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axe e espiritualidade negra
Explorando a temática “Axé e Espiritualidade Negra”, a terceira temporada do Papo Preto conheceu a sede da Irmandade da Boa Morte, uma das principais organizações sociopolíticas protagonizadas por mulheres negras na Bahia. O segundo episódio, divulgado nesta quinta-feira (20), dia em que se celebra o feriado da Consciência Negra, celebra o sincretismo religioso e as tradições afro-brasileiras por meio da história de mais de 200 anos de resistência da irmandade em Cachoeira, no Recôncavo Baiano.
O projeto, apresentado pelas jornalistas Eduarda Pinto e Ana Clara Pires e produzido ao lado de Alana Dias, já está disponível no YouTube do Bahia Notícias.
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Fundada em 1820, a Irmandade da Boa Morte é uma confraria religiosa exclusivamente feminina, composta por mulheres negras descendentes de africanas escravizadas. Seu principal objetivo era angariar fundos para a compra de cartas de alforria e garantir enterros dignos para suas integrantes. Além disso, a irmandade desempenhou um papel crucial na proteção de escravizados fugitivos e na preservação da cultura afro-brasileira.
A devoção a Nossa Senhora da Boa Morte, que dá nome à irmandade, é uma manifestação de fé católica misturada com elementos das religiões de matriz africana. Em Cachoeira, a irmandade é uma entidade consolidada, que participa ativamente das atividades socioculturais do município. As irmãs possuem uma sede bem no centro da cidade, onde mantêm um museu e uma capela, utilizada para eventos e reuniões religiosas.
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Sede da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira. À esquerda, a fachada da capela, e à direita, a fachada do museu, em um prédio anexo. Fotos: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
A organização ainda mistura símbolos e diretrizes católicas com a fé e indumentárias das religiões de matriz africana, promovendo um modelo de sincretismo pessoal e marcante. Tudo isso fica mais latente entre os dias 13 e 17 de agosto, em que as irmãs da Boa Morte protagonizam uma das principais festas de Cachoeira, a Festa da Boa Morte, que é considerada Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010.
No evento, a Irmandade da Boa Morte é responsável por liderar, ao lado da paróquia católica, as procissões, missas e rituais do evento, que celebra a devoção a Nossa Senhora da Boa Morte e a libertação de pessoas escravizadas no Recôncavo.
A terceira temporada do Papo Preto estreou nesta quinta-feira (13) com a temática “Axé e Espiritualidade Negra". O projeto, escrito e apresentado pelas jornalistas Eduarda Pinto e Ana Clara Pires, foi produzido ao lado de Alana Dias e explora os encantos das religiões de matriz africana e o sincretismo religioso na Bahia, provocado pela influência e resistência dos povos africanos escravizados.
O primeiro episódio, que já está disponível no YouTube, viaja até a segunda capital da Bahia, a cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para desvendar os segredos do terreiro Zògbódó Bògún Màlé Sejáhùndé, a Roça do Ventura.
Fundado por volta de 1850, a Roça do Ventura atravessou quase dois séculos de preservação da cultura “jeje-mahi” na Bahia. O termo “jeje” é uma nomenclatura para designar os africanos escravizados trazidos da região da Costa da Mina, na África Ocidental, onde se encontrava o antigo do Reino do Daomé, e hoje estão os países de Togo, República do Benim e sudoeste da Nigéria.
A palavra tem origem iorubá e significa “forasteiro”, devido às divergências entre grupos étnicos na África. Os escravizados da região foram enviados, especialmente, para a região do Nordeste, onde, entre diferenças étnicas, eram conhecidos como falantes das línguas “gbe”.
No que diz respeito às tradições religiosas, os terreiros de tradição jeje cultuam os Voduns, espíritos e divindades, que, comumente, representam forças da natureza ou ancestrais divinizados. O Bahia Notícias conheceu a casa religiosa, que se encontra em meio a uma reserva natural, que foi tombada juntamente com o terreiro em 04 de dezembro de 2014 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A solicitação para o tombamento da casa de candomblé matricial de tradição Jeje-Mahi foi feita pela presidenta da Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogun Seja Unde, Alaíde Augusta da Conceição, a veneranda vodunce Alaíde de Oyá, em dezembro de 2008. Com estudos e avaliações técnicas, o Iphan reconheceu a importância da Roça do Ventura na rede de terreiros do Recôncavo Baiano e sobretudo para a formação do candomblé como uma instituição religiosa.
O reconhecimento nacional marca o início das ações legais de proteção à casa de candomblé, que são ainda necessárias em função do risco provocado pela especulação imobiliária na região de Cachoeira.
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"Cara de viado".
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