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Uma série de alterações em cargos da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) foi publicada nesta sexta-feira (24) em atos assinados pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT). O movimento de exonerações e nomeações inclui mudanças diretas na estrutura do Conjunto Penal de Eunápolis, que voltou a ser pauta após a divulgação da delação da ex-diretora do presídio, Joneuma Neres.
No caso da unidade de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, foi formalizada a exoneração de Sergio Vinicius Tanure dos Santos do cargo de diretor adjunto. Para a mesma função, foi nomeado Ernani Pereira Silva.
No último sábado (18), o conteúdo da delação de Joneuma Silva Neres revelou detalhes sobre a fuga dos 16 detentos do presídio de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024.
O depoimento inclusive trouxe à tona sua relação com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época no MDB e atualmente filiado ao PSDB, e as negociações com o líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, conhecido como "Dada".
Além das mudanças em Eunápolis, os atos de Jerônimo promoveram outras movimentações dentro da estrutura da Seap. Foram nomeados Alan Santos Canindé para o cargo de coordenador III, no Conjunto Penal de Serrinha, e Tácio Alves de Lima Matos para a mesma função e símbolo no Conjunto Penal de Vitória da Conquista.
Também constam exonerações em áreas administrativas. Raíne Nascimento Rodrigues foi exonerada do cargo de assessor administrativo da Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas da Bahia. Na mesma central, Leonardo Viana Rocha dos Santos deixou o cargo de assessor técnico.
Outra exoneração registrada foi a de Suzinei Cardoso Braga Cavalcanti, do cargo de assistente orçamentário, da Assessoria de Planejamento e Gestão. Já José Rotondano Sales Neto foi nomeado para o cargo de superintendente de Alternativas Penais.
Apesar das alterações em Eunápolis, nenhum membro da gestão estadual se pronunciou sobre o conteúdo e alegações expostas pela delação de Joneuma.
O Jornal Nacional divulgou as imagens da delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, em reportagem veiculada na noite desta segunda-feira (20). No trecho exibido pelo noticiário da TV Globo, ela contou sobre o pagamento de parte da propina do ex-deputado federal Uldurico Júnior em uma caixa de sapatos e sobre a esquematização para a fuga dos 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024.
De acordo com Joneuma, foi feita uma “vista grossa” dentro do presídio para que os detentos conseguissem furar a parede com auxílio de uma furadeira. Mas, além disso, a ex-diretora relatou que outros fatores colaboraram para o sucesso do plano, como as pessoas que tiraram as cópias das chaves, a demora da polícia e dos colaborades que estavam na unidade prisional.
Joneuma também explicou que o líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis, Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, elaborou um plano com “um apoio logístico muito bom”.
“Pelo fato de eu ter feito a vista grossa pelo barulho da furadeira. Todo o resto colaborou. Alguém tomou a cópia das chaves, a demora da polícia, as pessoas que estavam trabalhando naquele dia, tudo isso colaborou. Além dele [Dada] ter montado, que eu não fiz parte, um plano muito bem elaborado, com apoio logístico muito bom. Ele deve gastado muito dinheiro também, pra esse plano dar certo”, disse Joneuma em delação.
Veja o trecho:
VÍDEO: JN mostra imagens da delação da ex-diretora do presídio de Eunápolis e diz que "todo resto colaborou" para a fuga pic.twitter.com/SdszKEJvWK
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) April 21, 2026
Desde o sábado, o Bahia Notícias publicou cinco reportagens detalhando o depoimento de da ex-diretora do presídio de Eunápolis ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). Nas matérias, foi detalhado todo o plano de fuga, a citação ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, a relação entre Joneuma e Uldurico Júnior e o esquema para a entrega do dinheiro. Confira:
- Duas Rosas: Delação de ex-diretora do presídio de Eunápolis detalha relação com Uldurico Jr. e procura após eleições
- Duas Rosas: Geddel teria feito cobranças para receber R$ 1 milhão de Uldurico Jr. após eleições de 2024, diz depoimento
- Duas Rosas: Delação de Joneuma detalha visitas privilegiadas entre Uldurico e ‘Dada’ para fuga de detentos em Eunápolis
- Duas Rosas: Uldurico e familiares teriam recebido repasses de propina via pix e “caixa de sapato” pela fuga de detentos em presidío de Eunápolis
- Duas Rosas: Ex-diretora do presídio de Eunápolis e Uldurico conversaram sobre Seap “acobertar” fugas, diz depoimento
Nesta segunda, uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia (MP-BA), da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e das Polícias Civis da Bahia e do Rio de Janeiro foi deflagrada na comunidade do Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro, com o objetivo de prender lideranças de uma organização criminosa do sul da Bahia, entre elas o Dada, que estavam escondidas na região.
Segundo as autoridades, foi presa Núbia Santos Oliveira, apontada como uma das principais operadoras financeiras do Primeiro Comando de Eunápolis, que tem ligação com o Comando Vermelho.
Ela é esposa de Wallas Souza Soares, conhecido como ‘Patola’, um dos líderes da facção ao lado de Ednaldo Pereira dos Santos, chamado de ‘Dada’. Núbia possuía dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio e também é investigada por lavagem de dinheiro. Além dela, um homem foi preso em flagrante armado com um fuzil, e a arma e drogas foram apreendidas.
