'Medicina é igual em todo lugar, só muda o endereço', afirma médico cubano
O médico cubano Alejandro Santiago Benitez Marin, há 13 anos no Brasil, afirma não ter sentido dificuldades para clinicar no país. Ele que atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Bom Jesus (SC) acredita que os colegas, que chegam por meio do convênio do Mais Médicos, não terão dificuldades de adaptação, nem para receitar medicamentos ou fazer diagnósticos em outra língua. “Em dois meses, eu já entendia perfeitamente tudo. As diferenças são culturais, mas eu gosto do Brasil e fiquei aqui por isso. Fazer medicina é igual em todo o lugar, só muda o endereço”, afirmou. O médico, que atua como professor em Blumenau e mora em Chapecó com a mulher e quatro filhos pequenos, diz que há médicos cubanos “fazendo um excelente trabalho no norte e nordeste”. Ele também criticou a posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) brasileiro por supostas referências aos profissionais de Cuba. “O Conselho Federal de Medicina tem nos ofendido sem necessidade desde o início, chamando-nos de curandeiros, feiticeiros. [...] Tem médico ruim e bom tanto no Brasil quanto em Cuba. Não temos culpa do que está acontecendo no Brasil e que os médicos de fora têm que vir”, disse. O epidemiologista se posicionou também contra a forma de pagamento dos colegas cubanos. Pelo acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (Opas) para contratar quatro mil médicos cubanos, o governo brasileiro pagará à Opas o valor equivalente à remuneração dos demais profissionais de outras nações (R$ 10 mil) e a organização repassará o dinheiro a Cuba. O Brasil não sabe quanto dos R$ 10 mil ficará com os médicos e quanto irá para o governo cubano. Informações do G1.