Nordeste tem maior percentual de alto risco genético para esclerose múltipla e perda auditiva, aponta levantamento
Por Redação
Um levantamento da Genera, laboratório de genômica pessoal da Dasa, identificou que o Nordeste apresenta os maiores percentuais de pessoas classificadas em alto risco genético para esclerose múltipla e perda auditiva entre as cinco regiões brasileiras. Em ambas as condições, o índice registrado foi de 23%, segundo análise que reuniu dados de 650 mil testes realizados ao longo dos 16 anos da marca.
O estudo analisou 55 marcadores genéticos e identificou diferenças regionais na proporção de pessoas classificadas em faixas elevadas de predisposição genética para diferentes condições de saúde. Além dos resultados relacionados à esclerose múltipla e à perda auditiva, o Nordeste aparece com 22% de pessoas classificadas em alto risco genético para glaucoma e 22% para câncer de próstata.
Na avaliação para enxaqueca, o percentual de pessoas classificadas em alto risco genético na região foi de 17%, mesmo índice registrado no Centro-Oeste. No Sudeste, o número chegou a 18%, enquanto o Sul apresentou o maior percentual, com 19%.
Os dados, no entanto, não significam que o Nordeste tenha necessariamente mais pessoas diagnosticadas com essas doenças. O levantamento mede a predisposição genética estimada a partir dos testes analisados, e não a incidência ou a prevalência das condições na população de cada região.
A distinção é importante porque o desenvolvimento de doenças depende de uma combinação de fatores. Além da genética, aspectos ambientais, comportamentais, clínicos e sociais podem influenciar os riscos individuais e coletivos.
Outro resultado identificado pela pesquisa envolve o câncer de próstata. Embora a região Norte tenha apresentado o maior percentual de pessoas classificadas em alto risco genético, com 24%, o Nordeste aparece na segunda posição, com 22%. Na sequência estão o Centro-Oeste e o Sul, ambos com 21%, e o Sudeste, com 20%.
De acordo com Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em Genética e fundador da Genera, as diferenças identificadas precisam ser interpretadas com cautela. A composição genética das populações pode variar entre regiões, mas a localização geográfica, isoladamente, não explica o risco de uma pessoa desenvolver determinada doença.
No caso do câncer de próstata, também é necessário considerar fatores como histórico familiar, acesso aos serviços de saúde, realização de exames, investigação de sintomas e diagnóstico precoce. O resultado do levantamento não permite concluir que a doença seja mais frequente no Nordeste apenas com base no percentual de predisposição genética.
Os resultados reforçam a importância de investigar a diversidade genética da população brasileira e compreender como diferentes predisposições podem se relacionar com outros fatores de risco. A análise também identificou percentuais elevados para outras condições em diferentes regiões do país. O Norte apresentou os maiores índices de predisposição genética para glaucoma, com 26%, e câncer de próstata, com 24%. O Sul registrou os maiores percentuais para melanoma, com 21%, e enxaqueca, com 19%. Já o Sudeste apresentou o maior índice para câncer de mama, com 21%.
No caso do glaucoma, o Nordeste registrou 22% de pessoas classificadas em alto risco genético, mesmo percentual observado no Sul e no Sudeste. A doença merece atenção porque pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais e provocar perda permanente da visão.
O levantamento também apontou que o Nordeste apresentou os maiores percentuais de predisposição genética para esclerose múltipla e perda auditiva, ambos de 23%. Apesar disso, os resultados não permitem afirmar que essas condições sejam mais comuns na região, uma vez que o estudo não foi desenvolvido para medir a ocorrência das doenças entre a população nordestina. Os escores utilizados pela Genera são desenvolvidos a partir de evidências disponíveis na literatura científica e combinam informações de diferentes variantes genéticas associadas a determinadas condições de saúde.
A metodologia busca estimar a predisposição genética de uma pessoa, mas não representa um diagnóstico nem determina, isoladamente, se ela desenvolverá uma doença ao longo da vida. O levantamento também não contempla doenças monogênicas, que estão associadas a alterações em um único gene ou a padrões hereditários mais específicos. Essas condições exigem uma abordagem diferente daquela utilizada nos escores de risco analisados.
Os resultados, portanto, devem ser considerados dentro de um contexto mais amplo, que inclui histórico familiar, características individuais, hábitos de vida e outros fatores relacionados à saúde. Embora os dados indiquem diferenças na distribuição de predisposições genéticas entre as regiões brasileiras, a pesquisa não estabelece uma relação direta entre os percentuais encontrados e as condições de saúde da população do Nordeste.
A análise aponta caminhos para novas investigações sobre a diversidade genética brasileira e suas possíveis relações com diferentes doenças.
