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Pacientes denunciam atrasos da SulAmérica e temem interrupção de tratamento no Hospital da Obesidade

Por Lucas Vieira

Pacientes denunciam atrasos da SulAmérica e temem interrupção de tratamento no Hospital da Obesidade
Foto: Reprodução / Google Street View e Instagram @sulamerica

Pacientes do Hospital da Obesidade, em Camaçari, relatam que atrasos em pagamentos da SulAmérica estão colocando em risco a continuidade de tratamentos médicos. Em dois casos acompanhados pelo Bahia Notícias, Demétrio Reis Barreto Neto e Normaci Analia Pinto de Vasconcelos afirmam que, apesar de manterem os planos em dia e terem decisões judiciais favoráveis, enfrentam dificuldades para garantir a assistência.

 

Demétrio realiza tratamento no hospital desde 2016. Após uma internação inicial, conseguiu na Justiça uma liminar que determinou a continuidade da manutenção, realizada mensalmente e por prazo vitalício. Segundo ele, durante quase uma década não houve problemas com a cobertura. A situação mudou em julho, quando o hospital informou que a manutenção havia sido suspensa por falta de repasses da SulAmérica.

 

Uma notificação financeira emitida pela unidade em 28 de julho aponta três notas fiscais vencidas, com atrasos de 56, 34 e quatro dias. Segundo ele, o problema passou a afetar também consultas e atividades que fazem parte do acompanhamento multidisciplinar.  “A manutenção é vitalícia, então eu ganho a Justiça nisso. De 2016 até hoje, nunca tive problema nenhum com a SulAmérica. [...] Minhas consultas mensais com o psicólogo estão suspensas, com o psiquiatra, com o endocrinologista, com a fisioterapia”, afirmou.

 

O paciente afirma que outros pacientes relataram situação semelhante e ele chegou a passar mais de uma hora tentando contato com a operadora e abriu um chamado, mas não recebeu resposta até o momento da entrevista. Segundo ele, colegas que também fazem manutenção no hospital informaram que tiveram os atendimentos suspensos pelo mesmo motivo.

 

Demétrio perdeu 100 quilos durante o acompanhamento e teve reversão de comorbidades associadas à obesidade mórbida, incluindo apneia severa do sono e esteatose hepática. Também houve estabilização da pressão arterial. A própria comunicação do Hospital da Obesidade deixa registrado que a pendência está relacionada à SulAmérica. “Foi identificada pendência financeira junto à SulAmérica, referente à cobertura assistencial do seu tratamento nesta instituição”, informa o documento assinado pelo gerente administrativo e financeiro André Bastos.

 


Arquivo pessoal

 

O segundo caso envolve Normaci Analia Pinto de Vasconcelos, beneficiária da SulAmérica há cerca de 30 anos. Segundo a advogada Celeste Costa Alves dos Anjos, a paciente paga aproximadamente R$ 3.700 mensais pelo plano e enfrenta uma disputa judicial desde 2022 para obter o tratamento contra a obesidade.

 

Uma liminar concedida em março de 2026 determinou que a operadora custeasse a internação. Normaci deu entrada no Hospital da Obesidade em 2 de abril, com cerca de 125 quilos e diversas comorbidades, entre elas cardiopatia, problemas renais, depressão e síndrome do pânico, segundo a defesa. Mesmo após a autorização da internação, a advogada afirma que a SulAmérica não quitou as despesas referentes ao tratamento.

 

Em 28 de julho, o hospital teria comunicado à paciente que havia quatro faturas em aberto e que a continuidade da assistência poderia ser comprometida. Para ela, a situação é especialmente grave porque a paciente corre o risco de perder um tratamento que foi assegurado por decisão judicial. 

 

O caso ganhou ainda outro capítulo em junho. Após uma piora no quadro cardíaco, Normaci precisou ser transferida para uma unidade especializada. Médicos indicaram a implantação urgente de um marca-passo, diante do risco de morte súbita. A SulAmérica teria autorizado o procedimento, mas, segundo a advogada, não liberou inicialmente os materiais necessários para a cirurgia.

 

Diante da demora, a defesa recorreu à Justiça e conseguiu uma nova liminar, em 23 de junho, determinando o custeio dos materiais em 48 horas. O valor informado foi de aproximadamente R$ 35 mil. Segundo Celeste, a determinação judicial só foi cumprida cerca de 12 dias depois. “Foram diversas tentativas extrajudiciais de contato, e-mails, mensagens para o jurídico da empresa, tudo sem resposta. A vida da nossa cliente estava por um fio”, declarou.

 

A advogada também criticou a postura adotada pela operadora diante das ordens judiciais. “É lamentável que a SulAmérica esteja com essa postura a respeito da lei, das normas que regem a proteção do consumidor”, afirmou. 

 


Arquivo pessoal
 

Procurada pelo BN para esclarecer os atrasos, os pagamentos pendentes ao Hospital da Obesidade, o cumprimento das decisões judiciais e as reclamações apresentadas pelos pacientes, a equipe jurídica da SulAmérica não respondeu até o fechamento desta reportagem.