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eduardo grizenti
Em entrevista concedida ao podcast Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, nesta segunda-feira (5), logo após a realização do primeiro turno das Eleições 2026, o cientista político e pesquisador vinculado ao INCT.DD, Eduardo Grizenti, avaliou o cenário político nacional e estadual. Segundo o especialista, a atuação da esquerda nas mídias sociais segue fraca, reagindo a estratégias em que a extrema-direita e a direita populista continuam sendo pioneiras, tanto no Brasil quanto no mundo.
"Hoje na Bahia, é difícil fazer a distinção entre lulismo e petismo. As coisas se confundem. Eu diria que hoje o PT é muito mais fraco do que aparenta, justamente porque Lula é Lula. Se não houvesse essa figura, ele mesmo admitiu em entrevista ao Flow que 'só tô indo porque tenho que ir' , o PT é muito dependente do Lula", aponta.
O pesquisador citou também o exemplo do Ceará, em que Ciro Gomes tentou confrontar a estrutura do PT e saiu derrotado, reforçando que, na região Nordeste, o "Lulopetismo" se mantém como uma força expressiva. Ao abordar as disputas regionais na Bahia, Grizenti analisou a ascensão de Jerônimo Rodrigues (PT) nas pesquisas finais e a desvantagem enfrentada por ACM Neto (União) devido ao desdobramento de denúncias recentes.
"Com relação a ACM aqui, ele foi um dos azarados com o nome ligado à Master, e nas últimas semanas isso acabou pesando. Nas últimas pesquisas o Jerônimo começou a se afastar. Ele foi um dos azarados", argumenta. O cientista político pontua isso no fato de que outros nomes citados no caso, a exemplo de Jaques Wagner (PT) e Nikolas Ferreira (PL), conseguiram se eleger no Congresso Nacional, o que reforçou o impacto desfavorável sobre ACM Neto.
'ECONOMIA DA ATENÇÃO'
Apesar das fragilidades do PT no ambiente virtual, Grizenti ressaltou que frentes da esquerda radical e nomes do PSOL, a exemplo de parlamentares e figuras públicas como Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Jones Manoel, conseguem obter relevância e expressiva votação com atuação digital.
"Eu acho que teve uma contenda no PSOL sobre isso, criou a frente da esquerda radical para que o PSOL se juntasse à federação com a Brasil da Esperança (PV, PT e PCdoB), e foi essa frente que se destacou com influenciadores. Os próprios parlamentares têm influência no digital, como Sâmia e Glauber. Ganham mais relevância de certa forma. Na economia da atenção, quem ganha são essas pessoas. Aqui na Bahia teve o Hilton [Coelho], que perdeu junto com os votos do Kleber Rosa; se o Kleber fosse lançado a federal, o PSOL alcançaria", elucida.
Por fim, o pesquisador explicou que o enxugamento do quadro partidário tem relação direta com a implementação das federações partidárias. "Você tem isso e gerou que os partidos começassem a agir de forma mais coesa", concluiu Grizenti.
Confira a entrevista completa:
Em entrevista concedida ao podcast Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, nesta segunda-feira (5), um dia após a realização do primeiro turno das Eleições 2026, o cientista político e pesquisador vinculado ao INCT.DD, Eduardo Grizenti, analisou as profundas transformações nas estratégias de campanha eleitoral e o impacto da migração do debate para as redes sociais.
Sobre o aumento de conteúdos curtos e viralizáveis (cortes), Eduardo Grizenti lembra a centralidade do uso de ameaças e inimigos imaginários para engajar o eleitorado no ambiente virtual.
"Hoje é necessária a criação de uma ameaça e um inimigo nessas narrativas criadas, um perigo que ameaça a sua existência. Sejam os comunistas, seja o pedófilo da esquerda ou o bandido que invade sua casa. Essa narrativa do medo é muito característica", cita o pesquisador.
Questionado sobre a mudança nas campanhas, que deixaram de priorizar o corpo a corpo e a presença territorial para focar em melhores resultados nas urnas via plataformas digitais, o pesquisador ressaltou que a política tradicional não desapareceu, mas ganhou uma nova camada. Algo que abre brecha para onda de novos influenciadores.
"Não que o corpo a corpo ou o prefeito mediador, líder local, tenha perdido o efeito, mas a questão é que entra um outro ambiente que tem ganhos com menos riscos, que é o ambiente digital. O melhor exemplo para ilustrar isso foi o que se tornou ou o que deixou de ser os debates televisivos", argumenta Grizenti.
O "EFEITO MARÇAL"
Segundo o cientista político, o candidato Pablo Marçal representou um divisor de águas no processo eleitoral durante o pleito de 2024 ao utilizar a linguagem das mídias sociais de forma assertiva e levada a extremos, com provocações e episódios como o da cadeirada. Para Grizenti, esse modelo alterou o comportamento dos candidatos na eleição geral de 2026.
