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A composição da chapa majoritária do grupo governista na Bahia segue sem definição e com ruídos internos. Um integrante da base aliada afirmou, em reserva, que o anúncio do ex-deputado federal Ronaldo Carletto (Avante) como primeiro suplente de Rui Costa (PT) foi feito sem consulta prévia aos demais aliados. O mesmo interlocutor apontou, inclusive, que a primeira suplência do senador Jaques Wagner (PT) também não está definida e que a chapa completa só deve ser fechada perto das convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto.
O nome de Carletto foi confirmado na última quinta-feira (28) durante evento em Ilhéus com prefeitos das regiões Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia. O anúncio, feito sem alinhamento prévio com os demais grupos políticos da base governista, teria sido uma surpresa aos aliados.
Do lado de Wagner, a disputa pela primeira suplência envolve ao menos três nomes. A bancada do PSD na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) divulgou nota pública nesta terça-feira (2) em apoio ao ex-prefeito de Salvador Edvaldo Brito, destacando sua trajetória política e acadêmica. O ex-prefeito de Belo Campo, Quinho Tigre (PSD), também chegou a externalizar articulação para a vaga.
Já o PCdoB, que integra a Federação Brasil da Esperança ao lado do PV e do PT, formalizou a indicação da vereadora Aladilce Souza para compor a chapa majoritária.
O Bahia Notícias havia divulgado na última quarta-feira (27) que o nome da deputada federal Lídice da Mata (PSB), presidente estadual do partido, já teria sido definido para a suplência de Wagner, após ela aceitar convite feito pelo próprio senador.
"A suplência de Wagner só não será de Lídice se ela renunciar ao aceite. Porque aceitar, já aceitou", revelou, em reserva, um aliado próximo ao senador petista.
Mesmo com esse aceite divulgado, a fonte ouvida agora pelo Bahia Notícias contradiz a informação e reforça que nada está fechado, e que o ritmo das negociações indica que a definição só virá perto do prazo das convenções.
A novela da chapa já acumulou outros capítulos. A manutenção de Geraldo Jr. (MDB) na vice-governadoria foi anunciada após desgaste interno, assim como a formação da dobradinha Jaques Wagner e Rui Costa no Senado, decisão que deixou o senador Angelo Coronel (Republicanos) fora da composição.
PRESSÃO SOBRE LÍDICE
A deputada federal Lídice da Mata enfrenta um dos cenários mais delicados de sua trajetória política na disputa de 2026. Ao aceitar a suplência de Wagner, ela abriria mão da reeleição à Câmara Federal num momento em que o PSB filiou nomes de peso para a corrida federal, criando concorrência direta dentro do próprio partido.
Na reta final da janela partidária, o PSB incorporou Mário Negromonte Jr., Vitor Bonfim e Elisângela, todos com potencial eleitoral consolidado. Os números de 2022 ajudam a entender o tamanho do problema: Negromonte Jr. somou 147.711 votos, superando Lídice, que obteve 112.385. Vitor Bonfim, então candidato a deputado estadual, teve 68.043 votos, e Elisângela alcançou 73.138. Com a migração desses nomes para a disputa federal, a tendência é de pulverização dos votos dentro do próprio partido.
O convite de Wagner a Lídice teria dupla motivação. A primeira seria a gratidão do senador petista à deputada: em 2018, ela foi preterida na chapa majoritária pelo nome de Angelo Coronel, que depois migrou para a oposição. A segunda razão teria relação com Salvador. Pesquisas internas da base governista apontam que Lídice teria vantagem entre os postulantes à Câmara Federal quando considerados os votos da capital, de acordo com fontes ligadas ao governo. Em 2022, dos 112.385 votos obtidos pela deputada, 51.105 vieram de Salvador.
A saída de Lídice da disputa proporcional, portanto, representaria uma conta extra para viabilizar a eleição dos recém-chegados Mario Jr. e Vitor Bonfim pelo PSB.
O pré-candidato ao Senado Federal e ex-governador Rui Costa confirmou, na tarde desta quinta-feira (28), a indicação do ex-deputado federal Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante, como seu primeiro suplente na pré-candidatura ao Senado. O anúncio oficial ocorreu em Ilhéus, durante um encontro com prefeitos das regiões Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia.
Confira o momento do anúncio:
O evento, realizado em apoio ao grupo político governista, foi promovido pela Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc). A atividade contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT), do senador Jaques Wagner e de aproximadamente 40 prefeitos da região.
Também compareceram ao encontro deputados estaduais e federais, além de ex-prefeitos e vice-prefeitos das três regiões representadas. Rui Costa já aparece nas pesquisas eleitorais como um nome forte para as eleições deste ano, com a troca de 54 das suas 81 cadeiras, o que corresponde a dois terços (2/3) do total da Casa.
O secretário de Governo de Salvador, Cacá Leão, demonstrou otimismo com a nova fase do Partido Progressistas na Bahia. A cúpula da legenda se reúne na manhã desta sexta-feira (26) em cerimônia de posse do deputado federal Mário Negromonte Júnior como presidente da sigla. Os deputados Neto Carletto, sobrinho de Ronaldo Carletto (Avante), Claudio Cajado e Cacá, irão assumir a vice-presidência do PP.
