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Terça, 14 de Dezembro de 2021 - 00:00

Com baixa procura por vacina e 56 casos registrados, Salvador vive epidemia de gripe

por Vitor Castro

Com baixa procura por vacina e 56 casos registrados, Salvador vive epidemia de gripe
Foto: Divulgação / Secom Salvador

Com menos de duas semanas da intensificação da campanha de vacinação contra a gripe (relembre), Salvador já vive um epidemia da doença. Com casos pulverizados e registrados em praticamente todos os distritos sanitários da cidade, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) emitiu alerta para importância da continuidade do uso das máscaras para conter disseminação do vírus H3N2. Em contrapartida, na Bahia, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) fala em ter atingido 93% de imunização para o público alvo. 

 

De acordo com a SMS, neste ano a cidade registrou 56 casos da influenza. Apesar da pasta não informar o número de casos registrados em 2020, a médica infectologista Adielma Nizalara, vinculada à secretaria, assegura que a cidade vive uma epidemia. “Não é um surto. Podemos chamar de epidemia, porque toda vez que você tem um número aumentado em relação a uma série histórica, isso configura uma epidemia. Surto quer dizer que há uma alta no número de casos em um local controlado. Por exemplo, se uma escola tiver dez casos de gripe, isso pode ser considerado um surto naquele local”, explicou.

 

A especialista ressaltou que a cidade já lida com a gripe ao longo dos anos e que o aumento do número de casos pulverizados, resultando em uma epidemia, pode estar ligado a um relaxamento das medidas de enfrentamento à Covid-19, doença causada por outro vírus – o SarsCov2 – mas que também atinge as vias respiratórias.   

 

“Você tem o fato das pessoas terem se dedicado mais à Covid e à vacinação contra a Covid. Nós temos baixas taxas de vacinação, por exemplo, em profissionais de saúde contra a influenza. Isso contribui e, aliado a isso, você tem a flexibilização das medidas protetivas, a redução do uso da máscara, o comportamento para a associação e junção de pessoas. Diminuiu o respeito em relação ao distanciamento social e, isso tudo, está relacionado em como as doenças respiratórias se transmitem”, pontuou.

 

Ainda de acordo com Adielma Nizalara, é preciso dar atenção à gripe, mas o momento não é de pânico. Ela explica que os números são analisados de acordo com a série histórica da quantidade de casos. “Considerando o ano passado e 2021, em 2020 registramos o ano em que mais usamos máscara. Então é lógico que o número de casos será menor porque as pessoas estavam usando máscara. Se não tivesse a máscara, talvez nem estivéssemos falando em epidemia, seria o aumento de casos normal de todo ano”, disse.

 

Para a especialista, a redução dos casos de Covid-19, atribuída à vacinação, não deve justificar uma falta de atenção aos cuidados com a gripe. “Agora, ao invés de respirar aliviado, começamos a ter os casos de influenza. Mas influenza temos todo ano, então de certa forma, o município já trata esses pacientes desde sempre. Vejo como  problema a confusão diagnóstica e o medo que as pessoas vão ter de isso ser Covid. Repito, a síndrome gripal acontece o ano todo, todos anos. E nesta situação, vale lembrar que as medidas de proteção são as mesmas da Covid-19. Evitar lugares fechados, lavar as mãos sempre, usar máscara. Em caso de sintomas leves, fazer uso de sintomáticos que a pessoa já esta acostumada”, pontuou. 

 

O alerta para o agravamento da doença deve estar vinculado a um prolongamento dos sintomas gripais. “Todo quadro viral tem um período de incubação, um período de sintomas, depois vai no pico, para, começa descer e você melhor de 7 a 10 dias, saindo do quadro. Se você percebe que isso piora, a febre persiste, você continua tossindo, tendo secreções, aí estamos diante de um quadro que pode vir a complicar e ai é preciso buscar atendimento médico”, finalizou. 

 

Em outras cidades do estado, a situação parece ser mais confortável. Ao Bahia Notícias, a Sesab informou que a meta de imunização do estado é de 90%. Em relação ao ano de 2020, a cobertura, de acordo com o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações, foi de 93,55%.

