Ex-ministro defende reestruturação da medicina e ataca política de financiamento do SUS
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Uma reestruturação da carreira de medicina em nível federal no país. É o que defende o ex-ministro do governo Lula e atual diretor-executivo do Isags, braço de saúde da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), José Gomes Temporão. Entretanto, ele acredita que sem a ampliação dos recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS), as mudanças não vão causar impacto no atual quadro da saúde brasileira. “Defendo a criação de uma carreira federal para médicos e outros profissionais assim como a aprovação de uma lei que estabeleça o serviço civil obrigatório para os mesmos [... ]; e a estruturação de redes assistenciais integradas com porta de entrada definida, atenção básica resolutiva, acesso aos medicamentos essenciais e garantia de referência para exames diagnósticos, especialistas e hospitais, são pré-requisitos para uma assistência de qualidade”, disse em entrevista à revista Carta Capital. Temporão, ainda criticou a forma de o governo tratar o financiamento da saúde pública. “Existe um robusto consenso entre especialistas de que o principal problema do SUS na atualidade é a insuficiência de recursos financeiros. Vive-se uma contradição. Em 2011, o volume total de subsídios ao mercado privado por meio de várias isenções e renúncia fiscal foi de 16 bilhões de reais, volume de recursos que deveria estar sendo direcionado ao setor público. Sem uma adequada solução para essa questão (reivindicamos que a União destine 10% das receitas brutas para a saúde), toda e qualquer iniciativa terá impacto limitado no enfrentamento da crise da saúde”, comentou.
