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Portadores de Parkinson não querem ser tratados com piedade, ressalta fisioterapeuta

Por Renata Farias

Portadores de Parkinson não querem ser tratados com piedade, ressalta fisioterapeuta
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson é celebrado nesta quarta-feira (11). Doença neurológica, crônica e progressiva, o Parkinson não tem cura, então todo o tratamento realizado é voltado à qualidade de vida do paciente. Entre os sintomas observados estão rigidez muscular, tremor, movimentos lentos, mobilidade de tronco reduzida e alteração significativa no equilíbrio. "Quando o paciente é tratado logo que descobre a patologia, existe um trabalho para que ele se mova melhor, quebra um pouco essa rigidez. Com isso, há uma melhora na postura, equilíbrio e reduz o risco de queda. O objetivo do fisioterapeuta, junto a outros profissionais da reabilitação, é promover uma melhoria da qualidade de vida", explicou Monique Ludovice, fisioterapeuta do Ambulatório Magalhães Neto, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes). Além de lidar com os sintomas, o portador do Mal de Parkinson enfrenta um sério problema social, o preconceito. De acordo com a profissional, seus pacientes têm constantes reclamações sobre o tratamento recebido de outras pessoas. "Eles falam que, muitas vezes, quando descobrem que têm Parkinson, são tratados com piedade. Todo mundo olha e pensa 'que pena daquele senhor, ele era tão ativo e trabalhador, agora está aí todo atrapalhado e lento'. O que eles querem é ser inseridos na sociedade", contou Monique. "O preconceito vem da sociedade, que não sabe como abraçar aquele paciente, e eles também têm essa dificuldade para dizer que são normais, só precisam de um pouco de paciência. Eles ficam com vergonha". E o problema ainda vai além do contato pessoal: há barreiras na busca de serviços e na própria cidade. "Muitos falam da dificuldade de acesso a transporte público, que alguns motoristas de ônibus não param quando percebem que o paciente é idoso e, por ser mais lento, vai atrasar o ônibus. Ainda tem calçadas esburacadas, degraus altos... A acessibilidade em Salvador é muito precária para uma população que, às vezes, precisam só disso", ressaltou a fisioterapeuta. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos apresenta Doença de Parkinson. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram com o problema.