Esperamos que a prefeitura não recrie o modelo do Caps, diz Associação Psiquiátrica da Bahia
Por Erem Carla
A demanda de pessoas que buscam atendimento para cuidados com a saúde mental aumentou durante a pandemia da Covid-19. De acordo com a coordenadora das Redes de Atenção à Saúde Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Marianna Soares, atualmente, 50% da população passou a ter problemas de sono, e entre 40% a 50% passou a ter sentimentos de tristeza, ansiedade e depressão.
Em conversa com o Bahia Notícias, o presidente da Associação Psiquiátrica da Bahia (APB), Lucas Alves, ressaltou que o padrão de adoecimento, além de ter aumentado durante a pandemia, foi alterado.
“Cresceram a incidência dos transtornos de ansiedade, por exemplo, a síndrome do pânico, fobia social… A incidência de pessoas que sofrem disso tem sido muito maior”, disse.
No início desta semana, a prefeitura de Salvador encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto de lei que institui um conjunto de políticas para ampliar a atenção psicossocial, desenvolvido por equipes multiprofissionais (veja aqui).
Lucas Alves afirma que é preciso dedicação da prefeitura em fornecer tratamento ambulatorial multifuncional, que é diferente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), oferecido atualmente.
O Caps, é uma unidade de saúde mental especializada no tratamento e reinserção social de pessoas com transtornos graves e persistentes. Os Ambulatórios Multiprofissionais de Saúde Mental são serviços compostos por médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, enfermeiro e outros profissionais que atuam no tratamento de pacientes que apresentam transtornos mentais.
“Mais do que nunca, a gente precisa oferecer para população tratamento para os transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão que podem causar um fenômeno muito grande na pandemia que é a insônia, por exemplo”, explica.
O secretário municipal de saúde, Leo Prates, havia dito que espera que os pacientes mantenham o tratamento recomendado nos Caps. “Iniciaremos com ações no Caps Maria Célia da Rocha (Praia Grande) e no Multicentro Carlos Gomes (Centro), e pretendemos alcançar todas as unidades de saúde até o fim da gestão", disse o secretário durante a apresentação do projeto de lei.
Para dirigente da associação, os ambulatórios são a modalidade de tratamento mais indicada para os pacientes com transtornos mentais incluídos no projeto municipal apresentado pela prefeitura.
“A gente espera que nesse novo projeto de lei a prefeitura contemple os ambulatórios, e que não recrie o modelo ‘Capscentrico’ em que tudo fica concentrado no Caps”, afirma.
O médico ainda ressalta que, quando o Caps exerce a função do ambulatório, além de não cumprir a função do ambulatório também não cumpre sua função primordial que é a atenção psicossocial.
“É preciso que a prefeitura não ande na contramão do que fazemos, por exemplo, no sistema privado do Brasil. Quando queremos marcar uma consulta médica com o psiquiatra, ou uma terapia com psicólogo, não vamos em um Hospital Dia, que é um modelo comparável ao Caps”, inicia. “A gente liga, marca pelo psiquiatra do convênio, da rede privada, e faz essa consulta. Os pacientes de baixa renda também têm direito a esse tipo de tecnologia, que em algumas situações, é a mais indicada”, conclui.
Marianna Soares afirmou, durante a apresentação do projeto de lei, que Salvador possuía um vácuo na legislação e, agora, está sendo apresentado um modelo de atenção psicossocial para implementar um conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas.
