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Causa da morte de Tom Veiga, AVC pode ser evitado com controle dos fatores de risco

Causa da morte de Tom Veiga, AVC pode ser evitado com controle dos fatores de risco
Foto: Divulgação

A morte do ator Tom Veiga, intérprete do Louro José, aos 47 anos, no último domingo (1), mobilizou aqueles que o acompanharam no programa Mais Você, da TV Globo, ao longo de mais de 20 anos. A causa do óbito foi um aneurisma que rompeu e originou um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico (saiba mais aqui). Atualmente, o AVC é a segunda maior causa de mortes no Brasil - são 100,1 mil por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O tipo hemorrágico, causado por aneurismas, é o mais raro, com 15% de incidência, frente a 85% do isquêmico, que tem origem no entupimento de artérias que levam sangue ao cérebro.

 

"Um aneurisma cerebral é um vazo que está mal formado, e forma uma espécie de saco na artéria. Quando a pressão sanguínea se eleva muito, ela bate na parede do aneurisma e ele se rompe. O sangue é todo jogado para o espaço subaracnoide, levando a uma hemorragia. A chance de o indivíduo falecer na hora é de 10 a 15%. Mesmo com chance de suporte médico, 60% morrem", explicou a neurologista do sistema Hapvida, Conceição Neves, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

No caso do AVC isquêmico, a obstrução da artéria é causada normalmente por um coágulo sanguíneo e/ou um depósito de gordura chamado aterosclerose. O acúmulo de gordura ocorre principalmente em pessoas com hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, nível de estresse elevado e sedentarismo. "Causas que estão muito dentro do nosso cotidiano. A população está cada vez mais hipertensa, obesa, diabética. Isso eleva muito a chance de ter o AVC", afirma Neves.

 

Apesar da alta letalidade, o AVC pode ser prevenido por meio do controle dos fatores de risco. Pessoas que possuem hábitos de vida mais saudáveis, como baixo consumo de sal (o ideal é 5 gramas por dia), prática de exercícios físicos, não utilização de cigarro e outros tipos de drogas, diminuem consideravelmente a chance de desenvolver um quadro. Quem já possui pressão alta, precisa fazer um check up com um cardiologista a cada seis meses, segundo a neurologista.

 

Com relação à faixa etária, o AVC isquêmico costuma atingir pessoas com mais de 40 anos. Por isso, é importante que se faça uma consulta anual - em caso de não haver uma pré-disposição para desenvolver a doença. Já o AVC hemorrágico é passível de ocorrer em qualquer idade, porque pode ser genético ou gerado por doença sistêmica.

 

"É interessante investigar essa herança genética. Tem pacientes que têm aneurismas associados a outras doenças, associado ao tecido conjuntivo. Se descoberto precocemente, o tratamento passa a ser exitoso logo no início", alerta Conceição Neves. 

 

Quando descoberto o aneurisma, a forma de prevenção é semelhante à do AVC isquêmico: reduzir os fatores de risco. "Não é porque a pessoa tem um aneurisma que ele vai se romper", diz a neurologista. 

 

SINTOMAS DE ALERTA

"Tempo é cérebro" é a frase que define as chances de sobrevivência de uma pessoa com um quadro de AVC, segundo Conceição. "Se o paciente deixou de falar, um braço ficou fraco, uma perna ficou fraca, a boca ficou torta, perdeu a força, ele deve ser imediatamente levado a uma unidade hospitalar, para que o atendimento seja feito naquele paciente com suspeita de AVC. Tem 3 horas para procurar o médico. Diante desse quadro, o médico vai tratar prontamente para desobstruir aquele vaso que transbordou", relata.

 

Caso o paciente não seja encaminhado a uma unidade médica nessas três horas recomendadas, as chances de sobrevivência diminuem. Ainda assim, o procedimento é feito para tentar reverter o quadro. Vale lembrar que o AVC é causado por fatores controláveis, e o risco pode ser minimizado.