Elas em Cena: Psicóloga Marta Luzbel defende escuta e acolhimento no tratamento de pessoas com depressão
Por Redação
A psicóloga Marta Luzbel destacou a importância da empatia e do acolhimento em situações de depressão e sofrimento mental. Em entrevista ao podcast Elas em Cena, a especialista afirmou que a doença não deve ser interpretada como falta de fé, fraqueza ou preguiça e ressaltou a importância de oferecer respeito, escuta e tratamento adequado às pessoas afetadas.
Segundo Marta, comentários como “é bobagem” e “levanta daí” podem aumentar o sentimento de culpa e incapacidade de quem enfrenta um quadro de sofrimento mental.
“Não invalide, não diminua, não menospreze. A gente busca fazer hoje, de uma maneira muito regular, um letramento com a família de como se dirigir a uma pessoa que está em sofrimento mental. Porque, quando as pessoas falam assim: ‘É bobagem’, ‘levanta daí’, ‘você consegue’, ou ‘é preguiçoso’, ‘está reclamando de quê? Você tem tudo na vida’. Tudo isso só joga a pessoa mais para baixo. Ela começa a sentir, além de tudo que está sentindo, culpa e incapacidade”, observou.
A profissional recomendou ainda “trocar a afirmação pela pergunta”, priorizando a escuta sem julgamentos. Segundo ela, quando alguém não sabe o que dizer diante do sofrimento de outra pessoa, oferecer presença e disponibilidade pode ser mais importante do que dar conselhos.
“Então, se alguém não sabe o que dizer, melhor ficar calado. Digo muito assim: troque a afirmação pela pergunta. Se você não entende, pergunte: ‘Vem cá, me explica isso que você está sentindo? Talvez eu não consiga entender porque nunca senti, mas me conte’. ‘Estou aqui para te ouvir. Se não quiser falar, eu posso ficar aqui do seu lado só para você saber que não está só’”, explicou Marta.
A psicóloga também destacou que a fé e a rede de apoio familiar não anulam o sofrimento de uma pessoa com depressão, mas podem atuar como fatores de proteção e contribuir para o processo de recuperação.
“A pessoa pode estar superdeprimida e ter fé. Inclusive, as pessoas que têm um vínculo religioso ou uma fé não religiosa, acreditam no universo, em energia maior, essas pessoas que têm fé, elas, graças a Deus, têm um menor índice de atentado contra a vida. As pessoas que têm suporte familiar têm um menor índice de atentado contra a vida”, afirmou.
