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Secretário critica proposta de creche e posto no mesmo prédio: 'Ministro tem que voltar atrás'

Por Renata Farias

Secretário critica proposta de creche e posto no mesmo prédio: 'Ministro tem que voltar atrás'
Foto: Renata Farias / Bahia Notícias

A declaração dada pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, sobre a possibilidade de permitir a instalação de creches e postos de saúde na mesma estrutura, de forma compartilhada (veja aqui), tem causado polêmica entre entidades e gestores da área. Em entrevista ao Bahia Notícias, o secretário da Saúde de Salvador, José Antônio Rodrigues Alves, disse que o ministro precisa repensar a afirmação. "Eu acho que o ministro tem o direito de errar, porque está no seu primeiro dia. Acho que ele tem que voltar atrás", sugeriu. "O compartilhamento, eu acho totalmente inadequado. A não ser em estruturas em que exista promoção à saúde. De exercícios físicos, como academia na área de saúde, serviços sociais voltados para a saúde, alguns serviços de psicologia, acho que é palatável", acrescentou o gestor, durante a inauguração do Hospital Municipal, nesta quarta-feira (4). Occhi também foi criticado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Em nota publicada nesta terça, a entidade manifestou sua "extrema preocupação" com a possibilidade, devido aos riscos a que as crianças estariam expostas desnecessariamente. "Além disso, é questionável manter os alunos das creches tão próximos de pacientes em fase de tratamento ou mesmo em busca de atendimento de urgência, o que pode contribuir negativamente para seu desenvolvimento emocional e psicológico", completa o documento. A SBP ainda argumenta que há uma "fragilidade de infraestrutura da rede de UBSs e de UPAs que, sem condições de cumprir sua missão principal – garantir a assistência de qualidade à população –, teria ainda mais dificuldades de contribuir com a oferta de apoio para que os alunos de creches tivessem a atenção necessária nesta fase de suas vidas". Quanto à possibilidade de utilizar as estruturas que não estão em funcionamento para instalação de creches ou escolas, Rodrigues Alves disse respeitar as cidades que precisam recorrer a esse tipo de medida e ressaltou que Salvador está “longe dessa realidade”. “Quanto ao universo de prédios públicos que foram construídos para a área da saúde, acho que vai partir do julgamento do gestor. Definitivamente, não é o caso de Salvador”, explicou, ao reforçar que 20% dos prédios da prefeitura são alugados.