Molécula encontrada em saliva do carrapato pode tratar distúrbios da coagulação
Uma molécula identificada por pesquisadores do Instituto Butantan nas glândulas salivares do Hyalomma dromedarii, carrapato de camelos do Deserto do Saara, demonstrou uma atividade anticoagulante significativa em testes iniciais realizados em laboratório. As informações são do Butantan.
De acordo com o Instituto, a descoberta pode abrir caminho na busca de novos fármacos para distúrbios da coagulação sanguínea, que podem estar presentes em doenças cardiovasculares e no câncer.
Denominada Dromaserpina, a molécula é capaz de inibir o principal fator da coagulação, a trombina, proteína essencial para a formação dos coágulos sanguíneos, além de interferir na agregação das plaquetas, células da corrente sanguínea.
“Após selecionar a molécula para a pesquisa, nós fizemos a clonagem e a expressamos em bactérias. Depois, purificamos a molécula para caracterizar a sua estrutura e verificar a sua atividade em testes globais de coagulação sanguínea e seus fatores”, explica a diretora do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação, Fernanda Faria, coordenadora do estudo.
O próximo passo do trabalho, que deve ter início em março, é investigar a atividade da Dromaserpina em células (testes in vitro), usando modelos como inflamação e câncer, onde a trombina, seu principal alvo, pode atuar. Caso os resultados sejam positivos, os testes em animais devem começar no próximo ano.