A troca de mensagens entre a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, e o ex-deputado federal Uldurico Júnior revela que, após a fuga dos 16 detentos da unidade, ambos passaram a adotar um discurso convergente de críticas à atuação da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), ao mesmo tempo em que tentavam reagir ao avanço das investigações.
O Bahia Notícias obteve acesso ao depoimento da ex-diretora e detalha as informações encontradas na delação ao longo de cinco reportagens em uma série chamada “Duas Rosas”, sendo esta, a segunda. Nesta quinta e última matéria, iremos detalhar as críticas de Joneuma e Uldurico à Seap, afirmando que a pasta costumava acorbertar as fugas, além de contar sobre um plano para transferir a culpa do plano de escape dos detentos para a cúpula da pasta.
O ABAFA
Em um diálogo registrado no dia 18 de dezembro de 2024, um dia após ser afastada do cargo por decisão judicial, Joneuma afirmou de forma direta: “Sim, mas quando a seap quer ela abafa”.
A mensagem foi enviada após Uldurico comentar que o caso já havia chegado ao conhecimento de lideranças políticas, mas ganhava repercussão. Nas mensagens consultadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), a resposta da ex-diretora sugere a percepção de que a secretaria teria, quando conveniente, minimizado ou contido a repercussão de episódios semelhantes.
Segundo os elementos reunidos pelo MP-BA, a percepção de que a Seap “abafava” situações críticas passou a ser incorporada como linha de defesa pelo grupo. Em construções narrativas alinhadas entre Joneuma e Uldurico, a ex-diretora chegou a listar fugas ocorridas, incluindo episódios com uso de armamento pesado em anos recentes, numa tentativa de relativizar a gravidade do caso investigado.
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As mensagens analisadas também descrevem Joneuma em estado emocional abalado. Em meio ao avanço das investigações, ela buscava apoio em Uldurico, relatando medo de prisão e sensação de abandono, especialmente após o afastamento do cargo. Em uma dessas conversas, ela chega a dizer que a nova direção que assimiu a penitenciária já estaria articulando contra sua administração.
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COVARDIA E COMBINADO
Enquanto Joneuma sustentava essa leitura, Uldurico Júnior adotava um tom mais direto nas interlocuções políticas. Em mensagens enviadas ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, no dia 21 de dezembro de 2024, ele criticou a condução da secretaria diante das oitivas realizadas com servidores. “Olha o que a seap está fazendo lá. Forçando gente a fazer depoimento contra mim e a primeira mulher diretora da história. Estão sendo covardes”, escreveu.

Uldurico tenta culpar Seap e argumenta que Joneuma seria perseguida
As conversas também mostram que havia preocupação constante com o conteúdo desses depoimentos. Joneuma monitorava quem estava sendo ouvido e chegou a identificar, em diálogo com seu advogado, ao menos duas testemunhas que poderiam incriminá-la, citando nominalmente um prestador de serviço.
Esse movimento foi descrito nos próprios diálogos como uma espécie de “caça a depoimentos”, em referência à tentativa de identificar e antecipar o que estaria sendo dito por funcionários do presídio às equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo de Atuação Especial de Execução Penal (Gaep).
O nível de tensão aumentou em relação ao coordenador operacional da unidade, Welington Oliveira. Joneuma demonstrava receio de que ele tivesse sido “mal instruído” em seu depoimento e que suas declarações pudessem embasar pedidos de prisão. Ao ser informada da possibilidade de uma ordem judicial contra o servidor, ela articulou uma forma de avisá-lo, temendo que ele comparecesse às oitivas e revelasse informações sob pressão.
Na mesma linha, Joneuma também buscou atribuir responsabilidade à cúpula da pasta. Ela afirmou ter encaminhado ofícios ao então superintendente de Gestão Prisional, Luciano Teixeira Viana, relatando falhas estruturais e riscos na unidade, mas que as demandas não teriam sido atendidas. A estratégia indicava uma tentativa de transferir a omissão para instâncias superiores da administração penitenciária.
TRANSFERÊNCIA
Uldurico e Joneuma chegaram a planejar a transferência da culpabilidade da fuga à Seap e sua cúpula. A ex-diretora resgatou as mensagens que teriam sido enviadas a Luciano Teixeira, pedindo as ações corretivas na unidade penitenciária. Uma espécie de “ofício retroativo”, com referência ao mês de julho de 2024, chegou a ser montado por Joneuma para servir como uma comprovação.
Persistindo no plano, no dia 21 de dezembro de 2024, Uldurico enviou mensagens a Geddel com o objetivo de atribuir a culpa a terceiros, mais especificamente, no então superintendente de Gestão Prisional da Seap, Luciano Teixeira. Em uma dessas mensagens, Uldurico afirma expressamente: "Parece que o Luciano está por trás da fuga dos presos de Eunápolis".
Uldurico também enviava a Geddel links de matérias jornalísticas encomendadas por ele no site “Gazeta da Bahia” e documentos oficiais de cobrança para sustentar a tese de que a culpa seria da Seap e de sua cúpula.
