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almir garnier santos
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, na segunda-feira (9), ao interrogatório dos réus da Ação Penal (AP) 2668, que apura a tentativa de golpe de Estado ocorrida entre 2022 e 2023 e dá continuidade nesta terça-feira (10).
O ex-comandante da Marinha brigadeiro Almir Garnier Santos, um dos interrogados desta manhã, afirmou em depoimento à Primeira Turma do STF, que participou de uma reunião no Palácio da Alvorada. A reunião discutia medidas de "garantia da lei e da ordem" e ocorreu no dia 7 de dezembro de 2022, que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o então presidente Jair Bolsonaro discutiu uma minuta de decreto golpista com os comandantes do Exército e da Marinha, além do ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
Segundo Garnier, o principal tema do encontro foi a preocupação do presidente e que era compartilhada pelos militares com as manifestações que se espalhavam pelo país, especialmente diante de quartéis do Exército. "Havia vários assuntos, o principal era a preocupação que o presidente tinha, que também era nossa, das inúmeras pessoas que estavam, digamos assim, insatisfeitas e se posicionavam no Brasil todo, em frente aos quartéis do Exército", afirmou Garnier.
De acordo com o ex-comandante, houve uma apresentação de tópicos para avaliar medidas de segurança pública, incluindo a possível decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Mas, segundo ele, nenhuma decisão foi tomada naquele dia, afirmando ainda que a discussão foi uma análise preliminar.
"Houve uma apresentação de alguns tópicos de considerações que poderiam levar a talvez, não foi decidido isso naquele dia, à decretação de uma GLO ou necessidades adicionais, principalmente visando a segurança pública", disse.
Questionado sobre a existência de uma minuta ou documento que falasse das propostas, o ex-comandante negou ter tido acesso a qualquer material, explicando que as informações foram exibidas em um telão durante a reunião.
"Eu não vi minuta, ministro. Eu vi uma apresentação na tela do computador. Havia um telão onde algumas informações eram apresentadas. Quando o senhor fala minuta, eu penso em papel, em um documento que lhe é entregue. Não recebi."
Garnier também enfatizou que o ex-presidente não abriu espaço para deliberações durante o encontro, expondo as preocupações dele, sem indicar uma intenção clara de implementar alguma ação específica. "Senhor ministro, como lhe disse, não houve deliberações, o presidente não abriu a palavra para nós. Ele fez as considerações dele, expressou o que pareciam, para mim, mais preocupações e análises de possibilidades do que propriamente uma ideia ou intenção de conduzir alguma coisa em alguma direção", disse Garnier.
O almirante também negou que tenha colocado as tropas que comandava "à disposição de Bolsonaro" para uma ruptura democrática. "Eu nunca disponibilizei tropas para ações dessa natureza", afirmou também o militar.
Perguntado se tinha conhecimento de alguma ordem para que as pessoas que estavam protestando nos quartéis fossem para o Palácio no dia 8 de janeiro, o almirante negou saber de qualquer informação sobre o caso.
O vice-almirante da Marinha, Almir Garnier Santos, indiciado pela Polícia Federal por estar envolvido no plano de golpe de Estado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), coleciona honrarias na Bahia. O vice-Almirante, inclusive, já recebeu os mais altos reconhecimentos da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e da Câmara Municipal de Salvador (CMS). Almir foi um 37 indiciados pela PF por tramar o assassinato de Lula, além de planejar um golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022.
Por ordem cronológica, primeiro Garnier recebeu premiações na Câmara de Salvador. No ano de 2017, o vice-almirante recebeu o título de cidadania soteropolitana, proposto pelo vereador Joceval Rodrigues(Cidadania). No mesmo ano, ele também foi homenageado ao receber a mais alta honraria da CMS, a Medalha Thomé de Souza, após preposição de Henrique Carballal, atual presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).
Na AL-BA, Garnier recebeu a mais alta honraria da Casa, a Comenda Dois de Julho, com a entrega sendo realizada em 2019, após projeto do então deputado estadual Marcelo Nilo (Republicanos). Na justificativa, o ex-parlamentar exalta a trajetória do vice-almirante e cita as condecorações recebidas por ele na Câmara de Salvador.
Proposto por Angelo Almeida (PSB), atualmente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), o vice-almirante também recebeu o título de Cidadão baiano em sessão realizada em 2018. A informação acerca da cidadania baiana foi dada primeiramente pela AratuOn.
Por fim, Garnier também foi condecorado com a Medalha de Mérito Policial-Militar do Estado da Bahia, que é entregue pela PM, e com a Medalha Devocional do Senhor Bom Jesus do Bonfim.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jaques Wagner
"Eu acho que nós temos muito a trocar. Essa é uma civilização milenar, que tem muito a ensinar com o salto que eles deram aqui em 40 anos. Você pega uma cidade como essa, que há 50 anos era uma aldeia de pescadores com 20 mil habitantes. Hoje tem 17 milhões de habitantes. Você anda por aqui e não vê um papel no chão, não vê uma sujeira, um teatro espetacular, um prédio todo novo. Parabéns pra eles por terem conseguido. E muita gente do Brasil, que tem preconceito, devia dar um pulo aqui. Porque eu vejo as pessoas falando: 'ah, mas eles são comunistas'. Eu não sei o que quer dizer isso. Mas se comunismo é isso aqui, é um sucesso".
Disse o senador Jaques Wagner ironizou, nesta terça-feira (5), ao comentar as críticas que são feitas à China e o preconceito pelo país se declarar comunista. O senador está em Shenzhen, no Sul chinês, e acompanhou a última apresentação da turnê do Neojiba - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, projeto que ajudou a fundar.