Salvador fará busca ativa de 42 mil aptos a 1ª dose contra Covid que não foram aos postos
Por Jade Coelho
Salvador tem cerca de 42 mil pessoas aptas a vacinação contra a Covid-19, mas que não procuraram os postos de imunização da cidade. São indivíduos recadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e cujas idades já permitem a aplicação das doses dos imunizantes. Diante desse fato, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) está definindo uma estratégia de busca ativa dessas pessoas.
O plano da pasta municipal é de estruturar a nova estratégia nos próximos dias e já iniciar a busca ativa em um prazo de duas semanas, antecipou o secretário da Saúde de Salvador, Leo Prates, nesta quinta-feira (5).
“Temos hoje nos nossos cadastros 42 mil pessoas recadastradas [no SUS] que não foram tomar primeira dose. E nós vamos começar a ver porque essas pessoas não apareceram. Pessoas que pela idade estariam elegíveis para tomar sua vacina e não foram tomar a primeira dose”, explicou Leo.
A primeira estratégia adotada será a de disparo de mensagens para os celulares das pessoas. A tática não é nova para a prefeitura de Salvador, que já utiliza o mecanismo para fazer alertas e convocar os cidadãos para retornarem aos postos e completarem o esquema vacinal com as segundas doses das vacinas.
Nos próximos dias as equipes de Atenção Primária da cidade, que serão responsáveis pela tarefa de “convocar” o pessoal para se imunizar, serão “capacitadas e instrumentalizadas”.
O gatilho para a adoção do mecanismo de busca ativa para primeira dose foi a variante Delta. Segundo Leo, Salvador tem observado os índices da pandemia em outras capitais e a situação vivida pelo Rio de Janeiro, que “estourou uma alta de internamentos”, fez com que a capital baiana se mobilizasse para tomar uma atitude em uma tentativa de evitar uma nova escalada nos números. Os indicadores da crise sanitária na cidade estão em queda desde meados do mês passado, o que permitiu flexibilizações de medidas e desmobilização de leitos.
Salvador, que é a maior cidade do estado, e que por meses a fio ficou no topo do pódio de casos ativos da Covid-19, na semana passada foi ultrapassada por cidades menores nesse indicador. Na quarta-feira (4), seis municípios baianos registram um número de pessoas ainda doentes maior que o da capital baiana. Uma dessas cidades tem menos de 24 mil habitantes, e outra, menos de 40 mil moradores, segundo estimativa do IBGE 2020. Os casos ativos são aqueles em condição de infectar outras pessoas (leia mais aqui).
Na visão de Leo Prates, um conjunto de fatores contribuiu para a redução dos casos ativos e de outros indicadores da pandemia na cidade. “Não dá pra dizer que foi só a vacinação nesse momento”, opinou o secretário ao sinalizar que apesar do avanço da imunização, a cidade ainda não tem um percentual de público totalmente imunizado considerado ideal por epidemiologistas.
E então ele cita como outro ponto o reforço e a manutenção de ações preventivas na Atenção Primária e os atendimentos do Salvador Protege, programa de atenção básica voltada ao combate ao coronavírus.
