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dona beja
Nascido e criado sob o sol de Salvador, o ator Ricardo Burgos trilhou um caminho singular na atuação. Diferente de muitos colegas que cresceram sob o desejo dos holofotes, ele não alimentava o sonho dos aplausos na infância. Sua entrega à arte aconteceu no "improviso da vida", em um diálogo constante com suas próprias inseguranças. Hoje, esse movimento o leva ao horário nobre: ele dá vida ao jornalista Joaquim Botelho (o Botelhinho) na releitura de “Dona Beja”, assinada pela HBO Max. A trama terá estreia na Band TV nesta quinta-feira (5).
Em entrevista ao BN Hall, ele explicou que seguir profissionalmente em direção à atuação não aconteceu como nas histórias de quem descobre a vocação ainda na infância. Esse movimento surgiu mais como uma descoberta na adolescência, enquanto assistia aos filmes de “O Senhor dos Anéis” no cinema.
O fascínio pelo universo de Peter Jackson e J.R.R. Tolkien foi além da fantasia; foi nos bastidores, ao entender o mundo artístico, que algo se transformou dentro dele. “Ali eu me apaixonei de verdade. Acho que, de forma quase inconsciente, pensei: ‘é isso que eu quero fazer pelo resto da minha vida’”, relembrou.
O primeiro contato com o palco, segundo ele, aconteceu de forma simples. Um grupo de teatro organizado pela tia, no condomínio onde morava, proporcionou uma experiência que abriu uma porta interna que ele ainda nem sabia que existia. Depois disso vieram as aulas, a formação e a dedicação constante. Aos 16 anos, o baiano já trabalhava profissionalmente e, ali, entendeu que não havia mais volta.
Apesar de ter deixado Salvador aos 19 anos para seguir carreira, a cidade sempre foi seu lar. A família permaneceu na capital baiana, assim como os amigos de infância e as memórias que o moldaram. “Salvador nunca deixou de ser casa (...). E, com o tempo, venho percebendo cada vez mais o quanto essa base é essencial para mim. Salvador conversa profundamente com quem eu sou. Tenho sentido um desejo crescente de estar mais presente, de retornar com mais frequência, de me reconectar”, salientou.
NA NOVELA
Atualmente, Ricardo dá vida ao jornalista Joaquim Botelho na releitura de “Dona Beja”. O personagem, conhecido como Botelhinho, é tudo aquilo que costuma provocar incômodo: mimado, inseguro, movido pela necessidade de aprovação e capaz de recorrer a caminhos questionáveis quando frustrado.
Ricardo não foge dessa dureza e entende a reação dos telespectadores: “Ele foi escrito dessa forma. É um personagem detestável em muitos aspectos. E, como ator, fico feliz quando o público sente asco ou indignação, porque isso significa que ele está cumprindo sua função dramática”, pontuou.
Na conversa, ele contou que, para construí-lo, precisou abandonar o julgamento, já que enxergá-lo apenas como um “canalha” tornaria tudo muito superficial. “O meu papel foi humanizá-lo, encontrar a lógica interna que faz com que ele acredite que está certo, mesmo quando claramente não está. E, para mim, é aí que o personagem ganha verdade”, explicou o ator.
Botelhinho é seu terceiro vilão consecutivo, e ele admite o interesse por essas figuras que habitam zonas desconfortáveis. “O que mais me encanta é justamente a distância entre ele e quem eu sou. O Botelhinho não poderia estar mais longe da minha própria ética e das minhas escolhas de vida. E, como ator, poder habitar esse território é um exercício imenso de imaginação e empatia. É um mergulho em zonas bastante desconfortáveis”, afirmou.
Atualizando a narrativa original, a produção, que ele define como releitura — e não remake —, incorpora discussões dos tempos atuais. Para Ricardo, o diferencial do projeto está em preservar a essência da história enquanto constrói algo novo. Ele destaca ainda o trabalho dos autores Daniel Berlinsky e António Barreira, responsáveis por acrescentar novas camadas ao texto.
Ele lembra ainda que as gravações aconteceram entre agosto de 2023 e maio de 2024, em um processo longo e intenso. A preparação exigiu um mergulho histórico em Minas Gerais (MG) no século XIX, além do entendimento sobre os códigos sociais, postura, gestos e figurino da época. Até o ato de escrever com pena e tinta, ação constante do personagem, foi treinado para que se tornasse natural.

“DONA BEJA”
A nova novela da HBO é inspirada na trajetória de Ana Jacinta de São José, uma das figuras mais emblemáticas da história de Minas Gerais. A obra reúne no elenco nomes como Grazi Massafera, David Junior e André Luiz Miranda e estreia na Band TV nesta quinta-feira (5), às 22h20, celebrando a chegada da novela com selo Max Original à emissora. A novela irá ao ar todas às quintas e sextas-feiras, às 23h, com um episódio por dia, logo depois do Melhor da Noite, que passa a ocupar a faixa das 22h20.
A versão dá uma nova roupagem para a novela exibida em 1986 pela extinta Rede Manchete. Ambientada em 1815, no Brasil Imperial, a trama se passa em Araxá (MG), onde Dona Beja vive sob os cuidados do avô após perder a mãe e nunca conhecer o pai. Jovem, romântica e apaixonada, ela vê sua vida ruir ao ser sequestrada pelo ouvidor do rei, fascinado por sua beleza.
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A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgou uma nota criticando a escalação do ator Pedro Fasanaro para interpretar uma mulher trans na novela “Dona Beja”, da HBO Max.
Segundo a Antra, a produtora da novela, Floresta, e a dona do streaming, Warner Bros Discovery, erraram ao não escalar uma pessoa transexual para o papel de Severina, configurando uma prática de “trans fake”.
O termo é usado pela comunidade LGBTQIAPN+ para criticar escalação de atores e atrizes cisgênero para interpretar personagens trans ou travestis. “Representar também é atuar com responsabilidade. Dizer não ao transfake é afirmar que nossas vidas e trajetórias importam”, afirma a associação.
Em suas redes sociais, Pedro Fasanaro afirmou que definir a personagem como mulher trans “parte de um olhar contemporâneo” e que “no século 19, tempo em que essa história se passa, não existiam o letramento nem a consciência de gênero que temos hoje”.
O artista afirmou ainda se identificar como uma pessoa não binária e “uma pessoa dissidente de gênero”. “E aí eu me pergunto, o tempo todo, em que lugar da transgeneridade eu preciso estar para poder trabalhar e viver plenamente”, questiona.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Geraldo Jr.
"Manda viralizar".
Disse o vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB), ao solicitar em um grupo de WhatsApp que interlocutores divulgassem uma mensagem com críticas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O conteúdo teria sido encaminhado ao grupo por engano. No aplicativo, ele aparece encaminhando uma mensagem com a legenda "manda viralizar" e o link de uma publicação.