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Maioria dos casos de Injúria Renal Aguda são leves e reversíveis, explica especialista

Por Erem Carla

Maioria dos casos de Injúria Renal Aguda são leves e reversíveis, explica especialista
Foto: Pixabay

Filtrar o sangue eliminando as impurezas, produzir hormônios importantes e contribuir para o equilíbrio hídrico, eletrolítico e acidobásico do organismo são algumas das funções dos rins. Os órgãos se tornaram centro da atenção de algumas pessoas com a complicação renal da cantora Paulinha Abelha, da banda Calcinha Preta. 

 

Paulinha foi submetida a uma hemodiálise na terça-feira (22) para ajuste da função renal (veja aqui). Quadros de falência renal, com necessidade de diálise, podem ser causados tanto por Injúria Renal Aguda (IRA), quanto por Doença Renal Crônica. 

 

A injúria renal aguda é uma síndrome clínica caracterizada pela perda abrupta, sustentada e potencialmente reversível da função renal e pode ser causada por diversos fatores. Em entrevista ao Bahia Notícias, o médico nefrologista e presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia Regional Bahia, José A. Moura Neto, conta que as causas podem ser divididas em três estágios: pré-renais, renais e pós-renais. 

 

“De forma geral, são causas de IRA: hemorragias, perdas gastrointestinais importantes (como diarreia e vômitos), uso de drogas e medicamentos nefrotóxicos, doenças glomerulares, nefrite intersticial aguda, vasculites, exercício físico extenuante e causas de obstrução aguda das vias urinárias, como cálculo renal e doenças da próstata”, explica.

 

O médico explica que muitos casos de Injúria Renal Aguda nem chegam a ser diagnosticados. Mas em relação à doença renal crônica, estima-se que 10% da população tenha a enfermidade em algum estágio. Na Bahia, isso equivale a cerca de 1,5 milhão de pessoas.

 

Moura Neto ainda ressalta que a condição pode acometer qualquer pessoa em qualquer faixa etária, mas que alguns fatores de risco podem favorecer a IRA. “A própria doença renal crônica, doenças autoimunes como lúpus e vasculites, doenças infecciosas, traumas graves, uso de algumas drogas e medicamentos...”, informa o médico.

 

Quanto ao agravamento da doença, o médico explica que a maioria dos casos de IRA são leves e reversíveis com medidas clínicas, e apenas os casos mais graves e com demora no diagnóstico e tratamento podem evoluir com complicações mais graves, como coma e necessidade de diálise.

 

O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro, por isso a importância do diagnóstico precoce. 

 

“Em casos de IRA por medicamento, por exemplo, o tratamento pode ser a simples e imediata suspensão do medicamento em questão. Em casos de IRA por desidratação, o tratamento geralmente consiste na hidratação volumosa e supervisionada. Já nos casos por doenças autoimunes, normalmente envolve o uso de drogas imunossupressoras”, explica.

 

Evitar uso de drogas e medicamentos tóxicos aos rins, hidratação adequada, controle da pressão arterial e do diabetes, alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e a prática regular de atividade física moderada são algumas medidas que podem reduzir o risco de problemas renais. 

 

No entanto, Moura Neto enfatiza que existem doenças renais que podem surgir mesmo em pessoas com hábitos saudáveis e sem fatores de risco. “Em todos os casos, é importante estar atento aos sinais e sintomas e buscar avaliação do nefrologista o mais rápido possível.”

 

A creatinina e o sumário de urina são dois exames capazes de diagnosticar alterações da função renal e auxiliar no diagnóstico viabilizando tratamento tanto em caso de Injúria Renal Aguda (IRA), quanto Doença Renal Crônica.