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Tratamento contra câncer, radioterapia está ameaçada no SUS por má distribuição de verba

Por Renata Farias

Tratamento contra câncer, radioterapia está ameaçada no SUS por má distribuição de verba
Foto: Divulgação

Essencial para o tratamento de pacientes com câncer, a radioterapia não é sustentável atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS), acredita o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Eduardo Weltman. Entre os pontos que interferem no problema estão os recursos destinados aos custos operacionais da radioterapia e o sistema de repasses desse valor. "Você recebe hoje menos da metade do que custa manter um aparelho funcionando. Isso é um problema sério, porque o que acaba acontecendo é que os aparelhos acabam ficando sucateados, quebrando. Não tem manutenção porque não há dinheiro para isso", afirmou o profissional. "A Sociedade está negociando com o Ministério da Saúde que seja revista, de forma emergencial, a remuneração da radioterapia. Se não for feito isso, a sustentabilidade da radioterapia está ameaçada. A médio e longo prazo, isso vai piorar muito", avaliou. Quanto ao sistema de repasses, Weltman aponta problemas na distribuição das verbas. "Vamos supor que o governo destine para a prefeitura R$ 100 mil, onde cerca de R$ 20 mil seriam destinados à radioterapia. Desses R$ 20 mil, por razões estruturais, R$ 10 mil ficam na prefeitura. Há ainda o repasse para o hospital. Desses R$ 10 mil, R$ 5 mil acabam ficando para causas trabalhistas. Isso é incompatível com as necessidades", exemplificou. As dificuldades na área não param por aí, já que o número de aparelhos disponíveis no Brasil está consideravelmente abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde: um equipamento para cada 300 mil habitantes. "No Norte e Nordeste, de maneira geral, há uma cobertura de 28%, com relação ao índice de um aparelho para cada 300 mil habitantes. Quando vai para a rede SUS, isso aumenta um pouco, porque a maioria de aparelhos da região Nordeste atende a população via SUS. Há uma cobertura de cerca de 35% dos pacientes", explicou o presidente da entidade. Dessa forma, de acordo com Weltman, as opções para os pacientes se tornam reduzidas e a fila de espera para tratamento segue crescente.