'Temos que transformar os planos de doença em planos de saúde', diz diretor da Abramge
Por Renata Farias
"É melhor prevenir do que remediar". Este é um ditado popular que já deve ter sido ouvido por quase todos os brasileiros, mas será que o conselho é seguido? Para o presidente da Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge) no Nordeste, Flávio Wanderley, um dos grandes problemas do sistema de saúde do país, seja público ou privado, é tratar a doença, não a saúde em si. "A atenção à saúde passa pela medicina preventiva. Minha avó já dizia que é melhor prevenir do que remediar. A prevenção é simples, objetiva, ela começa no nascedouro, na maternidade", pontuou em entrevista ao Bahia Notícias. Para o médico pediatra, essa questão apresenta problemas desde a sua base, já que a atenção à saúde deve ser iniciada ainda no pré-natal. "Quando eu comecei a atender, o médico tinha uma relação de proximidade com a gestante, a gente acompanhava até o obstetra para o partejamento. Hoje o médico não tem tempo, desapareceram as doulas - que são as parteiras que ficavam partejando para que os médicos atuassem quando chegassem. Hoje o médico faz o pré-natal e, muitas vezes, não faz o parto. O pediatra só chega na sala de parto. Essa pediatria pré-natal é tão importante quanto a perinatal e neonatal", explicou ao lembrar ainda a importância do parto normal. Wanderley ressaltou que a relação médico-paciente deve ser retomada, já que o contato com o especialista é essencial para que o paciente compreenda a maneira mais correta de se cuidar. "O clínico antes fazia a anamnese com o paciente, se levantava e ia fazer a complementação na mesa de exame. Hoje ele se levanta, e o paciente sai com uma receita para um exame. Hoje há uma sofisticação muito grande que acaba substituindo a coisa básica. O clínico se inclina sobre o paciente", criticou. Na opinião do médico, é possível alterar essa cultura do brasileiro a partir de programas de promoção à saúde, de forma que haja uma quebra de paradoxo. "A promoção à saúde é essencial para que a gente transforme nossos planos de doença em planos de saúde. A gente vai passar dessa fase com certeza", disse otimista.
