Proposta de ministro busca ressarcimento mais rápido de planos de saúde ao SUS
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que uma nova forma para o ressarcimento dos planos de saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelo uso da rede pública por seus segurados será proposta. De acordo com o gestor, o objetivo é estabelecer um modelo de contrato diretamente entre hospitais e operadoras, para que o ressarcimento à rede pública seja realizado imediatamente. "Há um valor crescente de ressarcimentos. Hoje são cerca de R$ 400 milhões por ano de repasse. Espero estabelecer um modelo de contratação direta dos hospitais públicos com os planos. Com o contrato, os valores por procedimentos ficam estabelecidos e é só faturar. Assim, quando alguém for atendido na rede pública fatura-se imediatamente a operadora", explicou em entrevista ao jornal O Globo. "Queremos transformar o ressarcimento, que hoje é complexo, numa coisa simples e rápida". Atualmente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) identifica pacientes que são atendidos na rede pública e cruza as informações com o banco de dados de usuários da saúde suplementar. Em 2015, foram realizados 439 mil procedimentos na rede do SUS por pacientes com planos de saúde, o que gerou a cobrança de R$ 708,9 milhões. No entanto, segundo dados da ANS, apenas R$ 399 milhões foram repassados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS). "Hoje, os planos discutem se o procedimento que foi dado ao cliente deles no hospital público foi correto ou não. E se perde a capacidade de rapidamente repor esses recursos no caixa do SUS. Isso porque muita coisa fica sub judice. Por isso, pedi o estudo dessa proposta", ressaltou Barros. Para o diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Pedro Ramos, a proposta não parece uma boa solução. "ara a implementação dessa proposta será preciso mexer na lei e acho que não devemos complicar ainda mais o assunto. O fundamental é que os hospitais avisem ao plano quando o usuário der entrada, para escolhermos se queremos removê-lo ou não. Hoje meu beneficiário fica 15 dias na UTI e só fico sabendo quando chega a conta", afirmou Ramos ao se queixar de uma taxa acrescida à tabela paga pelas empresas ao SUS.
