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Urologista explica por que exame de PSA não deve ser usado isoladamente na avaliação da próstata

Por Redação

Urologista explica por que exame de PSA não deve ser usado isoladamente na avaliação da próstata
Foto: Bahia Notícias

O médico urologista Lucas Batista explicou que o exame de dosagem do antígeno prostático específico (PSA), realizado por meio de um exame de sangue para avaliar a próstata, não deve ser considerado um indicador definitivo para o diagnóstico de câncer. Segundo o especialista, o teste não apresenta valor preditivo positivo suficiente quando utilizado isoladamente e ganha maior eficácia quando associado ao exame de toque retal.

 

O médico destacou que níveis de PSA abaixo de 1 ng/mL são considerados ótimos. Embora valores de até 3 ng/mL possam ser considerados normais, a avaliação não deve se limitar ao resultado absoluto. Também é necessário observar a velocidade de elevação do indicador ao longo do tempo, além dos fatores de risco apresentados pelo paciente.

 

“O PSA, por incrível que pareça, a gente fala tanto do PSA, vamos colocar um pouco mais de lenha na fogueira. O PSA ele também não é um bom exame. Ele também não tem um valor preditivo positivo. Por isso que muitas vezes quando você junta o toque com o PSA ele dá uma melhorada”, disse ao podcast Saúde 360.

 

“O PSA quando é menor do que 1, é ótimo, a gente não precisa se preocupar com esse paciente. O problema é quando ele passa desse 1. Que ainda é normal — até 3, como eu falei aqui, ele é considerado normal. Mas a gente tem que montar um quebra-cabeça para ver: o fator de risco que esse paciente tem de ter câncer de próstata; como é a curva de elevação do PSA; qual é a velocidade desse PSA”, afirmou.

 

Professor de Urologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lucas Batista exemplificou que um paciente com PSA de 2,5 ng/mL pode exigir mais atenção do que outro com resultado de 3,5 ng/mL, caso apresente elevação rápida do indicador e fatores de risco, como histórico familiar da doença — especialmente em pai ou irmão — e seja negro.

 

“Por exemplo, se um paciente tem um PSA há 6 anos que está a beirar entre 3,5 e 4, está bem, vamos dizer assim, e não tem grupo de risco de cancro de próstata, beleza. Mas se um paciente tinha um PSA zerado e aí em 1 ano esse PSA foi para 2,5 — ou seja, mais baixo —, ele tem um pai que teve câncer de próstata, ele é de etnia negra, o irmão dele teve câncer de próstata, eu vou me preocupar muito com esse paciente”, observou.

 

De acordo com o especialista, a investigação exige a análise conjunta de diferentes informações, incluindo a relação entre PSA livre e PSA total. A partir desse conjunto de dados, cabe ao médico avaliar a necessidade de exames complementares, como o toque retal, a ressonância magnética ou a biópsia.

 

“Então não é o valor que vai definir muito essa sua preocupação. Só que é difícil o paciente ter este discernimento e montar este quebra-cabeça. Ainda tem a relação do PSA livre sobre o total”, comentou.

 

“É uma sopa de informações que o médico tem que prestar atenção nestes fatores, porque ali ele vai fazer um toque ou não vai, vai pedir uma ressonância ou não vai, vai pedir uma biópsia ou não vai”, concluiu.