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Com "tempero" da política, Lavagem do Bonfim mantém tradições e aquece a fé em uma das festas mais populares da Bahia

Por Victor Hernandes

Com "tempero" da política, Lavagem do Bonfim mantém tradições e aquece a fé em uma das festas mais populares da Bahia
Foto: Imagem Ilustrativa. Waltemy Brandão / Bahia Notícias

Baianos, soteropolitanos e turistas se vestem de branco, nesta quinta-feira (15), para percorrer uma distância de quase 8 km e participar da Lavagem do Bonfim. Uma das festas mais populares do calendário festivo da Bahia, a tradicional lavaria das escadas ocorre na segunda quinta-feira do ano após a Festa de Reis. 

 

A festa, que atrai milhares de pessoas e fiéis ao santo, é uma das mais famosas e conhecidas do país. Em entrevista ao Bahia Notícias, o reitor da Basílica Santuário Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes, explicou que o santo representa Jesus Cristo crucificado, principal figura do catolicismo. 

 

Segundo o sacerdote, por ser a mesma figura venerada desde o começo da humanidade, o santo continua sendo um dos mais requisitados pelo povo baiano. 

 

“Senhor do Bonfim é Jesus Cristo crucificado. Aquele mesmo Jesus que durante a sua vida pública atraiu multidões, ele continua atraindo hoje milhares e milhares de pessoas com seus braços abertos. Eu sempre gosto de dizer que o mesmo Cristo de ontem, é o de hoje e será o de amanhã. É uma devoção realmente que caiu na graça do povo. E o povo vem ao Bonfim pagar promessas, rezar e venerar a imagem tão querida e amada dos baianos. Senhor do Bonfim, não é um santo como os demais, mas é o santo, é a imagem de Jesus Cristo”, disse Menezes. 

 

De acordo com o líder religioso, após a chegada da imagem da santidade em Salvador, oriunda de Portugal, a devoção cresceu, tornando-se uma das maiores expressões populares da Bahia e do Brasil.

 

“A devoção ao Senhor do Bonfim teve início no ano de 1745, com a chegada da sua imagem, vinda de Portugal, trazida pelo capitão de Mariguerra da Marinha Portuguesa, como expressão e o cumprimento de uma promessa feita. Ele saindo de Lisboa para o Brasil, enfrentou uma grande tempestade juntamente com outros companheiros. E prometeu que se fossem salvos, ele traria para o Brasil. Uma imagem do senhor do Bonfim em sinal de gratidão e construiria uma igreja", explica o pároco. 

 

“Eles foram salvos, a promessa foi cumprida e no dia 18 de abril de 1745, ele chegou aqui em Salvador, deixando a imagem na igreja de Nossa Senhora da Penha, na Ribeira, onde a imagem permaneceu durante nove anos, até que a atual basílica fosse construída. Desde que a imagem chegou o povo começou a fazer romarias para a igreja da Penha e a imagem sendo entronizada no atual templo, no dia 24 de junho de 1754. A devoção foi aumentando e ela dura até hoje como uma das maiores expressões populares do nosso Estado e do Brasil”, afirmou. 

 

Além do lado sagrado, seguindo a máxima dos baianos, a festa também é marcada pelo lado profano, com demonstrações culturais e festivas. Ao BN, o historiador Rafael Dantas observou que a festa do Bonfim foi promovida por como um atrativo cultural e turístico, tornando-se um "cartão de visita" da Bahia com características estéticas do estado. 

 

“É um elemento que precisamos destacar como a festa acabou virando elemento da identidade da Bahia do ponto de vista cultural e turístico. Os próprios governos, do ponto de vista de uma publicidade da Bahia, a partir de meados do século XX, transformaram o Bonfim em um cartão de visita. A Bahia é a terra da Lavagem do Bonfim, que era uma festa importante e se divulgou isso como atrativo também. Nos anos 80, tinha até trio elétrico no Bonfim, no Carnaval, já chegou a ter essa parte mais carnavalesca também”, pontuou. 

 

“Com o passar do tempo, o que acontece muito na Bahia, que é o que antecede a festa religiosa, o que antecede o momento solene, é sempre festa. A gente tem o carnaval antes do momento religioso, da quaresma, e isso no Bonfim está presente. Antes da festa, do dia oficial, temos a lavagem, que é justamente esse momento religioso e festivo”, disse. 

 

O historiador relembrou também do uso da festa como plataforma de publicidade política, onde políticos utilizam o festejo para testarem sua popularidade. Conforme Rafael, algumas figuras utilizam o festejo como palco para manifestações políticas e religiosas, além dos elementos festivos e profanos.

 

“Os políticos entenderam a festa como um grande estilo, para sentir popularidade, para se aproximar do povo, para sentir de fato a Bahia e transformar aquilo também em um palanque. Então são pontos que acabam destacando a festa. Tudo nesse cortejo de mais ou menos 8 quilômetros passa sendo visto. É quase que uma disputa entre o povo e as imagens que estão ali presentes. Todo mundo está ali seguindo para Colina Sagrada com o seu objetivo, agradecimento, fé, pedidos e outros que estão ali também pra fazer aquela selfie”, contou Dantas.