Todavia, a tentativa, no entanto, foi repreendida por Geddel. No dia 22 de dezembro de 2024, ele encaminhou um áudio enfurecido a Uldurico. Na gravação ele afirmou que as reclamações “estavam chatas” e que iria mostrar “as cagadas” feitas por Joneuma no presídio de Eunápolis.
A SÉRIE DUAS ROSAS:
O INÍCIO DE TUDO
A primeira reportagem mostrou que Joneuma conheceu Uldurico Júnior ainda quando atuava em Teixeira de Freitas e que a aproximação evoluiu para uma relação de confiança. Segundo a delação, ele já frequentava unidades prisionais e realizava reuniões a portas fechadas com detentos.
Com a nomeação dela para a direção do presídio de Eunápolis, em março de 2024, o MP-BA aponta que Uldurico passou a ter influência direta na unidade, utilizando a posição para viabilizar interesses ilícitos. Logo no início da gestão, foram autorizadas entradas de eletrodomésticos e concessão de benefícios a presos ligados ao PCE, em um contexto que também envolvia captação de votos de detentos e seus familiares mediante pagamento.
Ainda na primeira matéria, foi detalhado que, após a derrota eleitoral em 2024, Uldurico passou a pressionar Joneuma para obter recursos junto à facção. A negociação evoluiu para um acordo de R$ 2 milhões — as chamadas “duas rosas” — para viabilizar a fuga de lideranças criminosas. A execução ocorreu em 12 de dezembro de 2024, com uso de ferramentas dentro da unidade e apoio armado externo.
Após o episódio, Joneuma foi afastada, exonerada e posteriormente presa. As mensagens revelam ainda o nervosismo da ex-diretora, que relatava estar “no pior momento da vida” e temia a prisão, além de um encontro com Uldurico em Salvador, onde, segundo ela, houve ameaça para que não revelasse detalhes do esquema.
COBRANÇA DE GEDDEL?
Na segunda reportagem, a delação apontou o ex-ministro Geddel Vieira Lima como possível beneficiário de parte da propina, com indicação de que metade do valor ficaria com ele. Nas mensagens, Geddel aparece como “chefe” e atuava como interlocutor político, orientando cautela e, em alguns momentos, repreendendo Uldurico.
Também há registros de cobranças relacionadas ao pagamento da propina e preocupação do ex-deputado com a repercussão dentro do MDB, temendo retaliações caso não cumprisse compromissos financeiros.
DETALHAMENTO DA FUGA
A terceira matéria descreveu a organização da fuga ao longo de cerca de 40 dias. A negociação foi formalizada em novembro de 2024, após encontros presenciais e ligações mediadas por integrantes da facção. Presos foram concentrados em celas específicas e tiveram acesso a ferramentas como furadeiras.
A fuga contou com apoio externo de homens armados com fuzis, que atacaram a unidade enquanto os detentos escapavam. Há ainda relatos de regalias concedidas dentro do presídio, incluindo eventos atípicos, como a realização de um velório.
FAMILIARES DE ULDURICO
A quarta reportagem detalhou o pagamento de valores antecipados, incluindo cerca de R$ 170 mil repassados a Uldurico e pessoas próximas. O dinheiro foi entregue em espécie, armazenado em caixas de sapato, e também transferido via PIX.
Parte dos valores foi direcionada ao pai do ex-deputado, conforme registros de mensagens e dados de geolocalização. A delação aponta ainda novos pedidos de dinheiro e a atuação de Joneuma como intermediadora após o primeiro pagamento.
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, fez um acordo de delação premiada para dar detalhes sobre a fuga dos 16 detentos da unidade prisional, ocorrida em dezembro de 2024. O depoimento dela trouxe à tona sua relação com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época no MDB e atualmente filiado ao PSDB, e as negociações com o líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”.
O Bahia Notícias obteve acesso ao depoimento da ex-diretora e detalha as informações encontradas na delação ao longo de cinco reportagens em uma série chamada “Duas Rosas”, começando por esta.
Para formalizar a colaboração premiada, foram realizadas audiências virtuais nos dias 15 de dezembro de 2025 e 22 de janeiro de 2026 com a presença da colaboradora, da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) e representantes do Ministério Público (MP-BA). A formalização da delação ocorreu no dia 5 de fevereiro deste ano.
Para cumprir o acordo, Joneuma foi obrigada a detalhar espontaneamente todos os esquemas criminosos envolvendo Uldurico Júnior e Dada, indicando provas e identificando outros participantes.
O acordo para a delação prevê o cumprimento de uma pena privativa de liberdade total de seis anos, o que representa uma redução de dois terços em relação à pena máxima possível. No intervalo, ela cumpriria apenas um ano em regime fechado, enquanto os cinco anos restantes seriam entre o semiaberto e o aberto, sem uso de tornozeleira eletrônica.
O Ministério Público também se comprometeu, caso ela solicite, a incluí-la de forma imediata no Programa Federal de Proteção Especial ao Depoente, garantindo a segurança dela e de sua família.
