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A revitalização do bairro do Comércio e da região do Centro Antigo de Salvador foi tema de um encontro realizado nesta segunda-feira (20), no auditório da Casa Pia de São Joaquim. O debate sobre a região acontece em um momento estratégico para a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e da Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos) de Salvador.
O encontro foi promovido pela Associação Comercial da Bahia, através da nossa Câmara de Urbanismo, em parceria com a Casa Pia Órfãos de São Joaquim, a Associação Náutica da Bahia, a Prefeitura de Salvador e a Câmara Municipal.
A iniciativa reuniu representantes do poder público e do setor produtivo para discutir o planejamento urbano da região, a revisão do PDDU e os impactos da Ponte Salvador-Itaparica, além de marcar o lançamento da Câmara de Turismo da ACB, criada para ampliar o diálogo e a construção de propostas para o turismo, a economia do mar, a mobilidade e a infraestrutura.
Considerando as possibilidades de revitalização do Centro Antigo da capital baiana, os bairros do Comércio, Centro Histórico, Barroquinha, Calçada e Península de Itapagipe devem ser privilegiados no processo de desenvolvimento urbano em Salvador.
Caminhando por uma das transversais da Avenida Joana Angélica, pouco além dos arredores do Colégio Central da Bahia, indo adiante pelo calçamento já desgastado do Centro de Salvador, um endereço que está se tornando um ponto de encontro para artistas e ações culturais pode ser visto e chama a atenção: o casarão que hoje sedia o projeto Mouraria 53.
Localizado exatamente no ambiente que o nome sugere, a iniciativa toca, de forma experimental, atividades como intervenções arquitetônicas e de práticas diversas de ocupação que, em breve, virarão tema de um livro.
"Eu diria que o intuito do Mouraria 53 é habitar essa casa, de forma experimental, coletiva, criativa. Acredito que, resumindo, é isso que a gente está fazendo desde o início. Dentro disso, propostas muito variadas têm coexistido neste espaço. São propostas culturais, ligadas à saúde, à moradia", conta o jornalista e fotógrafo Fernando Gomes, um dos integrantes do projeto.
Ali habitam e tiveram espaço propostas como shows, performances, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, segundo Fernando, por conta da pandemia, as ações que dependem da reunião de muitas pessoas tiveram que ser suspensas, mas o escritório de uma editora, uma moradia e a realização de clipes e ensaios fotográficos estão mantendo o casarão em constante movimento. A produção de uma série de lives e uma obra para a implantação de uma cozinha também estão em curso.
DAS RUÍNAS À LITERATURA
O local, que hoje é um território de fruição, nem sempre foi assim e apresentava um estado de arruinamento. Abandodado como diversos outros da área do Centro Antigo da capital baiana, o imóvel começou a receber as primeiras intervenções em 2017, quando foi cedido ao coletivo.
O livro vai contar essa história. Produto de uma parceria do Mouraria 53 com a Editora Gris, a proposta será financiada pelo Itaú Cultural após serem selecionados por um edital. "Foi um projeto que escrevemos juntos e fomos pensando juntos a partir de algumas reuniões, elaborando o que seria essa proposta", explica o jornalista.
A previsão é que ele comece a ser executado em abril deste ano. Até lá, reuniões virtuais devem definir detalhes sobre o conteúdo da obra, como a construção dos textos, imagens e edição.

Mutirão para realização de obras na casa | Foto Fernando Gomes
Fernando Gomes conta que pretendem convidar pessoas ligadas à casa e aos assuntos que são tratados no espaço, "para que seja uma coisa ainda mais coletiva". "Acredito que esse projeto começou a partir da ocupação da casa pelo coletivo, porque a história que vai ser contada no livro começa a partir das nossas atividades na casa e que, eu creio, justificaram nossa aprovação no edital", aposta.
