias nas quais a nomenclatura “Festa de Iemanjá” foi substituída por apenas “2 de Fevereiro”. Na ocasião, o Ministério Público estadual (MP-BA) recomendou que a administração municipal excluísse ou alterasse a propaganda (clique aqui). A promotora de Justiça Lívia Vaz defendeu que a manifestação é denominada como tal por conta de sua origem associada ao candomblé, e que, portanto, o desvirtuamento ofende a integridade dos legados cultural e identitário dos povos de terreiros de religiões afro-brasieiras. “Cabe ao poder público, portanto, preservar e garantir a integridade, respeitabilidade e a permanência dos valores da tradicional manifestação cultural e religiosa”, afirmou a promotora.
Diante da pressão, o poder público não só reverteu a propaganda, como a Justiça deu o pontapé inicial para que ela fosse reconhecida como Patrimônio Cultural de Salvador (clique aqui e saiba mais). “Precisava haver uma abertura de um processo que garantisse a patrimonialização da festa. Então, assim foi feito. Não foi por mim, mas outras pessoas importantes também se sentiram incomodadas com esse processo de desidentificação, de embranquecimento”, comentou a historiadora Luciana da Costa. “Você pode colocar seu palco, fazer sua festa, mas você não pode destituir este dia no calendário para nomear outra coisa”, acrescenta.
Propaganda da prefeitura reacendeu discussão sobre embranquecimento e desidentificação | Foto: Divulgação
APROPRIAÇÃO CULTURAL
Apesar de casos como o apagamento da identidade por meio de ações como a omissão de Iemanjá no nome do evento, Luciana destaca que nem tudo é apropriação cultural, mas grande parte das atitudes são fundamentadas pelo racismo estrutural da sociedade, expressas muitas vezes pelo desconhecimento e ignorância. “As pessoas que estão ali na Festa de Iemanjá, duvido muito que aquelas que pegam a fila, que vão deixar o presente ou colocar uma rosa estão em processo de apropriação cultural. Porque naquele momento ela está em uma relação íntima, pessoal, e não pública de massa, aparência ou estética. Ela está ligada aos seus desejos internos. Necessariamente, ela pode não estar em processo de apropriação cultural, mas ser racista”, avalia a historiadora. “O que eu penso sobre apropriação cultural é, por exemplo, transformar o 2 de Fevereiro, que é uma festa historicamente marcada pela liturgia, pelo religioso, como um festival musical. A apropriação cultural em festas públicas está para além das pessoas e alcança as empresas, que transformam isso dentro de uma lógica mercadológica e que negam”, explica a pesquisadora, definindo a apropriação cultural como “quando você transforma símbolos, signos e significados de uma outra cultura, dentro de uma interpretação que só atende a você, branco, e critérios não históricos”.
Citando o exemplo de mulheres que não são do Axé, mas se vestem de Iemanjá, ela pontuou que este é um momento de se observar. “Dentro desse específico ponto, é um momento de se pensar a apropriação cultural, porque quando se vende a festa, não se vende mais a festa. As redes sociais, o senso comum, o boca a boca vende como mais uma festa de largo, como mais uma lavagem, que é de fato a característica que da década de 1940 pra cá veio sendo construída”, avalia, destacando que a Festa de Iemanjá não pode ser entendida como propriedade de uma única religião, mas que é importante observá-la como festa pública com valor de patrimônio. Tendo isto em vista, ela explica que não existe um protocolo ou um “beabá” de como a pessoa se comportar para não ser racista, já que esta não é uma questão somente comportamental, mas também de consciência. “Pode ir de branco, colorido, pode ir de tudo, porque ali não é uma festa sagrada de caráter religioso particular, para uma religião específica, mas sim com contornos patrimoniais”, diz Luciana. “A gente percebe aquela pessoa que usa conta, a guia, o colar, porque é da religião, ou até simpatizante, ou aquele indivíduo que utiliza este dia para se fantasiar ou se integrar à multidão. No sentimento comunal, de partilha, já que a gente vive em ilhas dentro da cidade. Então as festas de largo e as lavagens têm esse principio da reunião da cidade. Você vai ver representantes de todos os bairros” afirma, lembrando que quem garante a manutenção da tradição, de fato, são as pessoas do Axé, os negros e pessoas com consciência étnico-racial. “A gente tem que parar de taxar o outro. Você não sabe o que está passando na cabeça daquela criança. Ela pode estar lá toda de sereia, de tudo, mas na cabeça dela é uma forma amorosa de relação. Agora, quando você abrir a boca, saiba falar, pra sua máscara não cair”, pondera.