O INÍCIO DE TUDO
Na delação ao MP-BA, Joneuma Silva Neres contou que conheceu Uldurico Júnior por meio da deputada estadual Claudia Oliveira (PSD). Segundo o depoimento, eles se encontraram pela primeira vez quando ela trabalhava em um cargo administrativo na unidade prisional de Teixeira de Freitas. A data não foi especificada, mas a reportagem apurou que ela é concursada e chegou ao cargo em 2016.
Conforme a delação premiada, Uldurico já frequentava a unidade para realizar reuniões a portas fechadas com os detentos, o que era tratado como algo "normal" pelos colaboradores. O ex-deputado federal seria acompanhado por David Loyola, secretário de Desenvolvimento Econômico de Teixeira de Freitas e irmão do secretário estadual de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola, além do vereador do município, Jonatas dos Santos (MDB).
O MP-BA indicou que, em 2024, quando Joneuma foi nomeada diretora em Eunápolis, Uldurico Júnior já possuía forte influência dentro da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP). Desde a época, a pasta era comandada por indicação do MDB, partido do ex-deputado federal no período.
O depoimento não detalhou quando a relação amorosa entre Joneuma e Uldurico teria se iniciado, mas a ex-diretora afirmou que enxergou sua nomeação à Diretoria do Conjunto Penal de Eunápolis como uma “promoção”. As investigações do MP-BA afirmam que Uldurico já planejava ter uma pessoa de sua confiança instalada na unidade penitenciária, visando viabilizar seus interesses e propósitos ilícitos.
A oficialização de Joneuma como diretora em Eunápolis ocorreu em posse no dia 14 de março de 2024, sendo a primeira mulher na chefia de um presídio masculino no estado.
VOTOS
Joneuma afirmou que, já no dia seguinte após tomar posse do cargo, Uldurico Júnior compareceu à unidade com uma comitiva e realizou reuniões a portas fechadas com líderes da facção PCE. Logo nessas primeiras semanas, Joneuma, atendendo a pedidos de Uldurico Jr., passou a autorizar a entrada de freezers, aparelhos de som e alimentação diferenciada para os detentos.
Inicialmente, conforme as investigações, as conversas entre Uldurico e Dada seriam uma troca para garantir eleitores “cativos” a Uldurico, por meio de um grupo composto por presos provisórios com direito a voto, seus amigos e familiares. Cada voto captado era recompensado com R$ 100,00, em dinheiro vivo, e era pago por intermediários da facção.
ACORDO, FUGA E ELEIÇÕES
Conforme a delação, o cenário mudou após Uldurico Júnior perder a disputa pela prefeitura de Teixeira de Freitas em outubro de 2024. Depois da derrota, o ex-deputado federal teria pressionado Joneuma para obter recursos com a facção PCE para pagar dívidas de campanha, o que culminou no acordo de R$ 2 milhões para facilitar a fuga dos presos.
A fuga foi concretizada e ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, envolvendo uma ação coordenada dentro e fora do Conjunto Penal de Eunápolis. Segundo as investigações, 16 detentos que estavam na cela 44 usaram uma furadeira para abrir um buraco no teto e acessar outra área da unidade.
Joneuma acabou sendo afastada do cargo em 17 de dezembro de 2024, por decisão da 1ª Vara de Eunápolis, exonerada no dia 7 de janeiro de 2025 e presa duas semanas depois.
NERVOSISMO
As investigações também tiveram acesso a diálogos entre Joneuma e Uldurico por meio de um aplicativo de mensagens. Com início após a concretização da fuga, as conversas demonstram como a então diretora do presídio de Eunápolis estava nervosa com a situação, com receio de afastamento e prisão.
O “estopim” ocorreu após a concretização de sua retirada do comando da penitenciária. Em mensagens encaminhadas a Uldurico, ela relata estar “no pior momento da vida” e “grávida e sozinha”. Vale destacar que Joneuma alega que o ex-deputado federal é pai da criança e atualmente há um processo para um possível reconhecimento da paternidade.
No dia 18 de dezembro de 2024, um dia após o afastamento, a ex-diretora procurou Uldurico para informar que o MP-BA já teria encaminhado dois pedidos de prisão contra ela e que o jornalista e radialista Edvaldo Alves, conhecido na região de Teixeira de Freitas, planejava “expor o caso”.
Na troca de texto, Uldurico pedia calma a Joneuma e chega a sugerir que ela fizesse uma viagem a Salvador para “esvair” a mente. Eles se encontraram no dia 23 de dezembro, no Hotel Mercure, localizado no Rio Vermelho. Segundo Joneuma, o ex-deputado federal a ameaçou, caso ela revelasse qualquer detalhe sobre a participação dele ou a negociação financeira com Dada.
Na ocasião, eles também teriam aproveitado o encontro para combinar que seguiriam a mesma linha de defesa perante o Ministério Público, fazendo versões idênticas para possíveis depoimentos.
TENTATIVA DE FUGA
Em janeiro de 2025, diante do iminente mandado de prisão preventiva, Joneuma articulou um encontro para evadir-se da justiça. As conversas foram com um contato salvo como "Geneçi Glizard".
O plano envolvia uma pessoa ("o menino") que a pegaria em um endereço específico para levá-la a um destino não identificado através de estradas de terra para evitar fiscalização. Há registros de fotos de uma parada para refeição durante esse deslocamento em 08 de janeiro de 2025. Não há detalhes do que ocorreu com o plano de fuga.
