MEC autoriza estágio de universitários em hospitais durante pandemia de coronavírus
O Ministério da Educação publicou uma portaria, nesta sexta-feira (20), que autoriza os alunos regularmente matriculados nos dois últimos anos do curso de Medicina, e do último ano dos cursos de Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia do sistema federal de ensino, em caráter excepcional, a realizarem o estágio curricular obrigatório em unidades de saúde durante a pandemia de coronavírus.
Eles poderão atuar em unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento, rede hospitalar e comunidades a serem especificadas pelo Ministério da Saúde, exclusivamente nas áreas de clínica médica, pediatria e saúde coletiva, no apoio às famílias e aos grupos de risco, no caso de Medicina, e de acordo com as especificidades dos demais cursos.
A seleção e a alocação dos alunos serão disciplinadas por ato próprio do Ministério da Saúde, após articulação com os órgãos de saúde estadual, distrital e municipal. A realização do estágio obrigatório na área de clínica médica, pediatria e saúde coletiva não desobriga o aluno de cumprir a carga horária prevista para o estágio em outras áreas.
Segundo a portaria (acesse aqui), a atuação dos alunos deverá ser considerada na pontuação para ingresso nos cursos de residência, o que tem gerado polêmica.
"É louvável que os estudantes ajudem a gente, porém, é injusto com quem já é médico e também está na linha de frente trabalhando, não ter o mesmo benefício na hora da prova de residência. Eu ainda irei prestar a prova no final do ano. Como será esse 'caráter relevante' que será contabilizado na nota?", argumentou a médica Taryn de Abreu.
Mas há quem veja que a proposta é positiva. "O decreto permite que a gente contribua de alguma forma com a pandemia, além de ser um retorno pra sociedade, que é quem investe na nossa formação. No quinto ano, ao menos já conseguimos ajudar com informação, prevenção, triagem e diagnóstico. Assim os médicos formados terão mais tempo pra atender os casos mais graves", defendeu Ricardo Menezes, aluno do quinto ano da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Para o baiano, a bonificação na prova de residência pode ser um atrativo para os alunos, já que a não é prevista uma remuneração financeira. "Quem aceitar vai, de certa forma, também colocar a sua vida e a dos seus familiares em risco", alertou.
Formado há 10 anos, o médico Diego Figueirôa também concorda com a proposta. "Diante do caos que se avizinha, se as projeções se confirmarem, será de grande valia a ajuda deles. Não possuem a expertise e nem a experiência, mas ajudará bastante", diz o anestesiologista.
