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Qualidade do sono pode ajudar a prevenir Covid-19, diz especialista

Qualidade do sono pode ajudar a prevenir Covid-19, diz especialista
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O médico do sono e neurologista da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Lúcio Huebra, afirmou que dormir bem auxilia no fortalecimento do sistema imunológico, necessário para proteção contra o novo coronavírus. A declaração, dada em entrevista à Agência Brasil, foi divulgada nesta quinta-feira (4). 

 

“É durante o sono que boa parte das funções do corpo se recupera e isso também acontece com o sistema imune. É preciso uma boa qualidade do sono para que as células de defesa sejam restauradas e, dessa forma, garantam a produção de anticorpos para as diversas infecções de maneira adequada”, explica o neurologista. Um sono de má qualidade ou encurtado leva o organismo a uma situação de estresse. O quadro aumenta a liberação do cortisol, hormônio com efeito imunomodulador e que acaba reduzindo as defesas do corpo.

 

O especialista ressalta que cada pessoa precisa de uma duração de sono diferente. Os números sobre qualidade do sono popularmente conhecidos são médias populacionais. “Pode ser que certas pessoas precisem de mais ou menos tempo. O importante é estar sempre revigorado no dia seguinte”, enfatiza Lucio Huebra.

 

Um estudo brasileiro sobre o impacto do sono na eficácia da vacina contra a hepatite A mostrou que um grupo de pessoas sem qualidade de sono tiveram resultado à vacina reduzido pela metade, em relação ao grupo que dormiu bem. Existe também evidência de que o sono curto, com menos de seis horas, está associado a um aumento dos sintomas de um resfriado comum. Ou seja, essas pesquisas apontam que pessoas que dormem menos que o necessário ficam mais vulneráveis a infecções respiratórias.

 

SONO DE QUALIDADE
Há indicações para a chamada higiene do sono. Entre elas, estão: Escolher um ambiente adequado para dormir: silencioso, confortável e escuro. Dormir em um local somente para o sono; só usá-lo quando realmente for dormir e se deitar na cama apenas quando estiver com sono. Além disso, evitar, ao longo do dia, permanecer na cama.

 

Evitar luzes artificiais, como dos eletrônicos, ao ir dormir. São estímulos que interferem no sono. Durante o dia, se expor ao máximo à luz, se expondo à luz externa; manter temperatura adequada do ambiente e do pijama, que precisam ser confortáveis e permitir boa mobilidade.

 

Também é recomendada uma boa rotina noturna, com horários regulares; fazer sempre as mesmas tarefas próximo à hora de se deitar para sinalizar ao cérebro que já é o momento de o sono vir. O ideal é fazer refeições leves e não abusar dos líquidos. Além disso, é necessário evitar qualquer tipo de estimulante (café, refrigerante, chocolate), tanto no fim do dia quanto durante a noite.

 

O neurologista lembra que o período da pandemia é de grandes preocupações e ansiedade, o que também prejudica uma boa noite de sono. “Então, é importante reservar de 30 minutos a uma hora antes de dormir para se desligar de todas as notícias, buscando fazer algo que seja prazeroso e relaxante para que o sono possa vir com qualidade”, recomenda.