REFLEXÃO SOBRE (E NO) CENTRO ANTIGO
O casarão foi alterado ao longo dos últimos três anos a partir da soma de várias pessoas. Uma estrutura que antes era voltada para a moradia de uma só família agora é um ponto de inflexão e reflexão na região mais antiga da cidade.
"Tem uma série de reflexões que o projeto Mouraria 53 leva, não só pelo que funcionou ou como funciona, como é possível você transformar casas que já foram unifamiliares em algum momento em espaços bastante diversos e isso não precisa vir de uma maneira que se torne comércio ou faça a fachada em uma vitrine", indica outro membro do coletivo, o arquiteto e urbanista Pedro Alban.

Workshop realizado na Mouraria 53 | Foto: Reprodução/Instagram
Para Alban, as intervenções e adaptações feitas no casarão da Rua da Mouraria mostram que é possível tornar mais funcionais as edificações históricas e responder a crises que rondam estes lugares e se relacionam com uma "falta de dinheiro" ou a "falta de vontade".
"O processo da Mouraria mostra, dentro de um projeto de arquitetura e de uma construção coletiva de artes e convivência, como você cria o desejo por alguma coisa. Esse modelo de trabalho é muito informativo para uma cidade que tem uma série de casarões abandonados por crises diversas", defende o profissional.
Essas inovações são notáveis e se expandem, na opinião de Pedro Alban, em outras propostas tanto na arquitetura quanto nas artes. Ele conta que membros que interagiram com a casa criaram projetos de outro tipo, a exemplo de uma empresa, formatada a partir da arquitetura experimental da casa, que reaproveita materiais de imóveis que estão em processo de demolição.
A requalificação dos arcos da Ladeira da Montanha, no Centro Histórico de Salvador, vai ser entregue pela prefeitura em outubro. Orçada em aproximadamente R$ 3,4 milhões, a obra faz parte de um conjunto de 35 iniciativas para a revitalização da região.
As intervenções incluem a melhoria da iluminação pública e inserção de luminárias cênicas voltadas para os arcos, pintura, recuperação da estrutura e a reforma da área interna dos arcos, com a construção de mezaninos para melhor aproveitamento.
As obras já melhoraram também as condições de habitabilidade e salubridade dos arcos para os ferreiros, serralheiros e marmoreiros que desenvolvem suas atividades há muitos anos ali.
Os arcos estão sendo requalificados pela RC Restaurações e Construções Eireli, vencedora da licitação, sob a supervisão da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra). "As obras nos arcos da Montanha e nas Muralhas do Frontispício serão concluídas em outubro e integram o conjunto de iniciativas de recuperação do Centro Histórico, junto com a requalificação da Av. Sete de Setembro, a nova Rua Miguel Calmon, o Elevador do Taboão, as praças Castro Alves, Cairu, Marechal Deodoro, dentre outras. Essas intervenções estão devolvendo ao cidadão e aos turistas cartões postais importantes na história da cidade", conta Luciano Sandes, titular da Seinfra.
A previsão de entrega e o resultado que já pode ser observado do visual têm deixado os artífices que ali trabalham animados e esperançosos. É o caso de Teomiro Rocha, de 33 anos, que começou a trabalhar como marmoeiro no local ainda criança, aos 9 anos de idade. “A obra tem evoluído de maneira impressionante, pois está ficando pronta praticamente em um ano. Graças a Deus está ficando ótimo. Fazia mais ou menos 35 anos que esses arcos não passavam por uma reforma, agora eu só tenho a agradecer”, conta. Segundo Teomiro, a profissão dele foi passada do avô para o pai, do pai para a mãe e da mãe para ele. Ele espera que, com a obra, o movimento no local aumente tanto por turistas como por soteropolitanos.
A Ladeira da Montanha é sustentada pelos arcos, que foram erguidos como pilares de apoio e hoje funcionam como galeria para os artífices. Esse conjunto composto por 17 arcos, com acesso pela Ladeira da Conceição da Praia, foi edificado no final do século XIX. Alguns dos serralheiros e ferreiros que lá trabalham, como José Adário, ficaram conhecidos por produzir peças para museus brasileiros e artistas de vários países.