O homem acusado de liderar a fuga de 16 detentos no Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024, foi preso no Rio de Janeiro, neste domingo (18). O suspeito identificado como Tiago da Silva Rocha, o “Tiba”, é apontado como um dos líderes de uma organização criminosa com atuação em Eunápolis e municípios do Extremo Sul baiano.
Segundo a investigação das forças de segurança, ele seria o articulador da fuga dos detentos e, posteriormente, do atentado contra o diretor do presídio local, registrado em 2025. A prisão ocorreu durante ação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) na cidade de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro.
Informações da polícia também identificaram que "Tiba" exercia a função de gerente logístico da facção, sendo responsável por coordenar o envio de drogas, armas e outros materiais ilícitos para Eunápolis e região, além de organizar rotas, distribuição e pagamento de comparsas envolvidos no esquema criminoso.
O trabalho integrado entre as instituições possibilitou a identificação da estrutura operacional do grupo e a coleta de elementos que reforçam sua participação na fuga em massa de dezembro de 2024, quando diversos custodiados escaparam do presídio regional.
A ação foi deflagrada em trabalho integrado entre o Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul), da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, das Polícias Civil da Bahia e do Rio de Janeiro, além da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, logrando êxito na localização do alvo na cidade de Ilha Grande (RJ). (A reportagem foi atualizada às 17h27.)
Um homem acusado de participar do atentado contra o diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, em maio deste ano, foi preso em uma ação da Polícia Civil em Porto Seguro, na Costa do Descobrimento, nesta segunda-feira (4). Segundo as investigações, o suspeito também acusado de participar da fuga dos internos da unidade prisional, em dezembro de 2024.
O homem seria integrante de uma organização criminosa do Rio de Janeiro, com envolvimento em diversos homicídios na região de Eunápolis. Ele foi localizado no distrito de Pindorama, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Na ação, ele teria dado ordens a subordinados para atirarem contra policiais. O preso tinha cinco mandados em aberto, que estão sendo cumpridos.
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Ele também é acusado de envolvimento com o advogado preso durante a Operação Dupla Face, no dia 1º de julho, em Serrinha. Integrante da mesma organização criminosa, o advogado atuava como mensageiro de internos do conjunto prisional e no tráfico de drogas.
Outro acusado de homicídio também foi encontrado na mesma diligência. Os presos passarão por exames de lesões corporais e seguirão à disposição da Justiça.
A Força Penal Nacional (FPN) teve a atuação prorrogada por mais 30 dias no Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento. A continuidade das ações foi autorizada por meio de portaria assinada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
A vinda da FPN decorre das ações de resposta após uma emboscada que visava atingir o diretor do presídio Jorge Magno Alves Pinto, ocorrida na noite do dia 20 de maio. O diretor não estava no veículo. No entanto, o motorista do carro foi atingido e sobreviveu ao ataque feito por um grupo de 20 criminosos, ligados a uma facção.

Carro atingido durante emboscada / Foto: Reprodução / Radar News
O presídio também foi alvo de uma invasão em dezembro do ano passado em que 16 detentos conseguiram escapar. Quinze deles seguem ainda foragidos.
? Vídeo mostra ação que resultou em fuga de 16 detentos após invasão em presídio de Eunápolis
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) December 18, 2024
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Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a atuação da FPN tem como objetivo intensificar os treinamentos voltados à coordenação de ações de segurança externa e à execução de rotinas administrativas para prevenir eventuais crises na unidade prisional.
Ainda segundo a pasta, essa segunda fase da missão prioriza o aperfeiçoamento da coordenação externa e a padronização de rotinas operacionais voltadas à prevenção de distúrbios internos.
Coordenada pela Polícia Penal Federal e vinculada à Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Força Penal Nacional iniciou as atividades no presídio de Eunápolis no último dia 11 de junho. Os treinamentos são direcionados tanto aos policiais penais quanto aos integrantes do Grupamento Especializado em Operações Prisionais (Geop).
A Força Penal Nacional é composta por policiais penais federais e estaduais de diferentes unidades da federação: Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Ceará, Paraíba, Amapá, Roraima e Bahia.
Na Bahia, a atuação da FPN ocorre em parceria com a Superintendência de Gestão Prisional (SGP), órgão da Seap, conforme determina o convênio em vigor.
Dos 16 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento, 15 ainda seguem foragidos após 168 dias da invasão à carceragem, ocorrida na noite do dia 12 de dezembro passado. Entre eles consta Edinaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá, tido como líder de uma facção conhecida como Primeiro Comando de Eunápolis, ligada ao Comando Vermelho.
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Mais de um mês depois, um dos fugitivos morreu em confronto com policiais. Anailton Souza Santos, de 28 anos, conhecido como Nino, foi encontrado escondido em um imóvel no bairro Alecrim I, em Eunápolis, e foi a óbito após confronto com policiais da 23ª Coorpin.
No dia seguinte à invasão do presídio, as forças de segurança prenderam dois homens, nos bairros Pequi e Centauro, acusados de integrar o grupo que participou da libertação dos presos. Outros três envolvidos morreram em confronto, nos bairros Pequi e Stela Reis, dois dias depois da invasão.
