Documento prova que Governo comprou máscaras com valor acima do mercado
Um documento enviado à CPI da Covid, no Senado, mostrou que o Ministério da Saúde fez a compra de 40 milhões de máscaras chinesas KN95, desaconselhada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para profissionais de saúde, com o preço acima do mercado.
Foram gastos cerca de R$ 350 milhões com a compra das 40 milhões de máscaras com a inscrição 'non-medical' na embalagem do produto. O caso foi revelado em março de 2021 pelo jornal 'Folha de S.Paulo', que na época da investigação não teve respostas do Ministério.
A compra foi feita na gestão de Luiz Henrique Mandetta, e distribuída na gestão do general da ativa Eduardo Pazuello, que mesmo após o alerta da Anvisa não promoveu o recolhimento das máscaras.
Com a chegada do documento ao Senado, a compra está sendo investigada dentro de um inquérito civil do Ministério Público Federal.
A empresa escolhida para a compra da máscara, sem licitação, tinha um preço superior ao que estava sendo cobrado por empresas contratadas anteriormente, que tinha como média o valor de R$ 2,53. A compra feita pelo Governo Federal custou, cada unidade, US$ 1,65, ou R$ 8,65, na cotação atual do dólar.
Como justificativa para o valor elevado, o Ministério da Saúde alega que a compra foi feita em caráter emergencial. A pesquisa levou em conta contratos anteriores a janeiro de 2020, antes do início da pandemia.
"A compra emergencial, por si só, tende a não favorecer a obtenção da proposta mais vantajosa para a administração, devido ao curto prazo para sua efetivação e o enxuto prazo para entrega. Partindo desse cenário de urgência, entende-se que a aquisição com um preço levemente superior ao que o mercado paga (em condições normais) se encontra condizente com a situação vivenciada", afirma o documento interno.
