Com 83% da ocupação atingida, Salvador tem previsão de receber mais de 300 leitos de UTI
Foto: Mateus Pereira / GOVBA

Responsável por abrigar a maior parte da rede de saúde do estado e concentrar mais de 60% dos casos do novo coronavírus, Salvador superou a marca de 80% dos leitos de UTI ocupados. Esse índice foi destacado pelo prefeito ACM Neto (DEM) na manhã desta segunda-feira (18).

 

Conforme apresentado por ele, a capital possui 370 leitos clínicos de Covid-19 SUS nas redes municipal, estadual e privada contratualizada. Desse total, 259 (ou 70%) estão ocupados atualmente. Quanto aos leitos de UTI, 218 de um total de 263 estão ocupados, o equivalente a 83%.

 

Imagem: Prefeitura de Salvador

 

Por critério estabelecido pelo Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, Salvador passa por uma situação preocupante. Isso porque um boletim publicado pelo grupo no dia 5 de maio indica que "os estados do Nordeste do Brasil deverão decretar lockdown quando os números de leitos hospitalares tenham superado 80% de ocupação e, ao mesmo tempo, a curva de casos e de óbitos seja ascendente". Já decretado em estados como Pernambuco, Maranhão, Belém e Amapá, o lockdown é um regime severo, que visa proibir a circulação de pessoas a partir do bloqueio total de ruas e atividades.

 

Mas, pelo menos por enquanto, a medida não será adotada na capital baiana. Durante sua coletiva de imprensa, o prefeito da cidade ressaltou que é uma decisão que cabe ao estado, pois é quem detém o poder de polícia. Já a assessoria do governo estadual frisa que as decisões têm sido tomadas em articulação com os municípios e que 503 novos leitos estão sendo estruturados para atender a demanda de Salvador. São 159 clínicos e 344 de UTI, que devem ser abertos progressivamente e a depender da necessidade.

 

Mas há uma barreira para isso: a assessoria aponta que "algumas limitações" podem prejudicar a abertura desses postos, a exemplo da oferta de médicos intensivistas e do número de respiradores, aparelho essencial nas unidades de terapia intensiva que recebem pacientes com coronavírus.

 

No primeiro ponto, a Sesab publicou um edital para contratação de 400 médicos com salários de R$ 12 mil a R$ 19 mil, considerados altos. Ainda assim, a pasta ressalta que a procura tem sido baixa por falta de profissionais. Já entidades de classe, como o Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) e o Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) refutam o argumento ao apontar falta de transparência no edital e de segurança para os profissionais da área, terceiro grupo da saúde mais atingido pela Covid-19 (saiba mais aqui).

 

Quanto aos respiradores, o governador já admitiu que enfrenta dificuldades para obter o equipamento, disputado por vários países que enfrentam a pandemia. A Bahia teve lote retido pelos Estados Unidos em abril e compra cancelada após sucessivos adiamentos do fornecedor no início deste mês (veja aqui e aqui).

 

"Virou uma gincana. A humanidade aproveita a oportunidade para ganhar dinheiro. (...) Quando a gente procura os fornecedores, eles nos dizem que só vai ter no ano que vem. Virou o elemento mais difícil de adquirir", disse o governador, em entrevista a rádios do interior, na ocasião.

 

Neste sentido, o governo do estado ressalta que analisa a situação de cada cidade diariamente para decidir quais medidas decretar. A expectativa da gestão é contar com 1.300 leitos exclusivos para Covid-19 em todo o estado até a segunda semana de junho (veja aqui). 

 

DISTRIBUIÇÃO DOS 503 LEITOS EM FASE DE ESTRUTURAÇÃO

  • Hospital Couto Maia - 31 leitos de UTI
  • Hospital Geral Ernesto Simões - 36 leitos de UTI
  • Hospital Espanhol - 127 leitos (sendo 108 de UTI)
  • Fonte Nova (hospital de campanha) - 240 leitos (sendo 100 de UTI)
  • Hospital do Subúrbio - 69 de UTI

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