Hiperplasia Prostática Benigna: Brasileiro cria alternativa para cirurgia que impede ejaculação
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Problema que atinge 50% dos homens acima dos 50 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) pode agora ser resolvida sem afetar a vida sexual do paciente. A doença é caracterizada por um aumento benigno da próstata, que aperta a uretra e impede a passagem da urina. No entanto, a cirurgia para reverter o aumento geralmente faz com que os homens não consigam ejacular. Na tentativa de resolver o problema, o médico Francisco Carnevale do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, desenvolveu uma técnica capaz de desinchar a próstata sem afetar a ejaculação do paciente: a embolização da próstata. O procedimento simples é feito em uma sala de intervenção e dispensa anestesia geral ou internação. "Inserimos um cateter bem fino pela virilha e caminhamos com ele pela artéria até chegar à próstata. Uma vez lá, são injetadas microesferas do tamanho de grãos de areia nos nódulos responsáveis pelo aumento benigno da próstata. Com as microesferas, os nódulos entopem, não recebem sangue, e aí eles não conseguem mais crescer e acabam murchando", explicou Carnevale, que estuda o HPB há dez anos, em entrevista ao portal UOL. A ideia foi testada em um grupo de cachorros vira-lata na universidade de Harvard, Estados Unidos. "Os animais tinham próstata grande e com a técnica notei redução de 40% no tamanho da glândula". Após o resultado positivo, o médico retornou ao Brasil para realizar a fase de testes em humanos. "De lá para cá já tratamos 250 homens, e o resultado é sucesso em 90% dos pacientes. A melhora dos sintomas aparece a partir de 15 dias e não afeta a ejaculação", contou. A técnica já foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e será ensinada para outros médicos. Ainda assim, especialistas acreditam que é preciso cautela. "Por ser um método novo não sabemos quais são os resultados a longo prazo. Mas com certeza em curto prazo é bom, ainda mais para os homens que valorizam a ejaculação", disse Alberto Antunes, coordenador do setor de próstata da USP e membro do departamento de HPB da Sociedade Brasileira de Urologia.