Luciana destaca caráter íntimo no ato de participar de homenagem a Iemanjá Foto: Jamile Amine / Bahia Notícias
RACISMO INSTITUCIONAL
Outro ponto importante destacado pela antropóloga é o racismo institucional, manifestado através campanhas, que podem até ser bem intencionadas, mas que não dão conta de explicar a amplitude da tradição e acabam incentivando o preconceito. Um exemplo disto é a mobilização para o uso de oferendas ecológicas, sem que haja a preocupação em deixar claro para a população que a Festa de Iemanjá nasce justamente pelo culto à água e está pautada também na preocupação com o meio ambiente. “A problemática está muito no nível da esfera das políticas públicas, porque, por exemplo, existe, concordo, faço na minha casa o pensamento de um presente ecológico. A tendência é essa, mundial, global, a preocupação com o meio ambiente. Só que a festa é, na verdade, uma valoração aos ambientes aquáticos, entretanto, há uma política pública voltada massificamente para se pensar no que vai se entregar à divindade Iemanjá. No entanto, eu não vejo medidas, durante o ano todo, que afetem outra comunidade que não a afro-baiana”, questiona a pesquisadora. “Não existe uma preocupação com o esgoto, com o sistema pluvial, não tem preocupação nenhuma em como reduzir a quantidade de material poluído no mar. Então, mais uma vez eu consigo visualizar isso como uma prática de racismo institucional, em que você condena uma determinada parcela da população, única vez no ano, para simplesmente falar de toda uma problemática industrial e empresarial”, conclui.
Em comemoração ao Dia de Iemanjá, no próximo domingo (2), Ministereo Público, BNegão, U-Roy (Jamaica), Russo Passapusso, Lys Ventura, Magrão e Marina Peralta vão participar de um evento na varanda do Bombar, no Rio Vermelho. As apresentações terão início às 12h e a festa é totalmente gratuita.
O Sound System tomará conta da festa com MiniStereo Público - especializado em dub, ragga e dancehall. Russo Passapusso, vocalista do Baiana System, promete levar sua batida para todo o público com sucessos como “Lucro” e “Playsom”. Misturando rap, rock e hip hop em hits como “Injustiça”, o cantor e compositor brasileiro BNegão é também uma das atrações da noite.
A cargo de Magrão e Lys Ventura, os shows continuam com eletronic dance & black music, enquanto Marina Peralta (“Agradece”) e U-Roy (“The Originator”), comandam o ritmo.
SERVIÇO
O QUÊ: MiniStereo Público convida BNegão, Magrão, Russo Passapusso, Lys Ventura, Marina Peralta e U-Roy.
QUANDO: 2 de fevereiro
ONDE: Rua Canavieira - Rio Vermelho
VALOR: Gratuito
Situado no Rio Vermelho, o Blue Praia Bar realiza o Yemanjá Blue, neste domingo, 2 de fevereiro, com música, gastronomia e performances artísticas. O evento, que tem como proposta celebrar a festa de Iemanjá, contempla 10h de música, tendo no line-up nomes como Paulo Padang, Roger N’ Roll, Free Lion. A festa tem ainda participação de Pali, Zimba Selektor, Telefunksoul, Gabi Nilo e Rafa Mattei.
O evento começa com uma caminhada até a Casa de Iemanjá, para aqueles que querem fazer as suas oferendas, com concentração às 7h. Às 11h, será servida uma feijoada. Os ingressos, que incluem acesso à festa e à feijoada, custam R$ 120 e estão à venda no site Sympla.
SERVIÇO
O QUÊ: Yemanjá Blue
QUANDO: Domingo, 2 de fevereiro, a partir das 7h
ONDE: Blue Praia Bar – Rio Vermelho – Salvador (BA)
VALOR: R$ 120 (acesso + feijoada completa)
A Festa de Iemanjá, manifestação popular realizada tradicionalmente no bairro do Rio Vermelho, pode se tornar Patrimônio Imaterial de Salvador. A iniciativa de salvaguardar o evento histórico partiu de um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Estado da Bahia (OAB-BA) e foi encaminhado para a Fundação Gregório de Mattos (FGM).
De acordo com o colunista Ronaldo Jacobina, do portal Correio, as ações propostas pelo órgão jurídico tiveram forte apoio de trabalhadores integrantes da colônia de pescadores do Rio Vermelho.
Realizada sempre no dia 2 de fevereiro na capital baiana, a Festa de Iemanjá será inscrita no Livro do Registro Especial dos Eventos e Celebrações da Fundação Gregório de Mattos. O processo n° 1002/2019, por meio da Notificação Pública de abertura, foi publicado no Diário Oficial do Município desta terça-feira (19). O documento foi assinado pelo presidente da FGM, Fernando Guerreiro.
O MicroTrio de Ivan Huol e a Geleia Solar, banda base da JAM no MAM, serão as atrações da Festa de Iemanjá na Tropos, no Rio Vermelho. A JAM na Tropos acontece a partir das 13h, com a promessa de “misturar os solos sofisticados do jazz à sonoridade ímpar da guitarra baiana”.
Formado por Cinho Damatta (voz e violão), Ivan Bastos (baixo e vocal), Ivan Huol (bateria e voz) e Sérgio Albuquerque (guitarra baiana), o MicroTrio de Ivan Huol abrirá a festa, com um repertório de canções autorais, além de sucessos de nomes como Moraes Moreira, Armandinho, Dodô e Osmar, Gerônimo, A Cor do Som e Luiz Caldas. Logo depois a Geleia Solar assume o palco, com interpretações de standards do jazz misturados às influências rítmicas baianas.