Diante do caso, a Secretaria Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) afastou a diretora do presídio, Joneuma Neres; o diretor-adjunto, Elton Rocha; e o coordenador de segurança, Welington Oliveira Souza. A diretora e o coordenador de segurança acabaram sendo presos também em janeiro acusados de facilitar a fuga dos detentos.
Com o afastamento foi colocado na direção interina do presídio o policial penal Jorge Magno Alves Pinto. No último dia 20 de maio, um atentado, que pretendia atingir o diretor-interino, baleou um motorista do presídio. O funcionário foi levado em estado grave para uma unidade de saúde, passou por cirurgia e não corre mais risco de morte.
Devido ao novo fato, uma força-tarefa do estado passou a fazer diligências para capturar os suspeitos pelo atentado e no dia 21 de maio prendeu um dos executores do crime, identificado como José Rubens Alves de Assis Filho, conhecido como “Rubão”. A namorada, Letícia Rodrigues, também foi detida em um cerco em Itapebi.
Por conta do atentado, o presídio passou a ser gerido pelo Grupo Especializado em Operações Prisionais (Geop). Já nesta quarta-feira (28), o governo federal autorizou a cooperação da Força Penal Nacional no presídio pelo período de 30 dias.
O trabalho será em apoio logístico e na supervisão dos trabalhos administrativos do local. Até a última terça-feira (27), o Conjunto Penal de Eunápolis abrigava 601 presos, 144 a mais do que as 457 vagas do local, conforme informações da Seap. A Bahia ocupa a décima posição entre os estados com maior população carcerária.
São Paulo encabeça o ranking com 200,1 mil encarcerados, conforme dados de 2024 do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em seguida vem Minas Gerais, com 65,5 mil; Rio de Janeiro, com 47,3 mil; Paraná, com 41,6 mil e Rio Grande do Sul, com 35,7 mil.
Os estados com o menor número de presos são: Amapá, com 2,8 mil; Roraima, com 3,1 mil; Tocantins, com 3,7 mil; Alagoas, com 5,1 mil e Amazonas, com 5 mil.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou (MJSP) o emprego da Força Penal Nacional no Conjunto Penal do município de Eunápolis, no extremo sul da Bahia. A medida, com caráter episódico e planejado, tem duração prevista de trinta dias, e foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28).
A operação visa dar apoio na gestão prisional, treinamento e capacitação, conforme o que determina a portaria assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski. O apoio logístico e a supervisão dos órgãos de administração penitenciária e de segurança pública do ente federado solicitante ocorrerão nos termos do convênio de cooperação firmado entre as partes, durante a vigência da portaria.
O número de profissionais a serem disponibilizados será definido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em conjunto com os entes envolvidos na operação.
A portaria foi lançada após o episódio do atentado sofrido por um monitor de ressocialização vinculado à Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) do Conjunto.
O fato ocorreu no último dia 20, e tinha como alvo o diretor da unidade prisional, que não estava no veículo quando ocorreu o atentado. O monitor, que dirigia o veículo, foi atingido e precisou ser internado em uma unidade hospitalar.
Segundo a Seap, após o atentado, o presídio de Eunápolis passou a ser gerido, temporariamente, pelo Grupo Especializado em Operações Prisionais (Geop), visando o restabelecimento da ordem e segurança no presídio.
O diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, Jorge Magno Alves Pinto, assumiu a diretoria após a fuga de 16 presos do complexo penal de Eunápolis. Ele entrou no lugar de Joneuma Neres.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Territorial de Eunápolis, Joneuma teria facilitado a ação de criminosos que promoveram a invasão e a fuga no presídio. Além disso, foi identificada a ligação da ex-diretora com uma organização criminosa.
Uma operação conjunta foi deflagrada nesta sexta-feira (23) no Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento. Denominada de Arrosto, a operação é uma resposta ao atentado sofrido por um monitor de ressocialização vinculado à Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).
Além da revista geral, a ação avalia a necessidade transferência de internos, suspensão de visitas e realização de estudo para realocação definitiva de internos ligados a facções criminosas, sobretudo do grupo envolvido no ataque à direção do conjunto penal.

Foto: Divulgação / Seap
O fato ocorreu na última terça-feira (20) e tinha como alvo o diretor da unidade prisional, que não estava no veículo quando ocorreu o atentado. O monitor, que dirigia o veículo, foi atingido e segue internado em uma unidade hospitalar.

Foto: Divulgação / Seap
Segundo a Seap, após o atentado, o presídio de Eunápolis passou a ser gerido, temporariamente, pelo Grupo Especializado em Operações Prisionais (Geop), visando o restabelecimento da ordem e segurança no presídio.
Além da Seap participaram da operação a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e o Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Uma operação foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (21) para capturar os acusados de um ataque contra uma equipe que presta serviço no Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento.
Na noite desta terça-feira (20), o carro do diretor do presídio, o policial penal Jorge Magno Alves Pinto, foi alvo de uma emboscada por integrantes de uma facção criminosa. O motorista do veículo foi atingido. Ele foi socorrido em estado grave para uma unidade de saúde local. Não há mais informações sobre o estado de saúde do condutor.