"Antes, as centralidades eram apresentadas de modo mais focado para os candidatos serem conhecidos pela população. O exemplo disso foi o Marçal na eleição de 2024, que usou a linguagem da mídia social de modo assertivo e levou a extremos, cadeiras, provocações absurdas. Isso levou, na eleição geral, ao temor de se expor [...] buscando a tendência de criar um corte para as redes. Parecia um roteiro", explica.
Confira a entrevista completa:
Em entrevista concedida ao podcast Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, nesta segunda-feira (5), o cientista político Eduardo Grizenti avaliou o índice de abstenções e de votos brancos e nulos no primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4). Para o pesquisador, o cenário reflete a necessidade urgente de a classe política reencontrar meios de encantar e atrair o eleitorado.
O comentário surge no contexto em que as abstenções, somadas aos votos brancos e nulos, atingiram 39,4 mi de eleitores, o equivalente a 24,8% de todo o eleitorado apto a votar no país. A taxa de abstenção isolada alcançou 21,08% (mais de 33,4 mi de pessoas), consolidando-se como o maior percentual registrado em um primeiro turno presidencial desde a eleição de 1998 (21,49%).
Confira em vídeo:
Durante o programa, Grizenti argumentou que o debate sobre a obrigatoriedade do voto não é a questão central para explicar a ausência dos eleitores nas urnas.
"Esses números de abstenção mostram que as pessoas não se importam muito com a obrigatoriedade do voto. O voto é um dever e um direito, mas se a pessoa não quiser exercer, paga seu dever com uma multa e está tudo bem. Eu acho que a questão do voto facultativo ou tornar obrigatório dos 16 aos 18 anos não é o ponto central. A política tem que voltar a conquistar as pessoas, é isso que tem que acontecer", defende.
O especialista ressaltou que há uma distinção fundamental entre o perfil de quem escolhe votar em branco ou anular e o perfil daqueles que simplesmente se abstêm de comparecer às urnas.
"Os votos brancos e nulos se mantêm porque, de alguma forma, é aquela pessoa que tem a disposição de ir lá, está disposta a participar do processo, mas as opções não a agradam. Ela está tentando. Mas há uma porcentagem de pessoas cada vez maior que 'não está nem aí'. É esse público que precisa ser buscado", pede o cientista político.
Como exemplo de iniciativa para reaproximar a população do debate público, Grizenti mencionou uma declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) direcionada aos jovens.
"A fala do Lula foi interessante quando disse: 'Se você é jovem e acha que ninguém presta na política, seja você então a pessoa que entra na política'. De alguma forma, é chamar a pessoa para o processo. Não sei se foi totalmente eficaz, mas o caminho passa por aí: encantar as pessoas e chamá-las para a democracia. É uma abordagem interessante e melhor do que outras opções que já se teve", concluiu.
Os dados oficiais com 100% das seções apuradas confirmam que a disputa pela Presidência da República será decidida em segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,18% dos votos válidos (55.825.882 votos), e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 44,98% (53.223.914 votos).
Na mesma apuração, os votos em branco representaram 1,84% do total de votos registrados (2,3 mi), enquanto os votos nulos responderam por 2,93% (3,67 mi).
Confira o momento:
Eduardo Grizenti, cientista político, comparece ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias (BN) desta segunda-feira (5). No contexto das eleições de 2026, ele analisa o impacto do processo de “blogueirização dos políticos” e cita Pablo Marçal (PRTB) como um dos pioneiros.
Grizenti compreende que as mídias sociais não substituem o tradicional “corpo a corpo” na política, mas simbolizam um ambiente que “garante mais ganhos com menos riscos”. Além disso, descentralizam os debates políticos.
O melhor exemplo para ilustrar essa questão, segundo o cientista, é a atuação de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024, em São Paulo. O comportamento de Marçal durante debates respingou na forma que os candidatos de 2026 se portaram nas mesmas ocasiões.
“Um dos principais responsáveis, foi o Pablo Marçal, nas eleições de 2024, em São Paulo. Ele usou da gramática e da linguagem da mídia social de forma tão eficaz no debate, que levou a extremos: cadeirada, provocações absurdas…e isso levou, dois anos depois, aos candidatos ficarem com um certo temor da exposição”, afirma.
Com isso, o cientista entende que a presença massiva das mídias digitais e sociais dentro da política acarretou em uma espécie de roteirização no comportamento, em busca do corte viral direcionado para as redes. Em 2026, ele cita a atuação de Renan Santos (Missão) como a mais próxima de Marçal.
“É só observar a reação que tiveram a Renan Santos, que era, entre todos os candidatos, quem mais buscava essa tendência de produzir o corte de impacto", conclui.
CONFIRA NO PRISMA:
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Carlos Viana
"Agora, imagina se fosse alguém da direita. Uma cantora fazendo lá o 22 no palco. Seriam pelo menos 24 horas para se explicar, depois multa, prisão, condenação e Deus sabe o que mais de perseguição".
Disse o senador e candidato à reeleição por Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) ao afirmar que vai denunciar a cantora baiana Ivete Sangalo por suposta promoção de “showmício” ao declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de um gesto com as mãos. O parlamentar confirmou a denúncia em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (29).