‘Ingestão de medicamentos é campeã em casos de envenenamento’, informa diretor do Ciave
Por Juliana Almirante
Foto: Bahia Notícias
Medicamentos de uso controlado, como tranquilizantes e indicados para tratamento de doenças mentais, são os agentes tóxicos mais frequentes nos atendimentos realizados pelo Centro de Informação Antiveneno (Ciave), de acordo com o diretor Daniel Rebouças. “Um grande percentual das intoxicação são acidentes, em crianças de até 5 anos, e tentativas de suicídio, principalmente entre mulheres e jovens”, explica ao Bahia Notícias o responsável pela instituição, que é o único centro no estado prestador de orientação especializada para toxicologia. Nos casos particulares de tentativa de morte, a unidade oferece o Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), que atende tanto a pessoas que já provocaram envenenamento quanto quem tem potencial para causar o dano. “Nós fazemos acompanhamento através do tratamento de terapia, mas temos uma capacidade limitada. São sete profissionais entre psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais”, informou Rebouças. De acordo com o diretor, além da intoxicação com medicamentos, as tentativas de suicídio mais frequentes são feitas com produtos de limpeza e veneno para baratas.

Já nos casos de contato acidental com o tóxico, o que predomina é a falta de informação sobre como prevenir e lidar com o envenenamento. “O que predomina é o desconhecimento do que é certo ou errado para prevenir e tratar a intoxicação. Como as famílias que deixam produtos ao alcance de crianças, a utilização de produtos tóxicos às vezes proibidos em ambientes domésticos, como venenos para ratos, que não deveriam estar em casa; e a automedicação”, contou. A ausência de informação também é constante entre os profissionais de saúde. “Não há matérias de toxicologia no currículo dos cursos de saúde, exceto biologia e farmácia. Formam-se profissionais sem informação sobre isso e vão para o mercado de trabalho sem conhecimento. Então, muitas vezes adotam-se medidas erradas”, criticou. Para as reações de pessoas em contato com tóxico de animais, o Ciave regula o banco antiveneno, com sete tipos de soros contra picadas de serpentes, escorpiões e aranhas, que devem ser aplicados sob recomendação médica e sob observação. “Funciona em hospitais de mais de 300 municípios do estado. O que acontece nos outros 117 municípios? Às vezes, o hospital é muito pequeno e que não tem suporte para oferecer ao paciente que tenha reação ao soro”, avaliou.