Ao Bahia Notícias, o secretário lamentou a saída de Ronaldo Carletto do partido, mas disse não guardar mágoas do ex-correligionário, que agora é presidente estadual do Avante.
“A gente tentou ao longo do tempo que nenhuma ferida ficasse exposta. Infelizmente no caminho perdemos nosso querido amigo e meu suplente ao Senado, o ex-deputado federal Ronaldo Carlertto, mas o progressistas continua tocando sua vida nas cidades onde se faz presente. É óbvio que quando sai uma peça nós procuramos recompor com outras para fortalecer o projeto”, afirmou.
Cacá também projeto que, apesar da reformulação, o PP virá forte nas eleições municipais do ano de 2024. “Estamos presentes nos 417 municípios da Bahia e nosso objetivo é lançar candidaturas em todos esses municípios. O novo presidente vai ter um trabalho árduo, mas vai poder contar com todos como a gente sempre fez”, pontuou.
O clima continua turbulento nos bastidores do PP na Bahia. A definição do nome do deputado federal Mário Negromonte Jr. para comandar a sigla no Estado não agradou todos os quadros do Progressistas. Um dos insatisfeitos com a movimentação é o deputado estadual Nelson Leal. Ao Bahia Notícias, o parlamentar afirmou que não foi comunicado de forma oficial sobre a nova liderança do PP e revelou um suposto não cumprimento de acordo por parte de Negromonte, ainda durante o período eleitoral do ano passado.
"Eu não fui comunicado ainda de quem vai ser o presidente. Eu acho que é importante, nós temos quatro deputados federais. Eu acho os quatro precisam estar alinhados. Qualquer solução que os quatro estejam satisfeitos e e unidos para fortalecer o partido e eu estou junto. Agora, obviamente que se você pegar um partido que está bastante fracionado, você entrar num processo de mais desgaste ainda é realmente muito difícil e eu não tenho nada contra o deputado Mário Júnior. A única coisa que eu tenho é que as dobradinhas que eu iria fazer com ele nos municípios de Chorrochó e Glória, em Chorrochó o primo dele, que a mãe dele era a prefeita, ele me tirou faltando dois meses para as eleições", disse na manhã desta quarta-feira (10).
"Ontem eu inclusive pedi a meu querido amigo pra entrar em contato com o deputado Cajado e o deputado Neto Carletto, ninguém ainda me passou nada oficial. Eu só espero que essa decisão venha contemplar os quatro deputados federais, não adianta ficar dois satisfeitos, dois insatisfeitos, tem que ter pelo menos três num projeto para a gente fortalecer cada vez mais o partido", acrescentou.
Questionado sobre a saída do ex-deputado Ronaldo Carletto do PP, que está de malas prontas para comandar o Avante baiano, Leal desconversou se pretende seguir os passos do ex-correligionário e afirma que espera uma decisão que possa "fortalecer o partido".
"Ronaldo resolveu fazer um novo projeto, gosto muito de Ronaldo. Inclusive, estarei lá no evento que ele me convidou, vou lá dar um abraço nele. Ele tem um novo projeto hoje. Eu não sei, eu estou no PP. Eu quero ver como é que o PP vai se resolver. Espero que o PP possa tomar uma decisão que venha aglutinar todo mundo e fortalecer pra gente continuar sendo esse partido extremamente representativo com quase 100 prefeitos, quatro deputados federais, seis estaduais e que tem uma musculatura muito grande", finalizou.
O favoritismo do ex-deputado Ronaldo Carletto (PP) na disputa pela presidência do partido na Bahia parece ter sido perdido (veja mais). De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias, nos bastidores do partido, o movimento de Carletto em iniciar um diálogo com o governo do estado não foi bem visto por alguns deputados.
O eventual favoritismo do ex-deputado teria sido abalado após os deputados estaduais e os deputados federais Cláudio Cajado e Mário Negromonte Jr. - nomes que disputam a vaga com Carletto - não aprovarem e terem se "assustado" com a antecipação do diálogo com Jerônimo Rodrigues (PT). A ação teria sido vista de uma forma "individualista", segundo análise de lideranças do partido.
Apesar do movimento ter sido entendido como "indevido" por alguns parlamentares, existe a possibilidade de um recuo. O entendimento de integrantes da sigla é que a disputa ainda está aberta, mesmo com o desgaste já causado, que alçou Mário Jr. ao posto de favorito no embate.
Integrantes da legenda sinalizaram que seria possível reverter o ato, já que a ideia de boa parte do partido é de que as eleições ocorram "por um consenso". Mesmo com a possibilidade de um "bate chapa" entre Mário Jr. e Carletto, os grupos políticos ainda insistem em pacificar as eleições, que devem ocorrer nos primeiros dias do mês de maio.
ADESÃO CERTEIRA
Com o avançar dos debates pela presidência, o indicativo que tendia para o ex-deputado federal Ronaldo Carletto assumir o posto que atualmente pertence ao ex vice-governador João Leão, existia o desenho de sacramentar uma adesão quase completa ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT).
No caso da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a bancada de deputados estaduais do Progressistas decidiu aderir à base governista e hoje ajuda na sustentação da gestão Jerônimo na Casa. Depois do retorno, o PP indicou nomes para duas diretorias do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), pleito atendido pelo governador (leia mais aqui).
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.