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Proteína de planta brasileira inibe progressão do câncer de mama agressivo

Proteína de planta brasileira inibe progressão do câncer de mama agressivo
Foto: Wikimedia Commons

Pesquisadores brasileiros descobriram uma proteína com o potencial de inibir a progressão do câncer de mama triplo-negativo, um dos tumores mais agressivos. Essa doença não possui um tratamento específico e registrou poucos avanços no desenvolvimento de terapias.

 

Uma proteína extraída de sementes de árvores da espécie Enterolobium contortisiliquum – conhecida popularmente como tamboril ou orelha-de-macaco – é capaz de inibir a migração e a metástase de câncer de mama triplo-negativo e de outros tipos de tumor, como o gástrico e o de pele (melanoma).

 

“Constatamos que a proteína inibe a invasão, a proliferação e a metástase de tumor de mama triplo-negativo em testes in vitro [em células] e, no caso do melanoma, tanto em modelo in vitro como in vivo [em animais]”, afirmou Maria Luiza Vilela Oliva, professora da Unifesp e coordenadora da pesquisa, à Agência FAPESP.

 

Denominada Enterolobium contortisiloquum inibidor de tripsina (EcTI, na sigla em inglês), a proteína foi isolada por Oliva durante seu doutorado, no final da década de 1980. A partir de então, a pesquisadora tentou isolar de sementes de leguminosas da flora brasileira outras moléculas inibidoras de proteases – enzimas capazes de quebrar as ligações peptídicas de outras proteínas.

 

Além de isolar, os pesquisadores têm conseguido determinar a estrutura dessas proteínas, modelá-las e obter peptídeos sintéticos a partir delas. As análises dessas moléculas em diferentes modelos fisiopatológicos, como de inflamação, trombose e tumor, tanto in vivo como in vitro, indicaram que, além de antitumoral, elas apresentam propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana e antitrombótica.

 

“O tumor, a inflamação e a trombose são patologias que estão de certa forma interligadas, porque às vezes o paciente com câncer pode morrer não por causa da doença, em si, mas em decorrência de um quimioterápico que pode levar ao desenvolvimento de uma trombose”, avaliou.