SERVIÇO
O QUÊ: JAM na Tropos – MicroTrio e Geleia Solar na Festa de Iemanjá
QUANDO: Sábado, 2 de fevereiro, às 13h
ONDE: Tropos – Rio Vermelho – Salvador (BA)
VALOR: R$ 20
Uma das manifestações culturais mais tradicionais de Salvador, a Festa de Iemanjá será retratada por uma escola de samba no Carnaval do Rio de Janeiro em 2019. A ideia do presidente do Grêmio Recreativo Escola de Samba Renascer de Jacarepaguá era homenagear a Bahia, mas para fugir do senso comum foi decidido pelo tema “Dois de Fevereiro no Rio Vermelho”. “A gente ficou naquela pesquisa, só que Bahia aqui no Rio de Janeiro já foi falado diversas vezes. A gente tem um compositor muito influente aqui no Carnaval e ele deu a ideia de abordar esse tema sobre a Festa de Iemanjá. Aí a gente abraçou a ideia e desenvolveu esse enredo”, contou o carnavalesco Raphael Torres, se referindo a Cláudio Russo, autor do samba, em parceria com Moacyr Luz. “As pessoas receberam esse enredo muito bem, graças a Deus não teve nenhum tipo de crítica. O nosso medo era justamente falar de Bahia e falar o geral, como já foi falado aqui várias vezes, e ficar na mesmice. Então a gente tentou fazer algo que nunca foi falado aqui”, acrescentou Torres.
O carnavalesco explicou que o mote da escola não é especificamente as religiões de matriz africana, mas sim trabalhar temas culturais de relevância no Brasil, muitas vezes voltados para a negritude. “Ano passado falamos sobre Villa Lobos [Heitor Villa Lobos] e no ano retrasado falamos de Carolina de Jesus, que é uma escritora negra, e João Candido [líder da Revolta da Chibata, conhecido como "Almirante negro"]. Então são enredos culturais. E esse ano também vamos fazer um enredo cultural que fale da negritude”, disse Torres, que este mês desembarcará em Salvador pela quinta vez, agora com o objetivo de dar continuidade à pesquisa de campo para a realização do desfile. Na ocasião, ele visitará não só o bairro do Rio Vermelho, palco da Festa de Iemanjá, mas também o Dique do Tororó, local que será citado no enredo da Renascer de Jacarepaguá, e que virou atração turística da capital baiana por abrigar uma série de estátuas de orixás confeccionadas pelo escultor baiano Tatti Moreno. O samba-enredo será lançado no dia 4 de setembro deste ano e a escola desfilará apenas em 2 de março de 2019, mas os trabalhos estão a todo vapor. “Na verdade a gente já entregou a sinopse para o compositor e agora a gente está desenhando já as fantasias e começando o barracão, em questão de estrutura. Estamos ajeitando para quando estiver mais pra frente a gente iniciar já com tudo preparado para fazer um grande desfile”, revelou o carnavalesco.
A Renascer de Jacarepaguá busca agora parceria com instituições baianas para promover um intercâmbio cultural. “A assessora de imprensa, além de estar captando recurso para ajudar a gente a fazer nosso desfile, com certeza vai convidar alguém aí da Bahia pra poder desfilar com a gente”, contou Raphael Torrer. “E não só especificamente da Bahia, mas pessoas ligadas a esse tipo de festa como o Dois de Fevereiro. Então vai ter sim convite, só que ainda não foi formulado porque a gente está em época de preparar todo o projeto, pra depois, quando tiver samba, aí sim começar”, acrescentou.
Programadas para janeiro de 2017, mas atrasadas por conta da crise política e econômica no país (clique aqui e saiba mais), as gravações da segunda edição do filme “Ó Paí, Ó” terão início na Festa de Iemanjá, dia 2 de fevereiro, em Salvador. De acordo com informações da coluna assinada por Ronaldo Jacobina, no Correio, o longa-metragem de Monique Gardenberg contará com o mesmo elenco do primeiro filme, lançado em 2008, que inclui nomes como Lázaro Ramos, Dira Paes, Érico Brás, Tânia Toko e Lyu Arisson. Fica de fora da produção apenas Wagner Moura, que já tinha firmado outros compromissos. O novo longa, que ainda não tem data de lançamento prevista, gira em torno das peripécias dos protagonistas, que se esforçam para entregar uma grande oferenda a Iemanjá, com o objetivo de alcançar a graça da casa própria. Ainda segundo a publicação, após a filmagem das primeiras cenas o elenco se reunirá para ajustar o texto final, seguindo a proposta do Bando de Teatro Olodum, de modo a realizar uma criação coletiva. Depois disso, os atores começam os ensaios e retomam as gravações no Pelourinho.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Nikolas Ferreira
"Meu Deus, quanta humilhação. Nada disso será esquecido".
Disse o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao criticar o modo em que o advogado Lucas Brasileiro, preso por envolvimento nos atos do 8 de janeiro de 2023, foi levado algemado em velório de sua avó.