Programa Mais Médicos é ‘arbitrário’, critica presidente do Cremeb
Por Juliana Almirante
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O médico José Abelardo Garcia de Menezes, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), acusou, em entrevista ao Bahia Notícias no Ar da Rede Tudo FM 102,5 nesta quarta-feira (10), o Programa Mais Médicos, anunciado pelo governo federal, de ser injusto com a categoria. A medida aumenta em dois anos a formação profissional, usados para trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), além de auxiliar a importação de estrangeiros para contratação em municípios do interior. “A medida é arbitrária, porque não há diálogo com as entidades representativas. As portas foram fechadas por parte do governo e as universidades também não foram ouvidas. Não está atingindo só médicos, mas também já está se falando ‘serviço social’ obrigatório também para dentistas”, afirmou, em conversa com o jornalista Samuel Celestino. De acordo com Menezes, a abertura de vagas para médicos no interior, apesar da prioridade para brasileiros, é uma medida que não tem cabimento, porque não é estruturante. “Vai levando médico para o interior como se fosse mercadoria, somos gente e precisamos ser respeitados como tal”, defendeu. O presidente do Cremeb acredita que os médicos continuarão sem condições de atuar, mesmo com o salário prometido, e voltarão para os grandes centros urbanos. Para ele, a solução está na federalização do financiamento do SUS. "É preciso ter carreira de Estado, com Plano de Cargos, Carreiras e Salários criado pelo SUS, para os médicos irem para o interior. A lei estadual que foi aprovada melhora a situação, mas precisa ser levado ao governo federal”, avaliou. Segundo Menezes, os conselhos regionais e federal de Medicina pretendem lutar legalmente e recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra o programa, lançado por meio de Medida Provisória.
