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A juíza federal Rita Lin, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, decidiu nessa quinta-feira (27) que o governo Donald Trump agiu de forma ilegal ao classificar a Anthropic como um “risco à segurança” e impedir a startup de inteligência artificial de trabalhar com órgãos federais.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, o entendimento da juíza foi de que a retaliação do governo contra a Anthropic "por atividades de expressão protegidas pela Constituição" foi ilegal. "A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo", escreveu ela em uma decisão de 59 páginas.
A decisão encerra a primeira de duas ações judiciais apresentadas pela Anthropic em 9 de março, em resposta à medida do governo Trump. A segunda ação, ajuizada no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia, continua em andamento. O governo Trump poderá recorrer da decisão de Lin ou aguardar uma decisão na segunda ação antes de tomar providências
O caso teve início em março, quando o Pentágono classificou a startup de IA como um risco à segurança nacional e impediu o uso de seus modelos pelos órgãos governamentais. Os dois lados entraram em confronto no início do ano por causa de um contrato de US$ 200 milhões para fornecer ao Pentágono tecnologia de IA destinada a sistemas sigilosos.
A Anthropic insistiu que sua tecnologia não fosse usada na vigilância em massa de norte-americanos nem em armas letais autônomas. O Pentágono afirmou que uma empresa privada não poderia definir políticas para o governo dos Estados Unidos.
As partes não conseguiram chegar a um acordo e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou então que a Anthropic representava um "risco à cadeia de suprimentos", uma classificação formal que antes havia sido usada contra empresas estrangeiras consideradas pelo governo uma ameaça à segurança nacional.
A classificação significava que nenhum prestador de serviços ou fornecedor que trabalhasse com as Forças Armadas poderia fazer negócios com a Anthropic.
Nas ações judiciais, a Anthropic argumentou que as disposições legais para classificá-la como risco à cadeia de suprimentos tinham alcance restrito e não se aplicavam a empresas norte-americanas. A companhia também afirmou que a classificação tinha motivação ideológica e visava puni-la, além de violar seus direitos garantidos pela Primeira Emenda.
Em sua decisão final nesta quinta-feira, Lin afirmou que o governo Trump havia recuado de muitas de suas principais alegações de que a Anthropic poderia sabotar a própria tecnologia. Ela escreveu que a decisão do governo de impedir a empresa de atuar no setor federal se resumiu ao "desejo de fazer da Anthropic um exemplo público por sua ‘arrogância’ ao criticar o governo".
Ela acrescentou que as negociações em andamento entre o governo Trump e a Anthropic sobre seu novo modelo de IA, Mythos, demonstravam que a empresa não era uma ameaça nacional.
Em junho, o governo Trump ordenou que a Anthropic restringisse o acesso de seus clientes ao Mythos, citando preocupações de segurança nacional. Após duas semanas de negociações, o governo permitiu que a Anthropic restabelecesse o acesso para a maioria dos clientes depois de acrescentar algumas salvaguardas.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Paulo Henrique Rodrigues
"O Brasil demorou para fazer políticas para entender que essa grande qualidade artística do nosso povo, um povo criativo, preparado intelectualmente e artisticamente, culturalmente muito rico, poderia significar renda, emprego, geração de uma indústria cultural ou criativa".
Disse o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira ao ressaltar o impacto da economia criativa e a necessidade de estruturar o setor no país. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o ministro fez um balanço sobre a relação entre cultura e negócios, reconhecendo que o Brasil tardou a transformar seu potencial em força econômica.