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Aids: Especialistas defendem campanhas que desmistifiquem práticas sexuais

Aids: Especialistas defendem campanhas que desmistifiquem práticas sexuais
Foto: Shutterstock

Especialistas presentes em congresso da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), realizado no Rio de Janeiro, defenderam que campanhas de prevenção à doença desmistifiquem práticas sexuais e tratem de identidades de gênero e sexualidades. Além da camisinha, os especialistas defendem a ampliação da disponibilização da profilaxias pré-exposição (PrEP), que será distribuída pelo governo a grupos específicos a partir da próxima semana. Apesar de a iniciativa ter sido comemorada, pesquisadores alertaram que a forma de distribuição das pílulas poderá significar uma mudança na política de combate à aids, pois não bastará qualquer pessoa ir ao posto de saúde e solicitar o tratamento pré-exposição. "Tenho pensado qual a primeira política de HIV e aids no Brasil que não tenha sido universal, nesses anos todos", questionou o sociólogo Alexandre Grangeiro, que já foi diretor do Programa Nacional de DST/Aids. A prevenção à aids inclui uma série de métodos que vão além das camisinhas masculina e feminina. Entre eles, os medicamentos das profilaxias pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP), que estão entre os mais eficazes para proteger homens que fazem sexo com homens – parcela da população em que a doença mais avança. Em entrevista à Agência Brasil, Grangeiro afirmou que a maior parte da população brasileira faz "sexo na pele", ou seja, sem preservativo. "Estamos voltando ao sexo na pele, se é o sexo na pele que a população quer, qualquer método de prevenção existente, que afirme essa possibilidade fazer o sexo na pele, é um método bem-vindo", defendeu. A partir da semana que vem, o Ministério da Saúde distribuirá 3,6 milhões de PrEP, durante um ano, de maneira gradativa e gratuita, em serviços de saúde de 22 municípios. As pílulas só serão distribuídas a grupos considerados chaves, como homens que fazem sexo com homens, gays, pessoas trans, profissionais do sexo e casais sorodiscordantes. O uso das pílulas será sob acompanhamento. Para o advogado da Abia, Oséias Cerqueira, com a escolha de grupos específicos, a distribuição da PrEP poderá deixar de fora outros grupos que também necessitam desse tipo de método preventivo, como jovens negros. O percentual de abandono do tratamento, por exemplo, é maior entre jovens negros (11%) que brancos (8%).