Saúde mental do homem: Vida em Equilíbrio discute por que é tão difícil para alguns homens dizer “eu não estou bem”?
Por Redação
Falar sobre saúde mental masculina ainda é um desafio. Para muitos homens, reconhecer o próprio sofrimento, expressar emoções e, principalmente, pedir ajuda continua sendo difícil. Durante gerações, comportamentos como suportar a dor em silêncio, demonstrar força e esconder vulnerabilidades estiveram associados à ideia do que significa “ser homem”.
No mês dedicado à valorização da vida e à prevenção do suicídio, ampliar essa conversa se torna ainda mais necessário. Os homens representam a maioria das mortes por suicídio no Brasil, uma realidade que reforça a importância de discutir saúde emocional, prevenção e busca por ajuda também a partir das particularidades do universo masculino.
É com esse olhar que o Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha, recebe Luiz Hosannah — psicólogo, psicoterapeuta, consultor de saúde mental nas organizações, professor, escritor, mitólogo, mestre em História e palestrante — para uma conversa sobre a saúde mental do homem contemporâneo.
Por que é tão difícil para alguns homens dizer “eu não estou bem”? Será que a dificuldade de reconhecer e nomear as próprias emoções pode fazer com que muitos só procurem ajuda quando o sofrimento já se intensificou?
A partir dessas questões, Andrea e Luiz ampliam o debate para as transformações vividas pelos homens nas últimas décadas. Antigos modelos de masculinidade, baseados na figura do homem forte, provedor, autossuficiente e emocionalmente contido, convivem hoje com uma sociedade que exige novas formas de se relacionar, comunicar e expressar sentimentos.
Surge, então, uma das principais provocações do episódio: o homem está em crise ou está em transformação?
MASCULINIDADE E RELACIONAMENTOS
A conversa também aborda as mudanças nas relações entre homens e mulheres. Com a ampliação da autonomia feminina e a transformação dos papéis dentro da família, do trabalho e dos relacionamentos, antigos padrões de poder e controle passaram a ser cada vez mais questionados.
Como o homem que aprendeu que precisava ter controle lida com rejeição, separação e com a autonomia da mulher? Alguns homens encontram mais dificuldade para se adaptar a essas novas configurações?
O episódio também traz para o debate a violência contra a mulher, refletindo sobre comportamentos relacionados a controle, posse, ciúme e dificuldade de aceitar limites e o fim de uma relação. A discussão parte de uma distinção fundamental: sofrimento emocional não justifica violência. Compreender os fatores psicológicos, sociais e culturais envolvidos é diferente de retirar a responsabilidade por comportamentos abusivos ou violentos.
Outro ponto importante é a construção da identidade masculina nas novas gerações. Em uma sociedade marcada pelas redes sociais e por diferentes discursos sobre masculinidade, quem está ensinando os meninos de hoje sobre o que significa ser homem?
Mais do que apresentar respostas prontas, o episódio propõe uma reflexão sobre a possibilidade de uma masculinidade na qual força e vulnerabilidade possam coexistir — e na qual reconhecer sentimentos, cuidar da saúde emocional e pedir ajuda não sejam vistos como sinais de fraqueza.
Cuidar da saúde mental também é uma forma de valorizar a vida. E ninguém precisa chegar ao limite para começar a cuidar de si.
Um episódio para os homens e também para as mulheres que desejam compreender melhor o universo emocional masculino, reconhecer sinais de sofrimento e saber como acolher.
Episódio disponível no canal do Bahia Notícias no YouTube e também no Spotify.
