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Cientistas produzem embrião sintético que pode mudar tratamentos de infertilidade

Por Redação

Cientistas produzem embrião sintético que pode mudar tratamentos de infertilidade
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Após uma década de pesquisas, cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram um embrião sintético de camundongo capaz de formar órgãos sem a necessidade de esperma ou óvulo. O resultado do estudo foi publicado no último dia 1º na revista Nature.

 

De acordo com a CNN Brasil, os pesquisadores utilizaram apenas células-tronco para produzir o embrião. Manipuladas, estas formações podem se tornar células maduras com funções especiais.

 

“Nosso modelo de embrião de camundongo não apenas desenvolve um cérebro, mas também um coração pulsante, todos os componentes que compõem o corpo”, disse a principal autora do estudo, Magdalena Zernicka-Goetz, professora de desenvolvimento de mamíferos e biologia de células-tronco da instituição britânica.

 

Para a cientista, o êxito é um marco: “É simplesmente inacreditável que tenhamos chegado tão longe. Este tem sido o sonho de nossa comunidade por anos e um foco principal de nosso trabalho por uma década, e finalmente conseguimos”.

 

Essa experiência de Cabridge, documentada no artigo, aponta para um avanço empolgante. Segundo Marianne Bronner, a publicação aborda um desafio que os cientistas enfrentam ao estudar embriões de mamíferos no útero. Ela é professora de biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena (Caltech) e não esteve envolvida no estudo. 

 

"Eles se desenvolvem fora da mãe e, portanto, podem ser facilmente visualizados através de estágios críticos de desenvolvimento que antes eram difíceis de acessar", acrescentou Marianne.

 

O próximo passo dos cientistas agora é passar de embriões de camundongos para a criação de modelos de gestações humanas naturais, uma vez que muitas destas falham nos estágios iniciais.

 

Esse salto não deverá acontecer de uma hora para outra, afirmou Marianne, pois considerações éticas e legais devem ser abordadas, além de estudos mais aprofundados no desenvolvimento de órgãos, por exemplo. A perspectiva é de que as melhorias se tornem realidade em algumas décadas. 

 

Por enquanto, os pesquisadores conseguiram rastrear apenas cerca de oito dias de desenvolvimento nos embriões sintéticos de camundongos, mas o processo está melhorando e eles já estão aprendendo muito, disse o autor do estudo Gianluca Amadei, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Cambridge.

 

“O processo revela os requisitos fundamentais que devem ser cumpridos para fazer a estrutura correta do embrião com seus órgãos”, disse Magdalena.

 

Mas os pesquisadores veem usos importantes para o futuro. O processo pode ser usado imediatamente para testar novos medicamentos e, a longo prazo, pode ajudar na construção de órgãos sintéticos para pessoas que precisam de transplantes.