Artigos
A mãe da gula
Multimídia
Deputado Adolfo Menezes critica gastos com cachês de artistas em festas no interior da Bahia
Entrevistas
Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
devocao
Baianos, soteropolitanos e turistas se vestem de branco, nesta quinta-feira (15), para percorrer uma distância de quase 8 km e participar da Lavagem do Bonfim. Uma das festas mais populares do calendário festivo da Bahia, a tradicional lavaria das escadas ocorre na segunda quinta-feira do ano após a Festa de Reis.
A festa, que atrai milhares de pessoas e fiéis ao santo, é uma das mais famosas e conhecidas do país. Em entrevista ao Bahia Notícias, o reitor da Basílica Santuário Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes, explicou que o santo representa Jesus Cristo crucificado, principal figura do catolicismo.
Segundo o sacerdote, por ser a mesma figura venerada desde o começo da humanidade, o santo continua sendo um dos mais requisitados pelo povo baiano.
“Senhor do Bonfim é Jesus Cristo crucificado. Aquele mesmo Jesus que durante a sua vida pública atraiu multidões, ele continua atraindo hoje milhares e milhares de pessoas com seus braços abertos. Eu sempre gosto de dizer que o mesmo Cristo de ontem, é o de hoje e será o de amanhã. É uma devoção realmente que caiu na graça do povo. E o povo vem ao Bonfim pagar promessas, rezar e venerar a imagem tão querida e amada dos baianos. Senhor do Bonfim, não é um santo como os demais, mas é o santo, é a imagem de Jesus Cristo”, disse Menezes.
De acordo com o líder religioso, após a chegada da imagem da santidade em Salvador, oriunda de Portugal, a devoção cresceu, tornando-se uma das maiores expressões populares da Bahia e do Brasil.
“A devoção ao Senhor do Bonfim teve início no ano de 1745, com a chegada da sua imagem, vinda de Portugal, trazida pelo capitão de Mariguerra da Marinha Portuguesa, como expressão e o cumprimento de uma promessa feita. Ele saindo de Lisboa para o Brasil, enfrentou uma grande tempestade juntamente com outros companheiros. E prometeu que se fossem salvos, ele traria para o Brasil. Uma imagem do senhor do Bonfim em sinal de gratidão e construiria uma igreja", explica o pároco.
“Eles foram salvos, a promessa foi cumprida e no dia 18 de abril de 1745, ele chegou aqui em Salvador, deixando a imagem na igreja de Nossa Senhora da Penha, na Ribeira, onde a imagem permaneceu durante nove anos, até que a atual basílica fosse construída. Desde que a imagem chegou o povo começou a fazer romarias para a igreja da Penha e a imagem sendo entronizada no atual templo, no dia 24 de junho de 1754. A devoção foi aumentando e ela dura até hoje como uma das maiores expressões populares do nosso Estado e do Brasil”, afirmou.
Além do lado sagrado, seguindo a máxima dos baianos, a festa também é marcada pelo lado profano, com demonstrações culturais e festivas. Ao BN, o historiador Rafael Dantas observou que a festa do Bonfim foi promovida por como um atrativo cultural e turístico, tornando-se um "cartão de visita" da Bahia com características estéticas do estado.
“É um elemento que precisamos destacar como a festa acabou virando elemento da identidade da Bahia do ponto de vista cultural e turístico. Os próprios governos, do ponto de vista de uma publicidade da Bahia, a partir de meados do século XX, transformaram o Bonfim em um cartão de visita. A Bahia é a terra da Lavagem do Bonfim, que era uma festa importante e se divulgou isso como atrativo também. Nos anos 80, tinha até trio elétrico no Bonfim, no Carnaval, já chegou a ter essa parte mais carnavalesca também”, pontuou.
“Com o passar do tempo, o que acontece muito na Bahia, que é o que antecede a festa religiosa, o que antecede o momento solene, é sempre festa. A gente tem o carnaval antes do momento religioso, da quaresma, e isso no Bonfim está presente. Antes da festa, do dia oficial, temos a lavagem, que é justamente esse momento religioso e festivo”, disse.
O historiador relembrou também do uso da festa como plataforma de publicidade política, onde políticos utilizam o festejo para testarem sua popularidade. Conforme Rafael, algumas figuras utilizam o festejo como palco para manifestações políticas e religiosas, além dos elementos festivos e profanos.
“Os políticos entenderam a festa como um grande estilo, para sentir popularidade, para se aproximar do povo, para sentir de fato a Bahia e transformar aquilo também em um palanque. Então são pontos que acabam destacando a festa. Tudo nesse cortejo de mais ou menos 8 quilômetros passa sendo visto. É quase que uma disputa entre o povo e as imagens que estão ali presentes. Todo mundo está ali seguindo para Colina Sagrada com o seu objetivo, agradecimento, fé, pedidos e outros que estão ali também pra fazer aquela selfie”, contou Dantas.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ciro Nogueira
"Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos. Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição".
Disse o presidente nacional do partido Progressistas e senador piauiense Ciro Nogueira se pronunciou após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura suposto envolvimento do parlamentar com o Banco Master, instituição ligada a um esquema de fraudes.