Os acusados seriam cerca de 20 integrantes de uma facção criminosa. Encapuzados, eles cercaram o veículo e efetuam os disparos.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SDSP-BA), cerca de 100 policiais das Forças Estaduais e Federais participam da operação desta quarta. Após uma reunião entre a cúpula e demais gestores da Polícia Civil, da Polícia Militar e Polícia Penal, foram planejadas incursões em diversos pontos de Eunápolis e regiões circunvizinhas, com o apoio de equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Ficco Bahia.

Foto: Divulgação / SSP-BA
Policiais penais da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) realizam atividades de reforço na unidade prisional.
Participaram da reunião estratégica, o delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, o tenente coronel Elbert Vinhático, oficial do Comando de Operações da Polícia Militar, o delegado-geral adjunto de Operações, Jorge Figueiredo, o chefe de Gabinete da Polícia Civil, Ivo Tourinho, o diretor de Inteligência Policial (DIP), delegado Alexandre Narita, o diretor regional de Polícia do Interior (Dirpin-Sudoeste/Sul), delegado Roberto Júnior, o coordenador regional da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin / Eunápolis), delegado Moabe Macedo.
A Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) encaminhou recomendações ao Conjunto Penal de Eunápolis após uma visita técnica na unidade, como parte de um esforço para promover o cumprimento de normas de direitos humanos e reforçar boas práticas de gestão prisional. O objetivo, segundo o órgão, é aprimorar as condições de custódia e resguardar os direitos das pessoas privadas de liberdade.
No documento, a Defensoria aponta a necessidade de garantir acesso a direitos básicos, como a regularidade de água, refeições adequadas, banho de sol no tempo ideal, conforme normas e recomendações de direitos humanos, dentre outras melhorias internas.
Nas orientações apresentadas, também destacam-se medidas voltadas à garantia de integridade física, melhores condições de higiene e a necessidade de aprimorar o acesso a itens essenciais e de assegurar práticas que promovam o respeito e a dignidade nas visitas familiares.
“A recomendação busca assegurar o cumprimento dos direitos humanos”, comentou o defensor público que realizou a vistoria no presídio, Fábio Oliveira. De acordo com ele, o Conjunto Penal de Eunápolis está sob intervenção administrativa após a fuga de 16 presos, e é papel da Defensoria fiscalizar as providências tomadas pelos interventores para restabelecer a normalidade administrativa.
O documento com as recomendações também foi encaminhado a órgãos de monitoramento e às autoridades competentes para acompanhamento das medidas sugeridas. A DP-BA segue fazendo o acompanhamento das situações de urgência.
No final desta terça-feira (17) se completam cinco dias da invasão do presídio de Eunápolis, na Costa do Descobrimento. Os 16 detentos que foram soltos seguem foragidos. A ação criminosa tinha como objetivo tirar da cadeia o chefe de uma facção criminosa, identificado como Edinaldo Pereira Souza, o Dada.
Segundo o Radar News, parceiro do Bahia Noticias, nos últimos três anos, 36 presos conseguiram fugir da unidade prisional, sendo que a ação mais ousada foi a da última quinta-feira (12). Na ocasião, homens armados com fuzis invadiram o presídio e soltaram 16 internos. Durante o ataque, apenas três policiais militares e três agentes de disciplina, que não utilizam armamento de fogo, estavam no local.
Ao longo das ações de recaptura, três homens que participaram da invasão do presídio morreram em confronto com a polícia.
Em outra fuga, em 2016, um grupo armado resgatou o detento Francisco José da Costa Filho, integrante da extinta Quadrilha dos Paulistas. Os invasores utilizaram dois carros para entrar na unidade.
Em fevereiro de 2022, sete internos fugiram ao pular o alambrado que cerca o presídio. Entre os fugitivos estava Jackson Borges da Silva, o Mosquitão, que só foi recapturado em outubro, após troca de tiros com a polícia no distrito de Caraíva.
Ainda em 2022 [em dezembro] dois presos escaparam da prisão, entre eles estavam Uilian da Silva Guimarães, conhecido como Gordura, condenado pelo assassinato de um policial militar em 2015 e listado no Baralho do Crime como Dama de Ouro.
Inaugurado há 12 anos, o Conjunto Penal de Eunápolis é classificado como de segurança média e opera sob cogestão do governo da Bahia com a empresa privada Reviver, que recebe em torno de R$ 3 milhões mensais para a administração da unidade.
Apesar disso, a estrutura apresenta fragilidades, como a ausência de muralhas e o baixo efetivo policial, problemas frequentemente denunciados.
A Reviver ainda administra os presídios de Juazeiro, no Sertão do São Francisco; Valença, no Baixo Sul; e Serrinha, na região sisaleira.
Até o início da manhã desta segunda-feira (16) nenhum dos 16 fugitivos do Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento, foi recapturado. Os suspeitos fugiram na noite da última quinta-feira (12) quando um grupo invadiu a carceragem, trocou tiros com a segurança da unidade, invadiu duas celas e soltou os 16 presos.
Conforme o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, os invasores teriam ido ao local para libertar um homem identificado como Edinaldo Pereira Souza, denominado de Dada, tido como chefe de uma facção conhecida como Primeiro Comando de Eunápolis.
