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Misturar bebidas alcoólicas com energéticas aumenta o desejo por álcool

Misturar bebidas alcoólicas com energéticas aumenta o desejo por álcool
Foto: Reprodução / Pixabay
Um estudo publicado recentemente no periódico científico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, apontou que o consumo simultâneo de bebidas com cafeína e álcool pode levar a um aumento de beber em binge. “Beber em binge” consiste em ingerir pelo menos cinco doses de bebida alcoólica, no caso dos homens, ou quatro doses, no caso das mulheres, em um período de duas horas. Tal comportamento é apontado por especialistas como nocivo por aumentar a probabilidade de intoxicação e estar associado a um aumento do comportamento de risco. Para chegar a tal resultado, cientistas da Universidade Northen Kentucky, nos Estados Unidos, realizaram um experimento com 13 homens e 13 mulheres adultos, da mesma idade e que tinham o hábito de beber socialmente. Ao longo das seis sessões, os participantes receberam uma mistura entre as seis seguintes: vodca com refrigerante descafeinado, vodca e uma bebida energética média, vodca e uma bebida energética grande, um refrigerante descafeinado, uma bebida energética média ou uma bebida energética grande. Ao final da sessão, os participantes classificavam seus desejos por álcool e realizavam teste do bafômetro para medir a concentração do álcool no organismo. De acordo com o resultado, o desejo por mais bebida fica ainda maior quando ela é misturada a um energético. Os autores concluíram que há, portanto, evidência de que a mistura de bebidas alcoólicas com energético resulta em um maior desejo de beber álcool, em comparação com a mesma quantidade de álcool consumida sozinha. Pesquisas anteriores já haviam advertido que a cafeína mascara os efeitos intoxicantes do álcool, o que pode levar a comportamentos mais arriscados. Ainda não se sabe de que forma a cafeína aumenta a fissura pelo álcool, mas a especialista, que também é coordenadora do projeto Balada com Ciência da Unifesp e pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), acredita que pode ser um mecanismo comportamental. “O álcool, inicialmente, deixa a pessoa mais descontraída, e o energético mais alerta. Como o energético mascara o efeito depressivo do álcool, a pessoa só sente a parte positiva. Com isso, a sensação de bem-estar estimula o consumo excessivo”, explica.