Uma série de produções audiovisuais será exibida a partir desta quinta-feira (16) na mostra virtual 'Se amostra, Centro Antigo'. Os filmes selecionados contam outras histórias sobre o Centro Histórico e o Centro Antigo de Salvador, com olhares de diversos diretores a partir de narrativas de quem mora, trabalha e vive nesse território.
"Nos filmes, realizados em diferentes períodos, são expostos conflitos e projetos de expulsão, mas também inúmeras formas de resistências na luta por permanência das comunidades de maioria negra", explicou o movimento de Articulação do Centro Antigo, organizador da mostra.
A mostra vai até o dia 19 de julho, com as obras sendo disponibilizadas nas redes sociais (Facebook e Instagram) do movimento.
SERVIÇO
O QUÊ: Mostra audiovisual "Se amostra, Centro Antigo"
QUANDO: De 16 a 19 de julho
ONDE: Redes sociais do movimento "Articulação do Centro Antigo"
Assim como no habitual cortejo do 2 de Julho, os movimentos sociais vão realizar, nesta quinta-feira, um ato virtual na data que celebra a Independência da Bahia. A manifestação, tem o objetivo de reivindicar o cumprimento de direitos de comunidades negras do Centro Antigo de Salvador que, segundo a organização do protesto, "têm enfrentado ameaças de expulsão nos últimos anos".
"Em 2020, mesmo com isolamento social por conta pandemia do Covid-19, não iríamos deixar esta data passar! Ocupando as redes digitais, o Ato-Cortejo Virtual vem anunciar que a potência das ruas continua pulsando, que seguimos juntxs travando os enfrentamentos cotidianos e que continuamos vivxs!", anunciou o movimento Articulação do Centro Antigo, que reúne grupos e comunidades do Centro Antigo, nas redes sociais.
Transmitido no Facebook e no Youtube do movimento, o ato vai contar com intervenções artísticas e performances poéticas.
Foram encontrados no Terreiro de Jesus objetos históricos durante uma escavação arqueológica que foi iniciada na semana passada.
Os profissionais que estavam no local encontraram cachimbos, louça portuguesa do século XIX, cerâmica vidrada, ostras do mar, metal e fragmentos de vidro. Dois pontos de sondagem foram escavados até agora e outros dois poços ainda serão estudados.
As ações fazem parte de um projeto que contempla uma série de ações de requalificação do Centro Antigo do programa Salvador 360, orçado em R$ 200 milhões. O projeto da reforma foi concebido pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), e tem orçamento previsto de R$ 1,4 milhão.
Durante essa fase de escavações, os técnicos verificam se existem aspectos que necessitem ser removidos ou preservados, de acordo com as recomendações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo é resgatar e preservar a história da praça que oficialmente tem o nome de XV de Novembro, mas ficou conhecida como Terreiro de Jesus.
Segundo o arqueólogo Railson Coitias, que coordena o trabalho, o material que for encontrado no local será higienizado, identificado, enumerado e analisado em laboratório para subsidiar estudos históricos. “Os primeiros indícios é que tudo isso remeta ao século XIX”, disse. “Vamos continuar com o monitoramento, acompanhando a execução da obra para garantir que toda a história seja preservada”, contou.
Após a fase de escavações serem finalizada, as intervenções no Terreiro de Jesus serão executadas. O prazo para conclusão da obra é de quatro meses. Entre as melhorias estão obras de pavimentação, recuperação dos canteiros, arborização e recuperação da fonte.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flora Gil
"Foi um descanso pra ela".
Disse a empresária Flora Gil, madrasta de Preta Gil, ao comentar sobre sobre a artista nesta segunda-feira (20), data em que marca 1 ano da morte da cantora em decorrência de complicações do câncer.