 

VACINAÇÃO

De acordo com a secretaria de saúde da capital,  pouco mais de 416 mil pessoas receberam a vacina contra gripe em Salvador, número que corresponde a 58% de cobertura do público alvo. No entanto, a meta da SMS, que também é estabelecida pelo Ministério da Saúde, é de imunizar pelo menos 90% do público elegível que reside na cidade (trabalhador da saúde, crianças entre 6 meses e 6 anos; gestantes e puérperas; pessoas com mais de 60 anos; povos indígenas e quilombolas e pessoas com comorbidades ou deficiência permanente).

 

Apesar de já se ter passado um tempo significativo em relação ao início da campanha vacinal contra a gripe, a vacinação ainda se faz efetiva. Principalmente diante de uma realidade de pandemia da Covid-19, onde os sintomas se assemelham com os da Influenza. “A vacinação ainda é válida se você considerar que as cepas circulantes são quase sempre cíclicas. Então é muito provável que a mesma vacina que será fabricada ano que vem, também contemple o vírus H3N2, porque essa cepa esteve circulando esse ano, então provavelmente ano que vem ela estará na vacina”, explicou.

 

UNIDADES SENTINELAS 

Um dos métodos utilizados pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar as cepas circulantes de um vírus, e assim trabalhar nas vacinas dos anos seguintes, são as unidades sentinelas. “Temos observado um aumento no número de casos nas coletas sentinela. Ou seja, comparando com 2018, 2019 e 2020 você vê que o aumento aconteceu”, explica Nizalara demonstrando como foi identificado o aumento de casos de gripe na cidade. 

 

Salvador conta com cinco  destas. Nada mais são do que unidades de saúde onde, semanalmente, amostras virais de cinco pacientes aleatórios, e que obedecem determinados critérios para síndromes respiratórias são coletadas. 

 

No final de cada semana, estas amostras são encaminhadas para o Laboratório Central (Lacen), que identifica os vírus e conclui qual destes estão circulando na cidade. No final do mês, as 100 amostras são encaminhadas ao Ministério que, consequentemente, notifica a OMS. A partir daí, são pensadas e elaboradas as vacinas do ano seguinte, visando uma redução daqueles vírus. 

 

ONDE SE VACINAR

Com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal a SMS passou a disponibilizar doses de vacina contra gripe em diversos postos de saúde. De acordo com a pasta, há uma baixa procura pelo imunizante nas unidades de atendimento. “A estimativa é vacinar 721 mil pessoas, entretanto a cobertura vacinal da população que compõe o público alvo é de 58%”, informou a SMS. Veja abaixo onde tomar a vacina: 

 

ITAPUÃ
Unidade Básica de Saúde São Cristóvão
USF Vila Verde
USF Vila Nova Esperança
 
PAU DA LIMA
USF Canabrava 
UBS Pires da Veiga
 
ITAPAGIPE
UBS Ministro Alkimin 
USF São José de Baixo
 
DISTRITO DO CABULA
USF Pernambuezinho
 
DISTRITO SANITÁRIO BROTAS
UBS Manoel Vitorino 
UBS Cosme de Farias
 
DISTRITO SANITÁRIO CENTRO
Multicentro Carlos Gomes
UBS Santo Antônio 
UBS Péricles Esteves Cardoso
 
DISTRITO SANITÁRIO BARRA/RIO VERMELHO
Multicentro Adriano Pondé
 
DISTRITO SANITÁRIO BOCA DO RIO 
USF Pituaçu
USF Zulmira Barros
 
DISTRITO SANITÁRIO CAJAZEIRAS
USF Yolanda Pires 
USF Antônio Lazarotto
UBS Péricles Laranjeiras 
Multicentro Liberdade
UBS Maria Conceição Santiago Imbassahy (16º Centro)
USF IAPI
Unidade de Saúde da Família (USF) Santa Mônica
UBS São Judas Tadeu

DISTRITO SANITÁRIO DO SUBÚRBIO
USF Beira
Mangue
USF Itacaranha
USF Alto de Coutos 2
USF Alto de Coutos I
USF Alto do Cruzeiro
USF Alto da Terezinha
 USF Nova Constituinte
 
USF Vila

 

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