Na sexta-feira (13), um homem foi preso e outros três morreram em confronto com policiais. Os quatro faziam parte do grupo que invadiu o presídio.
Devido à fuga dos presos, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) determinou uma intervenção na unidade e afastou por 30 dias a diretora, o diretor-adjunto e o coordenador de segurança do local.
Além de Ednaldo Pereira Souza, o Dada, seguem foragidos: Sirlon Risério Dias Silva, Mateus de Amaral Oliveira, Geifson de Jesus Souza, Anderson de Oliveira Lima, Altieri Amaral de Araújo, Anailton Souza Santos, Fernandes Pereira Queiroz, Giliard da Silva Moura, Rubens Lourenço dos Santos, Valtinei dos Santos Lima, Romildo Pereira dos Santos, Thiago Almeida Ribeiro, Idário Silva Dias, Isaac Silva Ferreira e William Ferreira Miranda.
Após a fuga de 16 presos do Conjunto Penal de Eunápolis, no Extremo sul da Bahia. O comandante da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), Major Ulisses Moreira, conta como os presos confeccionaram cordas com lençóis e, durante uma troca de tiros com os policiais, conseguiram escapar por cima do muro.
Em entrevista ao Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias, o major e comodante do 7ª CIPM contou em detalhes como foi a fuga dos detentos. "A fuga foi orquestrada de dentro para fora", afirmou o Major.
"Os presos tiveram a ajuda de pessoas que estavam do lado de fora do presídio” Segundo ele, a unidade prisional não possui muros altos, apenas uma espécie de alambrado, o que facilitou a fuga.
Em meio as buscas, a polícia encontrou um fuzil e outros materiais utilizados pelos fugitivos, que já foram encaminhados para perícia. Em novas diligências, outro fuzil foi localizado. "Todos os presos que fugiram são considerados de alta periculosidade e utilizaram armas de fogo durante a fuga", alertou o comandante.
As polícias Rodoviária Estadual e Federal estão apoiando as buscas, que se concentram em identificar e capturar os foragidos. As atividades no Conjunto Penal seguem normalmente.
Um homem suspeito de participar da fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento, foi preso pela Polícia Civil. A fuga ocorreu no final da noite desta quinta-feira (12) após oito homens armados invadirem a carceragem. A intenção era soltar Edinaldo Pereira Souza, o Dada, chefe de uma facção local.
Segundo a Polícia Civil, o homem preso nesta sexta disse que receberia R$ 5 mil pela atuação no crime. Ao ser avistado pela polícia, o homem correu para casa de uma moradora e depois se rendeu.
Conforme o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, ele portava um fuzil 7.62, diversas munições do mesmo calibre, carregadores, uma granada, rádios de comunicação, colete à prova de balas, roupas camufladas, toucas ninja, drogas e uma balança de precisão. Um caderno com registros de tráfico e um Jeep Renegade, que pode ter sido usado na fuga, também foram recolhidos.
Equipes das polícias Civil e Militar estão em diligências para localizar e recapturar os presos foragidos. A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) divulgou os nomes dos foragidos: Edinaldo Pereira Souza [Dada], Sirlon Riserio Dias Silva, William Ferreira Miranda, Idario Silva Dias, Isaac Silva Ferreira, Thiago Almeida Ribeiro, Romildo Pereira dos Santos, Altiere Amaral de Araújo, Anailton Souza Santos, Fernandes Pereira Queiroz, Giliard da Silva Moura, Rubens Lourenço dos Santos, Valtinei dos Santos Lima, Anderson de Oliveira Lima, Geifson de Jesus Souza e Mateus de Amaral Oliveira.
Dois homens foram presos ao tentar ingressar com ilícitos no Conjunto Penal de Eunápolis (CPE), nesta quarta-feira (7). Os suspeitos eram funcionários de uma empresa terceirizada que prestava serviços para a unidade.
Há três dias, eles vinham sendo investigados, depois que o serviço de inteligência da Rondesp da PMBA sinalizou à Seap uma ação suspeita da dupla. A prisão aconteceu quando um dos suspeitos chegou à portaria do CPE dirigindo um carro de entregas.
Durante o procedimento de revista, um deles apresentou sinais de nervosismo. O homem então passou pelo BodyScan e detector de metais e os policiais penais fizeram uma revista minuciosa no veículo.
Embaixo do banco do motorista foram encontrados dois aparelhos celulares e uma faca. Em seguida, dentro de um saco de cimento que seria entregue na Unidade foram encontrados 13 celulares Redmi, dois celulares iPhone, 21 fontes, três chromecasts, três controles de Chromecast, 18 cabos, oito fones, um relógio e 12 capas. Ele receberia R$ 40.000,00, após a entrega concluída.
O outro funcionário que aguardava os ilícitos na Unidade também foi preso em flagrante, pela Polícia Penal.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flávio Bolsonaro
"Não tenho que justificar nada para ninguém".
Disse o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao comentar sobre a sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master. Em coletiva realizada em frente ao Quartel-General da Polícia Militar do Rio, onde acompanhou a entrega de armamentos e viaturas, o parlamentar afirmou que não precisava avisar a aliados sobre sua relação com Vorcaro.